Garotas de Mochila
Big Ben, Londres
Big Ben, Londres

Vamos nessa, meninas

Aninha, Carol e suas amigas Renata e Mariana partiram pelo mundo de mochila nas costas, “na luta”, com pouco dinheiro, mas com muita classe e savoir-faire . Eu, que coordeno o projeto junto com a Bebel e um dia também parti pelo mundo de mochila, trabalhando num cargueiro, incentivei a aventura de nossas estagiárias. “Vão nessa. Será uma experiência e tanto”. E foi.
Inteligentes e descoladas, as meninas voltaram ainda mais seguras de si. Percebe-se que cresceram, viram o mundo, aprenderam línguas. Também estudaram, trabalharam, suaram a camisa, superaram as dificuldades, fizeram novos amigos.
Se você sonhou um dia em sair por aí na aventura, inspire-se nos seus relatos e anote suas dicas. Um dia, quando você tomar coragem de fincar o pé na estrada, essas informações serão úteis para você.

O começo da aventura

por Aninha Sogabe e Carol Marchetti
Como estudantes de turismo nós sempre tivemos vontade de viajar. Mas, sozinhas não seria fácil encarar essa parada. Decidimos então reunir um grupo de amigas loucas por conhecer a Europa, viver em Londres e curtir essa aventura e de quebra melhorar o inglês. A idéia vinha de longa data, mas temos o péssimo costume de deixar tudo para a ultima hora e com nossa viagem não foi diferente. Todos os nossos amigos duvidavam que nós realmente iríamos viajar.

O planejamento demorou porque não conseguíamos chegar a um consenso em relação a nada. Nossa primeira discussão foi quanto a data da viagem e o tempo de permanência em Londres. No final decidimos passar 6 meses na Inglaterra estudando e trabalhando para juntar o dinheiro necessário para o nosso mochilão.

Definido nosso destino e o tempo de permanência fomos atrás dos cursos de inglês, pesquisamos bastante indo a feiras de intercâmbio como a Belta Intercâmbios e o Salão do Estudante, que acontecem todos os anos e, principalmente, pesquisando pela Internet, uma prática que aprimoramos durante nosso estágio no Manual do Turista Brasileiro. Tínhamos a preocupação de escolher um curso credenciado pela British Council (www.britishcouncil.org/br/brasil-educationuk.htm), uma das exigências do consulado para a obtenção de visto de estudante, e que não fosse muito caro.

A emoção da primeira viagem ao exterior

Outra coisa sobre a qual nos informamos antes de ir foi a necessidade do visto. Fomos viajar no período da mudança da lei sobre o visto de estudante. Este, que antes era concedido somente pelo serviço de imigração ao desembarcar na Inglaterra, passou a ser expedido pelo consulado inglês no Brasil do Rio de Janeiro, que na verdade emite apenas um pré-visto, também conhecido como Entry Clearence, mas que é obrigatório para todos os estudantes que vão passar 6 meses ou mais na Inglaterra.

Não é necessário ir até o Rio de Janeiro para solicitar o pré-visto, toda a documentação pode ser enviada por Sedex. A lista dos documentos solicitados e todos os procedimentos necessários encontram-se no site www.britishembassy.gov.uk.

Finalmente embarcamos no dia 08 de março de 2005, (só depois do carnaval como queria uma das meninas!.)

Nossa viagem tinha apenas começado e já estávamos passando por apertos. A Aninha, que nunca se atrasa para nada, resolveu se atrasar bem no dia do embarque e chegou 1 minuto antes do check in encerrar. Felizmente foi só um susto, acabamos por embarcar sem maiores problemas.

O Serviço de Imigração

Depois de dez horas de vôo e uma escala em Amsterdã chegamos a Londres e encaramos o temido serviço de imigração inglês, onde todos os cidadãos não europeus são considerados suspeitos até que se prove o contrário. Como levamos todos os documentos necessários para comprovar que íamos apenas estudar em Londres, que realmente pretendíamos retornar ao Brasil e que tínhamos como nos sustentar durante todo o período da viagem não tivemos maiores problemas em conseguir o visto de estudante e pudemos respirar aliviadas.

É claro que pretendíamos também trabalhar as 20 horas a que tínhamos direito enquanto estávamos por lá. (Muita gente acaba trabalhando um pouco mais para arrumar dinheiro para correr toda a Europa, mas o Home Office não precisa ficar sabendo disso!).
Estávamos em Londres prontas para descobrir os encantos da capital inglesa e isso era o mais importante.

