Viagem pelo Valle del Colca

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Viagem pelo Valle del Colca

Para visitar o Vale do Colca (ou Valle del Colca), no Peru, optamos por participar de um grupo que sairia de Arequipa pela manhã. O ônibus, relativamente confortável, estava quase lotado. Havia peruanos de Lima, mas a maioria era composta por franceses, italianos, americanos, alemães, israelenses (curiosamente, nenhum japonês, desta vez) e nosotros, brasileiros.

O comprimido conta El soroche

O primeiro pit-stop foi num bar na saída da cidade. A afirmação de Vicky, a guia do grupo, de que a próxima parada seria somente dali a 2h30 gerou uma fila na porta do toalete. Depois de avisar que passaríamos por lugares muito altos, um dos quais a 4.910m acima do nível do mar, ela recomendou que o pessoal comprasse balas de coca (de gosto meio sem graça) vendidas no pequeno armazém, que aliviam os sintomas do mal de altitude. Escolados com lugares altos, já tomáramos no hotel nosso comprimido contra o soroche.

O altiplano

 Ter escolhido partir ao amanhecer nos permitiu apreciar a paisagem durante toda a viagem. Arequipa é linda, mas sua periferia é muito feia, com casinhas de adobe sobre terreno estéril. Depois as casas somem, começa a subida até o Altiplano. Não existem árvores. Só pedras e, em alguns lugares, pastos ressequidos. Como pano de fundo, estão os cumes brancos de vulcões. O resultado é tão diferente que você se sente em outro planeta.

Alpacas e lhamas

Num dado momento, o motorista encostou o veículo junto de um campo onde pastavam lhamas e alpacas. Como nossos assentos ficavam bem na frente do ônibus, fomos os primeiros a descer e conseguimos boas fotos dos animais. Quando o pessoal desceu e começou a invadir a pastagem, os bichos fugiram. A segunda parada foi numa lanchonete junto da qual estavam estacionados outros ônibus. Conseguir comprar um sanduíche naquele local lotado de “gringos” foi uma proeza. O banheiro era minúsculo mas, felizmente, limpo.

O frio bravo

Esfriava cada vez mais; um frio incomum em setembro. Ao chegarmos ao Altiplano, começou a nevar; apenas uns floquinhos leves que, embalados pelo vento, dançavam na nossa frente. Aos poucos a neve ficou mais forte e, ao chegarmos ao ponto mais alto da estrada, onde montinhos de pedras empilhadas homenageavam Pachamama, enfrentamos uma nevasca. Para surpresa nossa, dois bonecos de neve decoravam o lugar. O motorista parou uns minutos, mas a maioria do pessoal não se atreveu a por o nariz para fora, naquele frio e numa altitude de quase 5.000m. Eu não quis perder a paisagem surrealista: criei coragem e desci com mais quatro estrangeiros. Mesmo estando muito bem agasalhado senti que não poderia ficar muito tempo fora do ônibus: frio combinado com altitude é a fórmula certa para a dor de cabeça violenta do soroche. Fiz as fotos e senti um alívio ao voltar para o interior do veículo, me perguntando quem teria sido o maluco que fez os bonecos.

A estrada junto a um abismo

Na descida do Altiplano em direção ao vale, a estrada é estreita e passa ao lado de abismos. Enquanto você ainda consegue ver um pedaço da estrada, tudo bem. O que realmente assusta é quando olha e só vê um imenso abismo a seu lado… Antes de chegarmos a Chivay, a principal cidadezinha do Vale do Colca, ainda no Altiplano, estacionamos em um mirante. À nossa frente, em um vale coberto de pesadas nuvens cinzas, estava o povoado, rodeado de campos semeados.

Chivay

Na entrada da cidade, paramos numa espécie de pedágio, onde pagamos taxa de entrada no vale. O hotel era simples, mas o melhor de Chivay. Tinha quartos com banheiro privativo, água quente de verdade e calefacción: um aquecedor a gás. Mesmo assim, o aposento estava gelado e demorou até o pequeno aparelho esquentar o local.

E a nevasca continua

Lá fora, a neve continuava a cair, pintando de branco o lugarejo. Estávamos nos sentindo no fim do mundo. O frio era tal que entramos de roupa e tudo debaixo de cobertores e só saímos quando a temperatura do quarto se tornou mais agradável. Quando saímos à rua, a cidade estava completamente branca e linda: a igreja, as árvores da pracinhas. O chão, porém, estava úmido e com barro, não muito cômodo para andar.

Jantar fraquinho

O jantar com músicas típicas peruanas (incluído no preço da excursão) foi fraquinho. Os músicos também não eram nenhuma maravilha, mas ninguém ligou, uma vez que tínhamos que dormir relativamente cedo, pois seríamos despertados às 5h da manhã. No dia seguinte tomamos café vendo ainda a neve cair. Por sorte, o tempo mudou: parou de nevar e o céu clareou. O passeio até a Cruz del Condor incluiu paradas em vários lugarejos. Em absolutamente todos haviam cholas vendendo artesanato. Num deles compramos um par de luvas de lã de alpaca; eu esquecera as minhas em Arequipa.

O canyon del Colca

 Em todo o caminho as paisagens eram não apenas “bonitas”, mas incomuns, com plantações em terraços forrando o vale, lagunas de águas de diferentes tons, o canyon profundo formado pelo Colca e picos nevados rodeados de nuvens. A Cruz del Condor é um promontório com uma visão privilegiada do Canyon onde, uma centena de metros mais abaixo, condores esperam em seus ninhos as correntes de ar quente para iniciar sua subida às alturas. Ou seja, inicialmente você os vê de cima. O ponto onde estávamos é o lugar perfeito para fotografar essas aves, que têm quase 3m de envergadura e vão planando em círculos, impulsionadas por correntes térmicas ascendentes. Algumas passavam logo acima de nossas cabeças. Como eram muito velozes, era difícil “capturá-las” no tempo certo. As melhores fotos foram obtidas com zoom a uma distância um pouco maior.

De volta a Chivay

Voltamos a Chivay para almoçar. O buffet self-service para turistas era bem fraquinho: sopa, macarrão, frango, batatas gordurosas, uma salada crua que poucos se atreveram tocar…  A viagem de volta para Arequipa nos pareceu mais cansativa do que a de ida até Chivay. As duas noites em que fomos obrigados a acordar de madrugada e as muitas horas dentro do ônibus e em lugares de altitude foram fatigantes. Mesmo assim foi uma experiência que recomendo em razão das paisagens incomuns, que por si só valem a viagem.

Informações práticas

Como ir

Há voos diretos de São Paulo para Lima e de lá conexões para Arequipa (de onde saem as excursões para o Vale do Colca).

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Onde se hospedar no Valle del Colca

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Melhor época

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