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Sacsayhuaman, Peru
Sacsayhuaman, Peru

Sacsayhuamán

Por Lúcio Martins Rodrigues, autor de “O Ouro Maldito dos Incas”

Sacsayhuaman, a apenas 2 km de Cusco, o maior e mais importante conjunto de ruínas Incas do Valle Sagrado e um dos maiores sítios arqueológicos do Peru. Sua construção inciada na década de 1430, tomou aproximadamente 50 anos. Apesar de gigantesca e imponente, Sacsayhuaman é apenas uma sombra do que foi no passado. Cerca de 80% das pedras utilizadas na sua construção foi retirada dali pelos espanhóis, que as utilizaram para a construção de seus mosteiros e igrejas. Só não retiraram as maiores, algumas com até 350 toneladas, porque não conseguiram transportá-las.

Mapa de Sacsayhuaman

Como outras construções incas, os muros de Sacsayhuaman foram levantados sem uso de cimento. As pesadíssimas pedras são apenas encaixadas umas nas outras, mas com total perfeição. A muralha de 300 ms de comprimento de altura irregular, foi concebida com reentrâncias que deixavam os atacantes expostos a ataques em diversos ângulos.

Após a tomada de Cuco pelos espanhóis em 1536, os índios reuniram suas forças para um contra-ataque. Depois de ocuparem Sacsayhuaman utilizaram o sítio como base para lançar ataques surpresa contra os conquistadores, cercados na antiga capital inca. Depois de algum tempo sob ataque, os espanhóis, comandados por Hernando Pizarro, resolveram atacar a fortaleza.

A tomada de Sacsayhuaman

Trecho do livro “O Ouro Maldito dos Incas”

Ouro Maldito com legenda

Assumir os riscos de tomar Sacsayhuaman

“Após alguns meses de cerco a situação estava se tornando insuportável. Não era mais possível esperar. Hernando, militar experiente, percebeu que seria necessário tomar Sacsayhuaman, com todos os riscos que implicasse tal decisão.
– Isso abalará a moral deles.
– As perdas serão grandes – considerou um dos cavaleiros.
– Eu sei. Mas temos que recuperar a fortaleza a qualquer custo. É possível que a rebelião já tenha se instalado em todo o Peru. Não podemos contar com reforços. Sabe-se lá se Francisco também não está sitiado em Lima. É estranho que não tenha tentado enviar reforços.

Começam os preparativos para tomar Sacsayhuaman

Depois de desistir de esperar por ajuda, Hernando deu ordens para que começássemos os preparativos. Ortiz, Pablo, Toledo, eu e outros fomos encarregados de olhar os cavalos, ver se estavam devidamente ferrados e saber do estado dos animais. Pedro de Candía e alguns de seus ajudantes verificaram as condições das peças de artilharia. Os melhores atiradores cuidaram dos arcabuzes e separaram a munição de que necessitariam. O restante da tropa ocupou-se das armas brancas: se estavam afiadas, se as lanças tinham suas pontas solidamente fixadas nos cabos.

Video sobre a conquista do Império Inca” (Tahuantinsuyo)

 O acampamento em frente a Sacsayhuaman

Durante a madrugada deixamos a praça na qual nos refugiáramos durante tantos meses. Os índios, ao nos verem subindo em grande número as estreitas ruas de Cusco, rumo a Sacsayhuamán, não tentaram nos enfrentar como faziam quando saíamos em pequenos grupos, mas abrigaram-se, afobados, no forte. Quando chegamos com homens, cavalos, escravos e índios aliados à grande esplanada onde ficava Sacsayhuamán, Hernando mandou que as tendas de campanha fossem instaladas.
– Não tentarão nos atacar no descampado, protegidos pela cavalaria.
Juan ficou encarregado do acampamento, enquanto Gonzalo, Ortiz, eu e outros cavaleiros fomos examinar a fortaleza. Antes de partirmos, Hernando chamou Pedro de Candía:
– Prepare as peças. Quando começarmos o ataque, não adianta atirar contra as muralhas. São sólidas demais, construídas com pedras pesadíssimas. Sua artilharia deve fazer com que os obuses façam um arco no céu e caiam dentro do forte.
– Pode deixar. Sei fazer isso – assegurou o grego.

A estratégia dos espanhóis

Antes de se afastar, Hernando chamou dois veteranos:
– Cortem árvores compridas e façam escadas em quantidade suficiente. Quero que estejam prontas quando eu voltar – disse, esporando seu cavalo. Quando o grupo de cavaleiros passou em frente a Sacsayhuamán, os índios irromperam em grande alarido, gritando palavras ofensivas. Batiam as lanças contra os escudos, numa tentativa de nos amedrontar, enquanto tocavam tambores. Pedras e flechas caíram a algumas dezenas de passos de nós.
– Mantenham-se fora do alcance deles – recomendou Hernando enquanto examinava os muros de pedra.
Ao contrário dos fortes na Espanha, as fortalezas incas não eram rodeadas de valas e não possuíam uma altura padrão: certos trechos eram mais baixos e tinham irregularidades que podiam facilitar sua escalada. Sem desmontar, continuamos a rodear o forte, observando-o de todos os ângulos possíveis.
– As muralhas laterais a oeste não são tão altas – observou Hernando, enquanto elaborava seu plano de ataque. – E há por perto árvores que podem ajudar a esconder os soldados. Só precisaremos trazer escadas.

Detalhando os planos de ataque a Sacsayhuaman

Detalhou seu plano. Uma parte da artilharia, arcabuzeiros, peões, índios aliados e negros simulariam um ataque procurando distrair o inimigo e trazê-lo para a parte central das muralhas. Isso feito, os cavaleiros, escondidos entre as árvores com o restante da tropa, arrastariam as escadas para junto dos muros do lado oeste da fortaleza, abandonando-as ali e afastando-se o mais rápido possível. Devíamos deixá-las à mão para a infantaria, que se protegeria com escudos e teria cobertura de arcabuzeiros e de algumas peças de artilharia. O plano era bom, talvez o único possível, mas, mesmo que a maior parte dos guerreiros quéchuas se concentrasse no centro da fortaleza, outros continuariam vigiando as laterais.

A cavalaria

Os cavaleiros seriam, portanto, os primeiros a enfrentar as pedras, setas e lanças atiradas contra os espanhóis quando arrastassem as escadas para perto da muralha. Outro grupo que talvez sofresse pesadas baixas era o de peões, vulneráveis quando abandonassem os escudos para apanhar as escadas e encostá-las nos pontos em que as muralhas poderiam ser escaladas mais facilmente. Se conseguíssemos penetrar no forte, lá dentro, com nossas armas de ferro, levaríamos vantagem sobre os índios.
Hernando apontou para a imensa fortaleza.
– Eles não estavam esperando que resolvêssemos atacá-los. Temos que fazê-lo antes que reforcem suas defesas. Vamos voltar para o acampamento e organizar o ataque.
Com as escadas prontas, a cavalaria se escondeu entre as árvores. Teríamos que contar três tiros de canhão. Só quando o terceiro tiro fosse disparado contra o setor frontal do forte os soldados avançariam com as escadas.
Escondidos entre o arvoredo, Ortiz, Álvaro, eu e outros cavaleiros ficamos aguardando, a tensão estampada no rosto de cada um. De longe escutamos o alarido e vimos que parte dos quéchuas correu para o centro da fortaleza, desguarnecendo parcialmente o lado oeste, onde iríamos atacar. O primeiro tiro de canhão provocou um estrondo que fez um bando de corvos baterem asas. Minutos depois, escutamos o segundo tiro. Toledo, a meu lado, benzeu-se.

Começam os combates

Quando o terceiro tiro soou, Gonzalo fez sinal para que avançássemos com as escadas. Nós o fizemos rapidamente, mas alguns índios que tomavam conta da lateral do forte nos viram. Pedras vindas do alto, jogadas pelos fundeiros, zuniam rentes às nossas cabeças; lanças eram atiradas do alto das muralhas sobre nós. Se fôssemos atingidos, nem nossos capacetes nos protegeriam devidamente. Quanto mais nos aproximávamos, mais riscos corríamos. A vinte passos dos muros, soltamos as escadas. O cavalo de Ortiz foi atingido, empinou e ele caiu. Por sorte, não estava machucado. Levantou-se.
– Alcance meu cavalo e segure as rédeas para que eu possa montar! – gritou.
Fiz o que ele disse. Persegui sua montaria, segurei-a e levei-a até ele. Em seguida disparamos rumo às árvores sob uma chuva de lanças, flechas e pedras.
– Jesus!
Naquele momento nossos arcabuzeiros e o grosso da artilharia de Pedro de Candía passaram a atirar contra os defensores de Sacsayhuamán.

A tomada de Sacsayhuaman

O fogo das armas confundiu os quéchuas. Os peões protegidos por escudos puderam avançar e apoiar as escadas contra os muros do forte. Vários espanhóis foram atingidos, dentre eles Juan Pizarro, que caiu gravemente ferido. Dois soldados o trouxeram até nós. Olhei-o ensopado em seu próprio sangue, deitado no gramado no meio do arvoredo. Não senti pena. Dias depois, morreria.
Creio que, em parte, nosso sucesso em tomar a fortaleza se deveu à inexperiência militar dos índios. Embora um simples fosso ou o uso de lanças de madeira fincadas no solo pudesse dificultar o ataque, em nenhum momento organizaram-se para impedir que usássemos as escadas. Também se expuseram aos arcabuzes, sem tentar se abrigar: escutávamos um estampido e depois víamos um corpo rodopiando no ar e caindo de uma das torres. Ajudou-nos igualmente poder contar com a ajuda de índios de outras regiões e de escravos negros. Essa foi a batalha mais sangrenta que travamos em solo peruano. Por muito pouco não fomos derrotados.

Não fazer prisioneiros

À medida que os espanhóis conseguiam penetrar na fortaleza, mais cruéis se tornaram os combates. As ordens de Hernando eram de não fazer prisioneiros.
– Matem todos que encontrarem.
Os defensores de Sacsayhuamán foram executados, muitos deles pelos índios de tribos dominadas pelos incas. As rochas e o solo se tingiram de vermelho. Era tanto sangue que em alguns lugares ele empoçava até escorrer pelas pedras, misturando-se a fezes e urina, já que, quando as pessoas morrem, perdem seus controles corporais. O cheiro era nauseabundo. Era impossível andar por lá e não tropeçar num corpo sem braço ou sem cabeça.
Com a vitória quase assegurada, passamos a investigar cada cômodo da fortaleza”.

