Alfama e Graça
Bonde em Alfama
Bonde em Alfama

Lisboa, Alfama e Craça, o charme dos velhos bairros lisboetas

Alfama ocupa as encostas da colina que vai da Baixa ao Castelo de São Jorge. Suas pracinhas, becos e ruelas tortuosas formam um verdadeiro labirinto que lembra uma medina árabe. Muitas dessas ruas são escadarias; outras são tão estreitas que não permitem passagem de veículos.

Um dos mais antigos bairros de Lisboa, Alfama conserva resquí­cios de construções da época dos visigodos, que ocuparam a cidade, após a queda do Império Romano. Mas, foram sobretudo os mouros, que invadiram Portugal no século VIII, que deixaram marcas nesse bairro, cujo nome árabe, al-hamma, significa “água quente”.

Mapa de Alfama, Lisboa

Castelo São Jorge

End. R. Santa Cruz do Castelo. Para chegar ao castelo, a subida é íngreme, mas há bondinhos que facilitam a vida dos que não apreciam exercícios físicos. Uma dica para os mais preguiçosos: suba de bonde (o famoso nº 28) e desça a pé! Só não deixe de dar uma perambulada pelo bairro, que tem um perfil único. Passear por Alfama é como dar um mergulho no tempo. Certo, algumas áreas têm ar decadente, mas de inegável charme. Do alto do castelo pode-se ver melhor a profusão de telhados, casas com jardineiras floridas e azulejos nos muros. Em toda parte há lojinhas, tabernas, pastelarias (que não têm absolutamente nada a ver com as nossas; você não irá se deparar com um japonês atrás do balcão fritando pastel de palmito); bons restaurantes com menus e preços convidativos; e cafés.

Nenhum transporte deixará você na porta do castelo. Há ladeiras que terá que encarar ou tomar um táxi. O castelo original foi construído no século V pelos visigodos. Aumentado pelos mouros e modificado depois pelos cristãos, serviu de residência real do século XIV ao XVI. Foi parcialmente reconstruído e restaurado, mas mesmo assim não espere encontrar um castelo inteiro. Suas muralhas, acessíveis por escadinhas de pedra a partir do pátio interno, têm aspecto maciço e são reforçadas por uma dezena de torres de onde se têm as melhores vistas do Tejo e de toda região central da cidade. No terraço ao lado da muralha há um belvedere com linda vista da Baixa e do Chiado e o restaurante Casa do Leão, com culinária e serviço de primeira. Perto da entrada funciona o Olisipónia, um espaço multimídia dedicado à cidade de Lisboa.

Perambulando por Alfama

Perambulando pelo bairro você cruzará com velhinhas vestidas de preto, sentadas junto às portas das casas com ar perdido, deixando o tempo passar, ou tagarelando entre si. Mais adiante verá crianças jogando futebol nas pracinhas, grupos de amigos bebendo uma ginja (feita de uma frutinha semelhante à cereja), torcedores assistindo a uma partida de futebol nos botecos e gente jogando gamão em algum beco. Por toda parte, completando o decoro, há roupas secando penduradas nas sacadas, gerânios nas janelas e o delicioso perfume de pratos cozinhando no óleo de oliva, do bacalhau ou cabrito, assado. Quem tiver tempo para flanar pela Alfama deve dar uma perambulada pela rua do Loureiro e da Judiaria (o antigo gueto judeu), pelas ruelas da Mouraria, que lembram uma medina árabe, e dar uma olhada nos casarões do século XVII no Largo de São Rafael. Quem curtir lugares mais movimentados pode flanar pelas ruas dos Remédios e de São Pedro, as mais comerciais de Alfama, onde ficam várias tavernas.

Largo da Graça

No largo da Graça, no extremo da Alfama, fica a Igreja de Nossa Senhora da Graça, fundada no século XIII, reconstruída e reformada várias vezes. Fernando Pessoa a considerava a mais interessante igreja de Lisboa. Os painéis de azulejos de seu interior barroco-rococó datam dos séculos XVII e XVIII. Em frente à igreja fica o Miradouro da Graça e a uma centena de metros da esplanada o Miradouro da Senhora do Monte, de onde se têm as melhores vistas de Lisboa. A capela junto a esse mirante data do final do século XVIII e foi construída no mesmo local em que existia um pequeno templo erguido em 1147 para comemorar a retomada de Lisboa.

