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Maio 1968
Manifestação estudantil em maio de 1968, em Paris

De maio de 1968 à Paris de hoje

A rebelião estudantil

A rebelião estudantil de maio de 1968 transferiu os antagonismos políticos para as ruas, radicalizando a queda de braço. Seus slogans tornaram-se símbolos dos valores da juventude nos anos 70: “Il est interdit d’interdire” (É proibido proibir), “L’imagination au pouvoir” (“A imaginação no poder”), “Aimez-vous les uns sur les autres” (“Amai-vos uns sobre os outros”) e coisas parecidas. Qual foi a causa do movimento? Quem ou o que os teria influenciado? Marcuse? Bakunin? Os Beatles? A Guerra do Vietnã? Não importa. Era mais uma questão de liberdade de expressão do que qualquer outra coisa. O líder dos estudantes, Daniel Cohn-Bendit, traduziu bem o que estava acontecendo em 10 de maio de 1968, o dia mais agitado daquela conturbada primavera: “Ce qui se passe ce soir dans la rue est que toute une jeunesse s’exprime contre une certaine société” (“O que está acontecendo esta noite na rua é que toda uma juventude está se manifestando contra uma determinada sociedade”).

Barricadas e coquetéis molotov

De paralelepípedos a coquetéis molotov, valeu tudo. Foram feitas quase 60 barricadas por todo o Quartier Latin, principalmente perto da Sorbonne, pelos alunos que queriam impedir que a universidade fosse tomada pela polícia.
No início, o movimento ganhou a simpatia de boa parte da população. Os moradores do bairro davam comida para os estudantes entrincheirados e jogavam água pela janela, para protegê-los, quando a polícia lançava gás lacrimogêneo. O movimento de maio de 68 abalou a França e paralisou sua capital, com reflexos em muitos cantos do mundo. Mas, apesar da simpatia inicial, o parisiense foi se cansando daquela revolta interminável, que não resultava em mudanças concretas. Os próprios operários, que conseguiram obter um polpudo aumento de salário, foram voltando ao trabalho.

Uma aventura que custou caro

A aventura acabaria custando caro. Nas eleições seguintes, a esquerda, em particular o PCF, sofreu uma das piores derrotas eleitorais de sua história. Uma coalizão liderada pelo partido socialista só alcançou o poder em 1981, aplicando uma política bem moderada. Depois disso, socialistas e conservadores têm se alternado no governo.
Com a queda do muro de Berlim, enquanto o partido socialista se fortaleceu, o comunista perdeu muito terreno e hoje tem votação equivalente à da extrema direita francesa, comandada por Le Pen, forte no sul do país. De qualquer forma, o Estado de Direito e a democracia são a opção política da esmagadora maioria da população.

As últimas décadas

Nas últimas décadas Paris se modernizou rapidamente sem perder seu charme. Bairros decadentes foram recuperados, como é o caso do Marais, cheio de construções históricas, hoje repleto de butiques, restaurantes e bares. Em Les Halles, o antigo mercado deu lugar a um shopping center e foi criado o moderníssimo Centre Georges Pompidou. Na Bastille, construiu-se a nova Opéra; na Rive Gauche, a antiga estação ferroviária de Orsay foi transformada em museu; em La Villette, na região noroeste da cidade, foram erguidas a Cité des Sciences e a Cité de la Musique. A oeste, já fora dos limites de Paris, surgiu La Défense, um bairro quase futurista. Grande parte das obras recentes da capital são parte dos Grands Travaux (grandes obras) planejados pelo presidente François Mitterrand, que dá nome à imensa e moderníssima biblioteca no bairro de Bercy.

A Paris de hoje

Depois de oscilar durante anos entre a esquerda e a direita, os parisienses entraram no século XXI inovando ao eleger Bertrand Delanoë, um prefeito “verde”, ou seja, particularmente preocupado com o meio ambiente, e assumidamente homossexual. Em 2014, os parisienses elegeram pela primeira vez uma mulher como Prefeita: a socialista Anne Hidalgo.
No plano internacional, a França tem apostado suas fichas na integração europeia e adotou, como a maioria dos países da Europa, a moeda única: o euro. Sucederam-se no governo francês Nicolas Sarkozy e François Hollande. No governo deste último, em 2015, Paris foi vítima de dois atentados cometidos pelo Estado Islâmico.