Peru, Machu Picchu, vista panorâmica
A melhor época para ir a Machu Picchu

A melhor época para sua viagem a Machu Picchu

Quando ir: temperaturas, chuvas, clima

Por Lúcio Martins Rodrigues

Acostumadas com Cusco, a base de todos os que desejam conhecer Machu Picchú, a maioria das pessoas não considera que Cusco fica em pleno Altiplano, a uma altitude média de 3.400 metros, enquanto Machu Picchu fica a 2.400 metros, a meio caminho entre o Altiplano e a floresta amazônica. Há, portanto, uma sensível diferença de clima entre a antiga capital do Império Inca e a cidade perdida que, escondida pela floresta, só foi descoberta em 1911.

O trem de Cusco a Machu Picchu, parte logo cedo, pela manhã, quando o frio é mais intenso em Cusco. Então, todo mundo já sai do hotel vestindo casaco forrado, pulôver e gorros de lã. Ao descer do trem, dá para sentir a diferença. O sol já está mais alto no céu, e a altitude é de mil metros a menos que em Cusco. Você não sentirá falta do gorro de lã, mas de um chapéu de sol, porque a insolação é brava. É bom lembrar igualmente que, no verão, às vezes, as temperaturas beiram os 25 graus centígrados. Ninguém aguenta roupas de inverno com temperaturas assim.

Mapa de Machu Picchu

A melhor época para visitar Machu Picchu

A melhor época para ir a Machu Picchu é da segunda quinzena de abril, até setembro. Isso inclui o final do outono, o inverno e o começo da primavera. No inverno as temperaturas são mais frias, mas o principal fator que influencia o clima, nesse caso é mais a altitude do que a longitude. Junho e julho, em pleno inverno, são meses perfeitos. O importante é que chove pouco, e o clima invernal não é rigoroso como o europeu, por exemplo. Nevascas não existem por lá. E as temperaturas mínimas ocorrem de madrugada, quando todo mundo está dormindo e bem aquecido em seu quarto de hotel. Durante o dia, o clima seco e ensolarado tem temperatura possíveis de serem encaradas facilmente com um blusão forrado.

Vídeo sobre Machu Picchu

Dica

E quem estiver em Cusco no dia 24 de junho poderá assistir à famosa Festa do Sol, a Inti Raymi. A cidade fica lotada, e você sofrerá para encontrar um hotel! Reserve com antecedência.

As chuvas

Esqueça a tradicional classificação climática, primavera, verão, outono e inverno. É mais correto dividir o clima do Altiplano, no Peru, em duas estações apenas: a chuvosa e a seca. Afinal, há grande diferenças nos índices pluviométricos: o período chuvoso corresponde a cerca de 80% das precipitações anuais.

O período chuvoso começa em outubro e se estende até março. Dezembro e janeiro são os meses mais chuvosos. Já houve casos em que turistas ficaram isolados em Machu Picchu durante alguns dias, sem condições de voltar a Cusco, por causa da queda de barreiras, em um ano especialmente pluvioso. Diria que foi muita falta de sorte! Já estive no Peru duas vezes na estação chuvosa. Diria que as chuvas incomodaram um pouco, mas não chegaram a impedir o prazer da viagem. Ou seja, se der, escape do período de chuvas, mas se não puder viajar em outra época, encare, que vale a pena! De qualquer modo, um casaco impermeável e um pequeno guarda-chuva portátil são itens que é bom você ter na sua bagagem.

Plaza de Armas de Lima, Peru
Plaza de Armas de Lima, Peru

 

As consequências da conquista

A desorganização da produção trouxe a miséria. Povos que nunca haviam conhecido a fome passaram a conviver com ela. A sífilis exterminou parte da população. Um enorme número de índios foi escravizado e pereceu em minas onde as condições de trabalho eram brutais. A religião incaica foi considerada herética e os nativos tiveram que adotar o catolicismo, querendo ou não. A cristianização foi tarefa dos jesuítas, que chegaram ao Peru em 1568. (Deve ter sido difícil para os primeiros missionários explicar aos índios a fé cristã: os “cristãos” de Pizarro não respeitavam sequer os Dez Mandamentos!). Desentendimentos com a coroa espanhola fizeram com que os jesuítas fossem expulsos da colônia em 1767, só vindo a retornar no final do século XIX.

O ouro dos incas

Na Europa, as montanhas de ouro e prata extraídos dos países andinos pagaram exércitos, fortaleceram a Espanha, afetando a relação de forças, promoveram alianças estratégicas e provocaram guerras. Também causaram o aprimoramento da navegação e impulsionaram uma revolução comercial que transformaria a Europa, recém-saída da Idade Média. A conquista daria aos europeus, além do feijão, do milho, do tomate e do amendoim, um alimento que viria a salvar incontáveis vidas numa época de fome endêmica: a batata.
Por outro lado, a febre do ouro despovoou a Espanha, pois cada vez mais homens vendiam tudo o que tinham para tentar a sorte no Peru. Chamados de peruleros, eram sobretudo moços que não pensavam em outra coisa senão no ouro que lhes possibilitaria voltar ricos à Espanha. Muitos partiam e deixavam suas esposas jovens e bonitas à solta, a ponto de Cieza de León contar que ouviu em Córdoba o seguinte dito popular: “Los que fuéredes al Peru, guardaos del cucurucú”… (Isso foi há muito tempo, mas por via das dúvidas pode ser melhor levar sua namorada com você na viagem.).

Os efeitos negativos da conquista

A corrida para o Peru provocou a decadência da agricultura e da manufatura espanholas, tornando o país dependente de outras nações europeias para se aprovisionar. A abundância de ouro e de prata provocou também uma inflação sem precedentes na Espanha: os metais preciosos valiam muito por serem raros mas, com o aumento da oferta, desvalorizaram-se. Eram necessárias quantidades cada vez maiores de moedas de ouro ou prata para comprar qualquer coisa, de alimentos a ferramentas, de terras a cavalos.

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Leia sobre a História do Peru e da sociedade inca.

O Peru antes dos incas • As origens dos incas •  A civilização inca
Os espanhóis chegam ao Peru • A lei e a moral inca  • Curiosidades sobre os Incas
A estrutura social incaica  • A expansão do Império • Huáscar e Atahualpa
A captura de Atahualpa pelos espanhóis • O fim do Império Inca
As consequência da conquista

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Catedral de Cusco, Peru
Catedral de Cusco, Peru

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Os espanhóis chegam ao Peru

Se é assombrosa a rapidez com que a nação inca se formou e dominou os povos vizinhos, é ainda mais estarrecedor um império desse porte ter desmoronado com a chegada de três navios que traziam 180 espanhóis com armas de fogo e 37 cavalos. Isso ocorreu em 1532, quando Atahualpa já derrotara o irmão.

Francisco Pizarro

Embora pareça inacreditável, um conjunto de circunstâncias explica, em parte pelo menos, o sucesso da expedição comandada por Francisco Pizarro, filho enjeitado de uma camponesa, guardador de porcos analfabeto, que em busca de fortuna engajou-se no exército, conseguindo rápida ascensão social e indo parar na colônia espanhola estabelecida no Panamá. Nessa época, o Mar del Sur, como era chamado o Oceano Pacífico ao sul do Panamá, já fora navegado por espanhóis, que nada viram que lhes chamasse a atenção.

Vídeo sobre a conquista espanhola no Peru

A boa sorte do conquistador

Por uma dessas coincidências da História, Francisco Pizarro desembarcou no Peru em um momento muito particular. A disputa entre os irmãos desencadeara uma sangrenta guerra civil, desarticulando um império que já não era coeso. Muitas das províncias dominadas pelos incas não estavam ainda suficientemente aculturadas; outras simplesmente odiavam os colonizadores incas e encaravam os espanhóis como salvadores, sendo facilmente engajadas por Pizarro, que formou um exército índio composto por anaconas (homens de tribos vencidas, que haviam sido dominados pelos incas). Além disso, ele arregimentou índios das colônias do Caribe que, pertencendo a tribos antropófagas, chegaram a devorar aldeões incas – para horror dos próprios espanhóis…

La mala tierra

Atahualpa já sabia que estranhos homens brancos e barbudos vinham rondando a costa de seu reino há muito tempo e que haviam desembarcado em diversos pontos do litoral. Porém, por ter sido informado que eram poucos, e por estar ocupado com a guerra civil, não deu atenção ao assunto; quando fosse o momento, cuidaria dos estrangeiros. Esse foi o primeiro de seus erros que, porém, se justifica em parte: os espanhóis eram, de fato, poucos, e estavam passando péssimos bocados. Nada indicava o que viria a seguir.
As primeiras expedições haviam fracassado: os espanhóis foram dizimados pela fome, pelas doenças tropicais, pelos mosquitos e pelos ataques de índios, como aconteceu com um pequeno grupo cuja canoa encalhou em um banco de areia na foz de um rio e foi exterminado a flechadas.

Os momentos difíceis

Num dos momentos mais difíceis, Pizarro foi obrigado a se abrigar numa ilha com apenas 13 homens, enquanto seu sócio, Diego de Almagro, ia mais uma vez buscar reforços no Panamá, tendo que enfrentar a má vontade do governador da colônia, perturbado pelo número elevado de baixas e pela ausência de resultados. Pizarro sempre acabava ficando com a pior parte, passando fome, sendo devorado por mosquitos e enfrentando a revolta de seus homens que, segundo Cieza de León, estavam “muy tristes e espantados de ver tan mala tierra ”, achando que “el infierno no podria ser peor” e se maldizendo por terem saído do Panamá, “donde ya no les faltaba de comer”.

Los buenos españoles

A situação só começou a virar a favor dos espanhóis quando foram bem recebidos pelos índios de Tumbes, que se aproximaram dos navios com balsas, levando frutas e “cordeiros” (como os espanhóis chamavam as lhamas e alpacas). Foi nessa região que viram pela primeira vez a cor do ouro.
Procurando a colaboração dos índios, Pizarro garantiu-lhes que não os atacaria, enquanto procurava saber mais sobre a nova terra. Cuidadoso, mandou um negro, cujo nome se perdeu na História, e um espanhol – Alonso de Molina – até a aldeia, levando presentes. O negro fez mais sucesso do que os presentes: completamente ignorantes com relação à existência de etnias africanas, os índios pediram que ele molhasse a mão na água para testar se sua “tinta” sairia…

O presente de Alonso e o relato de Molina

Alonso, por sua vez, encantou-se de tal forma com uma bela índia que o cacique ofereceu-a como presente, oportunidade que o soldado não perdeu.
O relato de Molina, que disse ter encontrado na aldeia incontáveis objetos de ouro, foi a melhor notícia que Pizarro recebera nos últimos anos. Sua política cuidadosa, mandando que os soldados tratassem os índios “como crianças” e que não demonstrassem muito interesse pelo ouro, parece ter dado resultados pois, segundo Cieza de León, em diversos lugares da costa, os índios se referiam aos espanhóis como homens brancos e barbudos que não roubavam nem faziam mal a ninguém.

