A Patagônia de moto
Viagem de moto pela Argentina
René Miragaia, viagem de moto pela Argentina

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A Patagônia de moto: Buenos Aires, ponto de partida para a grande aventura

Parti de moto para a Patagônia Atlântica, tendo como ponto de partida a capital portenha,  descendo pela orla do Atlântico, enfrentei os fortes e frios ventos oceânicos que varriam toda aquela região dos pampas, com suas planícies imensas, monótonas, inexpressivas.
De Bahia Blanca para o extremo sul estende-se, até o final do continente, a imensa Patagônia, com suas mesetas e terraços, plantas raquíticas e rasteiras, pastos duros e espinhosos onde pastam ovelhas e guanacos sob um vento permanentemente forte e gelado.

A Patagônia de moto: dois mil e quinhentos quilômetros de paisagem desértica
São 2.500 quilômetros, de uma paisagem acinzentada e nostálgica. Dizem os habitantes dessa região que para conhecer a Patagônia não é preciso percorrê-la de ponta a ponta; basta ficarmos parados e esperar que ela passe por nós, arrastada pelo vento.

Puerto Madryn  Após rodar mais de 700 quilômetros contra uma vento fortíssimo que soprava do oceano, cheguei a Puerto Madryn, a capital subaquática da Argentina. Conheci ali uma pessoa muito especial, o comandante Jako, mestre na arte de mergulho e muito gentil, que me convidou para ir em seu lindo barco ver as baleias francas com seus filhotes, em pleno mar, ao largo do Golfo Nuevo. O barco era movimentado com a máxima precaução, pois elas poderiam, com seus malabarismos, atingir nossa pequena embarcação, destroçando-a num piscar de olhos. Puerto Madryn

Navegando ao lado de baleias – Conseguimos, chegar a 10 metros desses gigantescos cetáceos de 100 a 150 toneladas. Vimos seus corpos escuros, imensos, cheios de manchas e aderências, espadanando água por todos os lados, quando uma delas, como um torpedo, emergiu num salto descomunal, explodindo na queda como uma bomba, provocando ao redor de si ondas de mais de um metro de altura que se abriam em círculos concêntricos, balançando nosso barco como se fosse de brinquedo.
Nessa fria costa atlântica, as baleias vêm para procriar e amamentar seus filhotes com cerca de 300 litros de leite lançados na água, que, por ter uma composição mais densa não se misturam. Durante seus primeiros meses de vida, os baleotes engordam cerca de 100 quilos por dia!

Caleta Valdés – No dia seguinte fui à Caleta Valdés, uma graciosa península em cuja costa setentrional centenas de elefantes marinhos se aquecem em longas praias de areia branca. Lentos e fortes, os machos vivem cada qual com seu harém de fêmeas e vários filhotes.

O interior da Patagônia – Deixando o litoral embrenhei-me no interior da Patagônia, onde quer que você estacione a moto, terá a impressão de estar no centro da Terra, pois para qualquer lado que se olhe somente se verá o horizonte distante: sem nenhuma árvore, nenhum morro, nenhum vestígio de civilização. Tudo plano, árido e absolutamente silencioso. Às vezes vê-se, ao longe, um guanaco ou uma lebre patagônica saltando de um para outro tufo de esturricados arbustos de, no máximo, 50 centímetros de altura; de vez em quando surge uma perdiz e, dificilmente, um avestruz.

Os ventos perigosos da Patagônia – O fortíssimo vento obrigava-me a pilotar a moto sempre inclinada contra ele, a fim de não ser lançado ao solo. Estava lutando contra um inimigo de infinita superioridade, dentro de um gigantesco campo de batalha – o deserto da Patagônia. E o pior de tudo: esse inimigo era invisível e caprichoso. Quando queria, apenas me acariciava com delicadeza e, ao mesmo tempo que me mimava, subitamente rugia enlouquecido e, com um violentíssimo golpe, arremessava-me com a moto, com a bagagem e com toda minha experiência às bardas esturricadas da estrada. E, para zombar da minha fraqueza diante de seu poder, zumbia em meus ouvidos como que sorrindo, num gozo frenético, fazendo-me rastejar como víbora, lentamente, pelas empoeiradas trilhas, humilhando-me até onde minha resistência permitia suportar.

