New York e os brasileiros
New York e os brasileiros

New York: os brasileiros que fizeram e fazem sucesso em New York

O Brasil e os brasileiros têm mais laços com Nova York do que em geral se supõe. Dentre os primeiros habitantes daquela que viria a ser a maior metrópole do planeta (ou, no mínimo, a mais importante) estavam pessoas oriundas do Brasil, mais precisamente do Recife. Foi para lá que se dirigiram os judeus expulsos de Pernambuco no final da ocupação holandesa, acossados pela Inquisição. Com a partida desse grupo laborioso, Nova York ganhou e nós perdemos.
Quando os Estados Unidos obtiveram sua independência em 1776, tornaram-se um exemplo para as demais colônias americanas, inclusive o Brasil, influenciando movimentos nativistas em toda a América do Sul.

Dom Pedro II

Durante o Império, nosso Dom Pedro II visitou Nova York, instalando-se no Fifth Avenue Hotel, na Broadway, onde logo na primeira noite foi assistir a uma peça de Shakespeare. Impressionado com diversos aspectos da civilização americana, visitou o jornal New York Herald, inclusive suas oficinas de impressão, depois o reservatório de água da cidade, interessando-se por seu funcionamento, a polícia, escolas e até o corpo de bombeiros.

Carmen Miranda

Foi em Nova York que a cantora Carmen Miranda (nascida em Portugal, mas marca registrada da música brasileira de sua época) desembarcou em 17 de maio de 1939, rumo a um enorme sucesso. Um mês depois, estreiou na Broadway, durante a Feira Mundial de Nova York. Em seguida, gravou músicas e filmou Serenata Tropical, em Manhattan, em fevereiro de 1940. Durante esse tempo, também fez shows e chegou a se apresentar no banquete comemorativo dos sete anos da ascensão do Presidente Roosevelt à presidência dos Estados Unidos. Depois disso, ainda estrelou muitos outros filmes na terra do Tio Sam.

Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos, compositor brasileiro agraciado em 1943 com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova York, homenageou a cidade com sua Sinfonia n° 2, New York Skyline Melody. Foi em Bear Mountain, perto de Nova York, que, em 1959, Villa-Lobos regeu uma orquestra por uma das últimas vezes na vida.

Oscar Niemeyer

Outro brasileiro mundialmente conhecido que viveu em Nova York é o arquiteto Oscar Niemeyer, convidado pela ONU em 1947 para participar da Comissão de Arquitetos, dirigida por Wallace Harrison, que planejou os edifícios da sede das Nações Unidas.

Cândido Portinari

Os painéis Guerra e Paz que você verá no hall de entrada do prédio principal da ONU, presente do governo brasileiro para a sede da organização, são obras de mais um brasileiro, já renomado em Manhattan na época da inauguração do edifício: Cândido Portinari. São também de sua autoria os três grandes painéis que decoraram o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York de 1939. Nesse mesmo ano, o MoMA adquiriu a tela O Morro, pintada pelo artista. No ano seguinte, telas de Portinari foram exibidas, com total sucesso de público e crítica, na mostra de arte latino-americana do Riverside Museum de Nova York e em exposição no MoMA. Como se não bastasse, o artista foi considerado o melhor pintor do ano de 1955 pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York, que o agraciou com a medalha de ouro. Em 1957, Portinari recebeu a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarelas do Hallmark Art Award, em Manhattan.

Juscelino Kubitschek

Quem também passou um tempo em Nova York, em circunstâncias menos agradáveis, foi Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Cassado sob pretextos absolutamente nebulosos pelos milicos da ditadura brasileira, teve que se asilar nos Estados Unidos (e posteriormente em Paris).

Tom Jobim

Na mesma época, começou a circular em Manhattan Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, um gênio de nossa música, que foi ao mesmo tempo compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista: o insuperável Tom Jobim.
Tom foi um dos artistas que se apresentaram no Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall em Nova York em 1962. Suas apresentações na Big Apple logo atraíram grandes nomes da música norte-americana como Quincy Jones, Stan Getz e Dave Brubeck, influenciados pelo “brazilian jazz”, e resultaram no encontro de Tom com Frank Sinatra. Sem perder seus vínculos com o Brasil, Tom adotou Manhattan como residência. O compositor morreu em Nova York em 8 de dezembro de 1994.