Os Viracochas

Acredita-se também que, ao menos inicialmente, os espanhóis, com armas de fogo e cavalos jamais antes vistos na América, podem ter sido considerados divinos, e que Pizarro pode ter sido confundido com o deus branco Viracocha regressado do mar. Mas os índios logo perceberiam com quem estavam lidando.
Um dos maiores problemas de Pizarro e Almagro é que não sabiam direito em que direção seguir. Aos poucos, porém, foram encontrando cada vez mais ouro. À medida em que o precioso metal aparecia, Almagro, que continuava buscando reforços no Panamá, conseguia obter mais soldados, cavalos e navios. Iria começar a conquista.

O apoio real

A descoberta de uma quantidade cada vez maior de ouro fez com que Pizarro e Almagro voltassem ao Panamá com navios carregados do cobiçado metal. De lá, o primeiro, a conselho do próprio Almagro (e contra a opinião de outros companheiros), seguiu para a Espanha para pedir o apoio real, devendo simultaneamente garantir determinados cargos para os membros do grupo.
Na corte, apesar de efetivamente conseguir o apoio real e o cargo de Governador das novas terras para si próprio, bem como cargos para outros membros da expedição, Pizarro não se empenhou o suficiente em fazer o mesmo para Almagro, o que fez surgir a primeira desavença entre eles. Ao mesmo tempo, a notícia da descoberta de tanto ouro abalou a Espanha, atraindo mais aventureiros para aquele novo El Dorado, dentre eles Hernando e Juan, irmãos de Francisco Pizarro, que acabariam por se desentender com Almagro, agravando a desunião do grupo.

Los malos españoles

Com o apoio da coroa espanhola, saíram da Nicarágua com aproximadamente 180 homens, para uma expedição que, desta vez, não foi nada amigável, fazendo com que todos os índios passassem a ver os cristãos como “gente cruel sin razón ni verdad, porque andavam hechos ladrones de tierra en tierra, robando e matando a los que no les habían ofendido”, ou seja, vagabundos que, no lugar de trabalhar, tomavam sua comida, saqueavam seus enfeites de ouro e prata e violentavam suas mulheres, soltando-as depois ou obrigando as mais bonitas a acompanhá-los, fazendo-as trabalhar também como cozinheiras. Esse foi um dos lados mais bárbaros da conquista. Assim, na marcha que culminaria em Cusco, as tropas de Pizarro foram espalhando seus genes – e sua sífilis – a índias de todas as classes sociais. Homens também eram capturados, para servir como carregadores e intérpretes à medida que iam aprendendo algumas palavras em castelhano.

As doenças trazidas pelos espanhóis

O contato com os espanhóis, sobretudo a intimidade desses com as índias, provocou epidemias de varíola e de outras doenças contra as quais os nativos não tinham resistência. O número de mortos era enorme; a sociedade inca se desestruturou. O sexo tornara-se uma “arma secreta” que dizimava os índios mais do que a espada.

O cavalo: vantagem dos espanhóis

Segundo se deduz dos relatos de Cieza de León e de outros cronistas da época, o que derrotou militarmente os incas foi o medo que tinham dos brancos, de suas armas e, principalmente, de seus cavalos. Inicialmente, os índios imaginavam que esses equinos comiam carne humana. No início da marcha de Pizarro, os espanhóis esconderam o corpo de um cavalo que, ferido, acabou morrendo, para que os índios não soubessem que esses animais eram mortais.
Quando os conquistadores investiam a cavalo, os índios, apesar de mais numerosos, no lugar de lutar, fugiam apavorados, sendo facilmente abatidos a golpes de lança por espanhóis que os perseguiam montados. Estes foram beneficiados ainda pelo terreno descampado, que facilitava o uso do cavalo e dificultava aos índios a tocaia. (Muito diferente da Amazônia, onde os espanhóis se deram mal, mesmo se defrontando com povos que viviam na Idade da Pedra).

A inferioridade dos armamentos e a falta de comando

No corpo a corpo em campo aberto, os incas não tinham a menor chance. Seus porretes de bronze com cabo de madeira, que funcionavam tão bem contra outras tribos, não eram páreo para as espadas de ferro dos conquistadores.
A diferença numérica era tão expressiva que os conquistadores poderiam ter sido exterminados. Bastariam algumas saraivadas de flechas ou mesmo de pedras arremessadas por fundas, armas que os incas conheciam.
Mas os nativos estavam desorientados sobre o que fazer, pois não houve uma ordem clara de Atahualpa para que enfrentassem os invasores. Assim, alguns tentavam resistir mas, à menor arremetida dos cavalos, saíam correndo; outros fingiam amizade; muitos simplesmente abandonavam suas aldeias e fugiam a qualquer sinal de proximidade do bando.
O cacique de Cuaque decidiu presentear soldados espanhóis com uma grande quantidade de esmeraldas para que poupassem sua aldeia, mas, ironicamente, os estrangeiros, tão ávidos por ouro, não lhe deram atenção, por desconhecerem o valor daquelas pedras.

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Saiba mais sobre o romance histórico “O Ouro Maldito dos Incas”, onde um soldado de Pizarro relata como 187  espanhóis famintos e mal-armados conseguiram conquistar um império com 12 milhões de pessoas.

 

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Enquanto isso, confira todo o conteúdo completo e atualizado do guia impresso, substituído pelo  Guia GTB ON Line Peru, gratuito, e com dezenas de fotos. Basta ter sinal de internet no local onde você estiver.

 

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Incas, lei e moral
Litogravura da época da conquista

Lei e a moral incas: a severidade era a norma

A lei e a moral inca eram baseadas em três mandamentos fundamentais: Ama k’ella (“Não seja preguiçoso”), Ama llulla (“Não seja mentiroso”) e Ama sua (“Não seja ladrão”).
Garcilaso de la Vega, filho de uma princesa inca e de um nobre espanhol, afirma que esses princípios morais eram tão incutidos nos espíritos que muitos dos que cometiam delitos, “acusados por sua própria consciência” e com medo de terem suas almas condenadas para sempre, se entregavam para serem punidos.

Ser preguiçoso era falta que merecia também  punição. Era o chamado trabalho inútil, uma pena curiosa. O culpado deveria transportar pedras enormes de uma ponta a outra de um campo. Depois de fazê-lo deveria trazer a pedra de volta, e coloca-la no mesmo local onde estava.

Mentir igualmente resultava em punição, sobretudo mentir para um funcionário do império. Roubar era ainda mais grave, mesmo que se tratasse de um pequeno roubo. Assim ninguém se atrevia a desviar sequer um grão de milho da parte da produção que iria constituir as reservas que abasteciam os celeiros imperiais, sempre lotados. Eram essas reservas que garantiam a alimentação de todos em épocas de seca ou de desastres naturais.
Esses princípios estavam embutidos de tal modo na sociedade incaica que todos cumpriam rigorosamente seus turnos de trabalho, respeitavam escrupulosamente os dias que deviam trabalhar para o Império Inca, o tempo que deviam se dedicar a tarefas comunitárias e o tempo para se dedicar a  si próprio e à sua família.

Nobres e hatun runa

A poligamia só era praticada pela nobreza, mesmo porque os nobres eram por vezes presenteados com mulheres pelo Inca, se fossem eficientes em suas obrigações.
O povão, os hatun runa eram obrigatoriamente monogâmicos e, ao contrário dos nobres, não recebiam educação formal, já que estavam destinados ao trabalho braçal e não precisavam de muita sabedoria… Aprendiam os ofícios com os pais ou com a comunidade, trabalhando a terra, construindo casas etc. Os mais habilidosos, que aprendessem, por exemplo, a trabalhar metais, eram destinados a ofícios condizentes com sua habilidade. As moças aprendiam tão somente a cozinhar, cuidar de crianças e a executar tarefas consideradas femininas.

Sexo

Quanto ao sexo, havia contato íntimo entre solteiros, mas não se admitia a homossexualidade nem a sodomia. O incesto, obrigatório para o Inca, que deveria se casar com uma parente próxima, era vedado aos demais. Embora os nobres fossem poligâmicos, o adultério, tanto feminino quanto masculino, era proibido – e severamente punido. Não havia prostituição, ou sequer uma palavra para denominá-la.

As Virgens do Sol

Qualquer contato de homens com as chamadas Virgens do Sol, as as tornavam impuras. A pena tanto para a Virgem do Sol que se deixou corromper, como para seu sedutor, era a morte de forma cruel. As Virgens do Sol deviam servir apenas ao Inca, o imperador ou eram entregues como presente aos nobres que tivessem se destacado nas guerras ou que tivessem prestado revelantes serviços ao Império Inca.

A lei e a moral incas, como tudo, emanava do Inca

A lei e a moral incaica, como tudo, emanava do Inca, o Filho do Sol. Mas os amautas, a casta de sábios, atuavam como consultores na elaboração das leis.  Na falta da escrita, as leis eram divulgadas por arautos para que ninguém alegasse sua ignorância. Esses arautos percorriam as aldeias (os ayllus), até mesmo aquelas mais afastadas, perdidas nas montanhas.  Reuniam, então, os habitantes e avisava-os sobre as novas leis, sem deixar de lembra-los sobre as já em vigor.  Como a severidade era a norma da justiça inca, a partir dai, se alguém violasse alguma lei, não só o infrator era punido, mas também sua família e, em grau menor, toda a aldeia. Por isso mesmo, os pais estavam sempre de olho em seus filhos. Os aldeões, por sua vez, vigiavam-se uns aos outros, impedindo-se de cometer infrações. Essas punições não eram aplicadas apenas à gente simples do povo (hatun runa) e a aldeões, mas também, e como mais severidade, aos nobres, que deviam servir de exemplo à sociedade.

A punições

As punições para crimes de maior gravidade, como homicídio, estupro e outros delitos hediondos que normalmente são passíveis de pena em diversas sociedades, eram tão severas que desencorajavam qualquer infração. A condenação era quase sempre executada sob formas as mais cruéis, como a morte por estrangulamento, ou o culpado poderia ser enterrado vivo.
Quando não condenado à morte, o sentenciado por crimes graves podia ser encerrado em um compartimento subterrâneo com insetos venenosos, cobras, pumas ou condores, com poucas possibilidades de sobrevivência. Se em dois dias ainda estivesse vivo, o Inca o perdoaria…
Havia outras penas, como os castigos corporais, a prisão, o exílio, a perda de cargo público e, para as infrações mais leves, a humilhação pública.

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Inca, casa
Casa inca reconstruída em Machu Picchu

Curiosidades sobre os incas: conheciam a escrita?

