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Quando o Vesuvio destruiu Pompeia

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A erupção do Vesuvio

Pompeia era uma próspera cidade do Império Romano, com cerca de 20 mil habitantes, situada no sul da Itália, a somente 22 km de Nápoles. No ano de 79 da era cristã Pompeia foi destruída por uma mega e insólita erupção do vulcão Vesuvio.

Séculos se passaram, o império romano foi tomado pelos bárbaros. Pompeia acabou caindo no esquecimento. Durante cerca de 1.600 anos ninguém mais se lembrava que ali existia um grande centro urbano com  casas, ruas, templos, estádios, termas, comércio e até bordéis. Pompeia conservou-se soterrada durante séculos, até por acaso em 1748.

A descoberta de Pompeia, toda preservada

A descoberta em si, já foi uma surpresa. Começaram as escavações, que se revelaram intermináveis. Até hoje arqueólogos ainda vasculham e desenterram muros e todo tipo de objeto nos campos vizinhos. A lama e cinzas vulcânicas cobriram completamente Pompeia, preservando-a de tal modo que, mesmo os corpos de seus antigos habitantes foram “moldados” pelo material vulcânico. O quadro, para quem visita a cidade romana é impressionante. Foram encontrados grande número de corpos: crianças agarradas às mães, grupo de pessoas reunidas em momentos de desespero, casais abraçados, cães, cavalos, e até gatos jaziam por terra em seus moldes macabros. É claro que a descoberta de Pompeia foi uma enorme contribuição à historiadores e arqueólogos, que puderam saber em detalhes como era a vida dos romanos na época. Mas, já imaginaram os momentos se terror e sofrimento vivenciados pela população?

Mas uma pergunta continuou sem resposta até épocas mais recentes. Por que tanta gente morreu? Foram mais de 15 mil pessoas! Em geral quando uma erupção vulcânica tem início, a primeira coisas que as pessoas fazem é sair correndo. Mas aparentemente a maioria não o fez. Por que ?

Por que ninguém fugiu?

A erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C foi atípica. As erupções vulcânicas raramente matam tanta gente porque pessoas fogem ao ver a lava descendo as encostas. O que, então aconteceu em Pompeia? Com a evolução da ciência, estudos de vulcanólogos revelaram o mistério: essa erupção foi de um tipo muito incomum. Não houve rios de lava escorrendo a montanha abaixo. Num primeiro momento e as pessoas simplesmente não tiveram noção do perigo quando a catástrofe começou.

O início da erupção

O que ocorreu no início da erupção foi uma chuva de pedras-pomes, a princípio pequenas e leves, e de pó dessa mesma pedra. Isso fez com que a população procurasse abrigo em suas casas ou nas casas de amigos, cobrindo a cabeça com almofadas ou qualquer coisa que as protegesse, mas sem tentar abandonar a cidade. Ou seja, a mesma reação que temos diante de uma chuva de granizo: nos abrigamos esperando que passe.

A cidade foi sendo soterrada aos poucos

O crescente acúmulo do material sobre os telhados fez, porém, com que alguns tetos desabassem, provocando as primeiras mortes. É claro que algumas pessoas foram atingidas por pedaços de rochas e morreram no ato, mas as pedras-pomes, sendo leves, não foram a causa da maioria dos óbitos. Muita gente foi encontrada com as chaves de suas casas, joias e outros pertences, mostrando que não houve num primeiro instante uma fuga precipitada. (Numa situação de total desespero, ninguém se preocupa em trancar a porta da casa!). Também é fato que relativamente poucos corpos foram encontrados nas camadas mais baixas do material que cobriu a cidade. A fuga também se tornou impossível, com algumas ruas cobertas por camadas de mais de dois metros de cinzas e poeira de pedra pome.

A nuvem piroclástica

Presos nessa ratoeira, foram atingidos por uma nuvem piroclástica, uma mistura escaldante de poeira e gás, que pode alcançar centenas de graus centígrados e velocidades de até 200 quilômetros por hora.
A posição dos corpos de seres humanos e animais, muitos com a boca aberta ou encolhidos, mostra que a maioria morreu sufocada, surpreendida por gases tóxicos e pela poeira escaldante, que chegou bem depois, em ondas sucessivas. Os corpos foram quase sempre encontrados em cantos mais abrigados ou nas ruas, sob as camadas de pedra-pomes que foram soterrando a cidade, e não cobertos por lava, como temos a tendência de imaginar. Acredita-se que as cidades de Pompeia e Herculano representam apenas 1% da superfície coberta pela chuva de pedra, gases e pó provenientes dessa erupção. Até hoje encontram-se por toda região rural próxima ao Vesúvio corpos de vítimas da catástrofe do ano 79.

Fotos: cortesia de Soprintendenza-Speciale-per-i-Beni-Archeologici-di-Napoli-e-Pompei (Soprintendenza Beni Culturale)

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