A história do tango

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Buenos Aires: a história do tango

por Maria Travitski

Àqueles que imaginam que a história do tango sempre esteve rodeada por glamour, sensualidade e determinação no olhar, posso garantir que estão enganados. Parece anedota, mas a dança mais famosa de nossos vizinhos argentinos era, em seus primórdios, uma simulação de luta entre dois homens com faca em punho. Acreditem!

As controvérsias sobre a origem da palavra “tango”

Há controvérsias sobre a origem da palavra (ela surgiu antes do próprio baile), sua data e local de nascimento, devido ao seu caráter evolutivo, mas a maioria dos estudiosos concorda com a década de 1880 como data oficial de início do tango em Buenos Aires.

A palavra “tango” já era utilizada pelos negros uruguaios em bailes parecidos com o candombe, uma forma de dança na qual o casal coordenava os movimentos marcados mais pela percussão do que pela melodia. Representava um momento de união, alegria e confraternização. O cenário peculiar daquela época determinou algumas características, marcando a história do tango.

Vídeo em La Boca, em Buenos Aires

Buenos Aires do século XIX

No final do século XIX, Buenos Aires era uma cidade em expansão, com um enorme crescimento demográfico, incrementado pela imigração de espanhóis, italianos, alemãs, húngaros, árabes e judeus que formavam uma grande massa obreira, pobre, com escassas possibilidades de comunicação devido à barreira lingüística.

Houve momentos em que 50% da população de Buenos Aires era estrangeira, além dos índios e gauchos (homens do campo que usam poncho e tomam chimarrão até hoje) procedentes do interior do país. Estes fatores colaboraram para formar uma população na qual 70% era composta por homens, ávidos pela promessa de fortuna e 25% de negros que dançavam ao ritmo do candombe.

Tango, nos seus primórdios; música de bordeis

No início, o tango era praticado em bordéis (administrados por mulheres imigrantes) e prostíbulos ao som de violino, flauta e violão. Na ausência desse instrumento, um habilidoso soprador utilizava um pente com papel de enrolar cigarro para simular o som das cordas de um violão. O famoso bandoneón surgiu somente em 1900, substituindo a flauta.

Video de trecho do filme “Perfume de Mulher”, a famosa cena do tango.

As letras obscenas dos primeiros tangos

O baile era corporal, provocador, com movimentos explícitos e letras obscenas: Dos sin sacarla (“Duas sem tirar”), Qué polvo con tanto viento (“Gozo com tanto vento”), El Choclo (“A espiga de milho”, no sentido metafórico).
Ao longo do tempo, para atrair e entreter os clientes, os bordéis contratavam trios ou pequenos grupos de música com a participação fervorosa do público. O êxito destes espetáculos tornou-os mais freqüentes.

Dizem que, a partir deste momento, nasceu o tango como conhecemos atualmente. Algum tempo depois, eram organizados bailes nas academias formadas apenas por homens. A mulher acrescentou vida, beleza e sensualidade à dança.

O tango consolidado como dança rica e sensual

A complexidade de sua história e origem tornaram o tango uma dança rica, envolvente, completa. É fundamental perceber o jogo que paira no ar durante o baile: a mulher seduz e o homem conduz. Ele cobiça, sustenta o olhar enquanto ela desenvolve os movimentos, rompendo o equilíbrio para amparar-se em seu peito.
Vale a pena ensaiar alguns passos com mestres e senhores portenhos, sempre à disposição das belas moçoilas argentinas e estrangeiras nos bailes de Almagro e Palermo, dentre outros também tradicionais. O maior tanguista de todos os tempos, verdadeiro mito na Argentina é Carlos Gardel.

Informações práticas

Como ir

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