Piazza San Marco
Piazza San Marco vista do alto, Veneza
Piazza San Marco vista do alto, Veneza

San Marcos: uma praça muito especial

Valei-nos, San Marco! Haja turistas, sozinhos, em duplas, em grupos, búlgaros, brasileiros, japoneses, esquimós, alemães, adultos, crianças, tirando fotos de tudo, com ou sem pombos na cabeça. E haja pombos! Sempre há alguém vendendo migalhas de pão para alimentar os pássaros, cada vez mais gordos, que vêm comer nas mãos de pessoas que, querendo ou não, acabam sendo envolvidas por dezenas deles, como em um filme de Hitchcock. No fim da tarde, o local é ocupado por orquestrinhas hiper kitsch, que concorrem entre si tocando, todas ao mesmo tempo, Danúbio Azul, New York, New York e O Sole Mio para atrair fregueses a um dos cafés da praça. Quando a maré sobe, só se atravessa a praça de gôndola – ou com água pelos joelhos.

Então esse lugar é um inferno? Longe disso! Pombos, multidões, orquestras, inundações, neblina, chuva, frio, calor, nada consegue abalar o inefável encanto que emana da San Marco (para nós, a mais bela praça do mundo!).

Piazza San Marco, o “centro de Veneza”

San Marco, que corresponde ao que se poderia chamar de “centro” (se Veneza fosse uma cidade comum), é um lugar de visita obrigatória para qualquer mortal. O motivo mais óbvio é a presença da Basilica di San Marco, cuja esplêndida fachada domina toda a face leste da praça. O restante é todo ­ladeado por belos prédios históricos: ao norte e ao sul, as Procuratie (“procuradorias”, onde qualquer procurador dos dias de hoje gostaria de trabalhar), e, no lado oposto à basílica, a Ala Napoleônica, fruto da modéstia do imperador francês que, ao ocupar Veneza, demoliu uma antiga igreja para erguer, em sua própria homenagem, um edifício que unia os prédios das procuradorias em um único conjunto arquitetônico. Essa ala foi residência dos Habsburgos quando Veneza esteve sob domínio austríaco e, depois, dos primeiros reis da Itália. Quem dali olha para a igreja tem a ilusão de que a praça é maior do que de fato é, pois sua forma é a de um trapézio, mais largo no lado onde fica a basílica.

As atrações na Piazza San Marco

O Campanário, a Torre dell’Orologio e o vislubre parcial do Palazzo Ducale completam o emocionante cenário daquilo que foi, durante séculos, o centro de uma das mais poderosas cidades-estado do Ocidente.

Hoje, os andares térreos das Procuratie abrigam lojas e cafés, alguns dos quais existem desde o século XVIII e foram frequentados por personalidades como Byron, Goethe, Rousseau, Wagner, Casanova e Proust. O mais famoso deles é, sem dúvida, o Florian. Não há lugar mais charmoso para tomar um café ou um drink (que pode vir a ser o mais caro de sua vida!).

À direita de quem olha para a basílica, ladeando o Palazzo Ducale, a Piazzetta (um prolongamento da Piazza San Marco) leva à entrada do Canal Grande, de onde se vê a ilha de San Giorgio Maggiore. Duas colunas marcam o local que era a entrada da cidade, onde Veneza se abre para o mar. Uma tem em seu topo o leão alado (símbolo do evangelista São Marcos), a outra, uma imagem de São Teodoro (padroeiro da cidade antes de São Marcos). É esse o cenário do conhecidíssimo quadro de Canaletto que retrata uma antiga tradição veneziana. Ali, o doge celebrava anualmente, em sua nave Bucintoro, no dia da Ascensão, um ato de grande simbolismo: o casamento de Veneza com o mar.

Dica

Não é demais avisar: ao visitar a Piazza San Marco, se você quiser uma foto sua na modalidade “com pombos”, arrume umas migalhas de pão, cubra a cabeça com um lenço ou boné, e não use roupas finas, muito menos caras – pombos são criaturinhas ingratas, capazes das piores desfeitas… Já quem deseja tirar fotos sem aquela multidão deve madrugar. Vale o sacrifício!