É intrigante que os incas não tenham, aparentemente, desenvolvido uma escrita. Ou que vestígios de uma possível escrita tenham sido completamente destruídos.
O assunto desperta controvérsias. Alguns afirmam que a escrita existira e se tornara proibida em tempos remotos. Outros discordam: afinal, nunca foi encontrado um “texto” inca. Tudo o que há são registros de padres espanhóis que, no século XVI, ao elaborarem dicio-nários que visavam à tradução de vocábulos quéchuas, neles inseriram a palavra quillca, que significaria “papel, livro ou carta”.

Ideogramas

Há hoje evidências da existência não propriamente de um alfabeto, mas de desenhos que representariam palavras: ideogramas reservados ao conhecimento dos amautas. A restrição de seu uso poderia explicar porque os espanhóis (e os índios que lhes serviram como fonte de informação) não conheceram essa “escrita”.

Os quipús

Certo é, porém, que os incas possuíam uma linguagem codificada em quipús: cordõezinhos coloridos de diferentes grossuras, com nós que só os iniciados decifravam. Esses cordõezinhos “falavam” muito mais do que se pode supor ao olhá-los. Informavam datas, quantidades, dados econômicos, históricos e demográficos: um verdadeiro livro-caixa do mundo inca. Um sistema de mensageiros, os chasquis, que se revezavam na entrega de mensagens, mantinha o imperador informado da situação em cada província. Sem ter como anotar, transmitiam mensagens curtas e objetivas que o mensageiro deveria decorar e repetir com exatidão para o colega que o revezaria no trecho seguinte do caminho, como na brincadeira de “telefone sem fio”. Os postos ao longo da estrada eram situados em pontos estratégicos e podiam, no caso de algum acontecimento grave (como rebelião em uma província), providenciar comunicação por meio de sinais de fumaça durante o dia e sinais luminosos à noite. Assim, em poucas horas, a notícia chegava a Cusco, a centenas de quilômetros de distância. Era o telegrama incaico.

A casa inca

As residências dos nobres e sacerdotes, feitas de pedra, eram compostas por vários cômodos forrados com tapetes de pele e plumas, que enfeitavam também as paredes. Já as casas dos hatun runa eram feitas de adobe e compostas por um único aposento, onde os membros da família dormiam sobre esteiras, cozinhavam, criavam porquinhos-da-Índia (cuys) e trabalhavam sob pencas de espigas de milho penduradas em traves do telhado. O ponto em comum é que, independentemente da classe social, em nenhuma residência havia móveis, praticamente desconhecidos dos incas, que comiam de cócoras. A privacidade era praticamente nula: as portas das casas deveriam estar sempre abertas pois, a qualquer momento, podia-se receber a visita do llactacamayu (uma espécie de “comissário do povo”), que verificava se tudo estava nos conformes.

Eu vos declaro “maridos e mulheres”

O casamento dos cidadãos comuns era uma cerimônia coletiva, na qual aqueles que haviam cumprido o serviço militar recebiam uma esposa. O evento, que ocorria anualmente, era comandado pelo Tucuy Ricoc, que assumia então o título de Huarmicoco ou “distribuidor de mulheres”, entregando cada moça a um rapaz do mesmo ayllu. Como os ayllus eram geralmente divididos em duas zonas, separadas por um rio, os homens que habitavam uma das margens casavam-se com mulheres que habitavam a outra. Não era permitido o casamento de pessoas de ayllus diferentes. A medida tinha como objetivo estreitar os laços comunitários e reduzir o risco de incesto. O Huarmicoco fazia as combinações preferencialmente pelo tipo físico: o mais alto com a mais alta, o baixinho com a baixinha… Fazia sentido!

As Virgens do Sol

Uma curiosa instituição inca foi o Acllahuasi. Nele eram educadas as escolhidas, ou acllas, meninas selecionadas aos quatro anos de idade por seu ayllu (comunidade) por gozarem da mais perfeita saúde, não terem defeitos físicos e serem bonitas. Podiam, aos quatorze anos, optar por continuar no Acllahuasi ou voltar ao seu ayllu. Permanecendo no Acllahuasi, algumas passavam a integrar o grupo de Virgens do Sol; outras tornavam-se mulheres do Inca, de seus filhos ou de nobres que o Inca queria recompensar. As que decidiam ser Virgens do Sol dedicavam sua vida à religião. Não podiam se casar e deviam manter-se castas. O castigo para a perda da virgindade era a morte. Ela e seu amante tinham os olhos arrancados e eram assados vivos ou enterrados juntos num pequeno buraco.

Fiesta de la Virgen de la Candelaria

Essa festa, a mais importante de Puno, em honra à padroeira da cidade, acontece durante a primeira semana de fevereiro. Boa parte da população participa de danças, como a Diablada (“a dança do Diabo”) e veste fantasias e máscaras, desfilando em ruidosos grupos com pelo menos metade dos participantes completamente embriagados de pisco. Apesar de ser chamado também de “Carnaval de la Candelaria”, durante muito tempo foi uma festa bem comportadinha, com danças mais ritualísticas do que outra coisa. Os novos tempos, o marketing turístico ou ambos introduziram mudanças. Agora as cholitas estão produzidas e de pernas de fora. Não espere, entretanto, dançarinas semi-nuas como no Carnaval carioca, pois isso não combina com o jeito de ser do povo local, com o clima frio, nem com a festa, de natureza religiosa. O Carnaval da Candelaria reúne tradições andinas, com homenagens a Pachamama (a Mãe-Terra) e católicas, com a Virgem sendo conduzida numa procissão.

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Tripla Incas

Atahualpa e Huáscar, os irmãos inimigos

Um dos mais importantes Incas foi Huayna Cápac, que consolidou o império e realizou obras de relevo. Foi no final de seu reinado que correram pelo império as primeiras notícias sobre estranhas naus tripuladas por homens de uma raça nunca antes vista.

O Inca tinha umas duas centenas de filhos com concubinas e esposas. Uma de suas concubinas, a filha do rei de Quito, que aceitou submeter seu reino ao poder incaico, foi mãe de Atahualpa, filho ilegítimo mas particularmente querido de Huayna Cápac.

A sucessão do trono deveria caber a Huáscar, que vivia em Cusco e era filho do Inca com a Coya, sua irmã e esposa principal. Ao sentir a morte se aproximar, o Inca mandou chamá-lo a Quito e pediu-lhe que deixasse essa parte do império (que hoje corresponde ao território do Equador) para seu irmão bastardo, no que foi atendido.

Porém, poucos anos após a morte de seu pai, Huáscar resolveu obrigar Atahualpa a lhe prestar vassalagem e a declarar que renunciava à expansão da parte do império sob seu domínio. Devia, além disso, levar a Cusco a sagrada múmia do pai. Atahualpa mandou a múmia, mas não deu as caras. Preferiu ficar em Quito.

Vídeo sobre a queda do Império Inca

Os desentendimentos entre Huáscar e Atahualpa

Huáscar, irritado com o que considerou um desrespeito tanto à memória de seu pai quanto a ele próprio, mandou matar todos os que seu irmão enviara para acompanhar o cortejo. Mesmo assim, algum tempo depois Atahualpa enviou embaixadores que prometeram submissão a Huáscar. Este se indignou, mandou cortar os narizes dos mensageiros e exigiu a presença do irmão.
Atahualpa, maroto, declarou que aceitava ir a Cusco prestar vassalagem ao seu irmão. Faria mais: iria acompanhado de milhares de seus súditos, que também declarariam fidelidade ao Inca legítimo. Formou-se uma enorme comitiva que partiu de Quito, constituída, na verdade, pelos melhores soldados quitenhos, sem a mais remota intenção de se submeter a Huáscar.

Huáscar é alertado

Huscar, que no primeiro momento não desconfiara de nada, acabou sendo avisado por curacas das províncias atravessadas pelas tropas de Atahualpa, que perceberam que aquele grande exército certamente não estava seguindo para Cusco para se prostrar aos pés do Inca. Huáscar, ao ser alertado, armou sua defesa e saiu a campo para enfrentar as tropas do irmão. Porém seus guerreiros eram poucos; grande parte deles estava espalhada pelo império. Vencido, Huáscar, o último Inca legítimo, acabou prisioneiro.

A “limpeza étnica”

Sempre temeroso de não ser aceito como Inca em razão de sua condição de filho bastardo, Atahualpa fez uma “limpeza étnica” na corte cusquenha: mandou executar as esposas de Huáscar, inclusive as grávidas e com crianças de colo, e seus filhos, deixando os corpos expostos. Muitas dessas mulheres e crianças foram mortas propositalmente em frente a Huáscar, que permaneceu refém do irmão.
A morte de um grande líder, a rivalidade entre os dois irmãos (capazes de colocar Caim no chinelo!) e, sobretudo, o gênio forte e a ganância de ambos seriam decisivos para o fim do império incaico.

Incas, origens
As origens dos incas

As origens dos incas, lendas que se perdem na noite dos tempos

A origem da tribo de índios quéchuas que formou o maior império da América pré-colombiana é cercada de lendas. Tudo teria começado com um grande dilúvio, após o qual o deus-criador Viracocha criou os homens na região do Lago Titicaca. De grutas de uma imensa montanha teriam saído oito irmãos, os “Irmãos Ayar”, quatro homens (um dos quais, Ayar Manco) e quatro mulheres (uma das quais, Mama Ocllo), que partiram juntos em uma longa e turbulenta jornada pelos Andes, destinada a conquistar todas as terras e dominar seus povos. Levavam consigo um bastão de ouro; no local em que conseguissem fincá-lo no solo, deveriam se fixar, fundando uma cidade. Ao término da odisseia, haviam restado apenas Manco e suas quatro irmãs, que se estabeleceram em Cusco, a capital sagrada do Tihuantinsuyo, terra dos incas.

Manco Cápac, o primeiro Inca

Uma versão similar narra que, após o dilúvio, Manco Cápac, o primeiro Inca (cuja figura se confunde com a de Ayar Manco), e Mama Ocllo foram criados pelo Sol para civilizar o mundo, fundar um reino e criar uma religião em honra a seu pai solar, terminando, igualmente, com a fundação de Cusco, “o umbigo do mundo”.