A Bossa Nova

Além de Tom, fizeram sucesso na memorável noite do Carnegie Hall Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes, Carlinhos Lyra, Luiz Bonfá, Roberto Menescal, Agostinho dos Santos e João Gilberto. Foi esse o grande momento histórico que abriu a Bossa Nova para o mundo e tornou a nossa música reconhecida em todo o planeta. Gravado originalmente em LP, o CD do concerto Bossa Nova at Carnegie Hall pode ser um bom presente para os amigos. O lendário show de 21 de novembro de 1962 foi o último que reuniu todo o grupo. Depois disso, cada um, com novos contratos e produções em andamento, foi para seu canto. A Bossa Nova, que caiu no agrado dos norte-americanos, é hoje comum nas casas noturnas nova-iorquinas. Aproveitando o embalo, Sérgio Mendes, que foi parceiro de Tom Jobim e morava nos Estados Unidos desde a década de 1960, lançou seu grupo Sérgio Mendes & Brasil 66. Alcançou especial sucesso a versão bossa nova da canção Mas que nada, de Jorge Ben. Também já se apresentaram (e moram ou moraram) em Nova York cantores do quilate de Caetano Veloso, Gal Costa e, mais recentemente, Maria Rita e Marisa Monte.

Os refugiados da ditadura

Durante a ditadura militar, enquanto a maioria dos refugiados brasileiros se instalava em Paris e em outras cidades européias, foi em Nova York que o polêmico jornalista Paulo Francis, colaborador de O Pasquim, um jornal humorístico constantemente ameaçado e censurado, encontrou um clima mais ameno para prosseguir seu trabalho. Francis viveu por lá muitos anos; foi correspondente da Folha de São Paulo e participante do programa Manhattan Connection. Faleceu em Nova York em 1997.

Sônia Braga e Bruno Barreto

Na área do cinema, temos Sônia Braga, que se fixou em Nova York, onde morou durante quase vinte anos e atuou em duas dezenas de filmes e muitas produções para TV (entre elas Sex and the City e Alias). Bruno Barreto, que, aliás, lançou Sônia Braga com o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, um dos melhores diretores de cinema brasileiros, é outro nome cuja vida é entremeada de idas e vindas a Nova York.

Érico Veríssimo

O escritor Luiz Fernando Veríssimo, que morou em Washington quando seu pai, o igualmente escritor Érico Veríssimo, ocupava o cargo de diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, apaixonado por jazz, sempre passava uns tempos na Big Apple, onde estudou saxofone. Já adulto, viveu com sua família em Nova York entre agosto de 1980 e fevereiro de 1981, quando lançou Sexo na cabeça. Anos mais tarde, publicou Traçando New York, o primeiro de seus livros sobre viagens. Veríssimo estava em Nova York na manhã de 11 de setembro de 2001, quando ocorreram os atentados contra o World Trade Center.

Lucas Mendes Campos do Manhattan Conexion

O jornalista Lucas Mendes Campos, mineiro de Belo Horizonte, foi correspondente das revistas da Editora Bloch em Nova York desde 1969. Em 1975, mudou para a Rede Globo e assumiu a chefia do escritório do grupo de 1985 a 1990, quando se tornou correspondente da Rede Record, função que exerceu até 1992. Ele é também o criador, apresentador e editor do programa Manhattan Connection para o GNT, que já contou até hoje com nomes de peso como Paulo Francis, Arnaldo Jabor, Caio Blinder, Ricardo Amorim e Diogo Mainardi.

Uma colônia de 200 mil brasileiros vive em New York

É possível que mais de 200 mil brasileiros vivam atualmente em Nova York e seus arredores. Muitos são profissionais qualificados, convidados por empresas e instituições científicas e culturais norte-americanas. Esse pessoal, bem pago, já sabe se expressar bem em inglês ao desembarcar em Nova York e tem rendimentos que lhes permitem arcar com aluguéis que rondam os US$ 5.000 mensais.
Entre os brasileiros bem sucedidos, destaca-se a top model Gisele Bündchen que vive em Nova York desde 1996.

Os não documentados”

Atualmente, boa parte dos brasileiros que trabalham em Nova York estão fixados no bairro de Astoria, no Queens, e na cidade de Newark, no Estado vizinho de New Jersey.
A grande maioria, porém, é composta por “não documentados”, pessoas que vivem clandestinamente no país e encaram trabalhos braçais que não exigem qualificação. Ao contrário dos imigrantes mexicanos, pessoas simples do campo e sem quase nenhuma escolaridade, os brasileiros residentes nos Estados Unidos são, em sua maioria, de classe média e têm trocado status por melhores salários. Seu objetivo é juntar algum dinheiro e um dia conseguir montar o seu próprio negócio no Brasil.

Os intercâmbios

Nem todo brasileiro que vive lá está trabalhando: muitos estudam inglês, participam de programas de intercâmbio ou dão prosseguimento à sua formação acadêmica em universidades mundialmente respeitadas como a Columbia ou a NYU.
Por falar em intercâmbio, diversas instituições culturais brasileiras têm filiais ou desenvolvem atividades em Nova York. Recentemente foi inaugurado pela Seção de Nova York da União Brasileira de Escritores, no 240 E 52nd Street, o Centro Cultural do Brasil.

Informações práticas

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