Basilica di San Marco – Como você notará à primeira vista, a Basilica di San Marco foge completamente do estilo das igrejas que visitou ou visitará em outros lugares da Itália. Ela é uma harmoniosa mistura dos estilos gótico e bizantino, tendo como resultado um dos mais lindos e originais templos cristãos do mundo. A igreja atual é a terceira erguida no mesmo local. A primeira foi construída em 828 ou 829, quando o corpo de São Marcos foi levado para Veneza.

Destruída por um incêndio em 976, foi reconstruída e, a partir de 1063, decidiu-se reformá-la por inteiro e ampliá-la, o que foi feito durante séculos a fio por grandes artistas venezianos e bizantinos. A grandiosa fachada, toda em arcos decorados com mosaicos, é dividida em dois andares, com cinco portais de entrada e cinco no piso superior, embelezados por torres e delicadas colunas. Seu topo possui cinco cúpulas – nem todas podem ser vistas quando se olha a igreja de frente. Os cavalos de bronze, no alto, são réplicas dos originais, os equinos mais viajados do mundo! Trazidos de Constantinopla com outros espólios das Cruzadas, foram colocados no topo da basílica. Site: Basilica di San Marco

A mão boba de Napoleão sobre o patrimônio artístico de Veneza

Quando Napoleão andou por Veneza, resolveu levá-los para Paris para adornar o pequeno arco do triunfo que construiu nas Tuileries (não o grande, no final da Champs-Élysées). Com a queda do imperador francês, os cavalos foram devolvidos aos venezianos, que dessa vez os guardaram a salvo de todo tipo de intempéries, no museu da basílica. Gostou da fachada? Então prepare-se para a beleza do interior, que tem um jeitão de templo cristão ortodoxo. O que mais impressiona na basílica são os mosaicos, dos quais se tem uma amostra na fachada e no átrio.

Quando você entra na nave em forma de cruz, seu olhar é atraído de modo quase hipnótico pelos abundantes mosaicos dourados e coloridos, no chão e nas paredes – os mais antigos são obra dos bizantinos. Olhando para cima, observe o interior das cúpulas: a primeira, menor, chamada de Pentecostes, representa o Espírito Santo em forma de pomba, e a maior, o Duomo da Ascensão, mostra Cristo e a Virgem com os Apóstolos.

Dentre outras atrações no interior, não deixe de ver a Pala d’Oro, magnífico altar do século X, uma placa de ouro adornada por esmaltes e pedras preciosas. À direita da nave central está o Tesouro, com um variado e rico acervo de peças e de objetos de culto da basílica, muitos deles bizantinos. O Museo di San Marco (também chamado Museo Marciano), onde estão os cavalos de bronze originais, funciona no andar de cima. Ele possui uma boa coleção de pinturas, trabalhos em ouro, ícones, objetos sagrados, fragmentos de mosaicos e tapeçarias. A escadaria de acesso ao museu fica imediatamente à direita, logo após o átrio. Site: Museo di San Marco

Campanile

A torre original de tijolinhos, de quase cem metros de altura, erguida no século XVI, desabou em 1902, mas a atual, prontamente erguida, é uma réplica exata da primeira. Hoje pode-se subir de elevador. Do topo, a vista panorâmica é a melhor que se pode ter de Veneza. Leve sua máquina fotográfica. Uma curiosidade horripilante da história do campanário é que, na Idade Média, ele serviu de prisão: os prisioneiros eram colocados em gaiolas penduradas do lado de fora, sob o sol e a chuva, sem alimento ou água, até morrerem. Outro fato inusitado, bem mais recente (e inofensivo…), é que, há alguns anos, manifestantes de um grupo separatista veneziano se encarceraram na torre, não deixaram ninguém subir durante um bom tempo e deram muito trabalho aos policiais que tentavam desalojá-los.

