História de Portugal

História de Portugal: a Revolução dos Cravos

Portugal, Revolução dos Cravos - Foto Pedro Catarino
História de Portugal: a Revolução dos Cravos – Foto Pedro Catarino

História de Portugal: a Revolução dos Cravos

Apesar da industrialização, na década de 1970 eram poucas as alternativas para os portugueses mais pobres e de pouca instrução. Ou seguiam para as colônias, chamadas pomposamente de “províncias ultramarinas”, que passavam por um momento difícil, ou se engajavam nas forças armadas por quatro anos, como participantes de uma guerra cada vez mais sangrenta e desacreditada contra os movimentos guerrilheiros que lutavam pela independência das colônias africanas.

Um milhão de exilados – Quem não aceitasse uma dessas alternativas via-se obrigado a imigrar. Um milhão de portugueses o fizeram, dirigindo-se principalmente para a França. É óbvio que “morrer pela pátria e viver sem razão” não era exatamente o sonho da soldadesca e da baixa oficialidade.

Uma história verdadeira e engraçada – Assim, quando, por exemplo, o exército indiano ameaçou invadir a última colônia portuguesa na Índia, a ordem dada aos soldados para que lutassem “até o último homem” não foi tomada a sério. Quando um numeroso e bem armado Exército indiano iniciou a invasão, as pouco numerosas forças portuguesas renderam-se quase imediatamente.
David Birmingham, no livro História de Portugal, conta que o Estado-Maior em Lisboa, “ao ser-lhe pedido que enviassem salsichas para Goa, enviou salsichas de porco, esquecendo completamente que a palavra código para granadas de artilharia era “salsicha”. Parece piada, mas não é.

A influência do turismo – A recente industrialização do país, importante em termos portugueses, mas pequena se comparada com o resto da Europa, influenciou a nova geração. A década assistiu também ao desenvolvimento do turismo de massa. Turistas de toda a Europa, que iam passar suas férias nas ensolaradas praias portuguesas, levaram consigo novidades, atitudes e ideias liberais, uma brisa fresca em um país conservador. O dinheiro do turismo permitiu à gente simples pensar numa melhora de vida. A influência cosmopolita do turismo estrangeiro no Algarve e na capital, o retorno transitório ou definitivo de imigrantes fixados na França e outros países democráticos, a industrialização, o horror às guerras na África, a insatisfação nas forças armadas, tudo favorecia a circulação de ideias.

O crescimento da oposição à ditadura – Entre a média oficialidade e os soldados, a oposição à ditadura era cada vez maior. Mesmo entre os altos oficiais militares, o regime salazarista perdia terreno. Oficiais insuspeitos, como António de Spinola, que comandara as forças portuguesas na Guerra da Guiné, questionavam em seu livro Portugal e o Futuro a validade das guerras coloniais. Pouco depois, Spinola e outro general opositor, Costa Gomes, foram demitidos de suas funções.

A Revolução dos Cravos – Desde 24 de março de 1974, o movimento organizado por oficiais descontentes nas Forças Armadas já tomara a decisão de derrubar o governo. Assim, em 25 de abril, quando a canção proibida Grândola, Vila Morena, do compositor José (“Zeca”) Afonso, entrou no ar à 0h20, soldados e oficiais que esperavam esse sinal para iniciar a revolta puseram os tanques na rua e foram recebidos de braços abertos pela população, que distribuiu cravos vermelhos para serem colocados nos canos de seus fuzis, uma cena bonita que correu o mundo.
Rapidamente, quartéis, aeroportos, edifícios públicos e estações de rádio e televisão foram ocupados, quase sem resistência. As poucas mortes foram provocadas por disparos da polícia política contra o povo, quando a população cercou a sede da odiada instituição.

Moderados acabam levando a melhor – Após um período de instabilidade em que a ala esquerda deu as cartas, pondo em prática propostas cada vez mais radicais, uma nova movimentação dentro das Forças Armadas, dessa vez comandada pela oficialidade moderada, acabou dominando a situação. Nas eleições que se seguiram, tanto a extrema direita como o partido comunista foram derrotados. A partir de então, socialistas e a direita liberal passaram a se alternar no poder. Portugal retirou suas tropas das colônias, que se tornaram países independentes.

As músicas da Revolução 

Grândola, Vila Morena (Zeca Afonso)
Grândola, vila morena | Terra da fraternidade | O povo é quem mais ordena | Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade | O povo é quem mais ordena | Terra da fraternidade | Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo | Em cada rosto, igualdade | Grândola, vila morena | Terra da fraternidade