Arquivo da tag: italiamaterias

Vaticano
Vaticano

A Inquisição, o capítulo mais negro da Igreja Católica

A Reforma Protestante gerou, por parte da Igreja, uma Contrarreforma, ou seja, um movimento de “tolerância zero” em relação àqueles que se manifestassem (ou mesmo pensassem…) de forma contrária aos dogmas católicos. O instrumento utilizado para, literalmente, eliminar os hereges, foi a Inquisição, um terror que, partindo de Roma, se estendeu por toda a Europa católica. A heresia mais evidente era a dos protestantes e dos judeus – que claramente seguiam outras religiões –, mas os próprios católicos que discordassem o mínimo que fosse da doutrina da Igreja, mesmo que tivessem base científica para tanto, eram considerados hereges.

Manuais com aulas de tortura

O que Nero e outros imperadores pagãos tinham feito contra os primeiros cristãos, os inquisidores fizeram ainda pior contra os acusados de heresia. Existiam até mesmo manuais que ensinavam como reconhecer um herege, com explicações detalhadas de como um suspeito devia ser torturado. Atenção especial era dada às mulheres, mais propensas a atividades demoníacas… O acusado não tinha o direito de saber quem o estava acusando – e muitas vezes sequer o teor da acusação! Dentre as especificações do manual, recomendava-se torturar qualquer pessoa que hesitasse um instante que fosse em responder ao interrogatório ou caísse em qualquer tipo de contradição.

A prova do ferro quente

Para ser acusado e torturado, bastava uma testemunha de acusação, qualquer uma: podia ser seu maior inimigo, uma ex-namorada vingativa, seu vizinho maluco… Um dos métodos utilizados para apurar a culpabilidade de alguém era a prova do ferro quente, ou do fogo: quem conseguisse segurar com as mãos um pedaço de ferro em brasa ou pisar em brasas sem apresentar sinais de queimaduras era absolvido, pois esse era um sinal de que Deus o considerava inocente… É uma pena que nenhum desses inquisidores tenha passado pela mesma experiência, para sabermos se Deus os inocentaria.

Giordano Bruno

Uma das mais famosas vítimas da Inquisição na Itália foi Giordano Bruno, monge dominicano que estudou filosofia em Nápoles e que tinha ideias bastante heréticas e contrárias ao geocentrismo (teoria aceita na época pela Igreja, que afirmava que a Terra era o centro do Universo). Para piorar as coisas do ponto de vista da Igreja, Giordano Bruno acreditava não só que o universo era infinito e composto de incontáveis sóis e planetas que giravam em torno desses sóis, mas também que esses planetas eram habitados por seres inteligentes, da mesma forma que a Terra. Começando a ser perseguido, largou a batina e fugiu, mas cometeu o erro de voltar à Itália e, depois de ficar anos preso sem renegar suas ideias, foi queimado vivo em Roma no ano de 1600.

Galileu Galilei

Além dos que foram mortos sob acusação de heresia, houve casos de pessoas que escaparam por pouco, como Galileu Galilei, que, depois de passar por um grande dilema moral durante o processo a que respondeu de 1615 a 1633, acabou por negar suas afirmações anteriores. (“Eu disse que a Terra gira em torno do Sol? Não era bem isso…”) Ele não quis ter o mesmo fim de Giordano Bruno, mas só voltou atrás da boca para fora. Conta-se que, depois de se desdizer perante o tribunal da Inquisição, ele teria falado baixinho para si mesmo: “E pur si muove!”, que quer dizer, “Apesar disso, ela se move!”. E continua se movendo até hoje…

Acompanhe a história de Roma

A Itália redescoberta

Matérias especiais

A origem dos sobrenomes italianos | Quem inventou a pizza?
A sociedade na época do Império Romano | Para entender a Itália
Os italianos | Guiar na Itália: vivendo e aprendendo
Arte erótica do Gabinetto Segreto do museu arqueologico de Nápoles
Os papas  | Os italianos no Brasil

A Itália em imagens

Maquina fotografica

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

Reconstituição, Casa do Fauno, Pompeia, Itália
A casa romana, a reconstituição, Casa do Fauno, Pompeia, Itália

A casa romana: como viviam os romanos?

Para se visitar Pompeia, o mais fácil é se hospedar em Nápoles.

O atrium

A casa romana era centrada em um pátio a céu aberto — o atrium — e fechada em si mesma, sem janelas ou eventualmente com alguma janela apenas no segundo andar, dando para a rua em frente. Nas laterais, os quartos de dormir, com exceção do dormitório do casal,  pequenos e mal iluminados, abriam-se diretamente para o atrium.

O triclinium

Nas casas ricas sempre havia um cômodo chamado triclinium, com divãs onde os convidados eram recebidos para o jantar. Nesses banquetes comia-se deitado. (“Deitem-se, por favor…”).

O impluvium e a cozinha

O impluvium no meio do atrium servia para armazenar água da chuva e encaminhá-la para um reservatório.
A cozinha ficava ao lado do atrium e nem sempre tinha chaminé — a fumaceira devia ser brava!
Muitas famílias menos abastadas não tinham cozinha e mandavam preparar seus alimentos em outras casas ou os comprava prontos nas tabernas e padarias. (Quando o primeiro taberneiro teve a ideia de mandar um escravo entregar a comida na casa de alguém, surgiu o delivery!)

O tablinium

O tablinium equivalia, grosso modo, às atuais salas de estar ou de visitas. Normalmente as casas romanas eram pouco mobiliadas. Nos quartos havia quase sempre apenas a cama, talvez uma mesinha. Algumas casas tinham cômodos independentes, no térreo ou no andar de cima, dando para a rua, que eram alugados para comércio.

A decoração com afrescos

O interior das casas dos mais abastados tinha as paredes decoradas com afrescos. Em diversas residências, principalmente nos quartos, essas pinturas tinham temática erótica. Os romanos, ao que parece, usavam e abusavam de cores fortes, mesmo em colunas de templos, e mandavam pintar de vermelho ou azul berrante até as estátuas. É um fato interessante, porque hoje, se você percorrer Pompeia, verá que esse colorido praticamente desapareceu por causa da ação do tempo.

Os “apartamentos”, ou insulae

Algumas construções eram habitadas por várias famílias, uma em cada andar, com entradas independentes. Muitos romanos de “classe média” habitavam insulae, ou imóveis de aluguel, que tinham até quatro ou cinco andares. Eram, a rosso modo, como os apartamentos hoje em dia.  Foi descoberta até mesmo uma espécie de hospedaria sofisticada, destinada aos homens de negócios da época.

Os aquedutos

Os aquedutos, com vários quilômetros de comprimento, levavam água até as cidades, onde fontes serviam à população. O abastecimento das casas era feito por aguadeiros; pouquíssimos privilegiados tinham água corrente. Algumas casas tinham latrinas, mas existiam também banheiros públicos. De qualquer modo, a sujeira era também jogada nas ruas, à noite principalmente. Para se banhar, o romano ia às termas.

Acompanhe a história de Roma

O Cristianismo e a queda de Roma

Dicas

Sobre a sociedade romana e os primeiros tempos do Cristianismo, leia História da Vida Privada — volume 1, organizado por Philippe Ariès e Georges Duby; O Fim do Mundo Antigo, de Santo Mazzarino; Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon; e A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges. Há ainda, de Paul Veyne, L’Élégie érotique romaine e La Societé Romaine.

Informações práticas

Como ir a Nápoles

Compare preços de pacotes e passagens aéreas para Nápoles

Onde dormir

Escolha e reserve seu hotel em Nápoles

A Itália em imagens

Maquina fotografica

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

 

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

A Itália na Idade Média

A decadência

A Alta Idade Média, período que se seguiu à queda do Império Romano, foi um período de turbulência durante o qual ocorreu um retrocesso quase universal todas as áreas. Os magníficos aquedutos romanos, as estradas que ligavam Roma a todas as partes do império (daí a expressão “todos os caminhos levam a Roma”), os banhos públicos e os anfiteatros deixaram de receber manutenção. As pessoas simplesmente roubavam pedras de construções para erguer suas casas! A população passou a viver com muito menos conforto, considerando-se feliz se pudesse ter algo para comer. Embora seja verdade que as cidades romanas não fossem muito limpas, na Idade Média tornaram-se imundas. Havia doenças, ratos, pulgas, carrapatos…

Mapa da Itália

Nada de banhos

Enquanto os antigos romanos adoravam os banhos nas termas e se lavavam com alguma regularidade, na Itália Medieval os cristãos – membros do clero, principalmente – consideravam o banho um incentivo à luxúria, que deveria ser evitado. As termas, aliás, sem nenhuma manutenção, tornaram-se imprestáveis.

A insegurança

As estradas, além de infestadas de bandidos, tornaram-se intransitáveis pela falta de conservação. Num mundo cada vez mais sem lei nem ordem, a principal preocupação era com a defesa; os conflitos armados eram constantes e a população urbana diminuiu drasticamente.

Vídeo sobre a Itália na Idade Média

O feudalismo

Com a decadência das cidades, muitos nobres ricos se transferiram para a civilizada Constantinopla ou para o campo, estabelecendo-se em grandes casas bem protegidas, embriões dos castelos medievais, fortalezas defendidas por cavaleiros. Cada senhor de um pequeno núcleo fortificado prestava juramento de obediência a outro senhor mais poderoso e com mais condições de vir em seu socorro no caso de ataque inimigo. Enquanto durante o Império Romano havia nas cidades artesãos e pequenas oficinas capazes de produzir e comercializar bens, durante o período feudal o castelo tornou-se um centro autossuficiente, onde se produzia o básico. Não havia escravos, mas servos, que cultivavam as terras e produziam os utensílios e ferramentas necessários. Se um servo demonstrasse habilidade para lidar com o couro, por exemplo, acabava se tornando encarregado da produção de botas e outros artigos.

A vida miserável dos servos

Os servos, que viviam miseravelmente em suas cabanas, deviam trabalhar primeiro as terras de seu senhor e ficavam com pequenos terrenos para o próprio cultivo – não os melhores, naturalmente. Nos tempos mais duros do feudalismo, em cada dez crianças que nasciam, seis ou sete morriam em razão de fome, violência ou doença antes de atingir a idade adulta. A dependência dos servos era total: se fossem moer seu trigo no moinho do senhor, deviam pagar por isso; se o proprietário das terras quisesse, podia requisitá-los para serrar madeira ou para trabalhar no castelo. Quase toda a área florestal em volta do castelo era reserva de caça dos nobres, onde somente por um especial favor o servo poderia caçar. Ao senhor feudal cabia autorizar ou não o casamento entre seus servos, bem como o direito de passar com a noiva a noite de núpcias.

A diferença entre o servo de gleba e o escravo

Ao contrário do escravo, o servo da gleba pertencia àquela propriedade rural, e não ao senhor. Não poderia ser vendido isoladamente, apenas junto com a propriedade – ele e sua família passariam, da mesma forma que as terras, para as mãos de outro senhor. O servo não poderia abandonar as terras de seu senhor nem mesmo para casar-se com alguém fora dos limites do feudo: terra sem gente para trabalhá-la não servia para nada.