Hanan Cusco e Hurin Cusco

Garsilaso de la Vega conta que a cidade era dividida em Hanan Cusco (a parte baixa, cujos habitantes foram convocados por Mama Ocllo) e Hurin Cusco (a parte alta, povoada pelos que foram arregimentados por Manco Cápac). A parte de baixo deveria reconhecer a superioridade da outra, fundada pelo soberano varão. (Estariam aí as raízes do machismo andino?).
Historiadores acreditam que os lendários irmãos Ayar seriam a personificação de aldeias ou ayllus que, unidos, deram origem ao povo inca. Embora lendas e História possam se confundir, sobretudo em face da ausência de relatos escritos da época, aceita-se que o primeiro imperador inca teria sido Manco Cápac, e Sinchi Roca, seu filho com Mama Ocllo, o segundo. Provavelmente eles foram chefes de uma aldeia, quiçá a própria Cusco, que conquistou povoados (curacazcos) vizinhos, dando início a um pequeno reino que se ampliou a partir do século XIII.

A rápida expansão da civilização inca

O modo espantosamente rápido com que se deu a expansão do império incaico não está esclarecido. Possivelmente um grande poderio militar foi um fator preponderante. Mas saber com certeza como tudo se passou não é fácil. Os relatos mais precisos sobre os incas, feitos por espanhóis, começam a adquirir maior detalhamento e veracidade histórica a partir do governo de Pachacútec, que perdurou de 1408 a 1468. Mesclando diplomacia, guerra e conhecimentos que, em muitos domínios, eram bem superiores aos dos povos vizinhos, seus sucessores ampliaram o território dominado.
Dúvidas históricas à parte, resta incontroverso que os incas estabeleceram na América do Sul um império que se estendia do norte da Argentina à Colômbia, controlando, a partir de Cusco, a vida de 12 milhões de pessoas. Esse império se encontrava no apogeu, sob o governo de Huayna Cápac, hábil guerreiro e administrador, quando os espanhóis desembarcaram no litoral peruano.

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Antes dos Incas
Antes dos incas, Tiwanaku, na Bolívia, fronteira com o Peru

Antes dos incas: as civilizações pre-incaicas da América do Sul

Nem todos os povos nativos que habitaram os territórios hoje pertencentes ao Peru e à Bolívia antes da chegada dos espanhóis eram incas. Houve outras culturas pré-colombianas mais antigas que desapareceram antes dos incas ou foram incorporadas a seu império, que existiu como tal durante dois séculos, até ruir em 1540.
Teorias extra-oficiais à parte, os primeiros vestígios da presença humana na região remontam a aproximadamente 20.000 a.C., quando ali chegaram grupos nômades de caçadores e coletores que se encontravam no estágio de evolução da Idade da Pedra. O desenvolvimento da agricultura ensejou sua fixação em aldeias que deram origem a culturas avançadas, com o aprimoramento de técnicas de metalurgia, tecelagem e cerâmica.

Chavin de Huantar

Antes dos incas, a mais antiga civilização sul americana é, provavelmente, a de Chavin de Huantar, que se assentou por volta de 1.000 a.C. no norte do Peru. O sítio arqueológico de Huantar revela aspectos de sua arquitetura, caracterizada pela construção de templos em forma de “U”; de suas técnicas de cerâmica; e de sua curiosa religião animista, que compreendia cultos a felinos, como o jaguar e o puma, e a aves, como a águia e o condor.

Paracas

Igualmente, antes dos incas, a cultura dos Paracas, surgida no litoral peruano por volta de 700 a.C., destacou-se pelo domínio da arte têxtil.
Os Mochicas, que viveram entre 100 e 700 d.C. na costa norte do Peru, trabalhavam metais como o ouro, a prata e o cobre, sabiam construir aquedutos e canais e conheciam sistemas de irrigação. Seus ritos de fertilidade, porém, é que os tornam mais conhecidos, em razão da vasta produção de esculturas de temas eróticos, apelidada de “Kamasutra americano”.

Nazcas

Aproximadamente na mesma época, desenvolveu-se no litoral do Peru a cultura Nazca, responsável pelas gigantescas e até hoje enigmáticas linhas que, vistas do alto, formam intrincados e surpreendentes desenhos.  Essas linhas, que só podem ser vistas do alto ainda são objeto de estudos por arqueólogos, que nem sempre estão de acordo sobre alguns de seus mistérios.
Saiba mais sobre os nazcas.

Tiwanaku

Acredita-se que a elaborada civilização Tiwanaku, estabelecida nas proximidades do Lago Titicaca, que teve seu apogeu por volta do século XI, tenha tido origem dois mil anos antes, no mesmo local. Os tiwanakotas foram os primeiros a criar na região uma espécie de império que impôs sua influência graças à construção de estradas e a uma intensa troca de produtos com povos vizinhos. Os Wari ou Huari, povo guerreiro estabelecido entre 600 e 800 d.C. na região próxima à atual cidade de Ayacucho, foram alguns dos integrados por Tiwanaku. Hábeis agricultores, os tiwanakotas cultivavam predominantemente batatas e criaram a técnica de plantação em terraços, um dos diversos aspectos de sua civilização que seriam mais tarde incorporados pelos incas. Sua riqueza era tamanha que se diz que paredes de construções de sua capital eram folhadas a ouro. Por volta do ano 1.100 d.C., essa capital tinha uma população estimada em 60.000 habitantes. Provavelmente foram fatores climáticos que levaram à derrocada dos mochicas e dos tiwanakotas. Saiba mais sobre a civilização Tiwanaku.

Os chimus

A última grande civilização antes dos incas foi a Chimú, que se desenvolveu de 1.300 a 1460 d.C. no litoral peruano ao norte de Lima, área anteriormente ocupada pelos mochicas. Os chimús, hábeis em ourivesaria, construíram, em adobe, a enorme cidade de Chan Chan. Derrotados pelos incas, acabaram integrados a seu império.

Inca, incas, inka… Os numerosos significados da palavra “inca”

A palavra inca (em quéchua, inka) possui diversos significados correlatos. Os incas foram uma tribo do vale de Cusco que, dominando povos vizinhos, constituiu um vasto e poderoso império. As tribos anexadas a esse império e seus integrantes também podem ser chamados de incas (assim como os povos dos territórios colonizados pelo Império Romano passaram a ser “romanos”). O substantivo inca, com a inicial minúscula, denomina ainda altos funcionários do império e membros da família real; com a inicial maiúscula, é o nome dado ao imperador. O adjetivo inca (ou incaico) designa tudo o que se refere aos incas: povo, império e civilização.

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O Peru antes dos incas • As origens dos incas •  A civilização inca
Os espanhóis chegam ao Peru • A lei e a moral inca  • Curiosidades sobre os Incas
A estrutura social incaica  • A expansão do Império • Huáscar e Atahualpa
A captura de Atahualpa pelos espanhóis • O fim do Império Inca
As consequência da conquista

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Incas, a expansão do império
Incas, a expansão do império

Incas, a expansão do império

Uma das chaves do sucesso do poder militar dos incas foi sua disciplina. Não se tratava de um bando desorganizado e sim de um exército “profissional” de guerreiros treinados e agrupados em corpos de acordo com suas habilidades.
Os métodos utilizados pelos incas na expansão do império, tiveram alguma semelhança com aqueles dos antigos romanos, como a ênfase em impor sua língua e cultura aos povos conquistados. Sempre que possível, obtinha-se a rendição negociada e pacífica. Inicialmente o imperador enviava falsos mercadores, que eram na verdade espiões, encarregados de avaliar a capacidade militar do inimigo. Depois chegavam os embaixadores, que propunham aos governantes locais que se submetessem. Só no caso de recusa a guerra era declarada.

A integração ao Império Inca dos povos dominados

Os povos que aceitavam a hegemonia inca eram poupados, integrados ao império e até se beneficiavam das técnicas de irrigação e agricultura dos incas e de sua eficiente administração. Arcavam, porém, com tributos, com a obrigação de participar da mita e da  e com a cessão de jovens para o serviço militar.
Muitas vezes o antigo rei ou chefe era mantido em seu posto como curaca, mas seus filhos eram enviados para Cusco onde, como reféns bem tratados, deviam aprender o quéchua e assimilar a cultura inca antes de voltar para casa.
Parte da população conquistada era transferida para áreas no centro do império, de modo que fosse aculturada e pudesse ser mais facilmente controlada, enquanto agricultores-guerreiros incas instalavam-se entre os povos dominados. Esses colonizadores, chamados mitamaes, ensinavam ao povo conquistado sua língua e suas técnicas de agricultura e construção, visando ao incremento da produção. Também “quechuizavam” a população local e, se algo não andasse bem, comunicavam a quem de direito: o Tucuy Ricoc.

Incas, a expansão do império: o idioma quéchua, fator de integração

Embora os povos conquistados conservassem suas línguas (havia várias centenas delas em todo o império), o principal elemento aglutinador era o idioma quéchua, considerado o mais elaborado e rico, de aprendizado obrigatório.
Normalmente, se os novos súditos pagassem seus impostos e trabalhassem, não eram molestados. Quem cometesse alguma falta ou fosse indolente era castigado realizando algo pior do que o trabalho forçado: o “trabalho inútil”. Ou seja, devia deslocar uma enorme pedra até um determinado lugar. Quando terminava a tarefa, mandavam que colocasse a tal pedra de volta no lugar onde estava anteriormente. (Os leitores que apreciam mitologia grega devem estar se lembrando do pobre Sísifo, condenado pelos deuses a castigo idêntico e perpétuo).

Os povos conquistados eram transformados em súditos do Império Inca

Os incas em geral não saqueavam as aldeias e cidades dos povos que se submetiam, nem escravizavam seus habitantes. O antigo reino tornava-se uma província do império; seu povo era transformado em “súdito” e enquadrado na lei inca. Os soberanos atuavam não somente junto ao seu povo, mas também com relação aos demais que iam dominando, como “déspotas esclarecidos”.

E os povos que não aceitassem a integração?

Porém, com os povos que não aceitavam a rendição, os incas eram vingativos e cruéis. A população era taxada por pesados impostos ou obrigada a migrações forçadas. Apesar de não destruir a cidade do povo vencido, o Inca nela ingressava em sua liteira, cujos carregadores pisavam sobre os guerreiros derrotados ali deitados. O rei vencido era exibido nu.
Nos casos de povos em que a resistência era particularmente feroz, os guerreiros eram escravizados e as mulheres, entregues aos soldados. Os chefes, por sua vez, eram mortos e tinham a pele do corpo todo arrancada, de modo que se pudesse enchê-la com palha e exibir o vencido, empalhado, no desfile triunfal…
Durante os combates, era costume que as tropas se apresentassem carregando suas múmias mais queridas. Esse era, portanto, o mais importante troféu de guerra e a suprema humilhação ao inimigo era queimar as múmias de seus ancestrais.

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INCA ESTRUTURA SOCIAL

Os ayllus: As famílias descendiam de um ancestral comum

O império, centralizador e autoritário, guerreiro mas, também, agrícola, tinha sua base administrativa em comunidades chamadas ayllus – instituição pré-incaica constituída por um grupo de famílias que se acreditavam descendentes de um ancestral comum.

