Musée de l’Homme
Musée Homme, Paris, Foto do museu
Musée de l’ Homme, Paris (divulgação)

Musée de l’Homme: a história do homem sobre a Terra

Funciona no Palais de Chaillot, no Trocadéro, em frente à Tour Eiffel, do outro lado do Sena. O Musée de l’Homme,  no final do século passado, estava decadente e superado, até que acabou por fechar. Conservou seu lugar no Palais de Chaillot, mas teve que ser inteiramente reformado em 2009. Só foi reaberto em 2015. Hoje, ainda mais interessante, além das coleções e reconstituições de cenários habitados pelos homens primitivos, oferece uma programação variada, com conferências, debates e filmagens ligadas ao tema: a evolução do homem desde os tempos pré-históricos.

Localização do Musée de l’Homme

A reforma do Musée de l’Homme

Embora, externamente, nada de importante tenha sido mudado em sua arquitetura, o interior do museu passou por grandes reformas e transformações para criar une Galerie de l’Homme com 2500 m², além de um espaço reservado às exposições temporárias, com uma área de de 600 m². Entre as novidades está uma área de exposição de 19 metros de comprimento por 11 de altura, ligando o nível um ao nível dois. Você não deixará de vê-la: são 91 bustos de gesso ou bronze representando a diversidade humana.

Video sobre le Musée de l’Homme em Paris

O interesse de algumas das principais alas do museu

La salle des trésors

Na famosa Salle des Trésors (Sala dos Tesouros) estão algumas das peças mais valorizadas do museu:

A Vénus de Lespugue – uma estatueta de marfim de 23 mil anos, descoberta em 1922; Mammouth de la Madeleine (Mamute da Madeleine) – descoberto em 1864, é um desenho do paleolítico superior escavado numa peça marfim;
Bâton percé de Montgaudier  – bastão perfurado de osso de rena, encontrado em uma gruta na região de Charente em 1866.
Propulseur aux bouquetins – a mais interessante dessas peças, datando de 14.000 av. J.C, foi descoberta em 1911. Trata-se de uma criativa arma propulsora de dardos, invenção que aperfeiçoou profundamente as técnicas de caça, permitindo com bastante precisão atingir a presa de longe. Esse tipo de arma era importante, sobretudo na caça a animais de selvagens de grande porte, como búfalos e mamutes que, cercados, não hesitavam a atacar.

O planisfério: um mural de línguas de fora

O Musée de l’Homme foge aquele conceito de que em um museu não se pode tocar em nada.

O Planisphère des langues

Musée de l'Homme, Paris Foto Jean-Pierre Dalbéra CCBY

Muito criativo, sem dúvida, é o planisfério das línguas. Trata-se de um grande painel com línguas de fora saindo de um buraco circular. Cada uma representa uma língua. Você ao puxar cada uma delas, poderá escutar 30 idiomas falados no mundo. A maioria de nós, quando o assunto é idioma, sempre pensa em apenas uma dezenas deles, como português, inglês, francês, italiano, grego, árabe, “chinês” (qual deles? quem se comunica apenas em mandarim, não entende o que um cantonês está falando e vice-versa), ou “indiano” (existem mais de 14 línguas no subcontinente indiano!) Na realidade,  7 mil idiomas ainda são falados no mundo todo, alguns em fase de desaparecimento. O planisfério das línguas é uma forma de preservá-las.

Estenda a mão a um neandertal

Em outro planisfério, é possível ver de perto diversas peças e interagir com ela. Que tal apertar a mão de um Neanderthal, a de um hommo-sapiens, ou mesmo a de um chimpanzé? Você pode ainda ser filmado, com as feições similares às de um Homem de Nendertal, sentir o odor de uma fogueira pré-histórica, ou entrar em  tenda mongol. Há ainda outras experiências que você poderá participar quando visitar o museu. Esse é, aliás, um programa que agrada em cheio às crianças.

Múmias

Múmias descobertas em diversos países ocupam outra área do Musée de l’Homme. A maioria, como podemos imaginar, cerca de 33 exemplares, é egípcia, 23 são pré-colombianas e 7 delas de origens diversas. Fazem parte dessa exposição (um tanto macabra…) 52 cabeças mumificadas egípcias e sul-americanas.

Reconstituições de cenários pré-históricos

O Musée de l’Homme é também bastante interessante pela reconstituição dos cenários habitados pelos homens primitivos. Os sítios reconstituídos mostram fósseis humanos, objetos paleolíticos e animais já desaparecidos, que eram caçados tanto pelos cro-magnons, como pelos neandertais. O museu nos permite entender a transformação, durante o fim do neolítico, de grupos humanos nômades, dedicados à caça, à pesca e à colheita, para uma vida sedentária que tinha como base a agricultura e a criação de animais. Os humanos no final do período já conheciam cerâmicas primitivas e possuíam ferramentas mais aperfeiçoadas, feitas de cobre inicialmente, até a introdução, mais tarde dos primeiros objetos de bronze.

Cro-magnons e Neandertais

Os primeiros esqueletos de Neandertais, surgidos há 60 mil anos, só foram descobertos em 1868, na Alemanha. Estudos revelam que os neandertais não eram ancestrais dos cro-magnons (nossa espécie). Do ponto de vista genético eram tão diferentes de ser humano moderno, quanto o cavalo é do burro, por exemplo. Sabe-se que ambas as espécies dividiram o mesmo espaço durante aproximadamente 10 mil anos, pelo menos. Não está provado se houve cruzamento entre elas. O tema ainda gera discussões entre cientistas. Sabe-se Neandertais que viviam em grupos bem menores do que os cro-magnons e que suas técnicas de caça eram menos avançadas. Especula-se se a concorrência dos nossos ancestrais modernos resultou na extinção dos neandertais. Inicialmente os neandertais eram encarados como seres primitivos em razão de certas características de seu esqueleto (maxilares e arcadas dentárias proeminentes e outros detalhes morfológicos). Descobriu-se, porém, que tinham capacidade cerebral semelhante ou, mesmo superior, à nossa. Mas não tinham cordas vocais que permitissem o desenvolvimento de uma linguagem. De qualquer forma, não eram tão atrasados como se imaginou quando da descoberta dos primeiros fósseis neandertais. Foram, por exemplo, encontradas sepulturas com objetos que podem indicar alguma forma de culto aos mortos.

Site do museu: Musée de l’Homme

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