Dica: O livro Histoire et Dictionnaire de Paris, de Alfred Fierro, é um extraordinário e detalhado estudo sobre Paris, da Pré-História ao final do século XX.

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O

O pós-guerra e a Guerra Fria

A esquerda e os gaulistas

Durante o pós-guerra e a Guerra Fria o poder político na França do pós-guerra permaneceu dividido entre a esquerda, os gaulistas e outros grupos de tendência conservadora. As diferenças ideológicas foram aguçadas pela Guerra Fria e pelos conflitos na Indochina e na Argélia, colônias francesas. De Gaulle, que se afastara do poder, reassumiu o governo em 1958. Realista, acabou por aceitar a independência da Argélia, mas teve de enfrentar os setores ultranacionalistas do exército que, agrupados na sede da Organisation de l’Armée Secrète (Organização do Exército Secreto), partiram para o terrorismo. Atentados a bomba abalaram Paris.
Quando aconteceu a invasão da Hungria pelas tropas soviéticas, em 1956, a sede do Partido Comunista Francês (PCF), que apoiara a invasão, foi atacada. Muito pior para o PCF foi a sutileza da Prefeitura de Paris, que deu um novo nome à praça onde ficava a sede do partido: Place Kossuth. Esse era o nome de um patriota húngaro que lutara contra os russos em 1848… O partido foi obrigado a se transferir para outro endereço, na Place Colonel Fabien, um nome que ninguém se atreveria a mudar, uma vez que Fabien era considerado um herói da Resistência. (Quem leu Giovanni Guareschi? Não parece cena de Dom Camilo e seu pequeno mundo?)

O existencialismo

Esse período foi marcado pelo existencialismo de Jean-Paul Sartre, doutrina ateia e influenciada pela psicanálise, que não se limitava à filosofia pura, mas buscava alternativas de ação em meio à liberdade à qual o homem está “condenado”. O posicionamento político de Sartre não era claro, apesar de suas ligações com o PCF, do qual acabou posteriormente se afastando. Boa parte do sucesso do existencialismo veio de seu “marketing” involuntário, que incluía o delicioso cenário dos cafés de St-Germain-des-Prés, belas musas e um sabor de novidade e rebeldia para a juventude do pós-guerra — mesmo que pouca gente entendesse o que Sartre estava querendo dizer. A Nouvelle Vague no cinema e as canções políticas de Boris Vian, algumas das quais foram censuradas, também faziam parte do cenário cultural.

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Paris Primeira GuerraDa Primeira Guerra aos Anos 1930

Taxistas levam soldados para o front

Declarada a guerra, os alemães conseguiram chegar a poucos quilômetros de Paris e a cidade passou a ser bombardeada. No primeiro ataque por zepelins, em 1916, morreram 26 pessoas. Paris sofreu também ataques por aviões e pela artilharia de grande alcance. O potente canhão apelidado La Grosse Bertha provocou várias mortes. A capital francesa foi salva por pouco de ser invadida, graças em parte aos taxistas, compelidos a transportar às pressas os soldados para o front. Essa foi a única vez em que soldados tomaram táxis para ir à guerra!

Mulheres nas fábricas

Com muitos trabalhadores convocados para a frente de batalha, começou a faltar mão-de-obra e as mulheres foram chamadas para substituí-los nas fábricas e até para guiar bondes. Importou-se também mão-de-obra estrangeira. Você vai notar que existem em Paris vários restaurantes chineses: eles foram fundados pelos descendentes dos 1700 chineses levados para trabalhar numa fábrica de blindados da Renault em 1916.

Os benefícios da paz

Com a paz na Europa, já a partir de 1919 começaram a funcionar as primeiras linhas aéreas comerciais do mundo, ligando Paris a Londres e a Bruxelas.
A Cidade-Luz tornou-se um pólo de atração para artistas, cineastas, pintores e escritores do mundo inteiro: Dos Passos, Hemingway, Henry Miller, Anaïs Nin, Gertrude Stein, Max Jacob, Guillaume Apollinaire, Blaise Cendrars… Todo mundo se encontrou em Paris! Nos anos 20, e principalmente nos 30, os lugares preferidos por artistas, escritores e boêmios foram Montmartre, Montparnasse e St-Germain-des-Prés.

