História de Lisboa
Padrão do Descobrimento, Lisboa
História de Lisboa, Padrão do Descobrimento, Lisboa

História de Lisboa

Sabe-se que a região de Lisboa na foz do rio Tejo, ao norte da península de Setúbal, foi habitada desde a Idade da Pedra. Vestígios desse período, como menires e dôlmens, espalham-se pela região. Em cerca de 1.200 anos antes de Cristo seus habitantes já efetuavam trocas comerciais com navegadores fenícios que chegaram a se fixar na cidade.

A foz do Tejo

O fato é que a foz do Tejo, onde fica a capita lusa, sempre foi um excelente porto natural.
Aos fenícios seguiram-se os celtas, que ocuparam a região de Lisboa e outras de Portugal, mesclando-se com a população local.

As sucessivas invasões

Uns 300 anos a.C. os cartagineses, descendentes dos fenícios, ocuparam parte do litoral que também incluía a região de Lisboa e ali permaneceram até serem expulsos pelos romanos após as guerras púnicas. A cidade passou então a se chamar Felicitas Julia e foi integrada à Lusitânia, província que se estendia até a cidade de Mérida, hoje parte da Espanha.

O cristianismo

Com a queda do Império Romano, depois de adotar o cristianismo, Lisboa (que passara a ser chamada de Ulishbuna) caiu nas mãos dos suevos, depois dos visigodos, até que, em 719, decadente, foi tomada pelos mouros, que invadiram a Península Ibérica oito anos antes.

O domínio mouro

Transformada em cidade árabe, com o nome de al-Lixbûna, Lisboa permaneceu sob domínio islâmico até o ano de 1147, quando foi retomada pelos cristãos comandados pelo rei Dom Afonso Henriques, que contou com a ajuda dos cruzados a caminho da Terra Santa. Autorizados pelo rei a saquear a cidade, os cruzados mataram ou escravizaram milhares de pessoas, não poupando nem mesmo a população cristã, chamada de moçárabe. Com a conquista do sul do país e a formação do Reino de Portugal e do Algarve, Lisboa reforçou sua importância política e econômica, tornando-se capital do reino no ano de 1255.

Lisboa na Idade Média

Durante a Idade Média, Lisboa já era um dos mais importantes portos europeus, beneficiando-se de sua situação privilegiada no estuário do Tejo. No extremo oeste da Europa, de frente para o Atlântico, mas bem perto do Mediterrâneo e da África, a cidade estava mesmo destinada a ser a capital das grandes navegações, de onde partiram no final do século XV e começo do século XVI as caravelas de Vasco da Gama. da Gama. Começava a idade de ouro da capital, na qual desembarcavam as famosas especiarias orientais, tão valorizadas na Europa.

Lisboa sob Dom Manuel

A riqueza foi tal que permitiu a Dom Manoel I torrar dinheiro em castelos, palácios, igrejas, mosteiros e outras extravagâncias. Habitavam Lisboa verdadeiras colônias de comerciantes europeus de diferentes países. Africanos também eram numerosos; era comum famílias lisboetas, não necessariamente ricas, terem escravos negros empregados em tarefas domésticas. Havia ainda árabes (livres ou escravos) e mulatos. Destes alguns eram açorianos, resultado do estímulo à política de miscigenação adotada pelo reino. Outros mestiços eram de “produção local”, nascidos em Portugal, já que o abuso sexual das negras era considerado normal. As escravas árabes eram um pouco (um pouquinho só…) mais respeitadas.

O que é bom dura pouco

No caso de Portugal e particularmente de Lisboa durou muito. Do final do século XV até o final do século XVIII, de forma quase ininterrupta a cidade (leia-se o rei, a Igreja, a nobreza e a burguesia comercial, não o povão) beneficiou-se das riquezas do ultramar. Só a Igreja, com um patrimônio cada vez maior, construiu mais algumas dezenas de conventos e templos repletos de ornamentos de ouro, enquanto os sacerdotes, geralmente ociosos, chegavam a constituir aproximadamente 6% da população lisboeta.

A Igreja portuguesa, fator de atraso

Foi esse setor ultraconservador da sociedade portuguesa que impediu, com o poder que lhe conferia a Inquisição, e com o apoio a nobreza, o surgimento de uma burguesia industrial e qualquer tentativa de industrialização do país. A situação só mudaria durante o governo do Marquês de Pombal, o todo-poderoso ministro do rei Dom José I.

