Paris na Idade Média

Paris na Idade Média

Antes da ocupação romana, a região de Paris era ocupada pela tribo dos parísios, que viviam nas ilhas do rio Sena. Na época da chegada dos romanos à cidade, que passou a ser chamada de Lutetia (Lutécia), teria apenas uns 5.000 habitantes.

Foram os romanos que construíram a cidade na margem esquerda do Sena (Rive Gauche), com ruas perpendiculares, no estilo romano, e dotando-a de termas, anfiteatros e templos. Na margem direita (Rive Droite), que passou a ser habitada na Idade Média, e nas ilhas, era tortuoso o traçado medieval das ruas e ruelas. Bairros como o Marais mantêm o traçado medieval até hoje.

Com o enfraquecimento do Império Romano, Paris foi ocupada pelos francos, que fizeram dela sua capital no começo do século C a.C. e ali se mantiveram até o século VIII. Um dos maiores obstáculos à sobrevivência da cidade foram os ataques dos vikings, que a partir de  845 passaram a subir o Sena com suas embarcações de guerra (dracares),  obrigando os habitantes de Lutetia a abandonar a cidade. Incursões vikings ocorreram até o início do século X.

Quando Felipe Augusto subiu ao poder, em 1180, Paris já tinha se tornado um dos mais importantes centros comerciais da Europa. Foi durante seu reinado que a cidade ganhou uma muralha, da qual ainda podem ser vistos vestígios no Marais.  Felipe ergueu a fortaleza do Louvre (onde funcionaria, bem mais tarde, um dos maiores museus do mundo)  e o mercado de Les Halles, na margem direita do Sena (Rive Droite).

Paris medieval: uma cidade bem suja!

Paris nessa época era imunda. Não havia esgotos. O lixo de toda espécie, inclusive os dejetos humanos, eram despejados na rua pelas janelas. Porcos, galinhas, cabras e cães vagavam soltos. Diz-se que o próprio rei, olhando pela janela de seu palácio, não aguentou o cheiro fétido que subia da rua em frente. Foi quando tomou a decisão de mandar pavimentar algumas das ruas mais importantes da cidade.

Como moravam as pessoas

As casas, em geral, eram sobrados. No andar de cima morava a família, geralmente em um só cômodo, onde dormiam os donos da casa, seus filhos e eventuais empregados. Uma cama podia servir para todo mundo. Privacidade não existia. O sexo era praticado em silêncio, na calada da noite. No térreo, funcionava um ateliê (de sapateiro, costureiro, ferreiro etc) ou uma lojinha. As casas não tinham jardim ou quintal. Todas eram geminadas e davam diretamente para a rua. Um pesado tampo horizontal de madeira que era erguido pela manhã e fechado à noite, à guisa de janela, permanecia abaixado durante o dia, servindo de balcão para clientes.

A primeira universidade de Paris

Em 1200, por iniciativa de Felipe Augusto, foi inaugurada a primeira universidade parisiense, e que daria origem à Sorbonne. Assim, se a Île de la Cité era a sede do poder político e, a Rive Droite, o pólo comercial, o Quartier Latin (“Bairro Latino”), na Rive Gauche, passou a ser o centro intelectual da cidade. O famoso bairro ganhou esse nome porque passou a ser frequentado por professores e estudantes, que falavam e escreviam em latim, a língua erudita da época.

Paris suja, mas toda branca

Um detalhe urbanístico interessante: apesar da sujeira, Paris era nessa época toda branca, uma vez que as casas eram construídas com pedras claras e madeirame cruzado no estilo colombage, com os vãos preenchidos por alvenaria e argamassa. Esse estilo existe ainda hoje na Normandia e na Alsácia. Nos tempos de Felipe Augusto, as casas passaram a ter brasões de identificação. A numeração só foi instituída bem mais tarde, no início do século XIX.

As vestimentas

Nessa época, muitas pessoas não dispunham sequer de uma camisa de algodão, mas somente de uma veste de lã, que muito raramente era lavada. Só os ricos dispunham de várias mudas de roupas, que eram lavadas com alguma frequência. Em Paris, como em toda a Europa, usavam-se roupas costuradas no corpo ou fechadas por meio de laços. O botão, introduzido a partir do século XII, foi inicialmente considerado uma vulgaridade e um convite ao pecado. (Isso porque eles não conheciam o zíper!)

A alimentação em Paris na Idade Média

A base da alimentação dos parisienses era o pão, nem sempre de trigo, uma vez que, nas épocas de maior penúria, era feito até de sorgo e de outros cereais destinados ao gado. A batata só chegaria bem mais tarde, depois da descoberta da América.

Os mais afortunados tinham acesso ainda a uma pequena variedade de legumes, frutas e carne, que podia ser bovina, suína e até equina. Aves, caça, peixes e ovos completavam o cardápio. Tomava-se vinho e cerveja, que era muito diferente da que se bebe hoje.

Como em outros lugares da Europa, até mesmo os nobres comiam com as mãos. Não existiam talheres; no máximo era utilizada uma faca para cortar carnes e um grande garfo para se servir. Era considerado muito fino que um homem e uma mulher se servissem num prato comum e bebessem no mesmo copo. O ato de supremo cavalheirismo era deixar o melhor bocado para a dama, que não era necessariamente a esposa. Obviamente, nem todos gostavam de ver sua mulher comer no prato do vizinho!

A Peste Negra

Por volta de 1328, a população parisiense já alcançava cerca de  200 mil pessoas, o que a tornava uma das cidades mais populosas da Europa. Mas, em 1348, a Peste Negra (peste bubônica) dizimou boa parte de seus habitantes. Pulgas e ratos eram comuns nas casas, o que facilitou a propagação da doença, transmitida por pulgas que viviam nos pêlos dos ratos. Gatos, principalmente os pretos, foram acusados de ajudar feiticeiros e passaram a ser caçados impiedosamente, o que facilitou a propagação de ratos, os verdadeiros portadores da peste.

A Peste Negra foi apresentada pela Igreja como punição divina contra uma população inclinada ao pecado e que, às vezes, nem comparecia às missas. Apavoradas, as pessoas se reuniam nas igrejas para rezar, contaminando-se umas às outras. Ou seja, quanto mais rezavam, mais morriam! Agravava a situação a falta de higiene pois, na Europa, naquela época, não era costume dos cristãos tomar banhos, já que a Igreja considerava que o contato com o próprio corpo podia levar ao pecado. Só judeus e muçulmanos tomavam banho com certa regularidade.

Vamos comparar?

Compare Paris com Londres na Idade Média.