A experiência da Trilha Inca no Peru
Trilha Inca, Wiñy Wayna Foto Alberto - CCBY
A experiência da Trilha Inca, Wiñy Wayna Foto Alberto – CCBY

 Trilha Inca até Machu Picchu: uma grande aventura

(por Gisele Bruhns Libutti)

Éramos três: eu, meu irmão Rogério e sua amiga Cíntia. Fizemos a reserva com a agência que nos guiaria até Machu Picchu com 3 meses de antecedência, pois agora há um limite de visitantes para entrar na reserva e muitos viajantes que chegam na última hora não conseguem fazer a trilha. Nossa guia foi indicada por um amigo que já foi três vêzes a Machu Picchu e não nos arrependemos: Marisol é uma peruana super simpática, mas antes de tudo, muito profissional e atenciosa. Demonstrou durante a viagem muito conhecimento sobre a história e geografia locais, além do jogo de cintura para lidar com situações imprevistas.

Chegando a Cusco no dia 18 de maio, após nos instalarmos numa confortável pousada, fizemos contato com Marisol. À noite, seu marido e sócio veio até nós para dar explicações sobre a trilha que iríamos percorrer durante os próximos 4 dias e 3 noites.
No dia seguinte, bem cedo, vieram nos buscar em um ônibus no qual estavam já nossos outros companheiros de trilha: duas paulistas e um carioca, além do pessoal que carrega toda a tralha, os porteadores.

Vídeo: a Trilha Inca

Ollantaytambo

Rumamos até Ollantaytambo, onde compramos nossos cajados. Todos os trilheiros costumam usá-los como auxílio na caminhada e os nativos vendem esses cajados de bambu ou madeira, com alguma decoração de bordados típica. Não é preciso dizer que no final da viagem só resta a madeira lisa… Aproveitamos para ir ao banheiro. Qual não foi minha surpresa quando, ao entrar, olhei para a esquerda e vi alguns homens fazendo xixi em mictórios! Dei dois passos para trás, imaginando ter entrado por engano no banheiro masculino, mas não! De fato os dois banheiros eram juntos: as “cabines” femininas ficavam logo em frente à entrada; virando à esquerda estavam os mictórios e no fundo as “cabines” para os homens… Coisas com as quais rapidamente nos acostumamos nesse tipo de viagem.

Dali fomos até o ponto de partida para a trilha. Os porteadores haviam montado uma barraca e preparado o almoço. Iniciamos a viagem com uma foto do grupo sob o portal de partida. Caminhamos 4h até chegar ao primeiro acampamento de apoio. A primeira coisa que nos impressionou foi a quantidade de coisas que carregam os porteadores, com resistência e rapidez. Parecem pequenas formigas carregando folhas gigantes! Nós, os trilheiros, levamos mochila, saco de dormir e isolante. Os porteadores carregam as barracas onde dormimos, a barraca usada para fazer as refeições, banquinhos, pratos, talheres e toda a comida dos 4 dias de caminhada.

Primeira noite

Chegamos ao acampamento no finzinho de tarde e logo anoiteceu. Os porteadores já haviam montado nossas barracas e em pouco tempo foi servido o jantar. Muita comida!
Não havia chuveiro e o banheiro era um barraquinho de madeira com um buraco no chão… Nessa noite passei um pouco de frio, seguindo o conselho que me deram: dormir apenas de lingerie dentro do saco! Depois conclui que o melhor é se encher de roupa para dormir.

Chá de Coca pela manhã

Todos os dias os porteadores nos acordavam cedíssimo com uma caneca de coca té (chá de coca) na porta da barraca. Então nós tinhamos que “arreglar” nossas coisas rapidamente antes de tomar o desjejum, que já estava prontinho nos esperando.
O 2º dia foi o mais longo e puxado. No caminho já se podia parar para visitar algumas ruínas, onde a guia deu explicações. Guilherme, o carioca do grupo, havia se adiantado e já estava no acampamento quando chegamos, no final da tarde. Ali havia mais estrutura e foi onde encontramos outros grupos de trilheiros. Fazia um frio danado e só havia água gelada no chuveiro. O carioca me disse que tinha tomado um banho e se sentia renovado. Resolvi fazer o mesmo. Mesmo com uma lanterna, foi com muito custo que consegui encontrar o chuveiro naquela escuridão… O resto do grupo preferiu passar mais um dia sem banho.

O terceiro dia

O 3º dia também foi muito puxado. Apesar de a distância percorrida ser menor, havia muitas subidas e descidas íngremes. A paisagem era sempre deslumbrante e durante o dia costumava fazer até calor. O mais impressionante, no entanto, foi visitar as ruínas incas, saber um pouco de sua riquíssima e misteriosa história e comparar com o que se tornou esse povo nos dias de hoje.
Chegamos exaustos ao 3º acampamento! Mas ali havia um alojamento com um restaurante, banheiros mais confortáveis e… banho quente! (É lógico que se paga 5 soles por esse pequeno conforto). Estavam nesse lugar muitos outros grupos, com estrangeiros de lugares diferentes, alguns até bem festivos.

Quarto dia: Machu Picchu!

Acordamos às 4h da manhã, tomamos rapidamente o café e partimos. Nesse ponto os porteadores nos deixaram. Eles nunca entram em Machu Picchu. Recolhem toda a tralha e descem por uma trilha até Aguas Calientes, onde tomam um trem especifico para eles de volta a Cusco. É costume fazer uma “vaquinha” entre as pessoas do grupo para dar uma gorjeta aos porteadores.
A caminhada até Machu Picchu foi bem mais tranquila que todo o precedente. Apenas 2h. Mas, nesse ponto da viagem, as pessoas costumam estar bem cansadas.

A porta do Sol

Chegamos à Porta do Sol, um portal de passagem ao local de onde se vê a famosa paisagem da maioria das fotos de Machu Picchu. Esse foi o momento mais emocionante de toda a viagem! Todos os grupos pararam para curtir a paisagem e tirar fotos. Havia muita névoa no local, atrapalhando um pouco a clássica visão da montanha de Huayna Picchu, mas ainda assim foi possível usufruir do cenário. Enfim, entramos em Machu Picchu.

A guia deu uma preleção geral sobre o local e sua história e em seguida passamos a caminhar por entre as ruínas, onde ela ia detalhando e explicando melhor sobre cada lugar. Após um breve descanso, tomamos o ônibus que desce até Águas Calientes, onde almoçamos. Às 16h tomamos o trem e depois baldeamos a um ônibus que nos levou de volta a Cusco. Cansadíssimos, mas realizados!

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