História da Itália: da pré-história aos romanos
Julio César
Julio César

História da Itália: da pré-história aos romanos

Antes da hegemonia romana, boa parte do sul da Itália era ocupada por colônias gregas. Cuma, Nápoles e Pesto, na Campânia; e Agrigento, Selinunte e Siracusa, na Sicília, dentre diversas outras cidades na Península Itálica, constituiam a chamada “Magna Grécia”.

Os etruscos

No centro-norte, a história da Itália começou com os etruscos, que submeteram as demais cidades da região, inclusive Roma, que, no século VIII a.C., era apenas um pequeno reino agrícola. Depois que os romanos puseram os soberanos etruscos para correr e decidiram que não queriam mais saber de reis, estabeleceram, em 510 a.C., uma república governada por dois cônsules escolhidos pelos senadores oriundos da elite.

Os patrícios e as camadas populares

Apesar de inicialmente o poder ser monopolizado pelos ricos patrícios (membros da nobreza), as camadas populares conseguiram, depois de algum tempo, a eleição de representantes (tribunos) com poder de veto sobre certas decisões do Senado. Existia ainda uma assembleia de cidadãos na qual as leis eram votadas, um sistema que lembra um pouquinho nossas democracias modernas – embora nem todos fossem considerados “cidadãos”.

A Lei das Doze Tábuas

Outra grande conquista da população romana nessa época foi a Lei das Doze Tábuas. Com ela, as leis passaram a ser escritas e publicadas: as tais “tábuas” ficavam expostas na rua. A Lei das Doze Tábuas dispunha sobre variados assuntos, criando pela primeira vez um processo penal, consolidando o que já era costume (como a submissão da mulher ao pai ou marido e o direito à herança) e prevendo penas para os crimes. Havia tanto exagero nos funerais romanos que até mesmo esse assunto foi disciplinado por lei: estabeleceu-se um limite máximo de dez flautistas e as mulheres foram proibidas de gritar e de arranhar os próprios rostos enquanto acompanhavam o cortejo fúnebre!

Roma ocupa toda a Península Itálica

Pouco a pouco, Roma foi expandindo o seu poder por toda a Península Itálica. Por volta do século IV a.C., as colônias gregas no sul do país foram dominadas, depois a própria Grécia e o restante do Mediterrâneo. (A Gália e a Bretanha só foram conquistadas bem mais tarde.)
A principal rival de Roma era Cartago, uma poderosa cidade na costa da África, onde hoje é a Tunísia.

As Guerras Púnicas

Foram necessárias três guerras – as chamadas Guerras Púnicas – para que Roma finalmente conseguisse, em 146 a.C., destruir Cartago e dominar todo o Mediterrâneo. A Segunda Guerra Púnica foi aquela travada contra o exército cartaginês de Aníbal, que entrou no continente europeu pela Espanha e cruzou os Alpes, na intenção de alcançar Roma vindo pelo norte. Foi um feito épico. Imagine norte-africanos, habituados ao calor, montados em elefantes (pobres paquidermes!), no meio daquelas intermináveis montanhas nevadas… Aníbal conseguiu, mesmo com enormes dificuldades práticas, chegar à Itália e, depois de ter feito alianças com as populações do norte, de origem gaulesa, derrotar os romanos em uma série de batalhas. As portas da cidade estavam abertas, mas ninguém até hoje entende porque, em vez de conquistar Roma, o general foi descansar em Cápua. Esse período de descanso deu o tempo necessário para os romanos reorganizarem o exército, levarem a guerra à Espanha e depois à África, onde derrotaram Aníbal definitivamente. Delenda est Cartago!

As rivalidades entre as facções

No plano interno, a rivalidade entre as facções, uma constante na República, acabou por degenerar em sangrentas guerras civis, o que permitiu a ascensão de Júlio César. Político ambicioso e militar brilhante, ele conquistou a Gália em 49 a.C., conseguiu afastar seu rival Pompeu, neutralizou o Senado e tornou-se governante absoluto. É claro que havia setores descontentes e César acabou assassinado numa conspiração da qual tomou parte até mesmo Brutus, a quem ele considerava um filho.

Roma após a morte de César

Depois da morte de Júlio César, Roma mergulhou numa guerra civil, pois havia dois concorrentes à sucessão: Otávio, sobrinho de Júlio César, e Marco Antônio, um militar. Assim como Júlio César alguns anos antes, Marco Antônio tornou-se amante da rainha egípcia Cleópatra, com a qual veio a se casar – embora já fosse casado com outra mulher em Roma. O casamento bígamo de Marco Antônio com uma estrangeira foi o mote de uma campanha por meio da qual Otávio conseguiu desacreditá-lo moralmente perante os romanos. Bem ou mal, Marco Antônio dava muito mais atenção à amada do que a Roma, e havia se unido a uma inimiga potencial. Assim, Otávio venceu a disputa, assumindo o poder com o nome de Augusto, o primeiro imperador de Roma.

O império herdeiro dos gregos, as origens do mundo ocidental

Estava criado o império que, assimilando a cultura grega, mais adiantada, transmitiu ao mundo ocidental os fundamentos ideológicos, jurídicos e culturais de nossa sociedade atual.
Durante séculos a história da Itália foi a história de Roma, da República ao Império, e dos primeiros tempos do Cristianismo. Romanos não eram apenas os habitantes de Roma, mas os de toda a Itália integrada ao Império, com uma população que alcançava uns seis milhões de habitantes considerados cidadãos, além de mais uns dois milhões de escravos.

DicaPara conhecer os personagens que mais influenciaram a história de Roma, dê uma olhada no Dizionario dei personaggi dell’antica Roma, organizado por Diana Bowder, Newton & Compton Editori, Roma, 2001.

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