Os vilões

Numa situação ligeiramente melhor estavam os vilões (a palavra não tem a significação que tem hoje), com menos obrigações e algumas vantagens. Basicamente, podemos dividir a sociedade feudal em três estamentos: os senhores guerreiros (teoricamente encarregados de proteger seus servos contra a ambição de outros senhores), os sacerdotes (incumbidos da orientação espiritual do seu rebanho) e os servos e vilões (para quem ficava o trabalho pesado).

O crescente poderio da Igreja

Com o crescente poderio da Igreja, esta se tornou a maior proprietária de terras do Ocidente. O enriquecimento da Igreja deveu-se a diferentes fatores, como a doação de terras por parte de reis e nobres e a cobrança do dízimo (que algumas seitas atuais, copiando o modelo, impõe a seus fiéis…). Além disso, enquanto os nobres iam tendo filhos e dividindo entre eles suas terras, o clero, proibido de casar, não produzia prole que reclamasse herança. Essa é, aliás, uma das origens do celibato clerical.

Um sociedade fechada

Um tipo de sociedade assim não favorecia de modo nenhum o comércio. Havia guerras constantes entre os diversos senhores, nas quais os principais prejudicados eram os aldeões. Não existia um exército regular, mas bandos de guerreiros mal pagos, cujo maior interesse era saquear. Quando um nobre ou alguém de importância era capturado, sua vida era geralmente poupada em troca de um resgate (como atualmente no Brasil!). No que sobrou das antigas cidades romanas ou das novas que se formavam em volta dos muros do castelo, funcionavam mercados locais. Na falta de moeda corrente – que praticamente desapareceu com a queda do Império Romano –, quase tudo funcionava na base da troca. Um saco de trigo, por exemplo, valia um certo número de galinhas ou determinada quantidade de sal.

Informações práticas

Como ir para a Itália

Compare preços de pacotes e passagens aéreas para a Itália

Onde dormir

Escolha e reserve seu hotel em | AssisBolonha  | ComoFlorença
Gênova |Lucca
MantovaMilão | Nápoles | PalermoPisa
SienaRoma | Veneza | VeronaSta. Margherita Ligure  | Torino

Maquina fotografica

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

Castel Vecchio, em Nápoles, Itália
Histórias de Nápoles, o Castel Vecchio, Itália

Acessar o sumário •  Acessar o índice remissivo

Tradições de Nápoles, coisas da Itália…

A Itália napolitana

Muito daquilo que nós, brasileiros, costumamos considerar “tipicamente italiano”, são na verdade traços da cultura da Campânia, são tradições da região de Nápoles, e não “da Itália”.
Isso se explica porque muitos dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil no século XX, sobretudo para o estado de São Paulo, são originários da região da Campânia, cuja capital é Nápoles. Eles trouxeram consigo influências culinárias e musicais, dentre outras tradições e traços culturais.
Um exemplo: você já esteve na Festa de San Gennaro, no Bixiga (Bela Vista), em São Paulo? Pois é, San Gennaro (São Januário) é o padroeiro de Nápoles!

Massas e pizzas

As massas e pizzas são apreciadas por toda parte, mas em nenhum lugar tanto quanto em Nápoles, cidade que se vangloria de ser a terra da verdadeira pizza e que tem, entre seus pratos tradicionais, macarrões preparados de tudo quanto é jeito. A massa a putanesca tem uma história engraçada, aliás. É rápida para se preparar. A esposa tem tempo de dar uma escapulida e preparar o jantar do marido antes dele voltar…

Napolitanos: expansivos, informais, nostálgicos…

Falar muito, em voz alta, e gesticular o tempo todo? Ser expansivo e informal? Isso é com os napolitanos! São deles também a alegria, o sentimentalismo e a nostalgia que se revelam nas mais conhecidas canções italianas: as napolitanas. Qual brasileiro nunca ouviu O Sole mio ou não conhece a Tarantella? Quem já cantou Funiculi, funiculà numa cantina paulistana depois de ter tomado uns bons goles de vinho tinto sabe do que estamos falando!

A alma apaixonada do napolitano pode ser sentida em canções como Malafemmena, cantada em dialeto. Repare a letra, em dialeto napolitano; você entende! Há palavras bem parecidas com o português. Nesses trechos você pode observar o que é uma relação de amor e ódio tipicamente napolitana. Afinal, é melhor escrever uma canção que cometer um crime passional:

Si avisse fatto a n’ato chello ch’’e fatto a mme, st’ommo t’avesse acciso…” (“Se você tivesse feito a outro o que fez a mim, esse homem teria te matado!”)

Femmenna, si’ ddoce comme ‘o zucchero, però sta faccia d’angelo te serve pe’ ‘ngannà…” (“Mulher, você é doce como açúcar, mas essa cara de anjo serve para enganar…”); e vai por aí…

Video

Guiar em Nápoles, uma aventura

Alugar um carro para visitar a Campânia, a região italiana que tem Nápoles por capital, pode ser uma ótima ideia. Mas em Nápoles mesmo, prefira os transportes públicos que funcionam bastante bem.

O trânsito napolitano é caótico, ninguém respeita ninguém, todo mundo se espreme, tentando passar ao mesmo tempo. Se você parar numa faixa de segurança para deixar alguém passar, pode bem ser que o cidadão no carro logo atrás comece a buzinar apressado…

Outra dificuldade é achar onde estacionar. Além de ser uma empresa difícil achar estacionamento, nem sempre as indicações de onde é proibido são claras. Pergunte a um napolitano… Talvez ele saiba!

Se você tiver alugado o carro em outra cidade italiana e pretende passar uns dias em Nápoles, devolva o automóvel ao chegar e pegue outro quando for deixar a cidade.

O Hotel de Mr. Brazil

A história (verdadeira) de um hotel napolitano

Entre as histórias de Nápoles, esta é uma das mais interessantes. Um dos mais antigos hotéis napolitanos foi comprado em 1878 por um inglês chamado Mr. Brazil, que o ampliou e reformou, introduzindo confortos modernos para a época, como água corrente aquecida.

A partir daí, Brazil ficou com uma dívida enorme… Gastar a olho, sem critério e sem pensar dá nisso.

Certo dia, em 1886, quando apareceu um oficial de justiça com ordem de penhorar o estabelecimento, um hóspede simplesmente disse: “Ponha na minha conta!”. Esse abastado visitante era o biólogo marinho George Parker, que cumpriu sua palavra e tornou-se proprietário do hotel.

Hoje o Parker’s é um hotel muito elegante, apto a oferecer todo o conforto, e seu restaurante George’s é tão renomado que a Accademia Italiana della Cucina dá seus cursos lá.

Informações práticas

Como ir a Nápoles

Avião

Não existem voos diretos do Brasil. Pegue uma conexão em Roma ou Milão.

Veja passagens aéreas e pacotes para Nápoles

Onde se hospedar em Nápoles

Escolha e reserve seu hotel em Nápoles

Maquina fotografica

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

 

Lago Averno
Arredores de Nápoles, Lago Averno

Arredores de Nápoles, um passeio de carro entre história e mitos – de Nápoles a Cuma

Por Luciano Bellini

Este é um trajeto bonito e rico em história, mitologia e paisagens incomuns, nos arredores de Nápoles (Napoli).

Nápoles e arredores

Saindo de Nápoles pela Via Caracciolo (avenida beira-mar de Chiaia), siga pela Via Posillipo. Dessa estrada, cheia de antigas mansões, pode-se apreciar uma linda vista do mar. No Quadrivio del Capo, no Capo Posillipo, desfruta-se do famoso panorama de Nápoles, que já virou cartão postal, com o golfo, a cidade e, ao fundo, o Vesúvio. Quem tem pressa pode pegar à esquerda e ir apenas a Marechiaro, antigo vilarejo de pescadores que hoje tem ótimos restaurantes. Porém, o trajeto sugerido é, depois ir a Marechiaro, seguir para Nisida. Mais adiante chega-se a Solfatara, uma cratera vulcânica do alto da qual se tem outra magnífica vista do golfo.

Pozzuoli

Um pouco mais à frente está Pozzuoli, onde há sítios arqueológicos a serem visitados. Na saída de Pozzuoli está o Lago Averno. Pode-se seguir rumo ao sul, onde estão Baia e o Capo Miseno, ao lado do lago de mesmo nome, ou ir diretamente a Cuma, a noroeste do Lago Averno. Os que ainda estiverem curiosos (e dispostos!) poderão continuar ao norte até chegar ao Quadrivio di Patria, ao lado do Lago di Patria, onde está Liternum, mas a viagem acaba aí – as ruínas de Liternum não são abertas ao público. É também o porto onde desembarcou o apóstolo Paulo.

Nisida

Onde Brutus – filho adotivo e assassino de Júlio César – despediu-se da esposa Porzia.

Averno

Lago perto de Cuma.  Na Antiguidade, tinha águas tão sulfurosas – e tóxicas! – que envenenavam as aves que o sobrevoavam. Segundo Virgílio, era a entrada do reino dos mortos, onde Enéas foi procurar seu pai.

Lago Miseno

(ou lago Stige, como era chamado pelos gregos). Outro lago próximo, sobre o qual a barca de Caronte levava os mortos ao inferno, destino de todos, bons ou maus. A travessia era paga e, para tanto, colocava-se uma moeda na boca do defunto.

Capo Miseno

Desse ponto, segundo Homero, gigantes atiraram enormes pedras contra o navio de Ulisses, quando este voltava da guerra de Troia. (Para saber o final da história, leia a Odisseia.)

Baia

Um golfo tão bonito que Horácio, Crasso, César, Pompeu e Cícero construíram ali suas mansões. (Isso não é lenda!)

Cuma

Um dos lugares mais sagrados da antiga Itália, onde a Sibila, poderoso oráculo, previa o futuro com palavras misteriosas enviadas pelos deuses, que precisavam ser interpretadas (esta é a origem da palavra “sibilina”). Tais profecias eram tão importantes que foram reunidas em livros e citadas em textos hebraicos e cristãos. Acredita-se que, através dessa cidade, o alfabeto tenha sido introduzido na Itália. No Parque Arqueológico de Cuma estão o Antro (caverna) da Sibila e as ruínas de um imenso palácio que provavelmente pertenceu a imperadores romanos.

Liternum

Onde Cipião resolveu se fixar e “cultivar seu jardim” depois de derrotar Aníbal.

A Campânia arqueológica: mais dicas para conhecer

Quem se interessa pelo mundo greco-romano vai gostar também de conhecer na Campânia:
Torre Annunziata, Boscoreale e Stabia: Em todos esses lugares há vilas romanas interessantíssimas e em bom estado de conservação.
O anfiteatro de Santa Maria Capua Vetere, o maior do mundo depois do Coliseu.
O anfiteatro Flavio, o terceiro maior do mundo e o Tempio di Serapide, em Pozzuoli.
Benevento: Ali ficam o Arco de Trajano e as ruínas do Teatro de Adriano.
Antro da Sibila Perto de Pozzuoli, imensa caverna esculpida na rocha onde a pitonisa (oráculo) de Cuma dava seus conselhos e fazia suas profecias.

