Buenos Aires: um olhar brasileiro

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Buenos Aires: um olhar brasileiro

Por Maria Travitzki

Caminhando por Buenos Aires, temos a sensação de estar em um pedaço da Europa na América do Sul. Largas avenidas arborizadas, portas e janelas com arcos e grandes cúpulas nos cumes dos edifícios clássicos, mesinhas e cadeiras dos simpáticos cafés em quase todas as esquinas… Praças frequentadas pelos paseadores de perro (passeadores de cachorro) e por diferentes gerações que tomam sol, de biquíni e shorts (com bronzeador e espreguiçadeira, acreditem!); transeuntes de terno e tailleur apressados pelas calçadas durante o horário de almoço; senhores aposentados bem vestidos simplesmente para tomar um café e ler jornal na esquina de sua casa.

Mapa de Buenos Aires

Buenos Aires é assim, intensa, colorida, viva

As ruas parecem ser dos táxis que colorem as vias de preto e amarelo e competem por passageiros em cada semáforo. Inúmeras livrarias (destaque para a Ateneo, uma das mais completas e sofisticadas), onde cada poltrona e cadeira são disputadas entre os visitantes e assíduos leitores. Resistir à curiosidade de uma publicação recente? Impossível! Vitrines repletas da mais diversificada variedade de doces, folhados, masitas e facturas (típicos petit-fours e pães doces para o café da manhã ou chá da tarde). Desde os teatros aos museus, passando pelas casas, comércios e edifícios, a arquitetura imponente desenha o perfil da cidade contra o celeste da primavera. Buenos Aires é assim, intensa, colorida, viva. A elegância e beleza do chamado típico argentino, o portenho, embelezam ainda mais a cidade que, mesmo em épocas de crise, nunca perderá seu charme, encanto e glamour.

O jeito porteño de ser

Apesar de admirarem e defenderem sua capital, os portenhos estão constantemente reclamando. A umidade relativa do ar elevada é uma das reclamações preferidas; outras são o calor excessivo no verão, o governo incerto, o marido ou a esposa, a derrota do Boca ou do River… Enfim, sempre existe algum protesto ou crítica a fazer.
Os portenhos são melancólicos por natureza e o tango é a melhor interpretação para esse sentimento tão arraigado na população. Mas não apenas de melancolia vivem os portenhos; são românticos, cavalheiros e, em sua maioria, esperam casar na igreja e constituir uma família. Essa característica torna-os “familieros” e grandes defensores dos “asados” (famoso churrasco argentino) aos domingos.

Passear a pé por Buenos  Aires

Buenos Aires também brinca com os extremos. Da Boca à Recoleta, de Palermo Chico a Palermo Viejo, as diferenças e semelhanças ajudam a construir a paisagem.
O passeio a pé – um “recorrido” – é a melhor forma de conhecer a cidade. Na Recoleta, além da praça com a feira de artesanatos e performistas, encontra-se também a Igreja Nossa Senhora do Pilar, o cemitério onde está o túmulo de Evita, o Centro Cultural Recoleta, o Museu Nacional de Bellas Artes com esculturas de Rodin e impressionistas europeus, o shopping de Design e Decoração e os ótimos restaurantes e cafés. Com outro cenário regado a boemia e história, está San Telmo, tradicional bairro de artistas e antiquários, onde se realiza, todos os domingos, na Plaza Dorrego, uma feira de antiguidades ao ar livre. Também é um lugar cheio de barzinhos bem charmosos, paquera e buxixos noturnos.

As atrações

As Casas de Tango

Entre as atrações, há algumas obrigatórias, imprescindíveis para entender um pouco da história e vivenciar o comportamento portenho. Também por ali encontramos a maioria das casas de tango, como El Viejo Almacén, uma das mais tradicionais. Señor Tango, localizada no bairro Barracas e dirigida por Fernando Soler, é a casa mais famosa, frequentada por grandes personalidades. No centro da cidade fica o belo Teatro Colón, do começo do século XX, inspirado nos grandes teatros europeus, onde são apresentados balés, óperas e concertos de música erudita a preços populares. Há visitas guiadas durante o dia. Buenos Aires oferece ainda muitas opções de shows de música popular dos mais variados gêneros, inclusive ritmos folclóricos, além do tradicional tango.

