Regras de cortesia na Itália

Regra de cortesia

Regras de cortesia

A primeira grande diferença no tratamento pessoal que há entre nossos costumes e os dos italianos é que lá, todo mundo com quem você não tenha intimidade deve ser chamado lei (3a pessoa do singular – equivalente a “o senhor” ou “a senhora” em português), e não tu (2a pessoa do singular). Isso vale para todo mundo, independentemente da idade, da profissão etc.
Signore (sinhore), ou seja, senhor, é usado para os homens, signora (sinhora) para as senhoras e signorina (sinhorina) para as moças.
Comece bem – Seja com quem for, qualquer conversa ou mesmo pedido de informação deve sempre começar com bom dia, boa tarde etc. O mesmo se entrar num bar, loja, ou qualquer outro lugar: buongiorno signora ou signorina! Curiosamente, não é muito comum ouvir buongiorno signore. Por isso, quando se dirigir a um homem, fale simplesmente buongiorno. Apenas no caso de conhecer seu sobrenome diga buongiorno signor Rossi. Em italiano, nas situações formais, sempre se usa o sobrenome – nunca o prenome.

Vamos lá: “bom dia” é buongiorno (buongiôrno), usado desde a manhã até o sol se pôr. Não há uma expressão especial para dizer “boa tarde”.
Buonasera (buonassera) é “boa noite” para cumprimentar alguém à noite. Já buonanotte (buonanóte) só é usado para desejar boa noite para quem está indo dormir.

Per favore (per favôre), para todo mundo, significa “por favor”. Da mesma forma, se for ceder a passagem para alguém no elevador ou dar lugar a uma senhora no ônibus, pode usar o per favore.

Grazie (gratsie) é “obrigado” e molte grazie (molte gratsie) é “muito obrigado”, mas quando alguém oferece algo, falar grazie significa que aceitou; se quiser recusar, é preciso falar claramente no grazie (nó gratsie) e, se possível, acrescentar uma pequena desculpa.

Para pedir licença diga con permesso (conpermésso). Desculpas, para as pessoas com quem você usa lei (quase todo mundo), é mi scusi (misscúsi), e scusami (scúsami) se usa com os íntimos. Mi scusi se usa, na verdade, para quase tudo, também para pedir licença quando se aborda alguém para pedir uma informação.

Para se despedir há várias expressões. Arrivederci (arrivedêrtchi) é a despedida mais usual; ciao (tchau) é usada correntemente como o nosso “tchau” para se despedir de amigos. Cuidado, porque em italiano ciao tem também o sentido de “oi”. Addio (addío) é “adeus” mesmo, para quem você não está pensando em rever ou provavelmente não vai ver de novo. A presto (apprésto) ou a tra poco (atrappóco) querem dizer “até já”, “até logo”, “até logo mais”.

Todas essas expressões devem ser seguidas dos pronomes de tratamento; buonasera, signora; per favore, signorina; mi scusi signor Rossi, e assim por diante.
Lembre-se de nunca se dirigir a uma pessoa em outro idioma sem antes perguntar em italiano se ela fala aquela língua: Mi scusi, signora, lei parla inglese? Na Itália, ninguém tem obrigação de falar outra língua a não ser o italiano! Você não iria gostar de topar na Avenida Paulista com um gringo que sem mais nem menos lhe perguntasse: Where can I find a cab?

Antes de passar às regras de pronúncia e ao vocabulário, é bom saber como o italiano se comporta quando fala. Isto não quer dizer que nós temos que ter o mesmo comportamento, mas devemos ter a postura certa para evitar mal-entendidos sempre desagradáveis. O italiano tem a tendência de levantar a voz quando fala; esse é o seu jeito, sem intenção de agredir ninguém, e ele ficará espantado se alguém o repreender por isso.
Uma coisa muito comum de ouvir na Itália são as blasfêmias (Porca Madonna!); fique frio, não é com você, não é nada pessoal… Provavelmente o italiano está falando com seus botões. Antes de se ofender, procure entender bem o que está acontecendo.

Quem for a pequenas cidades, em especial no sul da Itália, notará que lá pelas 18 ou 19 horas, todas as pessoas da cidade estarão passeando no centro ou em alguma avenida central. Observe seu comportamento e assistirá a um balé! As pessoas andam, param, falam, voltam a andar, param, falam; o italiano normalmente não fala enquanto anda; ele faz isso só se estiver com muita pressa!

Objeto de piada aqui no Brasil é o jeito dos italianos de falar com as mãos. E é verdade: eles movimentam muito as mãos enquanto falam, e vários linguistas incluem em suas obras o uso do gesto como regra gramatical. Alguns dos gestos italianos, como a “banana” ou agitar a mão na direção da cara com os dedos unidos (“ma che?!”), tornaram-se internacionais. A facilidade que tem o italiano de entender os gestos às vezes pode tornar-se útil, e tentar explicar-se com gestos pode ser uma saída em situações difíceis. Mas tome cuidado: aquele sinal que aqui no Brasil se faz com as mãos na altura do peito para indicar que não se aguenta mais (“Estou por aqui!”), na Itália é um sinal extremamente vulgar de ameaça e ofensa. Para indicar que está “cheio”, o italiano faz o mesmo gesto, mas abaixo da barriga e bufando ao mesmo tempo. Cada terra tem seu uso…

Muitos brasileiros conhecem algumas palavras de italiano como voglio (quero) ou perché (porque), mas seu significado corrente não é bem aquele do dicionário. Voglio (volho) para um italiano é uma palavra muito forte, imperativa, uma expressão de mando; para ter a mesma força em português seria preciso berrar: “EU QUERO!”. Por isso, para pedir algo, sempre se usa vorrei (“eu queria”): vorrei un caffé é o correto; voglio un caffé é considerado falta de educação.

Não se usa perché nas perguntas. Ouvindo esta palavra, o italiano se sente invadido, questionado, quase que obrigado a se explicar, e ele pode reagir de um modo incompreensível e desproporcional. Esse comportamento é inconsciente, cultural. Para evitar problemas, nas perguntas – e só nas perguntas – use sempre “come mai?”, que significa “por quê?”. O “perché” deve ser usado apenas nas respostas.