A Guerra Franco-prussiana e a Comuna de Paris

Guerra Franco-Prussiana1

A Guerra Franco-prussiana e a Comuna de Paris: tempos difíceis para os parisisenses

O imperador cai prisioneiro

A tranquilidade dos parisienses seria novamente rompida em julho de 1870, quando Napoleão III envolveu-se numa desastrada guerra contra a Prússia sem que a França estivesse preparada para um conflito dessa envergadura. A campanha de Napoleão III, que não tinha a visão estratégica de seu tio, foi um completo fracasso e ele próprio acabou prisioneiro. Indignados, os parisienses se revoltaram, recusaram-se a aceitar a rendição e proclamaram a República pela terceira vez.

Paris sob bombardeio

Foi formado um novo governo liderado pelo general Trochu, um militar não muito brilhante, que não conseguiu deter o inimigo.
Bismarck, o comandante prussiano, consciente das perdas que sofreria tentando tomar Paris, preferiu sitiar e bombardear a cidade, forçando os parisienses à rendição pela fome: “Nós temos tempo para esperar até que eles comam seus cães e seus belos gatos peludos”, escreveu ele a seu filho. Como todos os transportes em Paris eram por tração animal, no início os cavalos e burros foram sendo sacrificados. Depois, como previra Bismarck, foi a vez dos gatos (apelidados de “fauna dos telhados”), que passaram a ser vendidos nos mercados. Depois vieram os cachorros, os ratos e até mesmo os animais dos zoológicos do Jardin des Plantes e do Jardin d’Acclimatation: camelos, ursos, elefantes…

O cerco de Paris

Com a cidade cercada pelos prussianos, só havia um meio de sair de Paris: pelo ar. Quase 70 balões conseguiram deixar a capital sitiada, levando no total mais de 100 pessoas, entre elas Gambetta, Ministro do Interior, que por pouco não foi derrubado pela artilharia inimiga.
O cerco de Paris demorou cinco penosos meses, até que, em janeiro de 1871, Trochu foi afastado e um novo governo com sede em Versalhes concluiu um armistício. Pelo acordo de paz, a França perdeu a maior parte da Alsácia-Lorena e comprometeu-se a pagar indenizações de guerra no valor de 200 milhões de francos.

Louise Michel

O novo governo francês, comandado por Adolphe Thiers, numa manobra para desarmar Paris e sua rebelde Guarda Nacional, mandou o general Lecomte buscar os canhões que estavam instalados em Montmartre. A professora anarquista Louise Michel e outras mulheres do bairro consideraram esse ato uma traição e conclamaram o povo a resistir. O resultado foi que os soldados acabaram se confraternizando com a população, Lecomte foi fuzilado e a rebelião tomou conta da cidade. Foi esse o estopim da Comuna de Paris, um revolta popular que há muito se esboçava. A agitação social era visível; o proletariado ainda vivia em más condições e toda a população sofria com a fome e o frio causados pelo cerco prussiano. Como pano de fundo, havia as doutrinas socialistas e anarquistas, que estavam na ordem do dia. Os combates foram violentos. Apesar da paranóia dos communards (participantes da Comuna), que os fazia ver espiões em cada esquina, seus excessos não podem ser comparados aos praticados pelo governo conservador que assumiu o poder. Ao dominar a revolta, no final de maio, Thiers comandou um dos maiores massacres da História da França, tendo mandar fuzilar milhares de pessoas. Paris sofreu bastante. Incontáveis predios púbicos foram incendiados e boa parte dos bairros populares da região leste da cidade foi arrasada.

Dica de leitura – Para ter uma ideia de como era a vida na capital francesa durante a Comuna de Paris, leia Paris Babilônia, de Rupert Christiansen.

Arte e pensamento no século XIX

No século XIX, viveram em Paris alguns dos maiores nomes da literatura francesa. Honoré de Balzac, Victor Hugo, Émile Zola, Marcel Proust e Gustave Flaubert, assim como o contista Guy de Maupassant, são autores de clássicos universais.
A poesia também teve grandes expoentes nesse período: Rimbaud, precursor do surrealismo; o simbolista Mallarmé; o controvertido Verlaine; e o ultrarromântico Baudelaire, que traduziu melhor do que ninguém o mal du siècle (mal do século).
Precursor da ficção científica, Júlio Verne inspirou-se nos avanços tecnológicos para, com inigualável criatividade, escrever suas obras para os jovens. Tornou-se um dos pais da ficção científica com Da Terra à Lua, Viagem ao Centro da Terra e 20.000 Léguas Submarinas.
Na pintura surgiu um novo movimento — o Impressionismo — que rompeu com o academicismo da pintura de salão. Inicialmente boicotados, artistas como Renoir, Monet, Manet, Pissaro, Van Gogh, Gauguin e Berthe Morisot passaram a privilegiar o que o artista vê e sente. A palavra impressionismo foi inventada por um crítico que pretendeu satirizar o quadro de Monet, Impression, Soleil Levant. Hoje quase ninguém se lembra do nome desse crítico, mas todo mundo sabe quem é Monet!
A Paris do século XIX foi também berço de ideias que transformariam a visão de mundo de então. Proudhon, pai da doutrina anarquista, os discípulos do “socialista-científico” St-Simon, dentre os quais Auguste Comte, criador do Positivismo, e o próprio Karl Marx também viveram na capital francesa nessa época e suas ideias tiveram reflexos em vários acontecimentos históricos em todo o mundo, desde a Comuna de 1871 até os movimentos revolucionários do século XX.

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