Cena de tango no filme  “Easy Virtue” (“Bons Costumes”, título traduzido)


 

Buenos Aires fervilha à noite

 Tem um espírito trasnochador. A Recoleta que o diga! Quem deseja conhecer um boliche (boites e danceterias) deve se adequar aos horários, já que a noite portenha começa a partir da uma da manhã e se estende até as sete. As alternativas noturnas são intermináveis e muito estimulantes: concertos, shows, teatro, cinema (uma e meia da manhã é a última sessão, nos finais de semana), atividades ao ar livre, festas, reuniões em cafés, pubs, ou até mesmo uma garrafa de Trapiche Malbec (ou de Reserva Salentein, se puder gastar mais) às margens de Puerto Madero.

Uma ótima gastronomia e vinhos excelentes

Sair para almoçar ou jantar em Buenos Aires é um programa acessível e as opções são variadas.
Do regional locro (uma espécie de guisado) às tradicionais empanadas, passando pela parrilla e asado criollo, a cidade oferece restaurantes para todos os paladares e bolsos. Os mais requintados encontram-se em Puerto Madero (um grande empreendimento turístico que restaurou os antigos armazéns portuários embelezando ainda mais as margens do rio). É possível saborear tanto a típica parrillada (uma variedade de cortes de carne e miudos) quanto massas al pesto em ambientes à luz de vela e ao som de música latina. Um aspecto peculiar é a capacidade de memória dos garçons que não anotam os pedidos, independentemente da quantidade de comensais e itens solicitados; e não se enganam! Em geral, uma simples cervejinha já vem acompanhada de um tira-gosto.

Tren de la Costa

Tomar o pitoresco Tren de la Costa e apreciar a paisagem entre cada estação de diversos estilos, com lojas e restaurantes é uma opção de passeio para quem tem mais tempo, ideal para um domingo ensolarado com as crianças. Na estação final, há um grande parque de diversões, o Parque de la Costa, e o Puerto de Frutos, uma enorme feira ao ar livre que vende desde flores secas até alimentos, móveis e roupas, a preços bem acessíveis. Lugar perfeito para as lembrancinhas da viagem.

Passeio de lancha pelo rio Tigre

Também é possível passear de lancha pelo delta do rio Tigre, um dos únicos do mundo como o canal de Veneza. O Rio de la Plata e o Riachuelo são os limites naturais da cidade (do leste ao sul), sendo o primeiro o cenário de competições náuticas, passeios e divertimento de muitos marinheiros argentinos. O segundo, infelizmente, é contaminado. Em dias ensolarados e de pouca nebulosidade, podemos avistar o território uruguaio do outro lado do rio que, além da vista e da brisa, proporciona o tráfego de lanchas, veleiros e barcos, imagem que faz parte da cultura portenha.

As livrarias

Buenos Aires possui mais livrarias que todo o território brasileiro. O gosto pela leitura é comum entre os argentinos de todas as classes sociais. No metrô, no colectivo (ônibus urbano), no trem, nos bancos das praças, nos cafés; de Borges a Cortázar, de Victoria e Silvina Ocampo a Clara Sánchez, Buenos Aires respira literatura. Deliciar-se entre parágrafos na Plaza de la Lectura, em plena Biblioteca Nacional, ou nas poltronas da Livraria Ateneo, na qual são permitidas a permanência e a leitura sem compromisso de compra, são programas típicos.
Nos inúmeros sebos da Av. Corrientes, é possível encontrar publicações que custam a partir de um peso argentino. Os cafés literários também promovem pequenos shows e performances no final da tarde.

Os museus de Buenos Aires

Os museus não são frequentados somente pelos turistas. Muito pelo contrário. Em épocas de férias escolares e finais de semana, as famílias portenhas costumam visitar exposições e acervos permanentes. Vale a pena, aliás, visitar o Museu Nacional de Arte Decorativo, antiga residência da tradicional família Errázuriz Alvear, inspirada na arquitetura neoclássica francesa do século XVIII.
Buenos Aires oferece muitas opções de passeios e, para quem quer sentir o espírito portenho, a cidade possui todos os elementos de um grande destino turístico. Basta querer conhecê-la e desfrutá-la.

A publicitária brasileira Maria Travitzki formou-se em Buenos Aires, onde viveu durante cinco anos.

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