Informações práticas

Como ir a Nápoles

Avião

Não existem voos diretos do Brasil. Pegue uma conexão em Roma ou Milão.

Veja passagens aéreas e pacotes para Nápoles

Não existem voos diretos do Brasil. Pegue uma conexão em Roma ou Milão.

Onde se hospedar em Nápoles

Escolha e reserve seu hotel em Nápoles

Maquina fotografica

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

Santo_Sudario_02

O Santo Sudário: a imagem é mesmo de Cristo?

O Santo Sudário é um pedaço de tecido de linho de mais de 4 metros de comprimento por 1 de largura que, curiosamente, contém, como em um negativo fotográfico, a imagem do corpo de um homem com marcas (de crucificação?) nos pés e nas mãos. As autoridades religiosas garantem que o tecido foi usado para envolver o corpo de Jesus depois de sua crucificação.

A primeira referência ao Santo Sudário data de 1354, quando foi doado pelo conde Geoffroi de Charnay à igreja de Lirey, na França. Posteriormente, tendo escapado quase ileso (ou por milagre…) de um incêndio no ano de 1535, os religiosos preferiram leva-lo para a Itália, onde seria mais bem cuidado.

A discutida autenticidade do Santo Sudário

Inicialmente, a própria Igreja Católica levantou dúvidas sobre sua autenticidade. Mesmo o papa Clemente VII preferiu considerá-lo como uma reprodução do verdadeiro sudário de Jesus.

De qualquer modo, a Igreja Católica nunca encarou com boa vontade a realização de estudos que pudessem comprovar ou desmentir a autenticidade da peça, principalmente por cientistas leigos. Somente em 1988, três laboratórios obtiveram, finalmente, autorização de examinar o tecido. Utilizando o sistema de datação conhecido como carbono 14, usado para identificar fósseis e peças antigas, concluíram, que o Santo Sudário teria sido elaborado durante a Baixa Idade Média  entre 1260 e 1390.

A longa viagem do Santo Sudário

O Evangelho de João afirma que Nicodemos e José de Arimateia envolveram o corpo de Cristo em faixas de linho, do modo como os judeus costumavam sepultar seus mortos. O Santo Sudário teria sido levado a Constantinopla e em seguida a Paris, para depois se tornarem propriedade da dinastia piemontesa Savoia. Posteriormente o Sudário foi doado à Igreja Católica e hoje pertence ao Vaticano. Raramente exibido ao público. Sua última exibição, que atraiu dezenas de milhares de fieis ocorreu em 2010. Não se sabe quando será novamente quando o público comum poderá vê-lo. Atualmente o Santo Sudário é conservado na catedral de Turim, a capital da região italiana de Piemonte.

A imagem muito mais visível em negativos fotográficos

A imagem que aparece no tecido de linho pode ser vista mais nitidamente quando impressa em preto e branco branca no negativo fotográfico do que no próprio manto, onde os traços são mais apagados. Essa imagem fotográfica pode ser apreciada pela primeira vez em maio de 1898, quando foi exibida em Turim.
Até hoje o Santo Sudário é objeto de discussões acaloradas. Muitos cientistas afirmam que o tecido data da Idade Média, enquanto outros garantem que um incêndio ocorrido no local onde o Sudário foi guardado invalidaria os testes de Carbono 14 que levaram a essa conclusão.

Um Cristo em versão europeia

Argumenta-se, ainda, ser pouco provável que Jesus Cristo tivesse cabelos compridos e lisos – uma versão ocidentalizada de Jesus, bem diferente do povo de cabelos escuros e encaracolados que habitava a Palestina à época em que ele viveu. Repare, a título de curiosidade, a diferença de traços entre os judeus oriundos da Europa e os originários do Oriente Médio, que tem feições palestinas.  Essa versão do Cristo com traços arianos surgiu quando o cristianismo emplacou na Europa, após a a conversão do imperador Justiniano, quando a Europa se tornou cristã. (Quem se interessa por esse momento histórico deve ler Quand notre monde est devenu chrétien, de Paul Veyne.)

A importância das relíquias na Europa da Idade Média

É fato também que, na Idade Média, muitas relíquias foram forjadas, pois era motivo de glória para uma cidade possuir ossos de santos, pedaços da cruz de Cristo e outros objetos sagrados. Eram tantos os pedaços de madeira extraídos da cruz onde Jesus foi crucificado, que já se comentou que com eles se poderia construir, na época, toda uma esquadra…

Relíquias não significavam apenas glória, mas também lucros.  Era um ótimo negócio para qualquer cidade na Idade Média possuir relíquias que atraíssem peregrinos e movimentassem a economia local.  Relíquias eram, então, verdadeiras atrações turísticas.  Diga-se de passagem; até hoje o turismo religioso movimenta uma quantia fabulosa de dinheiro no mundo inteiro.

Quem não tinha suas relíquias as criava ou comprava

Cidades que não tinham relíquias para exibir compravam-as de comerciantes inescrupulosos, geralmente acreditando, ou fingindo acreditar em sua autenticidade e pagando verdadeiras fortunas por elas… Piratas (gente confiável, como todo mundo sabe…), por exemplo, sempre praticaram esse tipo de comércio.

Em outras cidades as autoridades religiosas de então, não tinham muito escrúpulos em falsificá-las. Alguns espertalhões vivam disso: fabricar relíquias, da mesma forma que hoje falsários fabricam “antiguidades” para turistas incautos.  Sabe-se hoje, por exemplo, que boa parte das “relíquias” adquiridas por italianos e franceses em Constantinopla eram falsas. É  caso da coroa de espinhos comprada por São Luís, que construiu a famosa Sainte-Chapelle em Paris especialmente pra abrigá-la.

Enfim, isso não significa que, necessariamente, o Santo Sudário seja uma fraude, mas a polêmica continua.

Informações práticas

Como ir a Turim

Avião

Veja passagens aéreas e pacotes para Turim

Onde se hospedar em Turim

Escolha e reserve seu hotel em Turim

Maquina fotografica

 A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

mpresso, substituído pelo  Guia GTB ON Line Itália, gratuito, e com

A erupção do Vesuvio

Pompeia era uma próspera cidade do Império Romano, com cerca de 20 mil habitantes, situada no sul da Itália, a somente 22 km de Nápoles. No ano de 79 da era cristã Pompeia foi destruída por uma mega e insólita erupção do vulcão Vesuvio.

Séculos se passaram, o império romano foi tomado pelos bárbaros. Pompeia acabou caindo no esquecimento. Durante cerca de 1.600 anos ninguém mais se lembrava que ali existia um grande centro urbano com  casas, ruas, templos, estádios, termas, comércio e até bordéis. Pompeia conservou-se soterrada durante séculos, até por acaso em 1748.

A descoberta de Pompeia, toda preservada

A descoberta em si, já foi uma surpresa. Começaram as escavações, que se revelaram intermináveis. Até hoje arqueólogos ainda vasculham e desenterram muros e todo tipo de objeto nos campos vizinhos. A lama e cinzas vulcânicas cobriram completamente Pompeia, preservando-a de tal modo que, mesmo os corpos de seus antigos habitantes foram “moldados” pelo material vulcânico. O quadro, para quem visita a cidade romana é impressionante. Foram encontrados grande número de corpos: crianças agarradas às mães, grupo de pessoas reunidas em momentos de desespero, casais abraçados, cães, cavalos, e até gatos jaziam por terra em seus moldes macabros. É claro que a descoberta de Pompeia foi uma enorme contribuição à historiadores e arqueólogos, que puderam saber em detalhes como era a vida dos romanos na época. Mas, já imaginaram os momentos se terror e sofrimento vivenciados pela população?

Mas uma pergunta continuou sem resposta até épocas mais recentes. Por que tanta gente morreu? Foram mais de 15 mil pessoas! Em geral quando uma erupção vulcânica tem início, a primeira coisas que as pessoas fazem é sair correndo. Mas aparentemente a maioria não o fez. Por que ?

A grande erupção do Vesúvio, que destruiu Pompéia

Por que ninguém fugiu?

A erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C foi atípica. As erupções vulcânicas raramente matam tanta gente porque pessoas fogem ao ver a lava descendo as encostas. O que, então aconteceu em Pompeia? Com a evolução da ciência, estudos de vulcanólogos revelaram o mistério: essa erupção foi de um tipo muito incomum. Não houve rios de lava escorrendo a montanha abaixo. Num primeiro momento e as pessoas simplesmente não tiveram noção do perigo quando a catástrofe começou.

O início da erupção

O que ocorreu no início da erupção foi uma chuva de pedras-pomes, a princípio pequenas e leves, e de pó dessa mesma pedra. Isso fez com que a população procurasse abrigo em suas casas ou nas casas de amigos, cobrindo a cabeça com almofadas ou qualquer coisa que as protegesse, mas sem tentar abandonar a cidade. Ou seja, a mesma reação que temos diante de uma chuva de granizo: nos abrigamos esperando que passe.

A cidade foi sendo soterrada aos poucos

O crescente acúmulo do material sobre os telhados fez, porém, com que alguns tetos desabassem, provocando as primeiras mortes. É claro que algumas pessoas foram atingidas por pedaços de rochas e morreram no ato, mas as pedras-pomes, sendo leves, não foram a causa da maioria dos óbitos. Muita gente foi encontrada com as chaves de suas casas, joias e outros pertences, mostrando que não houve num primeiro instante uma fuga precipitada. (Numa situação de total desespero, ninguém se preocupa em trancar a porta da casa!). Também é fato que relativamente poucos corpos foram encontrados nas camadas mais baixas do material que cobriu a cidade. A fuga também se tornou impossível, com algumas ruas cobertas por camadas de mais de dois metros de cinzas e poeira de pedra pome.

A nuvem piroclástica

Presos nessa ratoeira, foram atingidos por uma nuvem piroclástica, uma mistura escaldante de poeira e gás, que pode alcançar centenas de graus centígrados e velocidades de até 200 quilômetros por hora.
A posição dos corpos de seres humanos e animais, muitos com a boca aberta ou encolhidos, mostra que a maioria morreu sufocada, surpreendida por gases tóxicos e pela poeira escaldante, que chegou bem depois, em ondas sucessivas. Os corpos foram quase sempre encontrados em cantos mais abrigados ou nas ruas, sob as camadas de pedra-pomes que foram soterrando a cidade, e não cobertos por lava, como temos a tendência de imaginar. Acredita-se que as cidades de Pompeia e Herculano representam apenas 1% da superfície coberta pela chuva de pedra, gases e pó provenientes dessa erupção. Até hoje encontram-se por toda região rural próxima ao Vesúvio corpos de vítimas da catástrofe do ano 79.

