O que sai caro em uma viagem?

O que torna cara uma viagem?

por Lúcio Martins Rodrigues

O que sai caro em uma viagem: passagem aérea, transportes, hotel, alimentação? O custo de uma viagem depende do cruzamento de algumas variáveis.

Alimentação: comer não precisa ser caro

É o custo mais elevado de uma viagem para quem almoça e janta em restaurantes, sobretudo para quem viaja por períodos mais longos. Uma refeição para duas pessoas pode facilmente ultrapassar cem dólares, sem incluir vinho, entrada, sobremesa etc. No final da viagem, se você não ficar atento, o custo da alimentação pode ter ultrapassado o valor da passagem aérea e do hotel.

Há soluções para economizar, como comer uma crepe ou um sanduíche numa pracinha ou no próprio quarto do hotel. Além da economia, essa opção, principalmente na Europa, dá ao viajante a oportunidade de experimentar queijos, frios e especialidades locais que não fazem parte de menus de restaurantes. O segredo é comprar tudo em supermercados, se possível.

O brasileiro tem certo pudor em sentar em um banco de praça e comer um sanduíche, mas na Europa e nos Estados Unidos isso é comum. Em Paris e em Nova York, é assim que muita gente almoça. Também não sai caro comer crepe, falafel ou croque monsieur na França, ou pizza em pedaços na Itália, tudo vendido nas ruas. Outra opção são as redes de fast food.

Estudantes, jovens e professores podem comer em restaurantes universitários, pagando um pouco mais do que os estudantes locais. Veja como obter a Carteira Mundial de Estudante (ISIC) e outros documentos que permitem esse desconto.

Passagem área

O custo de uma passagem aérea nem sempre é a despesa mais elevada de uma viagem. Mas isso depende de diversos fatores. Ir do Brasil para um país no outro lado do planeta, como a Tailândia ou a Austrália, é mais caro do que ir à Argentina ou ao Uruguai. A companhia aérea e a classe escolhidas também influem. Uma viagem em primeira classe na Emirates custa uma pequena fortuna, mas viajar em classe econômica em uma companhia low cost costuma ser bastante acessível.

Quando se fala em passagens aéreas na classe econômica, é bom lembrar que seus preços variam, como nas outras classes, segundo a época do ano. Quem quer viajar na alta estação vai pagar mais caro. De outro lado, quem fica meses antes de viajar acompanhando as promoções que aparecem na mídia e nos sites e aproveita as oportunidades pode gastar pouco e conseguir parcelamento.

Os voos internos podem ser mais baratos do que os transportes terrestres. É o caso, principalmente, dos EUA e da Europa. O importante é pesquisar e comparar. No Brasil e em outros países da América do Sul, os trechos aéreos internos costumam ser caros.

Veja preços de passagens aéreas para todo o mundo.

Ônibus

O ônibus é, em geral, o meio mais barato, perigoso e lento de viajar entre dois destinos e também o menos confortável. Em geral, mas nem sempre! Você já andou na classe econômica do Tren de la Muerte, na Bolívia? Pois é…

Brincadeiras à parte, muitas vezes o ônibus-leito é uma excelente opção, sobretudo onde não há trens. Há linhas regulares de ônibus de São Paulo, Rio de Janeiro e do sul do Brasil para os países vizinhos. Ir a Santiago do Chile a partir de São Paulo é para os fortes: a viagem leva cinco dias! Já para ir de São Paulo a Buenos Aires são cerca de 35 horas, em ônibus confortáveis. É viável.

É claro que, em viagens longas, o ônibus-leito é mais caro do que ônibus comuns, mas você economiza o hotel. Acaba não saindo caro nesse caso.

Para distâncias curtas, os ônibus costumam oferecer muito maior opção de horários do que trens e aviões.

Ônibus na América do Sul: empresas e serviços

Ônibus na Europa: empresas e serviços

Ônibus no Brasil: principais empresas

Trem

Quase sempre, viagens de trem são mais caras do que as de ônibus, mas, evidentemente, isso depende da classe escolhida nas duas opções de transporte.

