Os Césares e mundo romano
Os Césares e mundo romano: ruinas romanas de Pompeia, Itália
Os Césares e mundo romano: ruinas romanas de Pompeia, Itália

Os césares e o mundo romano

Os Césares e mundo romano tiveram bon e maus momentos. Embora alguns imperadores tenham governado com certa sabedoria, diversos deles eram cruéis e detestados. A devassidão era a marca registrada de quase todos os governantes (a começar por Júlio César, que já foi chamado de o “marido de todas as mulheres e a mulher de todos os maridos”).

Os mais cruéis Césares do mundo romano

Os piores, entretanto, foram Nero, Calígula, Tibério e Cômodo. Eles não foram apenas devassos, mas de uma perversidade alucinada, todos de gênio violento e capazes de requintes de crueldade até contra crianças. Nero, o imperador que mais perseguiu os cristãos, chegando a mandar executar São Pedro e São Paulo, matou a mãe a pontapés; Calígula virou sinônimo de monstruosidade (era louco a ponto de nomear seu cavalo senador!), e Tibério convidava adolescentes de ambos os sexos para sua villa de Capri para seviciá-los.

Os governantes populares

Estre estes estiveram estiveram César, Otávio, Constantino, Vespasiano, Adriano e Marco Aurélio. O erro deste último foi querer eleger como sucessor seu filho, Cômodo, um maluco. Otávio Augusto era conservador e severo e, ao contrário da maioria dos césares, um tanto moralista. Até sua filha e sua neta foram repudiadas por ele depois de terem sido acusadas de libertinagem.

e o mundo romano- Conheça todas as intrigas sobre a vida dos imperadores romanos lendo “A Vida dos Doze Césares”, de Suetônio, um clássico da Antiguidade.

A estrutura de poder

A ideia do Império Romano como algo muito organizado e eficiente não passa de um mito. Na verdade, toda a estrutura de poder em Roma era uma enorme corrente de propinas. Desde que algum dinheiro chegasse aos cofres públicos, cada um podia embolsar o seu. (Isso acontece até hoje em alguns países… ) Os cargos eram vendidos ou obtidos na base do pistolão, e tudo se negociava; um nobre apoiava a reivindicação do outro que, em troca, devia apoiar o nome de um protegido do colega para um determinado posto. Nada se conseguia sem molhar a mão de alguém e ninguém se aproximava de um magistrado para pedir algo sem levar um presente, que devia ser compatível com a magnitude do pedido.

Alegrar o povo: uma obrigação para os indicados pra altas funções

Um detalhe que chega a ser engraçado é que os romanos nomeados para uma alta função deviam oferecer um presente à população: um banquete, um espetáculo de circo, um monumento ou a água quente das termas. Eles deviam arcar com esses custos se não quisessem ficar com fama de sovinas. Ou seja, já que sabidamente iam mesmo encher os bolsos, podiam muito bem oferecer um pouco de pão e circo para o povão. Esse pensamento faz escola até hoje sob a forma de churrascos eleitorais, cervejadas etc. A diferença é que os romanos faziam isso depois de serem eleitos – e não antes!

O paganismo

Durante o período dos Césares o paganismo romano era uma religião politeístado mundo romano e voltada, dentre outras divindades, para o culto dos ancestrais, os deuses da casa (“lares”), celebrado num altar doméstico onde queimava permanentemente o fogo sagrado (mesmo que fossem apenas carvões em brasa). A palavra “lareira” vem daí. O romano também costumava, ao beber, dedicar um pouco de seu vinho aos lares, pingando algumas gotas no altar doméstico. (Será que foi aí que surgiu o hábito de derramar algumas gotinhas para o santo?).
A religião romana tinha também divindades de culto público, muitas das quais se confundem com as do panteão grego, tais como: Zeus – Júpiter, Afrodite – Vênus e assim por diante. Havia, porém, influência de outras religiões, tanto é que Ísis, deusa egípcia, era adorada pelos romanos, como demonstra seu templo em Pompeia. Mitra, um deus indo-iraniano, também era bem cotado.

A relação pessoal de cada um com a sua divindade

Da mesma forma que cada cidade tinha seus deuses favoritos, cada romano mantinha uma relação bastante pessoal com as divindades. Fazia-se oferenda nos altares esperando conseguir algum favor dos deuses: concluir um negócio, conseguir um casamento… (Isso também parece que ainda hoje não mudou: donzelas casadouras continuam a acender suas velinhas num altar, pedindo ao santo que lhes arrume um companheiro.) Normalmente, quando um animal era sacrificado, uma parte da carne ficava para os sacerdotes, que podiam revendê-la, e o restante era repartido e degustado entre os presentes.

Os deuses greco-romanos tinham falhas e atributos bem humanos

Eram vingativos, ciumentos, irritadiços e rancorosos… Eram poderosos, mas não onipotentes e distinguiam-se dos humanos por serem imortais. Podia-se pedir a proteção de um deus contra a ira de outro. Não existia, como no Cristianismo, recompensa para os virtuosos, punição para os pecadores e um Deus-Pai, juiz todo-poderoso.

O inferno light de Plutão

Havia uma espécie de inferno, administrado pelo deus Plutão, democrático e “light”, para onde todos iam após a morte – os bons e os maus. Lá não havia diabos espetando o traseiro de ninguém.
O paganismo era uma religião de festas, nas quais homens e deuses confraternizavam. Uma das divindades mais cultuadas, Baco, era justamente o deus do vinho, dos prazeres mundanos e das festas permissivas.