História de Portugal: a ditadura de Salazar

Oliveira salazar, ditador português

A ditadura de Salazar

Em agosto de 1910, a república foi proclamada. Com o rei exilado na Inglaterra, grupos monárquicos tentaram restabelecer o antigo regime, mas não tiveram sucesso. No ano seguinte foi declarada a separação da Igreja e do Estado e o casamento civil foi introduzido em Portugal.

A falência do novo regime

Sem sequer conseguir resolver seus problemas internos e com a nação mergulhada numa séria crise econômica, o governo republicano que subiu ao poder cometeu o erro de ceder às pressões inglesas para que o país participasse da guerra contra a Alemanha. O custo da aventura militar levou Portugal à falência.

A república portuguesa, apesar do caos econômico, incentivou o ensino e a publicação de obras até então proibidas no país. Duas correntes de pensamento se enfrentavam. De um lado a Seara Nova, grosso modo social-democrata, de tendências pacifistas, e o Integralismo Lusitano, que contava com a simpatia da Igreja, favorável à restauração de uma monarquia absoluta. Essa tendência de ultra-direita era, na verdade, mais realista do que o rei, uma vez que o próprio Dom Manuel, exilado na Inglaterra, era favorável a uma monarquia constitucional.

A ditadura salarazista

Em 1926 um golpe de Estado conservador derrubou o governo. Sem conseguir controlar a crise econômica, a direita que tomou o poder fez um apelo a António Oliveira Salazar, um professor de Finanças da Universidade de Coimbra. Conservador ao extremo, admirador do fascismo italiano, ambicioso e autoritário, Salazar acabou por acumular o cargo de Ministro das Finanças com aquele de Presidente do Conselho de Ministros do governo português. Em 1933, uma nova Constituição de cunho fascistoide foi promulgada e Salazar, apoiado pela Igreja e pelo Exército, tornou-se, na prática, um ditador.

As agruras econômica do Império Português

Portugal voltou-se, sem o mesmo êxito do passado, para seu império africano, fornecedor de produtos tropicais baratos, como o açúcar. Os tempos, entretanto, eram outros e a África não tinha as riquezas do Brasil. Apesar da estabilidade econômica e social, conseguida em boa parte com a ajuda da polícia política que se infiltrara em todos os setores da sociedade, Portugal continuou pobre. Remessas enviadas por imigrantes portugueses no Brasil e na Europa ajudavam a equilibrar as contas nacionais, mas não eram suficientes para desenvolver o país. Durante a Segunda Guerra, Portugal declarou-se inicialmente neutro. Em 1943, porém, percebendo que era cada vez mais remota a possibilidade de uma vitória alemã, permitiu a instalação de bases militares aliadas nos Açores.

O ambiente revolucionário na África

Para economizar divisas, o regime tentou desenvolver a cultura do algodão na África, obrigando os camponeses a plantá-lo. Entretanto, além de o produto ser de qualidade inferior ao do importado de outros países, o que causou reclamações das fábricas portuguesas de tecido, a queda na produção de alimentos teve como consequência a fome e revoltas, que foram contidas à bala. Muitos trabalhadores rurais das colônias haviam perdido suas terras, tomadas por companhias agrícolas. Essa situação deu origem a grupos revolucionários dispostos a lutar pela independência das colônias.

O assassinato do general Delgado

No final da década de 1950, pressionado interna e externamente a democratizar o país, o governo português organizou um simulacro de eleição. Mas o general Humberto Delgado, candidato de setores descontentes, foi assassinado depois de ter sido atraído para uma armadilha na Espanha, o que causou desconforto entre as Forças Armadas.
A partir dos anos 1960, iniciou-se uma tímida industrialização que beneficiou sobretudo uma dezena de famílias. As indústrias química, têxtil e de produtos alimentícios cresceram. Surgiram usinas de açúcar e fábricas de bebidas, sapatos e outros produtos.

O fim de Salazar

No final da década, Salazar literalmente caiu da cadeira. Acostumado a soltar o corpo sobre uma cadeira de armar, não viu que ela fora tirada do lugar e caiu, batendo a cabeça. A pancada resultou em uma lesão cerebral grave que o obrigou a se afastar do governo. Foi substituído por seu correligionário Marcelo Caetano.