Na América do Sul, como aconteceu com o Brasil, os trens praticamente desapareceram e os que existem hoje são trens turísticos que realizam viagens curtas. No Chile só existem ferrovias para transporte de passageiros entre Santiago e Chillán, no sul. Os trens são baratos, relativamente confortáveis, mas vagarosos. Não conseguem, portanto, concorrer com os ônibus.

Nos Estados Unidos e no Canadá a rede ferroviária é pouco extensa em relação ao território. Nem sempre há trens entre dois destinos importantes. Embora mais caros do que os ônibus, os trens são bastante confortáveis, possuem vagões-restaurante, vagões de dois andares com janelas panorâmicas. Há trens noturnos com cabines e serviço impecáveis.

Na Europa, os trens são uma ótima opção para distâncias que não sejam muito longas. A segunda classe é bastante confortável e acessível. Há cabines de segunda classe com beliches também para viagens noturnas; você economiza o hotel. Os trens de alta velocidade, como o TGV, têm passagens mais caras. A primeira classe, na Europa, é um luxo desnecessário.

Na Ásia, a situação varia muito. Em países como a Índia, os trens são lotados, com gente dormindo no corredor. Viajar sem ter reservado assento, particularmente, é um inferno. Há na Índia trens de longa distância, noturnos, de primeira classe, confortáveis e com direito ao café da manhã servido na cabine. Mas são bem mais caros e podem custar o preço do avião. Na Tailândia, os trens são bem melhores, mesmo em segunda classe. Há nos trens noturnos vagões com beliches e outros com cabine-dormitório exclusivas. No Japão existem os famosos trens de alta velocidade, confortáveis, mas caros.

Dica – A passagem de trem pode sair bem mais em conta se você reservar com bastante antecedência nos sites das companhias. Veja mais dicas sobre transportes.

Carro

Alugar um carro pode ser vantajoso se você estiver viajando com mais dois ou três amigos. Se escolher um carro econômico, cuidado com o excesso de bagagem, pois os porta-malas são pequenos. Em cidades grandes, no mundo todo, esqueça o carro. O trânsito é intenso e achar onde estacionar é um problema.

Na Europa o aluguel de um carro econômico sai em torno de 60 dólares por dia. Um segundo motorista com autorização de guiar aumenta o custo da locação. Pedágios e estacionamento encarecem o uso do automóvel.

Na América do Sul o aluguel de um carro é tão caro quanto na Europa. A gasolina costuma, porém ser mais barata do que no Brasil.

Alugar um carro nos Estados Unidos ou no Canadá é ideia interessante: a gasolina é barata, os carros são bons e as estradas, excelentes. O valor da locação também não é alto.

Na Ásia, em muitos países, como Tailândia, Japão e Índia, guia-se à esquerda, como na Inglaterra. Se você não está acostumado, poderá ter dificuldade. No Japão, alugar um carro não sai tão barato porque o custo de vida por lá é caro. No caso de países como Índia e Nepal, vale a pena alugar carro com motorista. É barato e muito mais seguro do que você mesmo dirigir.

Veja dicas sobre viajar de carro.

Hotel

O preço das diárias depende, em boa parte, da categoria do hotel e do quarto escolhido.

Mas também depende, cada vez mais, da oferta e da procura.

Ficar em um B&B ou alugar um imóvel são, em geral,  as opções mais econômicas. A locação de imóvel  pode ser especialmente vantajosa se você estiver viajando com mais pessoas e for ficar pelo menos uma semana em uma mesma cidade. Quanto mais longo o período de locação, mais barata será a diária.

Europa, Estados Unidos e Japão são exemplos de lugares onde o custo da hospedagem é mais elevado do que na América do Sul. Na Europa, em especial, o valor das diárias de hotéis desaba durante a baixa estação. Lembre, porém, que o custo da hospedagem varia não apenas de país para país, mas de cidade para cidade. Enquanto hotel em Nova York, Estocolmo ou Tóquio é um item muito caro na viagem, no interior desses países o preço pode ser até 40% inferior.

Veja preços de hotéis no mundo todo.

Veja dicas sobre hospedagem.