Os ayllus: a organização hierárquica

Os ayllus das terras altas eram destinados a culturas como a da batata; no litoral, deviam produzir sal e pescado; nos vales, criavam lhamas, alpacas e vicunhas. Cada ayllu possuía seu curaca – chefe ou, grosso modo, um prefeito que cuidava de todos assuntos administrativos de sua comunidade, recolhia os impostos e prestava contas ao Tucuy Ricoc, representante do imperador. A fidelidade dos curacas ao império era total e alguns chegavam, nos anos onde a produção agrícola era abundante, a propor o aumento da carga de impostos de sua comunidade… O curaca que administrasse mal seu ayllu era destituído do cargo e passava a trabalhar como pastor. (Interessante pena para a improbidade administrativa!). Caso um rapaz do ayllu agisse errado, se tivesse menos de 26 anos, seus pais eram igualmente punidos e, muitas vezes, toda a comunidade também. Assim, todos tinham interesse em manter a ordem em seu ayllu.

A organização do trabalho

Os membros do ayllu executavam três tipos de trabalho: o ayni, eminentemente agrícola, destinado a satisfazer às necessidades primárias da comunidade; a minca, trabalho nas terras do Inca e do Sol, realizado anualmente como uma grande festividade; e a famosa mita, prestação de serviços pelos homens adultos para a construção de obras públicas. Os ayllus deviam também, cada um,  fornecer soldados ao império. Estes só podiam se casar após servir o exército até os 25 anos. Os mais aptos tornavam-se guerreiros; os demais, carregadores. Completado seu tempo no exército eram autorizados a voltar para sua pacaraina (a terra de nascimento, o ayllu).

Os ayllus: Comunidades autossuficientes

Naturalmente, uma sociedade agrícola baseada em comunidades mais ou menos autossuficientes como os ayllus não favorecia o desenvolvimento do comércio. Mesmo assim, havia mercados funcionando na base do escambo, a troca direta de mercadorias. Sabe-se também que caravanas de lhamas percorriam grandes distâncias, levando para Cusco produtos de ayllus de diferentes partes do império: frutas das terras baixas, sal, peixe seco e adubo do litoral etc.
Visando fortalecer os laços entre os membros do ayllu, duas ou três vezes por mês faziam-se refeições comunitárias, das quais todos participavam, com a presença do curaca.

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Valle del Colca, no Peru
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A estrutura social incaica

A sociedade incaica, embora expansionista e guerreira, baseava-se na terra. Organizada de modo complexo, era capaz de assegurar o básico para a sobrevivência de todos. A maior parte da população era camponesa. Obedecendo a um sistema chamado mita, as comunidades (ayllus) forneciam mão-de-obra e parte do resultado de seu trabalho para o Estado, que controlava a produção.
Havia ofícios especializados, como os de ourives, oleiro, sacerdote, médico etc. Não se sabe ao certo se os que se dedicavam a essas atividades executavam também tarefas agrícolas comuns.

Uma estrutura agrária “socialista”?

Todos tinham terras para cultivar, mas não podiam vendê-las ou arrendá-las; cabia a cada um cuidar da área que lhe fosse destinada. Aqueles que, tendo recebido terras, não se ocupassem delas de forma adequada eram punidos.
Embora toda a terra pertencesse ao Estado, é um engano considerar a sociedade incaica como “socialista”. Pelo contrário, havia uma rígida hierarquia de classes, bem como outras características de notáveis sociedades antigas: a espartana e a japonesa medieval, guerreiras e aristocráticas; a egípcia, cujos faraós eram filhos do sol; e a romana, cujo império aculturava e incorporava as províncias. A sociedade inca foi, contudo, um modelo único de organização social no qual o Estado interferia em tudo na vida do indivíduo: do trabalho ao casamento, da religião ao local de moradia.

O Inca, considerado filho do sol

O Inca, considerado filho do sol, que tinha poder de vida e de morte sobre seus súditos, era uma espécie de “pai de todos”, chefe supremo de um Estado administrado por uma aristocracia mantida rigorosamente “na linha” pelo imperador. Essa aristocracia era formada por sacerdotes e pela nobreza – altos funcionários e militares.
A nobreza dividia-se em nobres de sangue e de privilégio. Os nobres de sangue, aparentados do Inca, formavam a panaca real, cujos membros – os panacas – ocupavam os mais altos cargos públicos. (O poder era rodeado de panacas, como ainda ocorre em certas sociedades contemporâneas…).

A nobreza

Os nobres de privilégio, situados numa escala social abaixo dos primeiros, eram aqueles recompensados pelo Inca ou chefes de tribos submetidas. Nobres podiam ter várias mulheres, uma casa melhor, mais gado e terras, mas eram severamente punidos à menor falta, pois supunha-se que, na condição de membros da elite, deveriam dar o exemplo de uma conduta impecável. Seus filhos estudavam na Casa do Conhecimento (Yachayhuasi) e recebiam esmerada educação que abrangia conhecimentos de história do império, artes militares, religião, geografia, gramática, direito, esportes e moral. Os ensinamentos eram decorados em forma de versos repetidos seguidamente pelos meninos. Os jovens nobres se preparavam para, quando adultos, participar da administração. Eram criados para se tornar servidores fiéis do império: incutia-se neles, desde crianças, forte noção de honra pessoal e de responsabilidade pela posição ocupada.

Os amautas

Havia ainda uma casta de sábios particularmente respeitados, os amautas, que foram exterminados pelos espanhóis, fazendo com que preciosos conhecimentos se perdessem.
O clero, numeroso e hierarquizado, era chefiado pelo Sacerdote Supremo, parente próximo do imperador, eleito pelo alto clero e por representantes do Inca, dos amautas e do povo.
Na base da escala social estava o povão, constituído pelos hatun runa, cidadãos comuns, que podiam exercer mais de uma atividade – tecer, plantar – e acabavam sendo encaminhados para o ofício que desempenhavam melhor. Os hatun runa eram obrigatoriamente monogâmicos e não recebiam educação formal. Já que estavam destinados ao trabalho braçal, não precisavam de muita sabedoria… Aprendiam ofícios com os pais ou com a comunidade, trabalhando a terra, iniciando-se em práticas guerreiras etc. As meninas aprendiam a tecer, a cozinhar e a executar outras tarefas consideradas femininas.

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 IMPERADORINCADUPLA

O Imperador-Sol

A pompa da corte incaica

Em comparação com a pompa que cercava o Inca, o rei-sol francês Luís XIV, mesmo com todo seu “L´État, c’est moi”, “Après moi, le déluge” etc., não passou de um aprendiz. O Filho do Sol nunca punha duas vezes a mesma roupa. As finas vestimentas confeccionadas especialmente para ele eram queimadas após o uso. Comia e bebia em pratos de cerâmica, que também eram destruídos após cada refeição. Nas grandes ocasiões, fazia uso de pratos e copos de ouro maciço. No gigantesco palácio em Cusco e em outros lugares onde havia residências secundárias, cerca de 8.000 pessoas dedicadas ao serviço do Inca observavam um rígido e detalhado protocolo.

A relação com os súditos

Nas audiências, o imperador permanecia sentado sobre um banco, em posição mais elevada que seus súditos. Ele não olhava nem se dirigia a ninguém. Só quando castigava ou premiava um súdito é que se dignava a olhar ou dirigir sua palavra para ele. Duas servas atentas ficavam o tempo todo ao lado do Inca. Dentre outras funções, elas deviam engolir qualquer fio de cabelo perdido pelo soberano, para evitar que fosse utilizado em feitiçarias! O imperador só saia à rua acompanhado por uma comitiva e em uma liteira transportada por quatro índios, chamados de “os pés do Inca”. Eram tão especializados em suas funções que a liteira não sofria o menor sacolejo…

A visita às províncias

Quando o Inca viajava pelas províncias, abrir a cortina da liteira, permitindo que o povo o visse, indicava que estava satisfeito com a população local. Se não estivesse contente, deixava a cortina fechada, para manifestar seu menosprezo. Diversamente dos Luíses da França, o Inca não era soberano pela vontade divina: ele era a própria divindade. Para gerar herdeiros da mais pura linhagem solar, ele devia se casar preferencialmente com uma irmã; na impossibilidade, casava-se com uma meia-irmã, sua consanguínea paterna, ou com a parente mais próxima do lado paterno.

Coya, esposa-irmã do imperador

Chamada de Coya, essa esposa “oficial” do Inca (uma dentre várias outras esposas secundárias e concubinas) representava a Lua, divindade feminina. O Inca escolhia seu sucessor, que não era obrigatoriamente seu filho mais velho, mas aquele considerado mais apto a governar e a comandar o exército. Alguns Incas nomearam seus filhos corregentes do império, fazendo com que se familiarizassem com as responsabilidades da função que mais tarde deveriam exercer.

A mumificação do corpo do imperador

Quando morria, o imperador era mumificado e colocado sentado em seu banquinho (como faziam para que não tombasse é uma boa questão…). Ali recebia as últimas homenagens, como se ainda estivesse vivo. Depois das cerimônias, sua múmia era instalada num lugar de honra no palácio e a rotina prosseguia no ritmo de sempre. As esposas, concubinas, filhos e demais parentes do Inca morto formavam sua panaca, que passava a ser chefiada por um parente escolhido pelo Inca em vida. A panaca herdava os bens do Inca e constituía, para sempre, parte da nobreza.

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Civilização incaica13

A civilização incaica, uma sociedade muito bem organizada

Diferente dos índios brasileiros, que estavam em plena Idade da Pedra quando os europeus chegaram, os incas possuíam uma sociedade altamente organizada e hierarquizada, de base agrícola. Em muitos aspectos, como a pavimentação das ruas e o abastecimento de água, suas cidades eram mais desenvolvidas do que as então existentes no Velho Mundo.

O domínio de técnicas avançadas de construção

Os incas dominavam elaboradas técnicas de construção com imensos blocos de pedra, cortados com precisão e unidos sem uso de cimento. Isso lhes permitiu erguer templos, fortalezas e palácios que poderiam estar íntegros até hoje, caso suas pedras não tivessem sido aproveitadas pelos espanhóis para outras construções. Estradas, de piso de pedra em sua grande parte, uniam os principais pontos do império. Essas trilhas que, dado o relevo da região andina, atravessavam montanhas e vales, eram percorridas a pé.