Mouraria

Pela calçada do Monte você chega à Mouraria, o antigo bairro habitado pelos muçulmanos que sobreviveram à tomada de Lisboa por Afonso Henriques e seus cruzados. Ai mouraria, da velha rua da Palma | onde um dia | deixei presa minha alma | por ter passado, mesmo ao lado certo fadista| de cor morena a boca pequena e olhar trocista… A região conservou o traçado característico das medinas árabes, é cheia de ruelas pitorescas e escadinhas em caracol. Encravado entre o Castelo de São Jorge e a Baixa, esse bairro teve sua origem com a invasão moura do século VIII. Com suas ruelas, becos e velhos casarões com roupas penduradas nas janelas, é ainda hoje um reduto de árabes, que dividem espaço com orientais e africanos. O bairro constitui-se de três ruas e uma travessa com casas caiadas. Seu ar meio decadente, ruas de pedras e lampiões nas fachadas sinalizam o que se conserva da velha Lisboa. De requintado o bairro não tem nada, mas, nos pequenos restaurantes simples, a culinária exótica se faz presente, denunciando a mistura de raças que coabitam no local.

As atrações

End. Largo da Sé. A catedral de Lisboa, de estilo românico e aspecto maciço como o de uma fortaleza, foi construída por ordem de Afonso Henriques, no século XII. Quando ocorreu o terremoto de 1755, que colocou abaixo tantas outras igrejas lisboetas, a catedral perdeu apenas a torre do relógio e parte do coro. O templo é uma herança dos tempos medievais, com a parte interna em forma de cruz latina; os traços góticos no seu sóbrio interior foram acrescentados posteriormente. Na sua pia batismal teria sido batizado o lisboeta Santo António. No seu jardim foram encontrados indícios da presença fenícia do século VIII a.C. e as ruínas de uma mesquita moura do século IX. Uma escada do lado direito dá acesso ao tesouro da igreja, que abriga objetos trabalhados em metais preciosos e vestimentas religiosas ricamente decoradas.

Igreja de Santo António

End. R. Pedras Negras. Dedicada ao santo casamenteiro, essa igreja que mistura em sua fachada elementos barrocos e neoclássicos foi construída no século XVIII no lugar em que ficava a casa de Santo António de Lisboa (também conhecido como Santo António de Pádua, por ter vivido a maior parte de sua vida naquela cidade italiana). Ao visitá-la talvez você note uma ou outra jovem mais conservadora, ajoelhada, fazendo suas preces a Santo António na esperança de conseguir um casamento. (As mais modernas preferem tentar sua chance na internet!)

Museu do Teatro Romano

End. R. de São Mamede, 3 Pátio do Aljube, 5.  Esse museu, instalado em um imóvel so século XVII, inaugurado em 2001,pretende resgatar a história do teatro romano nos tempos em que a cidade ainda se chamava Olisipo.

Feira da Ladra 

End. Ao lado da Igreja de Santa Engrácia, no Campo de Santa Clara.  Nesse mercado das pulgas você encontra brinquedos antigos, roupas retrô, velhos livros, gravuras, LPs de fado, cerâmicas, velhos azulejos e toda uma série de objetos que incluem máquinas fotográficas antigas e cachimbos. Mesmo que você não pretenda comprar nada, é um passeio pitoresco que atrai turistas e colecionadores. Não se iniba e regateie os preços.

Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa

End. Largo do Chafariz de Dentro, 1 Os três andares desse pequeno museu nos permitem navegar pela história do fado, escutá-los, conhecer os instrumentos musicais utilizados pelos cantores e até saber a origem e o processo de fabricação das típicas guitarras portuguesas. Se você visitá-lo durante a alta estação, com sorte poderá participar de uma visita cantada, isto é, acompanhada por cantores de fado. Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa

Museu Militar

End. Largo do Museu de Artilharia No local funcionava uma oficina de fundição de canhões do arsenal real. Fazem parte do acervo uniformes, armas e painéis sobre a rota das Índias. O pátio é decorado com painéis de azulejo que contam a história de Portugal. O museu começou a ser organizado em 1842 e conta hoje com 34 salas. Apresenta a evolução do armamento, numa perspectiva cronológica, e reúne pinturas e azulejarias que retratam as conquistas portuguesas no além-mar. Museu Militar

Museu de Artes Decorativas 

End.  Largo das Portas do Sol, 2 O Palácio dos Viscondes de Azurara, uma bela construção seiscentista, que por si só, já vale a visita ao museu, abriga as coleções doadas por Ricardo do Espírito Santo, um banqueiro amante das artes que adquiriu o palácio em 1947. Entre as peças expostas estão antigo mobiliário português e indo-lusitano, azulejos raros, porcelanas chinesas, tapeçarias orientais e pinturas, a maioria delas de artistas portugueses. Uma oportunidade de ter uma ideia do fausto em que vivia a elite portuguesa na época.