O antagonismo político

Nos anos 30, o mundo começava a se dividir entre duas forças antagônicas — o comunismo e o fascismo — e a conviver com a crescente ameaça de guerra. Em 1937, enquanto Paris ainda vivia um momento de grande criatividade artística e cultural, em Munique era organizada uma exposição do que Hitler considerava “arte degenerada” e Goebbels mandava queimar em praça pública as telas de Chagall. Isso fez com que diversos artistas, principalmente judeus e eslavos, deixassem seus países, buscando na França mais liberdade de expressão artística e segurança. Chagall, Modigliani, Sonia Delaunay e Foujita, entre outros frequentadores de Montparnasse, iriam constituir a Escola de Paris, formada por aqueles que não se consideravam exatamente cubistas, expressionistas ou outros “istas”.

Paris: a festa dos artistas

Para muitos artistas, Paris havia se tornado um porto seguro; para outros, era simplesmente uma festa. Para Pablo Picasso — um dos maiores artistas do século XX — era as duas coisas. É notório o fato de que ele morava em Paris (no nº 7 da rue des Grands Augustins) quando pintou Guernica, em 1937, mas pouca gente sabe que Picasso já havia instalado seu ateliê na capital francesa desde 1904. Picasso criou uma profusão de obras em território parisiense. Durante sua longa estada em Paris, conviveu com outros grandes artistas, alguns dos quais influenciou, e esteve presente no nascedouro do cubismo, do fauvismo e do surrealismo.
Às vésperas da Segunda Guerra, os parisienses pareciam mais uma vez levar suas vidas normalmente. Em junho de 1940, sua dolce vita foi interrompida e a cidade foi ocupada pelo exército de Hitler.

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Opera Garnier, Paris
A Terceira República. Opera Garnier, Paris

A Terceira República

Aos poucos, a capital parcialmente destruída foi sendo recuperada e a vida começou a voltar mais uma vez ao seu ritmo normal. A expansão e a urbanização de novos bairros foram retomadas e a cidade ganhou novos e belos edifícios, como a Opéra, inaugurada em 1875. Apesar das perdas na Comuna, o movimento popular foi se reorganizando e em 1876 ocorreu o primeiro congresso operário em Paris. Indubitavelmente, a Comuna de Paris acirrou as contradições de classe e, mas a longo prazo, impulsionou o movimento operário.

Inovações na vida urbana

O final do século XIX e o começo do século XX trouxeram inovações que iriam revolucionar a vida urbana e resultariam em melhorias nas condições de vida dos parisienses. A palavra “moderno” adquirira uma aura de magia e charme. Os parisienses entraram na década de 1880 deslumbrados com a eletricidade; os grandes bulevares começaram a ser iluminados e apareceram os primeiros bondes elétricos.

Paris inventa a lata de lixo

Paris também se tornara bem mais limpa, graças à obrigatoriedade do uso da lata de lixo, imposição do prefeito, Eugène Poubelle. (Seus descendentes não devem gostar disso, mas hoje “lata de lixo” em francês é chamada poubelle).

Melhorias no conforto doméstico

Esse foi também um período marcado por grandes incrementos no conforto doméstico. Muitas casas passaram a ter água corrente, antes carregada em baldes pelos aguadeiros. A água até então era cara, o que explica a parcimônia dos banhos e a utilização de toalhinhas úmidas, as gants de toilette. Inicialmente, apenas as casas mais elegantes e de construção mais recente tinham água, eletricidade e gás. Repare que alguns imóveis dessa época ainda conservam uma plaqueta com os dizeres “Gas, eau et electricité en tous les étages” (“Gás, água e eletricidade em todos os andares”) O telefone foi outro progresso e já em 1889 apareceu a primeira lista telefônica.