O sentimento de se percorrer a Patagônia – Costuma-se dizer que “a região patagônica é uma grande quantidade de nada que se prolonga até o horizonte”. Mas não é bem assim. Devemos procurar na solidão e na paz daqueles 2.500 quilômetros de deserto as coisas que a maioria das pessoas não consegue ver:os dóceis e elegantes guanacos, as espertas lebres, os enormes rebanhos de ovelhas, os graciosos tatus e perdizes; é preciso aprender a amar a solidão e a ouvir a voz do silêncio que tantas vezes nos fala mais eloquentemente do que mil palavras; é preciso ver a pureza do céu, sentir a liberdade do vento que zune pelos raquíticos arbustos, partilhar a nostalgia do cinzento que a tudo envolve; é preciso admirar as pequeninas flores que enfeitam a aridez do solo e respeitar o esforço sobrenatural daquelas retorcidas plantas na busca perseverante da sobrevivência!
Quando se consegue ver e, principalmente, sentir essa “grande quantidade de nada”, então sentiremos ânimo no lugar do desalento, alegria no lugar da tristeza e vida no lugar da morte que espreita de perto os seres dessa brava região.

Punta Tombo e sua gigantesca colônia de pinguins  Ao atingir Punta Tombo, deparei com a maior colônia continental de pingüins do mundo, depois da Antártida. Ali vivem cerca de 500 milhões desses animaizinhos, entre centenas de aves marinhas, num ambiente muito frio e de absoluta paz.

As perigosas orcas – Lá pelos lados de Piedra Buena, presenciei uma enorme quantidade de lobos-marinhos tomando sol sobre as pedras que emergiam do mar, próximas à praia. Inesperadamente, orcas saltaram sobre eles, engolindo-os, numa cena de impressionante violência!

Uma tempestade inesperada – Pouco mais adiante, rodando tranquilamente, fui surpreendido por uma fortíssima tempestade que desabou com trovões e relâmpagos saltando sobre mim qual demônios enfurecidos. Nem houve tempo de colocar a roupa para chuva. O céu transformou-se num inferno e a Terra num campo de batalha.

O perigo dos raios – Subitamente, um clarão esverdeado me envolveu, provocando um som agudo em meus ouvidos, com milhares de agulhadas em minha cabeça e nas costas… E não vi mais nada. Quando voltei a mim concluí que havia desmaiado e caído juntamente com a moto que, por sorte, não me quebrou a perna, pois quando caí já estava inconsciente. Estava muito dolorido, e apenas percebi que minha perna sangrava quando o sangue me encharcou o pé esquerdo, por dentro da bota. Depois de pensar um pouco, cheguei à conclusão que havia sido atingido, de raspão, por um raio. Soube, mais tarde, por informações de pessoas da região, que aquela repentina tempestade era um raro fenômeno chamado monzones, caracterizado pelos ventos quentes que se deslocam dos pampas e que chegam a atingir a velocidade de 100 quilômetros por hora, fazendo soçobrar embarcações, destruindo casas e espalhando a morte entre homens e animais.

Rio Gallegos – Sempre rumo sul, passei por Río Gallegos e por Laguna Azul, atingindo, nesse ponto de integração austral do lado argentino com o chileno, o agitado estreito de Magalhães. Havia chegado à última escalada para o extremo sul do continente: a Terra do Fogo!

Resumo publicado no GTB Argentina, extraído do 3º capítulo do livro MINHA MOTO, EU E A AMÉRICA, de Miragaia René Angelino (www.miragaia.com.br), o Gaia, que já percorreu a Patagônia de Moto, quatro continentes de moto e está em vias de viajar pelo quinto.

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