Ufa!! Entramos na Inglaterra!

Estávamos todas contentes por termos conseguido o visto de estudante o que nos permitiria trabalhar legalmente em Londres, porém logo na esteira de bagagem do aeroporto nos deparamos com nosso primeiro probleminha.

Bagagem demais: um problema

Como fomos a Londres para morar lá um tempo, tivemos que trzer muita bagagem. Cada uma de nós acabou levando duas malas imensas e pesadas. Na hora de arrumar a bagagem acabamos esquecendo que ao chegar em Londres não teríamos nenhum carro a nossa disposição, afinal táxi e um meio de transporte muito caro. A nossa sorte foi contar com a ajuda do primo da Renata que mora na cidade e foi nos buscar no aeroporto nos ajudando com as malas.

Meninas controlem-se ao arrumarem sua bagagem, a maioria dos metros de Londres só tem escada e nós só temos duas mãos. Além disso, as roupas lá costumam ser muito baratas e no caso das de frio de melhor qualidade, afinal eles tem “um pouco” mais de experiência que a gente.

Hostel, uma opção econômica de hospedagem em Londres

Saímos do aeroporto e fomos para o hostel (albergue) que havíamos reservado aqui do Brasil pelo site www.hosteleurope.com. Este é o principal tipo de acomodação dos estudantes e mochileiros que viajam pela Europa, já que é uma das opções mais baratas.

O hostel também é uma ótima opção para conhecer gente nova, pois os quartos geralmente são coletivos e utilizados por pessoas do mundo inteiro. Por exemplo, além de nós quatro, dividíamos o quarto, uma mini cozinha e um mini banheiro com um espanhol, uma australiana e um nova iorquino.

Primeiro contato com Londres

Foi nesse hostel que tivemos nosso primeiro choque cultural, o banheiro tinha carpete e todo o prédio possuía um sistema de aquecimento interno, ótima saída para os dias mais frios.

Em nossa primeira refeição em território britânico outra surpresa, até um simples X-frango num restaurante fast-food cujo dono é um indiano, se transforma numa apimentada experiência difícil de engolir até para os baianos mais arretados. Isso porque como todo mundo sabe a Índia foi colônia britânica durante décadas e o número de indianos vivendo em Londres é muito grande o que acabou influenciando a culinária e os hábitos locais.

Muitos restaurantes populares e casas de fast-food pertencem a estes imigrantes que apreciam temperos como a pimenta o curry, que possui um cheiro e sabor muito forte. Por isso quando você estiver em um desses locais ou até mesmo no supermercado e se deparar com termos como hot, spice, chilli cuidado! Mas calma o Mc´Donalds é igual no mundo inteiro.

A adaptação

Nossas aulas iam começar dali uma semana, aproveitamos então este período de “folga” para nos adaptarmos à cidade e encontrarmos um local para morar, de preferência perto da nossa escola que se localizava no bairro de Whitechapel, na zona 2 leste de Londres (East London).

Londres: uma cidade organizada

Aliás o zoneamento da cidade é bem particular, semelhante a um alvo, a divisão é feita por zonas circulares onde o centro é a zona 1 e a sua volta situa-se a zona 2 e assim sucessivamente. Portanto uma zona sempre tem as regiões norte, sul, leste e oeste. Diferente da maioria das cidades brasileiras os londrinos mais ricos moram nas zonas mais afastadas do centro onde as casas são maiores e a paisagem mais bucólica.

Procurando onde morar em Londres

Foi com a secretária da escola, uma brasileira que só estava em Londres há apenas 3 meses e já havia se mudado algumas vezes, que pegamos as primeiras dicas de onde procurar uma moradia. Compramos um classificado de imóveis e após uma rápida olhada caímos na realidade, os imóveis eram muito caros, a maioria dos quartos para alugar comportava no máximo duas pessoas e as casas ficavam muito, mas muito longe da escola.

Uma dica amiga

Conversando com uma aluna que conhecemos no curso descobrimos o telefone de uma imobiliária cujo dono era brasileiro e que realugava quartos de casas alugadas por ele. Vimos um quarto que nos interessou, ficamos de dar resposta no dia seguinte, mas quando ligamos ele já o havia alugado. Continuamos nossa busca durante toda a semana. Um dia antes de terminar nosso período reservado no hostel, encontramos uma casa, no desespero resolvemos mudar para lá, mas o bairro era perigoso e distante da escola e do centro.