Fotos: cortesia de Soprintendenza-Speciale-per-i-Beni-Archeologici-di-Napoli-e-Pompei (Soprintendenza Beni Culturale)

Informações práticas

Como ir a Nápoles

Avião

Não existem voos diretos do Brasil. Pegue uma conexão em Roma ou Milão.

Veja passagens aéreas e pacotes para Nápoles

Onde se hospedar em Nápoles

Os hotéis napolitanos pecam sobretudo por sua localização perto da estação da Piazza Garibandi e  no velho e decadente cento histórico da cidade.   É melhor hospedar-se em bairros como Chiaia, Santa Lucia, Vomero ou nas proximidades da Piazza Municipio. A relação preço-qualidade dos hotéis em Nápoles não é das melhores.

Escolha e reserve seu hotel em Nápoles

Hospedagem em outras regiões da Itália

Hotéis na Itália

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Maquina fotografica

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

                                      Norte da Itália em imagens

Arquitetura e arte na Itália: pequeno glossário de arte italiana

Arquitetura e arte na Itália: em milênios de civilização, o território italiano produziu obras de valor incalculável em todos os gêneros da arte. As mudanças econômicas, sociais e ideológicas foram acompanhadas por estilos artísticos que refletiam o modo do homem ver o mundo, retratar sua realidade e deixar para a posteridade impressões que hoje, além do prazer estético que proporcionam, colocam-nos em contato com o pensamento e o sentimento de pessoas que viveram em séculos e realidades muito distantes. Apreciar essas obras não é só uma questão de gosto. É importante levar em consideração o contexto histórico em que foram produzidas, e o estilo é um bom indicador disso.

Os múltiplos estilos da arquitetura e arte na Itália

Nem todo brasileiro sabe o que vem a ser uma coluna dórica ou consegue distinguir o estilo renascentista do gótico, mas ninguém deve se sentir encabulado. Enquanto os europeus aprendem esses conceitos desde crianças (e muitos deles podem observar exemplos concretos em seu dia-a-dia, ao passear pela própria cidade em que moram), a História da Arte não costuma fazer parte de nossa educação.
Nem sempre uma obra pode ser classificada em um único estilo. Primeiro, porque a mudança de estilo predominante não se dá do dia para a noite. Segundo, no caso da arquitetura, porque é comum que construções antigas passem por reformas. Os próprios historiadores da arte às vezes divergem. O Batistério de Florença é gótico puro, gótico italiano, gótico florentino ou protorenascentista? Como dizia Shakespeare: “a rose by any other name smells just as sweet”!

Noções básicas

Sem pretender aprofundar e muito menos esgotar o assunto, eis algumas noções básicas sobre a rica criação artística italiana, para que você possa aproveitar melhor sua viagem e, quem sabe, não fazer feio na frente da nova namorada com Doutorado em História da Arte.

Arte grega

O primeiro importante estilo arquitetônico em solo italiano. Colônias gregas anteriores ao Império Romano tinham como marca registrada os templos erguidos em homenagem às diversas divindades helênicas. Nos templos, colunas que serviam de apoio para o frontão – a parte superior da fachada, em forma de um “V” invertido – existiam em três estilos típicos da arquitetura clássica grega, adotados posteriormente pelos romanos. O dórico é o mais simples, sem base inferior, com o capitel (adorno que “encabeça” a coluna) apoiado sobre uma peça quadrada; o jônico tem o capitel em forma de dois caracóis; e o coríntio é o mais elaborado, com o capitel cheio de detalhes caprichosos, geralmente em forma de folhas de louro. Os gregos tinham também especial talento para a construção de teatros; foram eles que idealizaram arquibancadas de pedra semicirculares para abrigar grande quantidade de pessoas e permitir que todos vissem o que se passava no palco. Afrescos e mosaicos eram muito usados como elementos decorativos.

Arte romana

Incorporou e aprimorou elementos da grega, como o uso das colunas e a busca da grandiosidade e da harmonia. A pedra, bastante durável, era o material básico e é por isso que ainda existem na Itália muitas construções da época do Império Romano. Em Pompeia e Herculano podem ser vistas enorme obras em pedra, como teatros, bem como residências e prédios comerciais. A Itália tem muitos exemplares antiquíssimos da pintura mural romana: os afrescos, que podem ser vistos principalmente no Museu Arqueológico de Nápoles e em Pompeia, nas próprias paredes nos quais foram pintados há mais ou menos dois mil anos. É também imensa a quantidade de exemplares ainda existentes da escultura clássica romana, com temas que variam de bustos de imperadores a personagens e cenas da mitologia greco-romana. Muitas dessas esculturas são reproduções de obras gregas.

Estilo paleocristão

“Paleo” significa “antigo”: o adjetivo paleocristão se aplica a obras do início da era cristã, dentre as quais se incluem sobretudo basílicas.

Românico Estilo predominante no início da Idade Média, que pode ser visto sobretudo em igrejas de estrutura bastante simples, como a de uma casinha desenhada por crianças: basicamente, são quadradas ou retangulares e o teto é de duas águas, sustentado por colunas. Isso se explica facilmente: perdeu-se durante a Idade Média a técnica de erigir cúpulas, como a do Panteão de Roma, e de usar formas arredondadas. As pinturas dessa fase, quase sempre com temas cristãos, perdem em expressão, complexidade e refinamento técnico com relação ao período clássico, mas ao mesmo tempo podem ser bastante belas em sua simplicidade.

Estilo bizantino

A palavra vem de Bizâncio, antigo nome da cidade que depois se chamou Constantinopla e hoje é Istambul, capital da Turquia. Na arquitetura bizantina (que pode ser vista sobretudo em Ravenna, que foi sede do Império Bizantino), são privilegiadas as linhas curvas (ao contrário da arquitetura greco-romana clássica, em que predominam linhas retas). O papel dos ricos mosaicos coloridos e dos detalhes dourados como elementos decorativos internos é outro de seus traços característicos. Não existia preocupação com a perspectiva, a simetria ou a harmonia do conjunto, o que significa um rompimento com o estilo clássico.

Estilo Gótico

A palavra tem sua origem no nome dos godos, povo bárbaro que ocupou boa parte da Europa após a queda do Império Romano. É o estilo predominante na Idade Média. As igrejas góticas costumam ter três naves, enquanto as românicas tinham só uma.
Gótico francês Encontrado no norte da Itália, como no Duomo de Milão, é o mesmo estilo da Notre-Dame de Paris. As igrejas têm torres finas e uma cúpula central apoiada no arco ogival, que distribui o peso para diferentes pontos da construção, podendo alcançar alturas até então impensáveis, como se suas agulhas quisessem alcançar o céu. Com essa nova técnica, foi possível construir paredes mais finas e conseguir um interior mais claro, pela colocação de grandes vitrais coloridos, obtendo-se uma suave luminosidade.
Gótico italiano Um pouco diferente do francês; nele é comum o uso de colunas, de mosaicos nos frontões e de pedras de diferentes cores (policromia) como elementos decorativos. Em geral, o exterior é dividido em “andares”; em casos como o da Basílica de San Marco, em Veneza, não há apenas uma, mas várias cúpulas apoiadas nas ogivas internas.

Protorenascença

É a pré-Renascença. Os artistas dessa época continuaram pintando temas religiosos, e a maior parte de suas obras continuaram sendo pinturas murais em igrejas, mas com grandes diferenças com relação ao que havia até então. Os personagens passaram a ter expressão nos rostos; seus corpos passaram a ter volume; as cenas foram enriquecidas com elementos realistas; e para que isso fosse possível, foi introduzida a perspectiva, técnica de pintura que dá ilusão de profundidade. O maior representante da Protorenascença foi Giotto.

Estilo renascentista (Renascença ou Renascimento)

Redescoberta e aperfeiçoamento dos temas, padrões estéticos e técnicas arquitetônicas clássicas, que gregos e romanos haviam dominado mais de mil anos antes.

Estilo barroco

Estilo que se seguiu ao renascentista, nos séculos XVII e XVIII, mais rebuscado e complexo, rico (às vezes excessivamente) em elementos decorativos. É chamado também de rococó.

Estilo neoclássico

O neoclassicismo, baseado em formas clássicas e grandiosas, predominou do fim do século XVIII ao fim do século XIX.

Pintura

A arte romana teve grande expressão na pintura mural, como comprovam os achados arqueológicos de Pompeia.
A Protorenascença teve ilustres pintores, mas o século XVI foi a “idade de ouro” da pintura italiana renascentista. O propício ambiente cultural, ideológico, econômico e político do norte da Itália somou-se à a existência de homens altamente privilegiados intelectual e artisticamente para dar ao mundo boa parte das maiores obras-primas de todos os tempos. Assim foi que, financiados pela Igreja e pela nobreza florentina, artistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarotti produziram tudo aquilo que torna seus nomes familiares em qualquer parte do mundo, quinhentos anos depois. Foi Botticelli quem introduziu pela primeira vez um tema mitológico greco-romano – portanto, super clássico – na pintura renascentista, abrindo o caminho para artistas posteriores.

Os Macchiaioli Grupo de pintores toscanos do século XIX que rompeu com a chamada pintura acadêmica, usando cores e luzes de maneira inovadora e retratando temas da vida cotidiana. Seu estilo lembra bastante o dos impressionistas franceses.

Como ir para a Itália

Compare preços de pacotes e passagens aéreas para a Itália

Calendimaggio, a festa da primavera

Menos conhecido, mas tão interessante quanto o Carnaval de Veneza ou o Palio de Siena, o Calendimaggio de Assis é a festa que comemora as “calendas de maio”, ou seja, a chegada da primavera. Ocorre todos os anos, começando na primeira quinta-feira de maio (exceto quando caia em um feriado), e dura até o domingo. Festas folclóricas há aos montes na Itália, mas em poucas é possível curtir de verdade em meio à população local, sem ser engolfado por multidões e em um cenário medieval autêntico: a própria cidade de Assis.

Mapa de Assisi (Assis)

Competições, jogos e desfiles

Marcado por competições (jogos e desfiles) entre os habitantes dos bairros da Nobilissima Parte di Sopra (parte alta da cidade) e da Magnifica Parte di Sotto (parte baixa), o Calendimaggio reproduz uma rivalidade que remonta ao século XIV. O interessante é que os jogos são medievais (cabo-de-guerra, tiro ao alvo com arco-e-flecha…), assim como os desfiles, acompanhados por músicas especialmente compostas para a ocasião e cantadas por corais.

Todo mundo vestido com roupas medievais

Todos os participantes, sem exceção, dos idosos aos bebês, usam trajes medievais. Não se espante, portanto, se ao percorrer o labirinto de ruas e passagens de Assis cruzar com um guerreiro com espada na cintura e elmo na cabeça; com uma dama da corte ricamente vestida; ou com um maltrapilho servo de gleba… Esteja certo de que você os reconhecerá no dia seguinte: o soldado é o pacífico jornaleiro da esquina; a nobre, a caixa do mercadinho; e o pobre camponês, um motorista de táxi.
As alegorias, as roupas, os temas e as músicas dos desfiles são mantidos em segredo até o momento da apresentação e, ao final, julgados por uma comissão que escolhe a parte vencedora. Nos desfiles, há até carros alegóricos, como nas nossas escolas de samba, mas a diferença é que são puxados ou empurrados pelos participantes: é proibido utilizar recursos técnicos que não existissem na Idade Média.