Mapa do Peru

A ausência de animais de tração

O boi, o cavalo, o burro e outros animais que pudessem ser usados para transporte ou tração não existiam nas Américas. As lhamas eram usadas pelos incas apenas para transportar volumes leves, como ocorre até hoje. Garcilaso de la Vega relata que não era possível forçá-las a carregar muito peso: quando sobrecarregados, esses temperamentais animais se deitavam e recusavam-se a levantar enquanto não lhe tirassem das costas o excesso. Se instigadas a levantar, além de não obedecerem, cuspiam sobre o importuno, expelindo, quando muito irritadas, parte do conteúdo do estômago. Em outras palavras, vomitavam… (Isso sim é desobediência civil!).

Os incas não conheciam a roda, mas possuíam técnicas agrícolas sofisticadas

Os incas não conheciam a roda – ou, pelo menos, não a utilizavam. Ante a inexistência de animais de tração e o relevo acidentado, talvez a roda de fato não ajudasse. De toda forma, essa circunstância torna ainda mais admiráveis os gigantescos complexos arquitetônicos no topo de montanhas, como Machu Picchu.
O cultivo de milho, feijão, amendoim e batata nas encostas de montanhas, em terraços sustentados por muros de arrimo de pedra e irrigados por aquedutos e canais, surpreendeu os europeus. A insuperável eficiência dessa técnica faz com que seja usada até hoje. As terras eram fertilizadas com diferentes tipos de adubos produzidos por aves marinhas, dos quais o mais precioso era o guano trazido de ilhas do litoral. Sua importância era tamanha para a economia que quem matasse uma dessas aves era condenado à morte.

Vídeo sobre o Império Inca

A base da alimentação inca

Sua alimentação se baseava em produtos agrícolas, como cereais, leguminosas, ervas, tubérculos, frutas e nozes. Domesticaram a lhama e o porquinho-da-Índia, utilizados como alimento, e consumiam peixes, bem como, no litoral, mariscos.
O calendário incaico possuía doze meses. A cada mês, deviam ser realizadas determinadas atividades, compatíveis com as estações do ano, que começava no solstício de verão, em dezembro.

Hábeis artesãos

Os incas eram hábeis artesãos, capazes de esculpir em madeira, pedra e outros materiais, além de dominarem a fabricação de cerâmicas, muitas delas decoradas com cenas de guerra, caçadas e cerimônias ou moldadas na forma de animais ou seres humanos.
Não conheciam o ferro, mas trabalhavam outros metais, como o cobre, a prata e o ouro – o que foi sua perdição.

Ouro e prata

O ouro e a prata só serviam para fazer objetos de adorno pessoal, religiosos ou utilizados para ornamentar palácios do Inca e da nobreza. Não tinham nenhum valor como moeda de troca. Garcilaso de la Vega menciona a existência de um jardim no palácio do Inca, decorado com animais e plantas, entre elas o milho, feitos de ouro e prata. O trabalho desses metais era feito no “tempo livre”: uma atividade considerada supérflua. O mesmo autor diz que, vendo que os espanhóis se apoderavam de objetos sagrados de ouro e prata que haviam sido oferecidos ao Inca e às divindades, os incas passaram a escondê-los. Gigantescos tesouros, nunca descobertos pelos espanhóis, teriam sido encerrados em cavernas nas montanhas ou enterrados sob pedras.

Além das elaboradas atividades artesanais e arquitetônicas, as manifestações artísticas dos incas compreendiam a pintura, o teatro, a dança, a música e a poesia.

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Os espanhóis chegam ao Peru • A lei e a moral inca  • Curiosidades sobre os Incas
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A captura de Atahualpa pelos espanhóis • O fim do Império Inca
As consequência da conquista

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O fim do Império Inca
O fim do Império Inca

O fim do Império Inca após a captura de Atahualpa

Se Atahualpa soubesse que os espanhóis eram muito mais perigosos que seu irmão… Se soubesse que, para detê-los, bastariam algumas centenas de arqueiros… Se soubesse que estava enfiando a cabeça na jaula do leão ao aceitar encontrar-se com Pizarro… Se seus súditos não tivessem tanto medo dos cavalos… Se o império não estivesse em guerra civil quando Pizarro desembarcou… Se algo tivesse saído errado no coup de main de Pizarro… Se Atahualpa tivesse escapado do cativeiro… Talvez a história dos últimos 500 anos tivesse sido muito diferente. Mas seriam “se” demais.

Mapa do Peru

Os anaconas

Os espanhóis tinham recrutado diversos anaconas, tribo que odiava os incas, que os dominavam. Entre eles havia um tipo denominado Felipillo, que logo aprendeu a língua dos estrangeiros. Inimigo dos incas, e de olho em uma das mulheres de Atahualpa, Felipillo criou uma intriga, dizendo que o imperador estava reunindo uma enorme quantidade de guerreiros para atacar a cidade. Logrou convencer Pizarro de que a morte do Inca acabaria com qualquer veleidade de resistência de seu povo. Depois de muita discussão entre os espanhóis e de um simulacro de julgamento em que foi acusado de ter matado seu irmão, de ser casado com uma irmã e de não aceitar a fé cristã, Atahualpa foi condenado à morte e executado.

Documentário sobre o fim do Império Inca

A tomada de Cusco em novembro de 1533

Os espanhóis, apoiados por povos que tinham sido submetidos pelo império incaico – entre eles os chimús, tradicionais rivais dos incas – entraram em Cusco em novembro de 1533. O que se seguiu foi uma pilhagem sem precedentes na História. Milhares de estatuetas de ouro, representando divindades, foram saqueadas, tendo-se como desculpa o fato de serem pagãs…
Hábil, Pizarro aproximou-se da nobreza inca e nomeou imperador Manco Cápac, irmão de Huáscar. Embora durante algum tempo tenha existido certa resistência ao invasor, comandada inicialmente pelo próprio Manco Cápac, que se voltara contra os espanhóis, o império acabara. Mesmo os anaconas, livres dos incas, dedicaram-se a saques.

A falta de habilidade dos incas em enfrentar os espanhóis

Os incas chegaram a tentar, com sucesso relativo, cavar armadilhas para os cavalos e rolar, do alto de elevações nos desfiladeiros, pedras sobre os espanhóis, mas raramente souberam enfrentá-los de forma organizada. Aliás, quando o fizeram, já era tarde demais, pois os brancos já tinham se tornado muito mais numerosos e bem armados, e haviam recrutado muitos nativos para sua causa. Pizarro foi para os incas o que Átila foi para os romanos: “o flagelo de Deus”.

As rivalidades entre os espanhóis

Com aquele ouro todo rolando solto, começaram as intrigas. Amigos de Almagro advertiam-no a tomar cuidado com Pizarro, enquanto este era aconselhado por seus irmão a livrar-se de seu sócio. A bem da verdade, Pizarro chegou a repreender seus irmãos por tratar mal a Almagro, obrigando-os a se desculparem. Mas a divisão entre os espanhóis acabou por se tornar inevitável, terminando em guerra civil. Almagro, derrotado, foi enforcado, sob a acusação de traição, em julho de 1538. Três anos depois, o próprio Pizzaro morreria assassinado pelo filho de Almagro e seus seguidores. O conquistador encontrara seu fim, mas o poder colonial já havia conquistado mais um enorme pedaço do Novo Mundo.

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CAPTURA DE ATAHUALPA DUPLA

A captura de Atahualpa, um plano bem sucedido

Trecho do romance histórico: ” O Ouro Maldito dos Incas”

Atahualpa chega a Cajamarca

Pouco antes do anoitecer, Atahualpa chegou à praça de Cajamarca com uma grande comitiva. Tinha atrás de si um enorme exército, mas não havia espaço na praça para tanta gente e só um número limitado de guerreiros pode acompanhá-lo – um dos erros do Inca. Em um primeiro momento lhe teria sido proposto, por meio de um intérprete de duvidosa competência (que, segundo alguns, não falava nem quéchua nem espanhol!) que se convertesse ao cristianismo e aceitasse a autoridade de Carlos V, rei da Espanha. O mais provável é que Atahualpa simplesmente não tenha entendido nada do que lhe foi dito ou não conseguisse acreditar que aquela meia dúzia de gatos pingados tivessem a ousadia de lhe propor tal coisa.

Uma jogada de alto risco

Foi assim que, relatam alguns historiadores, teria atirado ao chão a Bíblia que lhe fora oferecida, provocando a ira dos espanhóis, que atacaram sua guarda pessoal. Independente de o episódio da Bíblia ser ou não verdadeiro, o ataque já era previsto. Os espanhóis, ao atacar de surpresa a comitiva inca, conseguiram, numa jogada de alto risco, aprisionar Atahualpa. Assustados com aquela arma que matava à distância com um estampido semelhante ao do trovão; com o cavalo, um animal desconhecido; e com seu imperador nas mãos dos espanhóis, os soldados do poderoso exército inca entraram em pânico. Aterrorizados, tentaram sair todos ao mesmo tempo da praça, pisoteando-se, num episódio que causou um enorme número de mortes; os que ficaram foram massacrados. Os cronistas falam em 20 mil mortos, quantia talvez exagerada. Os espanhóis não perderam um só homem. Vencedores, pilharam a cidade, recolhendo ouro e prata e capturando “muchas señoras de liñage real y de caciques del reino, algumas muy hermosas y vistosas”.

A cilada

A prisão de Atahualpa foi uma decorrência de sua excessiva autoconfiança. Ele teria chegado a acreditar, com o retorno de Pizarro pelo mar, que o próprio deus-criador Viracocha viera saudá-lo como o novo Inca. Mesmo sabendo por espiões quem de fato eram os invasores, ao invés de organizar a resistência e preparar seu exército para enfrentá-lo, ainda seguro de si por estar acompanhado por milhares de guerreiros face aos espanhóis tão pouco numerosos, resolveu recebê-los em Cajamarca.
Sabe-se pelos relatos de Cieza de León que Pizarro enviou Soto como embaixador, pedindo um encontro. Soto dirigiu-se amavelmente a Atahualpa, mas fez propositalmente seu cavalo empinar. O bicho relinchou quase na cara do Inca, que estava num palanque e se manteve impassível. Mas a demonstração de força teve impacto na população: muitos súditos do Inca, apavorados, deram no pé.