O Grande Terremoto de 1755

Foi durante seu governo que ocorreu o mais dramático evento da vida da cidade nos últimos séculos. Em 1º de novembro de 1755, Lisboa foi destruída por um grande terremoto, seguido de um tsunâmi. Tratando-se do dia de Todos os Santos, incêndios provocados pelos milhares de velas acesas nas casas e igrejas se alastraram por toda a cidade, devastando o que sobrou.

As reformas urbana de Pombal

Pombal aproveitou para transformar a cidade que, apesar de rica e cosmopolita, mantinha até então um aspecto medieval, com ruelas estreitas e tortuosas. Todo o centro de Lisboa, região que ficou conhecida como Baixa Pombalina, foi reconstruído seguindo um planejamento urbano, com a abertura de largas avenidas e praças.
Após a bagunça que se seguiu ao terremoto, Lisboa foi aos poucos voltando à sua vida normal.

O fim do ouro brasileiro e a decadência de Portugal

Nosso metal precioso continuava a abastecer os cofres reais, situação que se estendeu até o esgotamento das minas no Brasil no final do século XVIII. A partir daí Lisboa passou por momentos difíceis. Como miséria pouca é bobagem, pouco depois Portugal foi invadida pelas tropas de Napoleão. Dom João VI, sua esposa, a desbocada Carlota Joaquina, o resto da família real, nobres, o alto clero e todo mundo que pode deixou a cidade às pressas. O povo de Lisboa, abandonado à própria sorte, viu sua cidade ser ocupada (e, em parte, saqueada) pelos franceses.

A segunda metade do século XVIII

Lisboa começou a seguir o exemplo de outras capitais europeias e a se modernizar somente na segunda metade do século XVIII, quando bairros como o Chiado ganharam lojas finas, cafés da moda (O Tavares e o Café do Chiado) e associações culturais. Uma dessas entidades foi o Grêmio Literário, onde se reuniam escritores do quilate de Almeida Garrett, Eça de Queirós, Oliveira Martins e Alexandre Herculano, além de poetas como Guerra Junqueiro, intelectuais que tinham em comum certas preocupações sociais. Lisboa ganhou alguns belos jardins, a exemplo de outras capitais europeias.

Lisboa era uma coisa, Portugal era outra

Enquanto os lisboetas sempre foram abertos e politicamente esclarecidos, o povão das pequenas cidades e das regiões rurais, analfabeto e manipulado pelos padres, continuava muito conservador. Quando em 1910, depois do assassinato do rei Dom Carlos no atentado de 1908, eclodiu na cidade uma revolta das classes populares e a república foi proclamada, a capital praticamente arrastou o país junto.

A ditadura salazarista

Depois de inúmeras crises, com a nação sem rumo, um golpe de Estado derrubou o governo e instalou uma ditadura liderada por António de Oliveira Salazar, um obscuro e carola professor de economia de Coimbra. Durante seu regime, uma espécie de fascismo molhado na água benta e inspirado no regime italiano de Mussolini e no franquismo espanhol, a cidade viveu um limbo político e cultural, a imprensa foi amordaçada e a criação artística e literária foram sufocadas pela censura. Pobre Lisboa!

A Revolução dos Cravos

A ditadura estendeu-se até 1974, quando o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, foi derrubado pela Revolução dos Cravos. Depois de alguns anos de instabilidade com radicais de esquerda, socialistas e a direita moderada se degladiando pelo poder, as coisas se acalmaram e os portugueses puderam enfim desfrutar a democracia.

Portugal entra para a União Europeia

O grande momento para Lisboa foi a entrada do país na Comunidade Europeia. Áreas inteiras como as docas foram recuperadas, a cidade floresceu, mesmo tendo passado por momentos dramáticos, como o Grande Incêndio do Chiado, que acabou resultando na reconstrução, reforma e recuperação do centro velho. Em 1994, Lisboa tornou-se Capital Europeia da Cultura e, em 1998, foi sede da Exposição Mundial destinada a comemorar os 500 anos das descobertas de Vasco da Gama.

A maior ponte do continente europeu

No mesmo ano, como parte das comemorações, foi inaugurada a maior ponte do continente, a Vasco da Gama, e o Oceanário. A outra ponte sobre o Tejo, a Oliveira Salazar, teve seu nome mudado para Ponte 25 de Abril em 1974. Soa muito melhor!

Lisboa hoje

A capital portuguesa é hoje uma bela cidade, que concilia tradição e modernismo. Conserva largas avenidas nas áreas destruídas pelo terremoto de 1755, mas mantém o traçado medieval em bairros como Alfama, que escapou dos tremores. Funiculares e um elevador unem a parte alta da cidade à baixa (que, apropriamente, se chama Baixa).

Informações práticas sobre Lisboa

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