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Paris, os reis capetos

Os reis Capetos

A vida em Paris na época dos reis capetos

Em 987, Hugo Capeto, filho do mais rico dos nobres franceses, foi eleito rei na cidade de Senlis, dando origem à dinastia dos Capetos. Nessa época, o que se chamava de França era um grupo de ducados reunidos sob um rei e limitava-se mais ou menos à área que corresponde hoje à Île-de-France.
Como outras cidades medievais da Europa, Paris era suja, com cães, porcos e galinhas soltos pelas ruas. Só em 1131, quando o filho do rei Luís VI morreu ao cair de um cavalo que se assustou com porcos na rua, passou a ser proibido deixar esses animais em liberdade nas vias públicas. A largura média das ruas era de apenas três metros! Não havia normas de construção ou de alinhamento dos imóveis; cada um erguia sua casa onde bem quisesse. Os animais ocupavam o andar térreo e as pessoas moravam no andar de cima, dormindo todas num mesmo cômodo, em total promiscuidade. Não havia banheiros e os dejetos eram simplesmente jogados pela janela, formando um barro fedorento que se juntava principalmente na parte central da rua, mais baixa. Embora não existissem calçadas, as laterais eram mais altas e limpas, mas reservadas “às pessoas de mérito” — os nobres.

O renascimento comercial e urbano de Paris

A era dos reis Capetos foi importante para Paris, que retomou seu desenvolvimento nos séculos XI e XII com um significativo renascimento comercial e urbano.
Estabelecidos na Île de la Cité, os monarcas administraram uma cidade próspera, graças ao comércio fluvial que também gerava bons impostos.
Em 1163, começou a construção da Catedral de Notre-Dame. Por um édito real de 1170, as corporações mercantis da Rive Droite obtiveram o privilégio de exclusividade do comércio pelo rio Sena.
Já havia uma estreita associação entre a realeza e a burguesia na administração municipal, mas essa ligação foi particularmente importante durante o reinado de Felipe Augusto.

A Paris de Felipe Augusto

Sob Felipe Augusto (1180-1223), Paris, com uma população de 80 mil habitantes, tornou-se um dos principais centros comerciais e culturais da era medieval. O soberano mandou erguer uma muralha para proteger a cidade (da qual ainda existem vestígios), construiu a fortaleza do Louvre e criou o mercado de Les Halles. Algumas de suas atitudes foram, porém, bastante questionáveis, como a expulsão dos judeus da Île de la Cité em 1182, para onde só voltariam em 1198 mediante o pagamento de altas taxas.
Consta que o rei, ao observar uma charrete que passava embaixo de sua janela, ficou tão impressionado com o mau cheiro provocado pelo veículo ao afundar as rodas na lama imunda que resolveu ordenar a pavimentação das principais ruas da cidade.
Em 1215, ainda sob o reinado de Felipe Augusto, foi fundada a primeira universidade de Paris. Assim, se a Île de la Cité era a sede do poder político e, a Rive Droite, o pólo comercial, o Quartier Latin, na Rive Gauche, passou a ser o centro intelectual da cidade, um dos mais importantes da Europa.
Um detalhe urbanístico interessante: apesar da sujeira, Paris era nessa época toda branca, uma vez que as casas eram construídas com pedras claras e madeirame cruzado no estilo colombage, com os vãos preenchidos por alvenaria e argamassa. Esse estilo existe ainda hoje na Normandia e na Alsácia. Nos tempos de Felipe Augusto, as casas passaram a ter brasões de identificação. A numeração só foi instituída bem mais tarde, no início do século XIX.

Penúria e relíquias

Nessa época, muitas pessoas não dispunham sequer de uma camisa de algodão, mas somente de uma veste de lã, que muito raramente era lavada. Em Paris, como em toda a Europa, usavam-se roupas costuradas no corpo ou fechadas por meio de laços. O botão, introduzido a partir do século XII, foi inicialmente considerado uma vulgaridade e um convite ao pecado. (Isso porque eles não conheciam o zíper!)
São Luís
Durante o reinado de Luís IX (1226-1270), canonizado como São Luís, Paris foi aos poucos ganhando construções mais sofisticadas. Foram erguidos diversos hôtels particuliers (palacetes) pela nobreza e pelo alto clero, além de igrejas como a de St-Julien-le-Pauvre. Consta que o piedoso São Luís comprou diversas relíquias de bizantinos que, com seu tino comercial, devem ter enchido os cofres.
Entre elas, estava a pretensa coroa de Cristo. Possuir relíquias tão importantes representava um grande prestígio, tanto para uma abadia ou igreja quanto para um monarca ou uma cidade, uma vez que elas eram consideradas uma fonte de proteção divina. A autenticidade dessa coroa (que teria custado mais caro do que a própria Sainte-Chapelle) é mais do que discutível, já que nessa época havia um abundante comércio de relíquias, a esmagadora maioria delas falsas. Vendia-se de tudo: pedaços da cruz em que Cristo foi crucificado, fios de seus cabelos, pedaços de ossos de santos, dentes de Cristo quando criança e até leite da Virgem Maria… Mas, como diria Pirandello: “Assim é, se lhe parece”. As superstições medievais, diga-se de passagem, não se limitavam às relíquias. Na Idade Média os parisisenses não eram muito diferentes dos demais povos europeus e acreditavam em “forças do mal”, em pregadores religiosos anunciando o fim do mundo, em magos e em alquimistas. (Hoje, como sabemos, ninguém mais acredita nessas coisas…).

