Impressões de Delhi
Visitantes do Red Fort, Delhi
Visitantes do Red Fort, Delhi

Delhi

Continuação do relato sobre a viagem de 3 brasileiros pela Índia

Para prosseguir a viagem até Delhi, nossos viajantes, Melina, Chico e Barão, optaram mais uma vez, com sabedoria, pelo carro com motorista. Dessa vez, conseguiram um modelo mais moderninho, que lembra um pouco o Uno, chamado Índico, feito pela TATA, um dos maiores grupos industriais da Índia.

Delhi fica a somente 280 km de Jaipur, mas o trânsito é intenso, principalmente na saída de Jaipur, onde há trechos em que se perde dez minutos para percorrer uma centena de metros. Como o motorista era particularmente lerdo, demoraram sete horas para chegar à capital.

Mapa da Índia

A Nova e a Velha Delhi

Cidade grande, também com um trânsito infernal (apenas um pouquinho melhor do que o de Jaipur), é dividida em Nova Delhi e Velha Delhi. A primeira, moderna, foi planejada pelos ingleses durante o período colonial para ser capital da Índia, enquanto a Velha Delhi, é muito mais antiga, anterior ao domínio mongol.

Sem muita paciência para procurar hotel, acabaram se instalando na YMCA (Associação Cristã de Moços), que tem quartos por 66 dólares. Apesar do jantar estar incluído na diária, os três sentiram que havia opções mais interessantes no que refere a preço e qualidade. A vantagem da YMCA é sua localização, perto da Connaugth Place, o antigo centro colonial de arquitetura inglesa.

Vídeo sobre Delhi

Nas proximidades, entretanto, há uma infinidade de arranha-céus e diversos edifícios modernos em construção. A impressão que tiveram é que a capital indiana está mergulhada numa verdadeira febre de construção de edifícios modernos, que está mudando o seu perfil.

Red Fort

As principais atrações turísticas de Delhi, que realmente valem a pena de serem visitadas, são o gigantesco Red Fort (Forte Vermelho), da época dos mongóis, onde os ingleses se refugiram quando da revolta dos sipáios (soldados nativos) em 1860, e a mesquita Jama Masjid, cujas enormes torres destacam-se contra o céu.

A Jan Path Road

Na Jan Path Road, uma das ruas mais conhecidas de Nova Delhi, que começa na Connaugth Place, nossos amigos encontraram um dos mais completos mercados de artesanato do país. Há lojinhas de todo tipo, uma ao lado da outra. O problema é que cada compra exigia uma interminável barganha, uma vez que cada vendedor pedia o que queria. Chegar ao preço justo demorava… Seu tempo era curto. Não era possível passar horas barganhando! Também não estavam muito seguros de que não lhes vendessem gato por lebre (ou, mais precisamente, plástico por turquesa, metal branco por prata ou curvim por couro…). Optaram por fazer suas compras em uma enorme loja do governo indiano que fica na mesma rua, o Center Emporium, que tem preços fixos e produtos de qualidade garantida.

Agra

O fim da etapa indiana da viagem estava se aproximando, mas eles não podiam deixar de ir até Agra, relativamente perto de Delhi, para, no mínimo, ver o Taj Mahal. Descobriram que, embora o trem fosse mais rápido, teriam que comprar a passagem com antecedência em uma estação longe do centro e voltar novamente no dia seguinte de madrugada para embarcar. Optaram por uma pequena excursão: eles e mais um pequeno grupo iriam em uma van com motorista, que viria buscá-los no hotel bem cedo pela manhã e o trariam de volta à noite. A viagem até Agra levou umas quatro horas, por causa do trânsito intenso, mas a van era confortável e, além do motorista, havia um guia muito bem informado.

Como todo mundo, os três acharam o Taj Mahal espetacular; afinal, construído por um poderoso monarca mongol para abrigar o túmulo de sua esposa, ele é uma das maravilhas do mundo.

Para o Chico, a maior surpresa de Agra não foi o Taj Mahal, do qual já tinha visto inúmeras fotos, e sim o Forte de Agra, sobre o qual nunca tinha ouvido falar. Ele gostou demais do lugar, pela imponência e pela rica arquitetura. Agra é também famosa por suas esculturas em mármore, muitas vezes com incrustações em diversos tons. Os ateliês, que são também lojas, podem ser visitados.

O casamento e a situação da mulher

A maior parte dos casamentos ainda é arranjada entre as famílias, com aparente boa aceitação dos noivos. “É a mãe quem geralmente escolhe o marido para a filha, ou a esposa para o filho”. Melina ficou surpresa ao saber do peso que tinha nessa escolha o cruzamento do mapa astral dos pretendentes e a opinião do palmist, que lê suas mãos. Ela também observou que na Índia as mulheres das castas baixas realizam muitos serviços pesados: você as vê nas construções carregando cestos de tijolos na cabeça, ou trabalhando nas plantações.

A essas mulheres são destinados trabalhos que as coloquem em contato com o menor número possível de pessoas, de preferência com outras mulheres. Elas não são vistas trabalhando em restaurantes ou hotéis, por exemplo. As exceções ficam por conta de moças de famílias menos conservadoras, que tenham estudos universitários ou outro tipo de vivência mais ocidentalizada.