Quatro residências em um mês

Ficamos apenas dois dias lá e nos mudamos novamente agora para locais separadas até encontrarmos um de que realmente gostássemos. Após duas semanas então nos mudamos para nossa quarta residência em menos de um mês, na qual ficaríamos por apenas dois meses.

Dica na hora de alugar um quarto ou imóvel É uma prática muito comum entre as imobiliárias e os donos das propriedades cobrar pelo menos uma semana de aluguel adiantado (os aluguéis em alguns lugares são cobrados semanalmente!), além do mesmo valor como garantia (depósito), sendo este devolvido somente quando notifica-se previamente a saída do imóvel alugado (notice). Cuidado ao negociar com corretores brasileiros eles costumam não devolver esta taxa! Outra dica preciosa (que só descobrimos depois) é o site www.gumtree.com, lá você encontra de tudo um pouco desde de quartos para alugar, empregos até troca e venda dos mais variados artigos (movéis, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, etc).

Veja as dicas para organizar sua viagem sem cair em roubadas

Os ônibus em Londres

Mesmo morando próximo à escola dependíamos do transporte público para irmos ao trabalho, ao centro, as aulas e até mesmo para as baladas. Por sorte o sistema de transporte londrino é maravilhoso se comparado ao transporte urbano de São Paulo. O metro interliga praticamente toda a cidade e os trens chegam até aos distritos mais distantes. Além disso existem linhas de ônibus que circulam 24h e outras que funcionam exclusivamente durante a madrugada.

Em quase toda a cidade os ônibus circulam em vias exclusivas chamadas “Red Lines”, semelhantes aos nossos corredores de ônibus, evitando transtornos entre carros e coletivos.

Qualquer visitante com o mínimo de conhecimento em inglês consegue se deslocar por toda a parte, pois em cada ponto existe uma listagem das principais ruas da cidade e as linhas de ônibus que passam por esses lugares, além de um mapa das linhas que circulam naquela região com indicação de onde você está e as paradas de ônibus mais próximas.

Para completar é possível saber até o horário previsto da chegada em seu destino. Pois alguns pontos disponibilizam todo o trajeto das linhas e o tempo de percurso entre o ponto de partida do ônibus e cada ponto da linha. Além da previsão de horário de passagem do ônibus nas paradas.

O sistema de metrô em Londres

O sistema de metro por ser muito antigo não possui um modelo homogêneo, algumas linhas são extremamente modernas e eficientes enquanto outras, mais antigas, possuem vagões obsoletos que requerem constante manutenção promovendo atrasos freqüentes. Assim como o zoneamento da cidade as linhas de metro também seguem o mesmo padrão, uma mesma linha pode passar por diferentes zonas.

Os passes de transportes em Londres

Existe uma imensa variedade de tipos e preços. Há uma modalidade para quem quer circular somente entre as estações da zona central (Zona 1), uma outra válida somente para a zona 2, um terceiro tipo, talvez o mais utilizado, para circulação entre as zonas 1 e 2, além dos passes válidos para as zonas 1,2 e 3 e finalmente para todas as zonas (estas vão até a 6!).

Há o passe válido somente para um dia (Day Travel), que permite circular por todas as zonas, o passe semanal e o mensal que varia de preço de acordo com as opções acima. Todos esses passes dão direito a utilizar também as linhas de ônibus de toda a cidade. Uma dica muito importante é o desconto especial para estudantes, que deve ser solicitado na sua instituição de ensino em Londres.

Ande com o mapa de Londres no bolso

Outra dica muito importante é andar sempre com um mapinha da rede metroviária que você encontra aos montes em qualquer estação de metro. A melhor opção para os turistas é adquirir o passe exclusivo para a zona 1 e circular pelas demais zonas de ônibus com o mesmo ticket, pois os principais pontos turísticos, hotéis, restaurantes e bares localizam-se na área central.

Um último aviso para os mais distraídos: se você pretende ir de um ponto da zona 2 por exemplo para outro ponto da mesma zona e por ventura tiver que cruzar a zona 1 (central), mesmo que não pretenda descer em nenhuma das estações centrais, deve adquirir o passe para as zonas 1 e 2, pois você deve passar seu bilhete pela catraca na entrada e saída. Caso você esteja com o passe errado acabará pagando taxas extras e ainda corre o risco de ser multado por fiscais que circulam dentro dos trens e estações fiscalizando a correspondência entre os bilhetes e a área em que você se encontra.

Matéria especial: Conheça a aventura de brasileiras que partiram de mochila para Londres, estudaram e trabalharam na capital inglesa. Garotas de Mochila.