Palazzo Ducale

Ao lado da Basilica di San Marco fica o Palazzo Ducale, um amplo edifício em estilo gótico–veneziano, todo de mármore branco e avermelhado, com arcadas, que chama a atenção por sua elegância. Construído a partir do século XII, foi passando por importantes modificações até o século XVI, quando assumiu a aparência ­atual. O palácio era residência dos dogi, sede do conselho administrativo da cidade, prisão e tribunal. A entrada é pela Porta della Carta, em estilo gótico-flamboyant, que dá acesso ao pátio e à Escadaria dos Gigantes. Sobe-se, porém, pela Scala d’Oro (“Escada de Ouro”), que leva ao piso superior, para as ricas salas de onde se governava a Serenissima Repubblica. Site:  Palazzo Ducale

A sala dell’Anticollegio, onde se veem pinturas de Tintoretto e de Veronese com temas da mitologia greco-romana, era uma espécie de sala de espera de conselheiros e embaixadores que seriam recebidos pelo doge na sala del Collegio, cujo teto, por sua vez, é pintado por Veronese. As salas seguintes são a del Senato, onde ocorriam as grandes reuniões, cujo teto tem pinturas de Tintoretto, e a do Conselho dos Dez, onde eram tomadas as mais importantes decisões, inclusive as relativas à segurança (como o destino dos radicais que incomodavam o governo…). Ao lado fica a sala della Bussola, onde esperavam os que seriam interrogados.

A maior das salas, com capacidade para acolher centenas de pessoas, é a do Grande Conselho, onde eram eleitos não apenas o doge, mas também os principais funcionários administrativos. É nela que se encontram a gigantesca tela de Tintoretto, o Paradiso, datada do fim do século XVI e tida como a maior pintura a óleo executada até hoje, e os retratos dos diversos dogi que governaram a república. Outros lugares que podem ser visitados no Palazzo Ducale revelam o lado mais sombrio da Serenissima: as prisões, as câmaras de tortura e as salas dos magistrados.

Torre dell’Orologio

À esquerda de quem, estando na Piazza San Marco, olha para a basílica, não passa despercebida a linda Torre dell’Orologio, obra de Gianpaolo Ranieri e de seu filho. É uma obra-prima da tecnologia renascentista: mostra não somente as horas, mas também as fases da lua, o movimento do sol e as constelações do zodíaco. É extraordinário ver que esse engenhoso mecanismo, do século XV, funciona até hoje. As duas figuras em bronze no alto da torre, que representam mouros, batem o pesado sino de hora em hora com enormes martelos. Observá-las virou uma grande atração. Logo abaixo delas, vê-se o leão alado em um fundo azul com estrelas douradas: não há nada mais tipicamente veneziano.

Museo Correr

O museu, que abriga a coleção do veneziano Teodoro Correr, um colecionador de arte do século XVIII, está instalado em parte na Ala Napoleônica e em parte na Procuratie Nuove, ocupando, portanto, a antiga residência dos Habsburgos e da família real italiana, pelo que o interior do edifício já constitui uma atração. O acervo é composto por objetos históricos ligados à vida cotidiana da repubblica marinara e de seus dogi; de esculturas neoclássicas, sobretudo belas obras de Antonio Canova; e de uma pinacoteca com obras de artistas italianos, alguns dos quais bastante conhecidos, como Antonello da Messina, Carpaccio e os Bellini (Giacomo, o pai, e os filhos Gentile e Giovanni). Site: Museo Correr

Museo Archeologico Nazionale

O ponto alto deste museu são suas estátuas gregas e romanas. Também fazem parte da coleção inscrições gregas do século II a.C., moedas romanas, relevos encontrados em sarcófagos e vários objetos em marfim e bronze. Site: Museo Archeologico Nazionale

Sale Monumentali della Biblioteca Nazionale Marciana

Ao lado do prédio da Procuratie Nuove funciona, hoje com precioso acervo histórico, uma biblioteca construída em meados do século XVI para abrigar obras gregas e latinas que a República de Veneza recebeu em doação do cardeal Bessarione. Seu projetista foi o talentoso arquiteto florentino Jacopo Sansovino ­– por isso, a biblioteca também ficou conhecida pelo nome de Libreria Sansoviniana. As chamadas “salas monumentais” da biblioteca merecem ser visitadas não apenas pela bela arquitetura e decoração interior, mas também pela presença de pinturas de Tiziano, Veronese e Tintoretto. Site: Sale Monumentali della Biblioteca Nazionale Marciana

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