Vídeo sobre a Festa da Primavera, o Calendimaggio

Os desfiles, o ponto alto da festa

Os pontos altos do Calendimaggio são, é claro, os desfiles, mas a festa tem momentos simbólicos muito divertidos, como a entrega das chaves da cidade pelo prefeito ao Maestro de Campo, que passa a ser a autoridade máxima de Assis enquanto durar ofestejo. Outro ponto alto é a eleição, dentre meninas em torno de 15 anos, da Madonna da Primavera. Todos esses momentos “solenes”, que transcorrem em um clima de aparente seriedade, são pura diversão.

Nas tavernas: vinhos e porchetta

Durante os dias de festa, alguns edifícios públicos são transformados em tabernas onde são servidos sanduíches de porchetta (um delicioso leitãozinho assado, prato tradicional do centro da Itália) e vinho tinto. À noite, sobretudo, esses locais ficam cheios de gente de todas as idades, e a alegria fica por conta dos jovens, na sua maior parte universitários vindos da vizinha Perugia.

Calendimaggio. Site oficial.

Saiba mais sobre Assis, a terra de São Francisco

Como ir para Florença, capital da Toscana

Compare preços de pacotes e passagens aéreas para Florença

Onde se hospedar na Toscana

Todas cidades Toscanas tem ótima estrutura hoteleira, mas sobretudo no verão é mais seguro reservar.

Escolha e reserve seu hotel na Toscana

Onde se hospedar em outras regiões da Itália

Estabelecimentos listados por região

Carnaval de Veneza Foto lo.Tangelini CCBYSA_files

Os principais eventos em Veneza

O Carnaval de Veneza

O Carnaval veneziano, como o nosso, é uma festa móvel que termina na “terça-feira gorda”. Porém, ao contrário da festa brasileira, dura muitos dias e ocorre em pleno inverno. O evento, realizado todos os anos há séculos, é vivido intensamente pela população, que sai às ruas usando as tradicionais máscaras inspiradas em personagens folclóricos, principalmente os da Commedia dell’Arte, como o Arlequim, a Colombina, o Polichinelo e o Balanzone. As máscaras são feitas de gesso e papel-maché; as mais finas e caras podem ter detalhes em prata ou ouro. Os foliões mais decididos usam, além das máscaras, ricas fantasias.

Mapa da laguna de Veneza

O anonimato das máscaras

Apesar da conotação turística que adquiriu, o Carnaval em Veneza continua sendo uma festa descontraída, em que todos se divertem por trás de máscaras que garantem o anonimato. O movimento de pessoas é tão grande que a Prefeitura institui mãos de trânsito para pedestres nas vias principais. Quem não obedecer pode ser multado! Tudo fica mais caro, lotado e complicado. A festa é muito interessante, mas o Carnaval não é a época ideal para ir a Veneza pela primeira vez. (Você vê o Carnaval, mas não vê Veneza!)

Vídeo sobre o Carnaval de Veneza

Regata Storica de Veneza

Outro dos eventos em Veneza, que ocorre anualmente no primeiro domingo de setembro, no Canal Grande, é a Regata Storica, que existe pelo menos desde o século XIII. No passado, como o Canal Grande ficava lotado de embarcações, com torcedores das diferentes equipes fazendo a maior bagunça, a regata era iniciada de um modo curioso. Para “acalmar” a multidão, homens em bissone (barcos semelhantes a gôndolas) lançavam bolas de argila endurecida sobre o pessoal mais exaltado. Os golpes deviam ser bem doloridos, pois as bolas eram do mesmo tipo utilizado para caçar pássaros! Hoje não há com o que se preocupar: os marinheiros nos bissone não jogam nada em ninguém, apenas abrem solenemente a regata, seguidos por um cortejo de barcos ricamente decorados, entre eles embarcações como a réplica do Bucintoro dos dogi.

Festa del Redentore

A Festa del Redentore, que tem sua origem no século XVI, como agradecimento pelo fim da peste que matou mais de 50 mil venezianos, acontece no terceiro sábado de julho, com desfile de barcos decorados e muitos fogos de artifício. As ruas, pontes “campos” e praças ficam lotadas de venezianos e turista, uma vez que o evento ocorre ainda no mês de julho, durante a alta estação e atrai gente do mundo todo.

Mostra Internacional de Cinema de Veneza

Entre fim de agosto e começo de setembro, no Lido, ocorre a cada dois anos a Mostra Internacional de Cinema de Veneza, também conhecida como Bienal de Veneza, o mais antigo festival de cinema do mundo. A primeira mostra ocorreu em 1932. Cineastas de todo o planeta apresentam seus filmes de curta e de longa metragem, que concorrem ao “Leão de Ouro”, o prêmio mais cobiçado. A cidade fica lotada nessa época.

Dicas

Cuidado especial com sua carteira em aglomerações. Veneza é muito mais segura do que a maioria das metrópoles brasileiras, mas mesmo assim é bom tomar cuidado.

Informações práticas

Como ir a Veneza

Não há voos diretos do Brasil. Tome uma conexão em Milão.

Veja passagens aéreas e pacotes

Onde se hospedar em Veneza

Veneza na alta estação está sempre lotada. Aliás, frequentemente, em qualquer época do ano, é difícil encontrar hotel sem reservar. Procure um estabelecimento próximo da estação ferroviária ou da Piazza Roma.

Onde se hospedar em Veneza

Escolha e reserve seu hotel em Veneza

Onde se hospedar em outros lugares da Itália

Estabelecimentos listados por região

Maquina fotografica

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

Assis, Festa do Calendimaggio
Assis, Festa do Calendimaggio

A magia dos eventos

Por Renato Goldoni

Enquanto você lê este texto, em algum lugar do mundo neste mesmo momento pessoas estão unidas celebrando algum acontecimento: isso é um evento! É o encontro da comunidade para celebrar sua cultura, seus hábitos e suas crenças, sua história. É a oportunidade de rever quem são, suas origens, a língua que falam e exaltar os deuses em que acreditam… Existem eventos gratuitos, pagos, particulares ou públicos; em espaços fechados ou abertos; que duram poucas horas (como, por exemplo, um evento esportivo) ou se prolongam por muitos dias, como a Oktoberfest, na Alemanha que se inicia em meados de setembro e dura até o primeiro domingo de outubro (daí o nome Oktoberfest). Em cidades como São Paulo, “capital dos eventos” no Brasil, o setor turístico tem aí sua grande fonte de recursos.

A diversidade dos eventos

No mundo, a diversidade dos eventos é espetacular! Na Austrália, na primeira terça-feira de Novembro, os australianos param no meio do dia para acompanhar o tradicional Melbourne Cup Day (uma corrida de cavalos). Os moradores se encontram em bares e apostam, por diversão, quantias simbólicas nos cavalos que, acreditam, cruzarão a linha de chegada em primeiro lugar. Na China, grande parte dos eventos têm suas datas definidas pelo calendário lunar. O Dragon Boat Festival, que ocorre no quinto dia do quinto mês lunar, inicia com milhares de pessoas jogando arroz em um rio para celebrar a tradição e termina com uma corrida de barcos em forma de dragão na região de Miluo. No Rio de Janeiro, no Réveillon, maior evento ao ar livre do mundo, os hotéis ficam lotados. O Carnaval é um espetáculo de cores, fantasias e músicas. O país só começa a funcionar mesmo depois do Carnaval. Em Valencia, na Espanha, todos se espantam ao ver grandes estátuas e carros alegóricos em chamas, no fim do evento que celebra as Fallas de Valencia; mas, no meio da multidão, mesmo em um país de Primeiro Mundo, você, turista, não deve se esquecer de guardar bem sua carteira e seus pertences. Esses eventos são um prato cheio para os “espertinhos”. No setor esportivo, a Copa do Mundo une o mundo a cada quatro anos em um país diferente, levando alegria e muita emoção aos cinco continentes.

Eventos são a forma universal de celebrar vários temas.

Podemos chamá-los de feiras, festivais, festas, festas regionais, festas típicas, populares, simpósios, congressos, encontros, mas todos têm uma coisa em comum: a união de povos em um espaço e num instante únicos para mostrar sua diversidade.
O que faz os eventos se tornarem atraentes é que todos se transformam de observadores em protagonistas, porque são parte da experiência. Você come, bebe, discute, conhece pessoas e lugares, dança, aprende e, o mais importante: mais adiante você se recorda e se utiliza do aprendizado conquistado e o aplica à sua vida.

A magia dos eventos, seu clima único

Há uma qualidade mágica nos eventos. Você já parou para prestar atenção ao semblante de uma criança vendo pessoas fantasiadas em uma parada pública? Ou já viu seus olhos crescerem surpresos, vendo povos mostrarem seus hábitos que, para os adultos, parecem ser tão comuns? Para você não são comuns?
Se algumas dessas experiências tocarem seu coração, você compreenderá porque não pode se esquecer de ver onde e quando haverá eventos, seja durante sua viagem ou na própria cidade em que mora. Um evento  é algo compartilhado e, ao mesmo tempo, muito pessoal, comum e original. Sobretudo, é algo inesquecível, pois você FEZ PARTE dele.

Renato Goldoni é um expert no tema; sabe tudo o que está acontecendo e aonde. Formado em Turismo, tem especialização em Marketing, com experiência profissional no meio turístico.

Acessar o sumário •  Acessar o índice remissivo

A língua dos latinos

A tendência de muita gente é achar que o italiano, por ter se desenvolvido no mesmo espaço geográfico que o latim, é muitíssimo mais parecido com ele do que as outras línguas de origem latina. O que acontece é que o italiano incorporou, a partir daí, mais elementos diferentes que o português ou que o espanhol. O italiano sofreu influências também dos normandos, dos bizantinos (gregos), do próprio espanhol, dos godos, dos gauleses, dos francos, de dialetos germânicos e de línguas faladas por outros povos bárbaros que ocuparam partes da Itália após a queda do Império Romano, bem como do provençal e do francês.

Quando o latim virou italiano

Afinal, quando o latim virou italiano? Acredita-se que já no século V da era cristã a língua que então se falava na Itália não era mais exatamente latim, nem mesmo latim vulgar, mas algo já um tanto diferente, embora não fosse ainda um italiano arcaico. Só os padres falavam latim. Um documento escrito em 960 parte em dialeto napolitano, parte em latim, e conservado no mosteiro de Montecassino, perto de Nápoles, vem sendo considerado o ato de “nascimento” do idioma italiano.

Mas — chegou o momento de perguntar — de qual italiano afinal estamos falando? Como sabemos, a Itália era dividida em pequenos estados e isso não ajudou a unidade linguística. Assim, havia vários “italianos”, como o napolitano, o siciliano, o veneziano, o romano e o florentino, que eram dialetos diferentes (e que, até hoje, são falados em suas regiões!). Foi o florentino que se tornou o italiano oficial, não sem dificuldades, é verdade.

