Trilhas na Serra da Mantiqueira

Pico dos Marins - Foto: Thiago Mathias
Na Serra da Mantiqueira podem ser feitas algumas das melhores trilhas de montanha do Brasil. Veja nossas sugestões e dicas para sua aventura.

Na Serra da Mantiqueira, que ocupa a divisa tripla entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, as trilhas em picos e montanhas são um dos maiores atrativos. Se você é do time que não resiste um horizonte a ser conquistado, prepare sua mochila, suas botas e se jogue nessa experiencia única.

A Serra da Mantiqueira oferece algumas das melhores trilhas em picos e montanhas do Brasil de níveis fácil, médio e difícil. 

No caso das trilhas de nível médio e difícil que sugerimos neste post, se você não conhece as trilhas e não tem experiência, não tente fazê-las sozinho. Contrate guias experientes que trabalhem com grupos pequenos. Existem diversas agências especializadas em montanhismo que atuam em trilhas na Mantiqueira. Na montanha, a segurança vem em primeiro lugar!

Atenção! Se for pernoitar, ao contratar o guia confira o que está incluso no pacote. É comum que providenciem refeições quentes, barracas e saco de dormir. Veja bem isso!

Vá na alta temporada, entre maio e setembro, quando os termômetros caem e o risco de tempestades de raios e “cabeças d’água” é quase inexistente. (Você não vai querer aparecer na televisão, como certo “influencer/político” que irresponsavelmente colocou a vida de vários em risco por tentar subir o Pico dos Marins fora de época.)

Nesse período, o céu fica mais azul, com visibilidade onde os olhos alcançam. Se você optar por dormir em um dos picos, acordará diante de um tapete de nuvens inigualável. Porém, lembre-se de que faz frio para valer.

Pico dos Marins

O Pico dos Marins, localizado na cidade de Piquete, ainda do lado paulista da Mantiqueira, que se encontra a 2.420 m de altitude, é uma das mais tradicionais e mais técnicas trilhas a ser conquistadas. Não se deixe enganar pelos 15 km de extensão; chegar ao topo é uma conquista, uma experiencia única. Não é incomum ser tomado de forte emoção ao, finalmente, por seu nome no livro de registro.

O trajeto é difícil, bem pesado, com uma parte de “escalaminhada”, a famosa subida de “gatinho”. A depender do seu preparo físico, você pode levar até 8 horas subindo. É preciso levar água, porque no caminho você não vai encontrar fontes. As noites são extremamente frias com termômetros chegando próximo de 0ºC, com casos registrados de abaixo de 0ºC.

Várias cidades podem ser utilizadas como base. Indicamos a bucólica cidade de Marmelópolis, na parte mineira da serra.

Pico do Itaguaré

O Pico do Itaguaré se encontra a 2.308 m de altitude. O nome Itaguaré vem do tupi e significa “pedra sagrada” ou ainda pedra rachada. O visitante terá uma linda vista do Marins, de toda região, bem como o famoso tapete de nuvens ao acordar, além de um pôr do sol único.

A subida é difícil, mas não é a mais complicada da Mantiqueira. O nível de exigência para a subida é um pouco menor que aquele necessário para subir o Marins. A distância da subida é quase a mesma, mas ela é menos técnica e íngreme, embora para se alcançar o topo (onde se encontra o caderno de assinatura, mas não se acampa), seja preciso passar pelo temido “Pulo do Gato”. Calma! Com atenção, ajuda e supervisão de guia experiente, você dará conta. Tal qual no Marins, as noites são bastante frias.

Embora esteja localizado na divisa entre Minas Gerais (Passa Quatro) e São Paulo (Cruzeiro), o núcleo urbano mais próximo do Pico do Itaguaré é a cidade de Marmelópolis.

Pedra da Mina

A Pedra da Mina se localiza entre os municípios de Passa Quatro e Lavrinhas (MG) e Queluz (SP). Com 2.798 m de altitude, é a quarta montanha mais alta do Brasil. Existem várias vias até o topo. Quase todas possuem a mesma extensão: cerca de 15 km. Embora não esteja localizada em nenhum parque, a Pedra da Mina está incluída na Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira, sendo que a face paulista tem uma parte em um Reserva Particular do Patrimônio Natural.

É uma subida pesada e técnica, com uma parte muito íngreme: a famosa “Subida do Deus me Livre”.