Felipe, o Belo, e os templários

Os religiosos mais poderosos e ricos de Paris eram os templários, estabelecidos no Marais desde 1140. Seu território, equivalente ao de uma pequena cidade, tinha por sede uma gigantesca abadia fortificada e autosuficiente na região das atuais rues du Temple e Vieille du Temple, sobre a qual o rei não tinha nenhum controle. Para se apossar dos bens dos templários e ao mesmo tempo livrar-se daquele incômodo poder paralelo, o rei Felipe, o Belo, conseguiu aprisionar seu grão-mestre e outros importantes membros da ordem. Em um processo nada imparcial, eles foram acusados de idolatria, apostasia e sodomia e condenados à fogueira por um tribunal da Inquisição. Pouco antes de ser executado com seus companheiros, em 1314, na atual Place Dauphine, o grão-mestre Jacques de Molay lançou uma maldição sobre o rei: ele logo morreria e a dinastia dos Capetos se extinguiria sem descendentes.
Não deu outra; o rei morreu alguns meses depois, ao cair de seu cavalo, e seus dois filhos mais velhos foram traídos pelas mulheres. Os amantes também foram queimados vivos, mas esse ato de pura vingança de nada adiantou, pois a descendência real ficou desacreditada. Muitas águas rolaram até que, em 1328, o último filho de Felipe, Carlos IV, morreu sem deixar nenhum descendente do sexo masculino, e a coroa passou às mãos de seu primo, Felipe V, que deu início à dinastia dos Valois.
Mas parece que a praga não parava aí; às vésperas da peste negra, em 1348, a população de Paris era de aproximadamente 200 mil pessoas. Menos de um século depois, esse número havia caído pela metade. A Guerra dos Cem Anos, travada com a Inglaterra, ajudou a provocar essa queda.
¨ Para saber tudo o que aconteceu nesses 14 anos de maldição, leia Os Reis Malditos, de Maurice Druon.

Guerra Franco-Prussiana1

A Guerra Franco-prussiana e a Comuna de Paris: tempos difíceis para os parisisenses

O imperador cai prisioneiro

A tranquilidade dos parisienses seria novamente rompida em julho de 1870, quando Napoleão III envolveu-se numa desastrada guerra contra a Prússia sem que a França estivesse preparada para um conflito dessa envergadura. A campanha de Napoleão III, que não tinha a visão estratégica de seu tio, foi um completo fracasso e ele próprio acabou prisioneiro. Indignados, os parisienses se revoltaram, recusaram-se a aceitar a rendição e proclamaram a República pela terceira vez.

Paris sob bombardeio

Foi formado um novo governo liderado pelo general Trochu, um militar não muito brilhante, que não conseguiu deter o inimigo.
Bismarck, o comandante prussiano, consciente das perdas que sofreria tentando tomar Paris, preferiu sitiar e bombardear a cidade, forçando os parisienses à rendição pela fome: “Nós temos tempo para esperar até que eles comam seus cães e seus belos gatos peludos”, escreveu ele a seu filho. Como todos os transportes em Paris eram por tração animal, no início os cavalos e burros foram sendo sacrificados. Depois, como previra Bismarck, foi a vez dos gatos (apelidados de “fauna dos telhados”), que passaram a ser vendidos nos mercados. Depois vieram os cachorros, os ratos e até mesmo os animais dos zoológicos do Jardin des Plantes e do Jardin d’Acclimatation: camelos, ursos, elefantes…