O toscano, língua oficial da Itália

Algumas razões contribuíram para que a Toscana se tornasse o modelo do idioma italiano. Já existia, por exemplo, uma literatura regional com obras importantes publicadas nesse idioma, como A Divina Comédia, de Dante, os sonetos de Petrarca e os contos de Bocaccio. Digamos que esses três mestres registraram a ”marca” florentina antes das demais. Principalmente Dante, que achava horrível o dialeto romano, se empenhou nisso. Mais tarde, outro personagem de peso também fez sua opção pelo florentino: Maquiavel. Com cabos eleitorais tão poderosos, o toscano teria mesmo que ganhar essa disputa (embora a “Questione della lingua” tenha perdurado por séculos). Também pode ter influenciado a opção pelo florentino a importância de Florença no fim da Idade Média e no Renascimento como centro financeiro e comercial, pois os contratos eram escritos nessa língua.

Apesar de os italianos viverem fazendo piadinhas com o dialeto do vizinho, inclusive com o modo de falar toscano (igualzinho a nós no Brasil, com nossos diferentes sotaques!), o italiano que se fala em Florença é realmente bello e dolce… Dá gosto ouvi-lo!

¨A aventura das línguas no Ocidente”, de Henriette Walter, é fundamental para entender o que aconteceu com as línguas europeias após o fim do Império Romano.

Museo Archeologico Nazionale di Napoli

Para quem gosta de história e de arte, esse é um prato cheio: o Museu Archeologico Nazionale di Napoli, nada menos que o mais importante museu arqueológico da Europa! Reserve pelo menos uma manhã ou tarde inteira para visitá-lo. Nele está não só a magnífica coleção do Palácio Farnese, herdada pela dinastia dos Bourbons, como também quase tudo que foi encontrado durante as escavações realizadas em Pompeia e Herculano. A variedade, a quantidade, a qualidade e a riqueza do material encontrado nessas duas cidades soterradas pela erupção do Vesúvio são impressionantes.

O Gabinetto Segretto

Uma curiosidade do museu é o Gabinetto Segreto. Menores de quatorze anos não entram. Também não é uma boa ideia levar seus companheiros de viagem mais pudicos (sua tia-avó, por exemplo…), pois pode haver certo constrangimento. Bem, chega de segredo: essa ala do museu reúne um acervo de peças de cunho erótico encontradas em Pompeia. Inicialmente, elas foram expostas ao público “comum”, mas a coleção foi depois reservada às pessoas maduras e de “moral acima de qualquer suspeita”. (Quem será que atirou a primeira pedra?) Em certa época, a sala chegou a ser fechada por uma sólida parede de tijolos, para ser novamente aberta ao público pelos garibaldinos. Mais uma vez foi isolada pelos governantes da Casa de Savoia e mantida trancada em seguida pelos fascistas (também metidos a moralistas…). Só em 1967, mais de vinte anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, ela foi reaberta ao público – e mesmo assim, com várias restrições. As peças não representam nada de chocante para a maioria dos brasileiros adultos; algumas parecem simplesmente grotescas, engraçadas ou absurdas. Independentemente de sua temática, essas obras devem ser compreendidas em seu contexto histórico. Para visitar o Gabinetto Segreto, é preciso fazer reserva pessoalmente no próprio museu, de preferência pela manhã.

Video sobre arte o Gabinetto Segreto

Outras atrações do museu

Salas romanas

As salas romanas surpreendem com suas magníficas esculturas, a maioria em mármore, muitas em tamanho natural. Algumas são gigantescas, outras são bustos extremamente realistas de patrícios romanos e imperadores, envolvidos em togas ou vestidos com trajes e aparatos militares. As obras de inspiração grega representam divindades e aparecem seminuas.

Sala Grega

A sala grega reúne principalmente cópias de estátuas do período clássico da Magna Grécia, com seus deuses, heróis, semideuses e atletas vitoriosos nas Olimpíadas.

A Coleção Farnese, embrião do museu, é formada pelo acervo de peças da família, herdado pelos Bourbons. Uma das mais importantes peças dessa coleção é o Touro Farnese, descoberto nas escavações das termas de Caracalla em Roma. Esculpida por Tauriscos e Apolônio, ela foi levada de Rodes para Roma. Inspirada na mitologia grega, essa obra-prima esculpida num só bloco de mármore é composta por diversas figuras e representa Dirce sendo amarrada a um touro pelos filhos de Antíope, mulher do rei de Tebas, como castigo pelos maus-tratos infligidos por ela à mãe deles. Outra obra espetacular é Hércules Farnese. Os bustos de personagens históricos (o imperador Caracalla, Homero, Sócrates, Sêneca…) são extremamente realistas. No de Caracalla, o artista conseguiu retratar até mesmo a personalidade mal-humorada e violenta do imperador. Essa coleção compreende ainda magníficos camafeus de pedras preciosas e semipreciosas.

Mosaicos de Pompeia e Herculano

Os mosaicos de Pompeia e Herculano As salas dos mosaicos de Pompeia e Herculano são estonteantes. Você nunca verá nada igual. As obras que ornamentavam as paredes (e até os pisos) das mais finas residências dos patrícios romanos de Pompeia não têm só interesse histórico, mas também inegável valor artístico. Formadas por minúsculas pedrinhas, algumas das figuras dos painéis exibem até mesmo efeitos de luz e as expressões das pessoas. Não perca os Dióscuros, os Músicos Ambulantes e o Retrato Feminino, além do enorme e famoso mosaico que representa Alexandre, o Grande, na batalha contra os persas. Outra incrível coleção é a de pinturas murais encontradas nas casas soterradas pelo Vesúvio. Uma delas, famosíssima, que retrata um casal da era romana, foi usada na capa do primeiro volume da coleção História da Vida Privada. Os objetos encontrados nas casas soterradas pelo vulcão, utilizados pela população no dia a dia, também estão nesse museu. Interessante ainda é a enorme maquete da cidade de Pompeia, um trabalho minucioso executado no século XIX.

Coleção egípcia

A coleção egípcia (não exibida todos os dias) tem uma origem curiosa: a grande maioria das peças foi encontrada em escavações realizadas em Nápoles, Pompeia e outras cidades da Campânia, e não trazida do Egito. Veja a bela estátua da deusa egípcia Ísis, adorada também pelos romanos. Na coleção epigráfica (de escritos) há textos em diferentes línguas (grego, latim, etrusco etc.) inscritos sobre mais variados materiais, como ouro, pedra e cerâmica. Alguns deles são bem curiosos, como o que denuncia a invasão, por parte de agricultores, de terrenos pertencentes aos templos. (O problema, vocês estão vendo, é bem antigo…). Outra coleção interessante é a série de estátuas em bronze encontradas na Vila dos Papiros, em Herculano.

Informações práticas

Como ir a Nápoles

Veja passagens aéreas e pacotes

Onde se hospedar

Escolha e reserve seu hotel em Nápoles

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

Os italianos

Talvez mais do que qualquer outro povo europeu, os italianos são bem diferentes em cada região. Eles mesmos acham isso! Em alguns casos, os dialetos locais são tão particulares que um italiano de Milão tem dificuldade em entender o dialeto de Nápoles. Ainda hoje, os italianos na fronteira com a Áustria falam alemão, enquanto os do Piemonte falam francês.

União nacional tardia

Acontece que a união nacional tardia preservou, de certa forma, tradições e dialetos locais, bem como um certo orgulho chauvinista no que se refere à cidade e não ao país. É o chamado campanilismo, nome derivado da palavra campanile (campanário) e originário da rivalidade entre antigas cidades-estado. Algo como “o nosso campanário é mais alto que o de vocês!”…

A sesta dos italianos

Certos hábitos italianos são bem disseminados por todo o país, mas alguns são mais evidentes no sul, como aquela soneca no começo da tarde – a sesta –, pouco comum aqui no Brasil. Em Roma ela é conhecida como pennichella e, em outros lugares, como pisolino. Cidades como Palermo, na Sicília, simplesmente param por volta das duas da tarde e você conta nos dedos quem passa na rua. Faça como eles; depois do almoço, durma um pouco também. Ao sair na rua, lá pelas quatro horas da tarde, você ficará aturdido com o movimento de carros e pessoas!

O sciopero

Outra “instituição nacional” italiana é o sciopero – a greve! Greves de ferroviários, de professores, de carteiros, de prostitutas, de tudo. Eles já estão acostumados. O consolo é que certas greves são tão bem organizadas que têm programação e são divulgadas com antecedência. Você vê por exemplo numa estação de metrô um cartaz que avisa: “Atenção! No dia tal haverá greve das 10 às 12h”. Em 2002 foi convocado um “sciopero de pizza”: achando que as pizzarias estavam tendo lucro excessivo, um grupo de consumidores incitou todos a não comerem pizza no sábado, dia 21 de setembro, como forma de protesto. Só mesmo na Itália!

Um povo gentil

De modo geral, os italianos são bem receptivos aos brasileiros, mais ainda nas regiões menos atingidas pelo turismo. De qualquer forma, em qualquer lugar, todos apreciam as normas de polidez, a começar pelo cumprimento ao entrar numa loja ou restaurante ou ao se dirigir a qualquer pessoa na rua. Nunca esqueça o buonasera e o buongiorno!

Os sobrenomes italianos originam-se das cidades onde a pessoa nasceu ou viveu e da profissão de seus ancestrais.

Informações práticas sobre a Itália

Como ir

Veja passagens aéreas e pacotes

Onde se hospedar

Escolha e reserve seu hotel em Roma

Escolha e reserve seu hotel em Milão

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

Norte da Itália em imagens

 

Onde a pizza Margherita foi inventada
Quem inventou a pizza?

Quem inventou a pizza, um dos pratos mais consumidos no mundo?

(Extrato do guia ITÁLIA, da série GTB)

Quem inventou a pizza, afinal? “La pizza napoletana non ha inventori, non ha padri, non ha padroni, ma è frutto della genialitá del popolo napoletano.” (A pizza napolitana não tem inventores, não tem pais, não tem donos; é fruto da genialidade do povo napolitano) – Associazione Verace Pizza Napoletana.

Apesar de os napolitanos considerarem que a pizza é fruto da genialidade de seu povo, a história desse prato, tão famoso que já virou uma instituição, é um tanto controvertida. Há teorias sobre um ancestral da pizza, trazido da Palestina pelos soldados romanos, que teriam aprendido a receita com os hebreus. Outros apontam a Grécia como berço das pizzas primitivas, enquanto há quem atribua essa honra aos antigos egípcios. Aliás, durante a antigüidade greco-romana, um prato parecido com a pizza atual já era apreciado em toda a região mediterrânea. Faltava, é claro, o tomate, que só chegou à Europa após a descoberta da América.