Pedra do Baú

A Pedra do Baú, que pode ser vista de longe de diversos pontos da Serra da Mantiqueira é o principal maciço rochoso do Monumento Natural Pedra do Baú. Fica no município de São Bento do Sapucaí, a 1.950 m de altitude. A subida não é fácil, exige esforço e coragem! Do cume você terá uma vista formidável; vale a pena vencer o medo e subir.

O trajeto é composto por duas etapas bem distintas. A primeira é uma trilha com certos desníveis, até se chegar à base, onde começa a subida pela Via Ferrata, um conjunto com cerca de 600 degraus incrustados na vertical no paredão de pedra. Se tem medo de altura, esse não é o seu lugar.

O agendamento prévio é obrigatório, bem como o uso de certos equipamentos de segurança. Não é permitido subir sem guia devidamente cadastrado. Do cume você terá uma vista formidável; vale a pena vencer o medo e subir.

Para maiores informações sobre trilha, inclusive sobre os equipamentos obrigatórios, e agendamento junto à Prefeitura de São Bento do Sapucaí, acesse os sites oficiais: https://saobentotur.com.br/mona-pedra-do-bau/ e https://pedradobauu.wixsite.com/my-site-1

Para maiores informações sobre o Monumento Natural Estadual da Pedra do Baú: https://guiadeareasprotegidas.sp.gov.br/ap/monumento-natural-estadual-da-pedra-do-bau/

Você pode chegar ao início da trilha indo de carro por São Bento do Sapucaí ou Campos do Jordão.

Pico das Agulhas Negras

O Pico das Agulhas Negras, no município de Itatiaia/RJ, fica na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia, o mais antigo parque nacional brasileiro. Com altitude de 2.791 m, é a quinta mais alta montanha brasileira. Sua subida é leve, mas exige técnica. A trilha tem cerca de 6 km, incluindo as partes de caminhada, “escalaminhada” e cordas. Não se permite o pernoite no pico. Existe um refúgio com boa estrutura de banheiros e tanques onde se pode passar a noite, desde que com agendamento prévio e pagamento de pequena taxa.

A entrada no parque é paga e se recomenda comprar o ingresso previamente. Para maiores informações e ingressos, acesse o site oficial da concessionária Parquetur, que administra o Parque Nacional do Itatiaia: https://pnitatiaia.com.br

O que devo levar para fazer as trilhas na Mantiqueira (níveis médio e difícil)?

Roupas, acessórios e calçados

Escolher bem as roupas é muito importante. A técnica da vestimentacebola” é a mais indicada. Essa técnica usa camadas térmicas de aquecimento e proteção, muito útil para variações de temperatura durante o dia. Permite tirar e colocar roupas de acordo com a necessidade. A primeira camada é composta de roupas térmicas, do tipo segunda pele. A segunda camada é de moletons e jaquetas leves. Já a terceira, ou externa, é composta de jaqueta corta-vento ou impermeável.

Cachecol, luvas e meias térmicas são fundamentais para a noite. Para o dia, óculos de sol e boné ou chapéu não podem faltar. Pescoceira é ótima para proteger o pescoço do sol e do frio. 

É essencial usar tênis específicos para trilhas ou botas para trilha. 

Hidratação e nutrição

Água fresca é não pode faltar, em uma boa garrafa térmica. Dois litros geralmente são suficientes para um adulto para um período de 12h, embora o esforço físico possa exigir mais para algumas pessoas. Frutas secas e oleaginosas dão energia e não correm risco de estragar.

Kit de emergência

Além de roupas adequadas, água e comida, é muito importante ter um kit de sobrevivência, que esperamos não seja preciso usar: lanterna de cabeça, de preferência com luz vermelha; apito; estojo de primeiros socorros; remédios do dia a dia; e power bank para celular.

Consciência ecológica

Em acampamentos selvagens, você deve trazer seus dejetos de volta. Utilize um shit tube, que é exatamente o que você pensou, para descartar fezes corretamente em áreas urbanas, preservando as nascentes e o ecossistema da montanha. Trilhas como a do Everest estão à beira de colapso por esse motivo.

É evidente que você não deve descartar nada na trilha, muito menos qualquer material não biodegradável.

"Não se esqueça: das trilhas só trazemos lembranças e fotos, e nelas só deixamos pegadas."

Foto: Pico dos Marins – © Thiago Mathias