Miradouro de Santa Luzia

End.  R. do Limoeiro. Desse bucólico mirante se avistam parte da cidade e o Tejo. Ao lado, ficam o Jardim Júlio de Castilho e a Igreja de Santa Luzia, decorada com painéis de azulejos que mostram como era a vista do Terreiro do Paço (praça do Comércio), antes do grande terremoto, ou retratam fatos históricos, como a batalha entre mouros e cristãos no Castelo de São Jorge. O belvedere construído nessa pracinha sobre os restos de antigas fortificações árabes, com vista para o bairro da Graça, possui um quiosque-bar com mesinhas ao ar livre, um ótimo lugar para um café na ida ou volta de um passeio pela Alfama.

Largo das Portas do Sol

Esse largo com um nome tão romântico, do lado oposto à igreja de Santa Luzia, foi uma das portas da antiga cidadela muçulmana. Seu belvedere oferece uma linda vista da cidade e do Tejo.

Casa dos Bicos

End.  R. dos Bacalhoeiros, 100. Não está aberta a visitação. Um dos mais curiosos edifícios de Lisboa. Foi construída em 1523 por Dom Brás de Albuquerque, um filho ilegítimo do vice-rei da Índia. Sua fachada é revestida de pedras talhadas em forma de diamante (os tais “bicos”). As janelas lembram as dos palácios venezianos. Aliás, Dom Brás acabava de voltar de uma viagem pela Itália, quando iniciou a construção do palacete e é provável que tenha achado “muito gira” o Palácio dos Diamantes de Ferrara, no qual se inspirou… Em 1755 os andares superiores do imóvel desabaram quando Lisboa foi sacudida pelo terremoto. O casarão, meio detonado, virou local de salga de bacalhau e só em 1982 teve os pisos superiores reconstruídos com base em um antigo painel de azulejos recolhido no Museu da Cidade, que mostra o edifício com o aspecto que tinha antes do terremoto. Hoje, o imóvel abriga o Pelourinho da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa.

Escadinhas de Santo Estêvão

Bonde 28. O verdadeiro ziguezague de escadinhas entre passagens sombreadas e sobradinhos passa pela parte dos fundos da igreja de Santo Cristovão. Repare no seu painel de azulejos. O alto da escadaria, que leva ao Beco do Carneiro, oferece uma vista panorâmica do porto.

Mosteiro de São Vicente de Fora

End. Largo de São Vicente. Foi construído no mesmo local em que existia outro templo dedicado a São Vicente, proclamado padroeiro de Lisboa em 1173. Suas relíquias foram transferidas do Algarve para a igreja, que ficava fora das muralhas da cidade – daí o nome “de fora”. A igreja atual foi erguida a partir de 1582 por iniciativa de Dom Afonso Henriques e terminada em 1627. O antigo refeitório dos monges foi transformado pelo rei Dom João IV em panteão dos Bragança. Quase todos os reis dessa dinastia estão enterrados nessa igreja, com exceção de Maria I e Dom Pedro I (para os portugueses, Dom Pedro IV), enterrado em São Paulo. Dois belos paínéis de azulejo do século XVIII chamam a atenção do visitante: os do claustro, inspirados nas fábulas de La Fontaine, e o grande painel da portaria representando a retomada de Lisboa dos mouros. Também interessantes são o baldaquino barroco de Machado de Castro, sobre o altar, com estátuas de madeira em tamanho natural, e a carpideira de pedra ajoelhada sobre o túmulo de Carlos I e do príncipe herdeiro Luís Felipe, mortos em um atentado em 1908 na Praça do Comércio.

Igreja-Panteão de Santa Engrácia (Pantheão Nacional

End.  Campo de Santa Clara. Da antiga igreja fundada em 1568 pela infanta Dona Maria, filha de Dom Manuel I, nada restou. O templo atual na encosta da colina em frente ao Tejo, que se destaca pelo enorme domo, começou a ser construído na década de 1680 em estilo barroco e só foi concluído em 1966. A igreja abriga os túmulos de grandes nomes da literatura portuguesa, como Almeida Garrett, e outros escritores, de alguns presidentes da República, de Humberto Delgado, opositor da ditadura, e da fadista Amália Rodrigues, além de monumentos funerários de heróis da História nacional, como Nuno Álvares Pereira, o infante Dom Henrique, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque.

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