Na verdade, em todo o Oriente, do Mediterrâneo até a Índia, ainda hoje, comem-se diversos tipos de pães redondos e achatados, feitos de farinha de trigo, como por exemplo o pão árabe, bem conhecido no Brasil. Ora, a pizza é uma espécie de pão. Não é difícil imaginar que, um belo dia, alguém mais inspirado tenha resolvido jogar um pouco de queijo, azeite de oliva e mais alguma coisinha em cima daquela massa antes de levá-la ao forno.

O mérito dos napolitanos

Deixemos entretanto aos napolitanos o mérito de ter aperfeiçoado e difundido a pizza, que foi durante muito tempo alimento da parcela mais pobre da população da cidade. As primeiras pizzarias, que surgiram na segunda metade do século XVIII, eram lugares onde não só as pessoas levavam suas pizzas para serem assadas, mas onde também podiam comprá-las.
A chamada pizza “moderna” (isto é, bem parecida com as atuais) consolidou-se com a criação, por Raffaele Esposito, da pizza Margherita, nome que homenageia a rainha Margherita de Savoia e cujos ingredientes têm as cores da bandeira italiana: verde (manjericão), vermelho (tomate) e branco (mozzarella fresca). Foi a primeira pizza patriótica da história! Em Nápoles, a pizza está se tornando coisa cada vez mais séria e estão agora querendo até mesmo criar a pizza DOC (denominazione d’origine controlatta, como no caso dos vinhos). Pode?

Napoles, na Itália – O lugar onde surgiu a pizza Margherita Para isso, foi fundada a Associazione Verace Pizza Napoletana, que só reconhece como uma vera pizza aquela que segue certas normas de fabricação. Só essa pizza tem o direito de ostentar o selo da entidade, que também dá cursos de formação de pizzaiollos. Uma franquia “CPI” (Curso de Pizza Italiana) faria muito sucesso em Brasília!. A franquia poderia incluir um curso de danças: a dança da Pizza.

A pizza no Brasil

No Brasil, a pizza pegou tanto que, hoje, com nossa criatividade tropical, temos dezenas ou talvez centenas de tipos de pizza, com os mais diferentes ingredientes, até abacaxi, salmão defumado, goiabada com catupiry… Para o pessoal da tal Associazione, isso deve ser uma heresia abominável!

Uma Curiosidade sobre a pizza portuguesa servida no Brasil Algumas pizzas criadas por aqui se institucionalizaram, como a “portuguesa”, que não existe na Itália nem em Portugal. Sua origem mais provável é a seguinte: os imigrantes italianos preparavam suas pizzas e as levavam para serem assadas aonde? Nos fornos das padarias dos portugueses! Um belo dia, o Joaquim (ou seria o Manoel?) teve a idéia de enriquecer o recheio com ingredientes que usava na culinária de seu país: ovos cozidos, azeitonas, cebolas… Pronto, estava criada a pizza lusitana, muito boa por sinal, ó pá!

Como ir a Nápoles

Escolha e reserve seu voo

Onde dormir

Escolha e reserve seu hotel em | AssisBolonha  | ComoFlorença
Gênova |Lucca
MantovaMilão | Nápoles | PalermoPisa
SienaRoma | Veneza | VeronaSta. Margherita Ligure  | Torino

Lucca, Toscana
Lucca, Toscana

Você é oriundo?

Se você tem origem italiana, talvez tenha curiosidade de saber o significado de seu sobrenome.

Veja no mapa a região italiana de seus ancentrais

Origem

Na maioria dos casos é muito simples: há nomes que indicam o lugar de origem de seus ancestrais, que viveram em uma época em que as pessoas não tinham sobrenomes como hoje. É o caso, dentre outros, de Veronese (de Verona), Pugliese (da Puglia), Pisani (de Pisa), Siciliano (da Sicília), Calabrese (da Calábria), Padovani (de Pádua) ou Mantovani (de Mântua).

Sobrenomes italianos também podem indicar ancestrais provenientes de outros países que imigraram para a Itália. É o caso de Spagnuolo (espanhol), Ungaretti (húngaro) e Grecco (grego).

Profissão

Muitos nomes têm sua origem na profissão exercida por esses mesmos ancestrais: Ferraiolo (ferreiro), Barbieri (barbeiro), Caldarelli (mercador de caldeiras), Pescarini (pescador), Pastore (pastor) ou Castellani (administrador de um castelo).

Nomes da época do Império Romano

Certos nomes, que remontam à época do Império Romano, como Leoni e Gatti, são inspirados em animais e invocam seus atributos: a força de um leão, a agilidade de um gato e assim por diante.
Há ainda nomes derivados de um atributo físico marcante, como Barbarossa (barba ruiva), Bellocchi (belos olhos) ou Gambacorta (perna curta).

As variações nos diferentes dialetos italianos

É claro que através dos séculos houve corruptelas e alterações nesses nomes, que também encontram variações nos dialetos falados em cada região. Assim, por exemplo, Ferraio tem o mesmo significado que Ferrari, Ferraiolo ou Ferrarini. Mas é preciso não confundir: Ferragalli não quer dizer “ferreiro” e sim “ladrão de galinhas”… O fato é que existem sobrenomes muito curiosos, cujo sentido, às vezes, não é nada elogioso (e não se aplica a seus portadores atuais). Papaterra é aquele que “papa” a terra dos outros; Malvestito é um cidadão que se veste mal; e Strazzabosco é o que estraga o bosque – nada ecológico!

Mas, que nome pra um mafioso…

Há alguns anos um mafioso arrependido que passou um tempo na prisão no Brasil não aguentava mais as piadas dos demais presos sobre seu nome. Se você não for muito novo deve se lembrar de Tommaso Buschetta“, (pronúncia “Busqueta”).

¨ Quer saber mais? Consulte Dicionário dos Sobrenomes Italianos, de Ciro Mioranza (Escala, São Paulo, 1997).

Informações práticas

Como ir

Escolha e reserve seu voo

Onde dormir

Escolha e reserve seu hotel em

| AssisBolonha  | ComoFlorença

Gênova |Lucca
MantovaMilão 

Nápoles | PalermoPisa

SienaRoma | Veneza | Verona

Sta. Margherita Ligure  | Torino

Vaticano
Vaticano, o papa recebe fiéis

O papas no passado

Quem se acostumou à pregação pacifista de João Paulo II geralmente não tem ideia do que foram os sumos pontífices no passado. Apesar de São Pedro ser considerado o primeiro papa, na verdade essa denominação não existia; ele teria sido o primeiro chefe da igreja católica, bispo de Roma. Séculos se passariam antes que o papa garantisse sua autoridade sobre a Igreja e que esta instituição se consolidasse, tornando-se cada vez mais poderosa.

O Cristianismo

O cristianismo — e a Igreja — só deslancharam quando o imperador Constantino concedeu liberdade de culto à nova religião, mais de 300 anos depois do nascimento de Cristo.
Ao longo da história houve papas e papas.

Leão I (Leão Magno)

Alguns foram hábeis diplomatas e tiveram papel importante na história, como Leão I (Leão Magno), que salvou Roma de ser saqueada pelos hunos em 451 e posteriormente em 455 pelos vândalos. Leão Magno conseguiu também consolidar a Igreja e impor uma disciplina interna.

Os Borgias

Outros, entretanto, foram corruptos e devassos, como Alexandre IV, da família Bórgia, que assumiu a Igreja no final do século XV. Além de ter uma relação suspeita com a própria filha (sim, ele teve vários filhos com mulheres diferentes!), Alexandre era famoso por envenenar seus desafetos e por outras atitudes que escandalizaram o mundo de sua época, como ameaçar excomungar sua amante Giulia Farnese se esta se deitasse com o próprio marido!

Sisto I

Outro papa de triste memória foi Sisto IV (1471/1484), que autorizou a Inquisição espanhola, a mais cruel de todas.

Leão X

O nepotismo, a corrupção e os meios esquisitos de levantar fundos, como a venda das indulgências por Leão X (quem pagava uma soma à Igreja era absolvido de seus pecados e garantia seu lugarzinho no céu), provocaram divisões entre os cristãos e propiciaram o aparecimento de reformadores como Lutero.

O poder dos papas não era apenas religioso, mas também temporal

É preciso entender que na época os papas não tinham, como hoje, apenas um poder religioso e uma autoridade moral, mas principalmente um poder temporal. Roma e boa parte do centro-sul da Itália eram Estados Pontifícios, territórios governados pela Igreja, que tinha até exércitos.

Leão XII

Mais recentemente, a Igreja teve grandes papas, como Leão XIII que, em 1891, preocupado com a situação miserável do trabalhador na Europa de sua época (quando até crianças eram obrigadas a trabalhar até 14 horas por dia), editou a Rerum Novarum, um documento revolucionário para sua época. Apesar do seu conteúdo progressista, a encíclica esbarrou na estrutura conservadora da própria Igreja, o que prejudicou sua efetiva aplicação. Quem se interessa pelo tema pode assistir ao filme Daens, um grito de justiça, a respeito de um padre belga que resolveu tomar a encíclica ao pé da letra.

João XXIII e João Paulo II

Esse foi outro papa com preocupações sociais, bem como Paulo VI. O papa João Paulo II, apesar do seu perfil conservador no que diz respeito à moral sexual e à contracepção, destacou-se pela postura claramente favorável à liberdade dos povos, à tolerância religiosa e à paz mundial, desde a década de 1980, quando se opôs ao domínio soviético na Europa do Leste, particularmente na Polônia, sua terra natal. Merece registro sua posição firme e crítica à guerra petroleira de Bush contra o Iraque: “Aqueles para quem se esgotaram as alternativas pacíficas oferecidas pelas leis internacionais assumem uma grande responsabilidade diante de Deus, de sua consciência e da história”. (O problema é que suas palavras não chegaram aos ouvidos da maior parte dos norte-americanos, que além de não serem católicos, tinham suas TVs ligadas em canais “patrioteiros”).

Bento XVI

Este papa a conservador já cansado com os intermináveis escândalos de pedofilia na Igreja Católica, renunciou. Seu sucessor é o argentino Francisco Begoglio, contra o qual já existem acusações de ter sido colaborador da ditadura argentina. Na realidade, tanto na Argentina, como no Chile a maior parte da Igreja Católica, ultra-conservadora apoiou os regimes militares e fechou os olhos aos abusos cometidos contra os direitos humanos. Apenas no Brasil parte da Igreja apoiou a luta contra a ditadura.

Os papas são hoje os chefes de estado do Vaticano, uma cidade independente dentro de Roma.

Francesco

O papa Francesco, um argentino, que sucedeu a Bento XVI é um dos mais avançados e liberais líderes religiosos do mundo e tem merecido o respeito mesmo de ateus e agnósticos.

Como ir

Veja passagens aéreas e pacotes

Ruínas de Pompeia, Itália
Ruínas de Pompéia, Itália

Os italianos no Brasil

Poucos países no mundo – ou talvez nenhum, salvo Portugal – têm mais a ver com o Brasil do que a Itália. Os brasileiros, principalmente os do sudeste e do sul, têm, em grande parte, sangue italiano. Não há quem não conheça um brasileiro de sobrenome Alessio, Belfiore, Caldarelli, Campilongo, Correali, Crespi, De Luca, Di Giorgi, Fittipaldi, Lancellotti, Libutti, Mancini, Miceli, Piazzi, Ranieri, Signorini, Spagnuolo, Rosso ou Zerbini. Quando você viaja pela Itália e conversa com alguém por lá, também não há quem não tenha um parente ou amigo vivendo no Brasil.

