Ilha Grande

Sobre Ilha Grande: cinco séculos de história

Habitada inicialmente pelos índios tamoios, que a chamavam de Ipaum Guaçu, ou “ilha grande” (pois, é realmente uma das maiores ilhas brasileiras), foi descoberta pelo português Gonçalo Coelho em 1502. Oferecendo, com suas baías voltadas para o continente, um abrigo seguro para embarcações e possuindo madeira de qualidade e água fresca, a ilha serviu de abrigo para piratas e corsários. Após o início da colonização da costa brasileira, Ilha Grande abrigou fazendas, inicialmente de cana-de-açúcar, depois de café (no século XIX).

Mapa de Ilha Grande

Como ir

Carro

Quem vem de carro do Rio de Janeiro deve pegar a Rio-Santos. Quem vem de São Paulo pode pegar a Dutra até São José dos Campos e depois a Rodovia dos Tamoios ou seguir até Taubaté e pegar a Rodovia Oswaldo Cruz. Em ambos os casos ao chegar à Rio-Santos, entre à esquerda direção Angra dos Reis. Na Ilha Grande não circulam automóveis.  Você terá que deve deixá-lo no estacionamento em Angra dos Reis, em frente ao cais e tomar um veleiro ou a balsa até o ancoradouro de Abraão, em Ilha Grande.

Ônibus

Há ônibus de Angra dos Reis para o Rio de Janeiro, Paraty, São Paulo e Ubatuba. De São Paulo é melhor pegar ônibus noturno pois a viagem demora entre seis e sete horas. Você acorda em frente ao barco para a Ilha Grande. Na verdade se você pensa em ficar apenas em Ilha Grande, o ônibus é mais vantajoso. Confira preços e horários

Hospedagem em Ilha Grande

As pousadas de frente para o mar têm aposentos com vistas privilegiadas da baía de Abrãao, onde chegam os barcos vindos de Angra dos Reis. Há boas pousadas também nas ruazinhas próximas. Evite pousadas junto de morros. Quando chove intensamente pode ocorrer quedas de barreiras.

Escolha e reserve seu hotel ou pousada em Ilha Grande

Melhor época

A alta temporada corresponde às férias escolares de verão. Quando faz sol é ótimo, mas o verão é também a temporada de chuvas. Consulte a previsão do tempo antes de reservar.

Vídeo sobre Ilha Grande

Atrações turísticas

Com o fim da escravidão, foi criado o Lazareto, um lugar destinado a acolher imigrantes europeus numa época em que a Europa era assolada por epidemias de cólera. Os recém-chegados deviam permanecer em quarentena em Ilha Grande e só seguiam para o continente quando estavam comprovadamente estavam sadios, enquanto os doentes eram encaminhados ao hospital da praia da Bica.

Olhando Ilha Grande hoje, você não consegue imaginá-la cheia de plantações e fazendas, mas o fato é que a floresta que cobre a ilha atualmente não é mais sua vegetação primitiva, que foi devastada por queimadas. Com o desaparecimento das fazendas, ocorreu um reflorestamento natural, que deu origem à mata secundária que hoje existe. No começo do século XX, com o fim das fazendas cafeeiras, instalaram-se na ilha fábricas de conserva de sardinhas, que ali permaneceram por algumas décadas.

Passeios de escuna em Ilha Grande

Existem variados passeios de escuna de várias horas que o levarão aos lugares mais bonitos da ilha. A outra opção é ir a pé, pois não há carros, táxis, nem transportes públicos em Ilha Grande. O embarque e desembarque de passageiros é feito pelo ancoradouro de Abraahão

Praias

As principais praias de Ilha Grande são Abraão (onde você desembarca, e que está um tanto poluída), Praia Preta, com um agradável riozinho de águas cristalinas, Lopes Mendes possui 3 km de comprimento, areia fina, mas muito azul mas exige uma caminhada de trinta a quarenta minutos de da Vila de Abraão, a “capital” da ilha, Araçatiba, Bananal, Aventureiro, Provetá, Caxadaço, Dois Rios, Feiticeira e de Fora, onde existem cascatas.

Ilha Grande é famosa por ter abrigado presídios

O Lazareto (transformado em prisão) e o presídio da praia de Dois Rios receberam presos políticos nas revoluções de 1922 e de 1924, paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, e os que participaram da Intentona Comunista de 1935 – durante a ditadura de Getúlio Vargas. Um de seus “hóspedes” mais famosos foi o escritor Graciliano Ramos (por algum motivo, as ditaduras sempre detestaram escritores…). Outro preso famoso (bandido mesmo, que de político não tinha nada) da Ilha Grande foi o “Escadinha”, que escafedeu-se a bordo de um helicóptero numa fuga cinematográfica.

Apesar de Ilha Grande ser ainda um paraíso tropical, o número excessivo de turistas está começando a provocar poluição de suas praias – onde por vezes se vêem garrafas plásticas, latas de cerveja e embalagens de salgadinhos deixadas por visitantes pouco civilizados – e de seus cursos d’água. Um deles, que corta o centro da Vila do Abraão, está se tornando um esgoto a céu aberto.

O fato de boa parte da ilha ter sido tombada pelo Ibama e a presença de sinistras prisões (cujas ruínas podem ser visitadas), a Ilha Grande quase não atraia turistas. É verdade que ocorreram fugas de prisioneiros que, às vezes, sem conseguir alcançar a costa, escondiam-se na intrincada floresta da ilha ou em suas montanhas, assaltando seus habitantes. Um dos motivos da desativação dos presídios foi sua localização pouco prática, longe da costa: cada vez que que um preso devia ir ao Rio depor, tinha que ser conduzido até o continente. Só com a desativação do presídio Cândido Mendes em 1994 ocorreu a expansão do turismo em Ilha Grande que, inicialmente, sem nenhuma organização, trouxe talvez mais prejuízos do que vantagens para os ilhéus.

Curiosidades

Durante a guerra Cisplatina – que resultou na independência do Uruguai – corsários argentinos atacaram a ilha, tendo sido repelidos pelos ilhéus. Ilha Grande teve também seu papel num dos mais vergonhosos episódios da história do Brasil: foi o local onde desembarcavam escravos negros após a longa travessia do Atlântico, para recuperarem suas forças e serem vendidos no continente. Alguns milhares de escravos, talvez uns 20 mil, passaram por Ilha Grande.