O medo que os incas tinham dos cavalos

Quando Soto se foi, Atahualpa, furioso, disse que o cavalo era apenas um animal que, ao que constava, não comia carne; era como uma lhama, só que maior e menos dócil. Acrescentou que aqueles que fugiram eram covardes que o tinham envergonhado na frente do embaixador dos viracochas (como denominavam os espanhóis). Como castigo, mandou matá-los.
O episódio teve consequências. Atahualpa, que pretendia atrair os espanhóis para uma cilada, mandou um mensageiro avisar que compareceria ao encontro, mas que seus índios tinham medo dos cachorros e cavalos; queria, portanto, que os animais estivessem presos. Sua intenção era, neutralizando o poder atemorizante dos animais, mandar seus guerreiros atacar os brancos, dominando-os.
O tiro saiu pela culatra; era tudo o que os espanhóis precisavam, porque puderam enfiar os cavalos dentro das casas em volta da praça, aparentemente atendendo ao pedido de Atahualpa quando, na verdade, armavam uma cilada. A uma ordem de Pizarro, sairiam das casas montados sobre os animais e lançariam-se, de surpresa, sobre Atahualpa e seus homens.
O mais curioso é que Atahualpa sabia onde estavam os espanhóis, pois havia enviado um espião que voltou com a notícia (parcialmente equivocada) de que os viracochas, apavorados, tinham se escondido nas casas e que só Pizarro e poucos outros esperavam na praça pelo Inca.

A captura de Atahualpa selou o fim do Império Inca

Nessa escaramuça, que demorou menos de uma hora, foi decidido o destino do império. Foi um tudo ou nada que deu certo: estava aberto caminho para o saque de tamanha quantidade de riquezas e o domínio de um território tão vasto, que o rumo da História da América e da Europa restaria vinculado, por séculos, a essa conquista.

O resgate

Feito prisioneiro, Atahualpa não foi maltratado, mas mantido em Cajamarca com certas regalias. Podia receber visitas, embora fosse estritamente vigiado. Em troca, Pizarro exigiu que ordenasse a seu povo que não hostilizasse os estrangeiros. Temendo um acordo de Pizarro com seu irmão preso em Cusco, Atahualpa conseguiu mandar mensageiros ordenando que matassem Huáscar. Este foi afogado num rio onde seu corpo foi abandonado. (Pena severa segundo a crença índia; afogados e queimados perdiam suas almas).

Isso feito, Atahualpa negociou com os espanhóis a sua libertação: um quarto cheio de ouro e prata. Pizarro mandou a Cusco três soldados, jovens que Cieza de León afirmou serem de “poco saber”, ou seja, uns ignorantes embrutecidos, acompanhados de índios, que deveriam buscar o resgate. Esses foram os primeiros brancos a entrar na capital inca. Aprontaram o diabo… Os incas, respeitosos, alojaram-nos com todo conforto e colocaram Virgens do Sol para servi-los, mas eles “las corrompieran sin ninguna verguenza ni temor de Dios”, desrespeitaram os templos e roubaram tudo quanto era ouro que viram pela frente. (Essa prática tornou-se, pouco depois, generalizada. Almagro chegou autorizar que cada espanhol tomasse para si o ouro que encontrasse.).

Estupefatos, os habitantes de Cusco se entreolharam: eram esses os tais “deuses”? Trataram de lhes dar todo o ouro prometido e mandá-los de volta a Pizarro bem depressa. No caminho, os três espanhóizinhos ainda roubaram algumas peças que integravam o resgate…

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Machu Picchu
Os cronistas da conquista do Peru

Os cronistas da conquista do Peru

 Garcilaso de la Vega: “o Inca”

Garcilaso de la Vega merece um destaque especial entre os cronistas da conquista do Peru. Autor de alguns dos mais importantes relatos sobre a civilização incaica, Garcilaso nasceu em Cusco em abril de 1539. Seu pai foi o capitão espanhol Sebastiãn Garcilaso de la Vega y Vargas e sua mãe, a princesa inca Chimpu Ocllo, sobrinha de Huayna Cápac. Nomeado corregedor de justiça de Cusco em 1554, Sebastián abandonou sua concubina inca e casou-se com uma espanhola. O menino, nascido da união de dois povos, foi batizado com o nome de Gómez Suarez de Figueroa, mas assumiu posteriormente o sobrenome de seu pai, um parente do renomado poeta espanhol.

A alcunha “O Inca”

Ele é conhecido até hoje pela alcunha de “O Inca”, o que, ironicamente, não corresponde à realidade: a nobreza de sangue inca transmitia-se apenas pela linha paterna. Sua infância foi passada, na maior parte, em companhia de sua mãe e de parentes maternos com quem Garcilaso, educado em língua quéchua, teria aprendido os costumes, história e tradições do povo inca. Dividido entre duas civilizações, ele conviveu também com a cultura ibérica, já que seu pai recebia cortesães espanhóis em seu palacete em Cusco.

Garcilaso, o primeiro escritor mestiço peruano

Primeiro escritor mestiço peruano, Garcilaso foi testemunha privilegiada do início da colonização espanhola e perpetuou no papel tradições orais sobre a história e os costumes do povo de sua mãe. Porém, aos vinte anos, depois de ter perdido o pai, mudou-se para a Espanha, onde estudou e frequentou a corte, tornando-se um intelectual respeitado. Mais velho, dedicou-se a escrever. Nunca mais regressou à terra natal, o que, segundo alguns, limitaria a confiabilidade de seus relatos. Sabe-se porém que Garcilaso se manteve em contato com pessoas que permaneceram em Cusco, cujas informações teriam sido utilizadas em seus livros La Florida del Inca (1605), Comentarios Reales de los Incas (1609) e Historia General del Peru (edição póstuma, 1617).

Um admirador da civilização inca

Apesar de ser cuidadoso, referindo-se constantemente em seus escritos à “Santa Igreja de Roma” (o que era prudente em tempos de Inquisição…), Garcilaso não esconde sua admiração pela civilização incaica, cujas qualidades enaltece expressamente; sugere correlações entre divindades incaicas e a trindade católica; e, ainda por cima, lamenta o drama que foi, para os incas, a conquista espanhola. Por tudo isso, seus livros foram proibidos em 1782, quando, com o despertar do sentimento nativista no Peru colonial, passaram a servir de inspiração aos rebeldes. Ainda hoje Garcilaso é motivo de orgulho para os peruanos. É praticamente impossível saber quão precisos são seus relatos, mas suas obras, de leitura interessantíssima, são referências obrigatórias de historiadores da fase que antecedeu a conquista espanhola.

Pedro de Cieza de León, o “Príncipe dos cronistas das Índias”

Pedro de Cieza de León, um dos raros cronistas que escreveram sobre o período da conquista do Peru, nasceu em Ljerena, na província espanhola de Badajoz, por volta de 1518.
O diferencial de suas narrativas é que ele participou dos acontecimentos, por ter permanecido na América (na época, las Indias) de 1535 a 1550. Foi ainda muito jovem para Santo Domingo, no Caribe, e depois para o Panamá. Pouco depois, engajou-se na primeira expedição que percorreu os Andes, voltando de barco para o Panamá. É possível que Cieza de León tenha entrado no Peru com a expedição de Pedro Alvarado, logo após a ocupação de Cusco por Pizarro, quando a conquista ainda estava acontecendo. Mais tarde, no Panamá, encontrou-se com espanhóis que tinham acompanhado Pizarro em suas primeiras e mal-sucedidas expedições.

O estilo “jornalístico” de Pedro Cieza de León

Por meio deles, conheceu os pormenores dessas aventuras: os maus bocados enfrentados pelos soldados, seu sofrimento com a fome e as doenças, os contatos iniciais com os índios, a cobiça despertada pelo ouro… Apesar do estilo “jornalístico”, os livros de Cieza de León são quase romances de ação e aventura. Ele conta o que viu e ouviu de testemunhas, demonstrando preocupação com a veracidade dos fatos. Mesmo sendo um “pizarrista”, mantém-se quase neutro: não acusa Almagro e não poupa críticas aos irmãos de Pizarro.

Um crítico das barbaridades praticas pelos espanhóis no Peru

Católico e fatalista, menciona com frequência a justiça divina, insinuando que os fins trágicos de Almagro e de Pizarro decorreram de seus desvios morais. Ao mesmo tempo em que viu a introdução do cristianismo entre os nativos como uma benção, Cieza de León reconheceu que os valores cristãos dos espanhóis que desembarcaram no Peru não eram aplicados na prática e narrou as barbaridades cometidas durante a conquista.

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Cusco, no Altiplano, Peru
http://A conquista espanhola no Peru

A conquista espanhola no Peru

A desorganização da produção trouxe a miséria. Povos que nunca haviam conhecido a fome passaram a conviver com ela. A sífilis exterminou parte da população. Um enorme número de índios foi escravizado e pereceu em minas onde as condições de trabalho eram brutais.

Primeiro a cruz, depois a espada

A religião incaica foi considerada herética pela Igreja e os nativos tiveram que adotar o catolicismo, querendo ou não. A cristianização foi tarefa dos jesuítas, que chegaram ao Peru em 1568. (Deve ter sido difícil para os primeiros missionários explicar aos índios a fé cristã: os “cristãos” de Pizarro não respeitavam sequer os Dez Mandamentos!). Desentendimentos com a coroa espanhola fizeram com que os jesuítas fossem expulsos da colônia em 1767, só vindo a retornar no final do século XIX.

Os reflexos da conquista na Europa

Na Europa, as montanhas de ouro e prata extraídos dos países andinos pagaram exércitos, fortaleceram a Espanha, afetando a relação de forças, promoveram alianças estratégicas e provocaram guerras. Também causaram o aprimoramento da navegação e impulsionaram uma revolução comercial que transformaria a Europa, recém-saída da Idade Média. A conquista espanhola no Peru daria aos europeus, além do feijão, do milho, do tomate e do amendoim, um alimento que viria a salvar incontáveis vidas numa época de fome endêmica: a batata.

Os peruleros

Por outro lado, a febre do ouro despovoou a Espanha, pois cada vez mais homens vendiam tudo o que tinham para tentar a sorte no Peru. Chamados de peruleros, eram sobretudo moços que não pensavam em outra coisa senão no ouro que lhes possibilitaria voltar ricos à Espanha. Muitos partiam e deixavam suas esposas jovens e bonitas à solta, a ponto de Cieza de León contar que ouviu em Córdoba o seguinte dito popular: “Los que fuéredes al Peru, guardaos del cucurucú”… (Isso foi há muito tempo, mas por via das dúvidas pode ser melhor levar sua namorada com você na viagem.).

A decadência espanhola pós-conquista

A corrida para o Peru provocou a decadência da agricultura e da manufatura espanholas, tornando o país dependente de outras nações europeias para se aprovisionar. A abundância de ouro e de prata provocou também uma inflação sem precedentes na Espanha: os metais preciosos valiam muito por serem raros mas, com o aumento da oferta, desvalorizaram-se. Eram necessárias quantidades cada vez maiores de moedas de ouro ou prata para comprar qualquer coisa, de alimentos a ferramentas, de terras a cavalos.

Dica de leitura

Saiba mais sobre o romance histórico “O Ouro Maldito dos Incas”, onde um soldado de Pizarro relata como 187  espanhóis famintos e mal-armados conseguiram conquistar um império com 12 milhões de pessoas

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