Leia: A origem dos sobrenomes italianos.

A imigração italiana

A imigração italiana começou na segunda metade do século XIX e continuou ao longo do século XX. De 1870 a 1907, mais de 1.200.000 italianos imigraram para o Brasil! Entre 1888 e 1897 ocorreram os maiores fluxos, que chegaram a atingir marcas de mais de 100 mil pessoas por ano. Era tanta gente que as companhias de navegação da época faturaram alto apenas transportando imigrantes. Hoje, o número estimado de italianos e descendentes que vivem no Brasil é de 25 milhões, sendo que 6 milhões estão no Estado de São Paulo.

Os fluxos migratórios

Os oriundi da Lombardia e, sobretudo, do Vêneto, encabeçaram a imigração, que foi engrossada depois por italianos das regiões do sul, como a Campânia, a Calábria, a Basilicata, a Puglia e a Sicília. É interessante notar que, enquanto na Itália cada um se considerava “veneziano”, “napolitano” ou “calabrês”, a imigração para um país estrangeiro os aproximou: aqui, todos passaram a ser, antes de tudo, italianos.
Seja você de origem italiana ou não, este é um livro que vale a pena conhecer: Os italianos no Brasil, edição especial das Indústrias Bardella, apoiada pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e pelo Ministério de Relações Exteriores da Itália, 2000.
A grande maioria dos imigrantes desembarcou no porto de Santos e fixou-se no interior do Estado de São Paulo para trabalhar nas lavouras de café. Alguns voltaram para a Itália desiludidos, uma vez que certos grandes fazendeiros, acostumados com o regime escravocrata, não respeitavam o trabalho livre e não cumpriam os contratos.

Rápida ascensão social

Apesar de terem se dedicado inicialmente à agricultura como empregados ou colonos, os italianos tiveram uma rápida ascensão social no Brasil. Muitos se tornaram proprietários agrícolas, enquanto outros, que se estabeleceram nas grandes cidades, enriqueceram com a indústria e o comércio. Italianos que se fixaram na capital paulista deram início a pequenas manufaturas, às vezes meras oficinas artesanais de fundo de quintal que acabaram se tornando poderosos grupos industriais, como Matarazzo ou Bardella. O extremo dinamismo da indústria paulista deve-se, em boa parte, à imigração italiana.

Novos conhecimentos e tecnologias

Muitos imigrantes traziam da Itália conhecimentos e tecnologia que faltavam no Brasil de então. Vários palacetes da Avenida Paulista do início do século XX foram planejados e erguidos por construtores da região do Vêneto, e não por arquitetos e engenheiros. Os italianos que se fixaram em colônias agrícolas no sul do Brasil desenvolveram os primeiros vinhos nacionais. Ainda hoje, a zona serrana do Rio Grande do Sul é a principal – e única – região vinícola brasileira.

Anarquistas, graças a Deus

Os italianos também tiveram uma importante atuação nos movimentos populares e nas greves que sacudiram São Paulo no começo do século passado. O engajamento político dos italianos (bem como dos espanhóis) era notório, fossem eles anarquistas, comunistas ou socialistas. Quem leu o delicioso livro de Zélia Gattai “Anarquistas, graças a Deus” ?Aliás, nem todos aportaram no Brasil porque estivessem passando por dificuldades financeiras. Muitos vieram por causa da perseguição política que sofriam ou em busca da realização de um ideal que talvez pudesse ser mais facilmente atingido em um país de História recente. Com isso, os italianos acabaram tendo um papel decisivo na criação dos primeiros sindicatos brasileiros. Uma curiosidade: com o apoio do imperador D. Pedro II, um grupo de anarquistas italianos fundou no sul do Brasil a Colônia Sicília, uma comunidade baseada na autogestão e no amor livre. Não sabemos se o imperador conhecia esses detalhes!

Os italianos no futebol

Até times de futebol os imigrantes italianos fundaram no Brasil. É o caso do Palestra Itália (atual Palmeiras) de São Paulo, do Cruzeiro de Minas Gerais e do Gioventù do Rio Grande do Sul. Mesmo o Corinthians teve uma mãozinha dos italianos no começo de sua história. E, claro, ao saberem que você é brasileiro, os italianos vão querer conversar sobre futebol. Seja simpático, diga-lhes que a Itália tem um grande futebol e que o segundo lugar será deles… Um italiano (nosso consultor Luciano Bellini, por exemplo!) poderá lhe responder que, para conquistar seus títulos, o Brasil precisou de italianos como Bellini e Taffarel. E acrescentará – com lágrimas nos olhos – que necessitou também do grande Baggio…

A influência italiana

A influência italiana no Brasil se revela até no jeito de falar. Os paulistas, por exemplo, pronunciam o “ti” da mesma forma que, em italiano, se diz “ci”, ou seja, com som de “tch”: “Vou à casa do meu tchio…”. Aliás, você fala italiano várias vezes por dia; o ciao italiano é o nosso tchau!
Quanto à culinária, há tantos pratos e ingredientes trazidos pelos italianos que é difícil enumerar todos. Os mais óbvios são a pizza e as massas dos mais diversos tipos, porém o filé a parmigiana, os risotos de mil tipos, a mozzarella, o gorgonzola, o provolone, o molho de tomate, o pão italiano, a ciabatta, a alcachofra, os funghi, o tomate seco, o presunto cru, o salame, a mortadela, o panettone, tudo isso só existe no Brasil por causa dos italianos. Hoje há uma enorme quantidade de pizzarias e de restaurantes de cozinha italiana em qualquer grande cidade brasileira – e em praticamente todas as cidades do sul e do sudeste do país. Os italianos também estimularam nos brasileiros o gosto pelo vinho, cujo consumo no país vem aumentando a cada ano.

Os brasileiros que se exilaram na Itália nos tempos da ditadura

A Itália foi o lugar escolhido por dois de nossos maiores compositores, Vinícius de Moraes e Chico Buarque, quando se viram obrigados a mudar de ares durante o período mais pesado da ditadura militar brasileira. Toquinho acabou seguindo o caminho dos amigos. Por mais que tenham sido tempos difíceis, para sua produção musical foi uma época ótima! (Já o ouviu cantando em italiano?) Por falar em música brasileira, saiba que, na Itália, a toda hora, quando menos esperar, você escutará num bar, na rua, ou no assobio de um taxista, canções como A Banda, Chega de Saudade ou Tico-tico no Fubá.
Toda essa proximidade entre a Itália e o Brasil faz com que, viajando por lá, você não se sinta muito como um estrangeiro.

Um pouco de cultura inútil para trocar com os amigos durante a viagem -Tivemos no Brasil uma imperatriz napolitana. È vero! Teresa Cristina, da casa real francesa dos Bourbons, filha do rei das Duas Sicílias, nasceu em Nápoles em 1822 e casou-se com D. Pedro II em 1843.

Sugestão de leitura
Leia “Anarquistas, Graças a Deus”, romance de Zélia Gattai que tem por tema os movimentos sociais brasileiros do começo do século XX, e Novelas Paulistanas, obra que contém vários contos e novelas de António de Alcântara Machado, alguns engraçados, outros bastante pungentes, sobre cenas da vida dos imigrantes nos bairros populares italianos de São Paulo (Brás, Bexiga e Barra Funda) na mesma época.

Até o romance “Putzgrila!”, sobre as aventuras de uma brasileira pelo mundo tem trechos passados na Itália.
Assista a Colônia Sicília, filme de Jean-Louis Comolli sobre a colônia de anarquistas da época de D. Pedro II, e a O Quatrilho, de Fábio Barreto, outro filme rodado no sul do país, cujos personagens principais são dois casais de imigrantes italianos. (Quase ganhamos o Oscar de melhor filme estrangeiro com ele, lembra-se?)

Os sites abaixo são de grande grande interesse para quem quer saber notícias da Itália, quer dicas de lugares para visitar, desejar pesquisar suas origens italianas ou obter outras informações sobre a Itália.

 Portal da comunidade italiana no Brasil  Câmara Italiana  Italia Oggi  Comunidde Italiana
Oriundi

Você é oriundo?

Se você tem origem italiana, talvez tenha curiosidade de saber o significado de seu sobrenome. Na maioria dos casos é muito simples: há nomes que indicam o lugar de origem de seus ancestrais, que viveram em uma época em que as pessoas não tinham sobrenomes como hoje. É o caso, dentre outros, de Veronese (de Verona), Pugliese (da Puglia), Pisani (de Pisa), Siciliano (da Sicília), Calabrese (da Calábria), Padovani (de Pádua) ou Mantovani (de Mântua).
Sobrenomes italianos também podem indicar ancestrais provenientes de outros países que imigraram para a Itália. É o caso de Spagnuolo (espanhol), Ungaretti (húngaro) e Grecco (grego).
Muitos nomes têm sua origem na profissão exercida por esses mesmos ancestrais: Ferraiolo (ferreiro), Barbieri (barbeiro), Caldarelli (mercador de caldeiras), Pescarini (pescador), Pastore (pastor) ou Castellani (administrador de um castelo).
Certos nomes, que remontam à época do Império Romano, como Leoni e Gatti, são inspirados em animais e invocam seus atributos: a força de um leão, a agilidade de um gato e assim por diante.
Há ainda nomes derivados de um atributo físico marcante, como Barbarossa (barba ruiva), Bellocchi (belos olhos) ou Gambacorta (perna curta).
É claro que através dos séculos houve corruptelas e alterações nesses nomes, que também encontram variações nos dialetos falados em cada região. Assim, por exemplo, Ferraio tem o mesmo significado que Ferrari, Ferraiolo ou Ferrarini. Mas é preciso não confundir: Ferragalli não quer dizer “ferreiro” e sim “ladrão de galinhas”… O fato é que existem sobrenomes muito curiosos, cujo sentido, às vezes, não é nada elogioso (e não se aplica a seus portadores atuais). Papaterra é aquele que “papa” a terra dos outros; Malvestito é um cidadão que se veste mal; e Strazzabosco é o que estraga o bosque – nada ecológico!
Quer saber mais? Consulte Dicionário dos Sobrenomes Italianos, de Ciro Mioranza (Escala, São Paulo, 1997).

Informações práticas

Como ir a Itália

Veja preços de passagens e pacotes aéreos para a Itália

Onde se hospedar

Escolha e reserve seu hotel em Roma

Escolha e reserve seu hotel em Milão

A Itália em imagens

Uma verdadeira viagem fotográfica por cada região da Itália, com dezenas de imagens separadas por destinos

Maquina fotografica

Centro da Itália em Imagens

Sul da Itália em imagens

                                      Norte da Itália em imagens