O cerco de Paris

Com a cidade cercada pelos prussianos, só havia um meio de sair de Paris: pelo ar. Quase 70 balões conseguiram deixar a capital sitiada, levando no total mais de 100 pessoas, entre elas Gambetta, Ministro do Interior, que por pouco não foi derrubado pela artilharia inimiga.
O cerco de Paris demorou cinco penosos meses, até que, em janeiro de 1871, Trochu foi afastado e um novo governo com sede em Versalhes concluiu um armistício. Pelo acordo de paz, a França perdeu a maior parte da Alsácia-Lorena e comprometeu-se a pagar indenizações de guerra no valor de 200 milhões de francos.

Louise Michel

O novo governo francês, comandado por Adolphe Thiers, numa manobra para desarmar Paris e sua rebelde Guarda Nacional, mandou o general Lecomte buscar os canhões que estavam instalados em Montmartre. A professora anarquista Louise Michel e outras mulheres do bairro consideraram esse ato uma traição e conclamaram o povo a resistir. O resultado foi que os soldados acabaram se confraternizando com a população, Lecomte foi fuzilado e a rebelião tomou conta da cidade. Foi esse o estopim da Comuna de Paris, um revolta popular que há muito se esboçava. A agitação social era visível; o proletariado ainda vivia em más condições e toda a população sofria com a fome e o frio causados pelo cerco prussiano. Como pano de fundo, havia as doutrinas socialistas e anarquistas, que estavam na ordem do dia. Os combates foram violentos. Apesar da paranóia dos communards (participantes da Comuna), que os fazia ver espiões em cada esquina, seus excessos não podem ser comparados aos praticados pelo governo conservador que assumiu o poder. Ao dominar a revolta, no final de maio, Thiers comandou um dos maiores massacres da História da França, tendo mandar fuzilar milhares de pessoas. Paris sofreu bastante. Incontáveis predios púbicos foram incendiados e boa parte dos bairros populares da região leste da cidade foi arrasada.

Dica de leitura – Para ter uma ideia de como era a vida na capital francesa durante a Comuna de Paris, leia Paris Babilônia, de Rupert Christiansen.

Arte e pensamento no século XIX

No século XIX, viveram em Paris alguns dos maiores nomes da literatura francesa. Honoré de Balzac, Victor Hugo, Émile Zola, Marcel Proust e Gustave Flaubert, assim como o contista Guy de Maupassant, são autores de clássicos universais.
A poesia também teve grandes expoentes nesse período: Rimbaud, precursor do surrealismo; o simbolista Mallarmé; o controvertido Verlaine; e o ultrarromântico Baudelaire, que traduziu melhor do que ninguém o mal du siècle (mal do século).
Precursor da ficção científica, Júlio Verne inspirou-se nos avanços tecnológicos para, com inigualável criatividade, escrever suas obras para os jovens. Tornou-se um dos pais da ficção científica com Da Terra à Lua, Viagem ao Centro da Terra e 20.000 Léguas Submarinas.
Na pintura surgiu um novo movimento — o Impressionismo — que rompeu com o academicismo da pintura de salão. Inicialmente boicotados, artistas como Renoir, Monet, Manet, Pissaro, Van Gogh, Gauguin e Berthe Morisot passaram a privilegiar o que o artista vê e sente. A palavra impressionismo foi inventada por um crítico que pretendeu satirizar o quadro de Monet, Impression, Soleil Levant. Hoje quase ninguém se lembra do nome desse crítico, mas todo mundo sabe quem é Monet!
A Paris do século XIX foi também berço de ideias que transformariam a visão de mundo de então. Proudhon, pai da doutrina anarquista, os discípulos do “socialista-científico” St-Simon, dentre os quais Auguste Comte, criador do Positivismo, e o próprio Karl Marx também viveram na capital francesa nessa época e suas ideias tiveram reflexos em vários acontecimentos históricos em todo o mundo, desde a Comuna de 1871 até os movimentos revolucionários do século XX.

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Napoleão Terceiro

Napoleão III e o Segundo Império

A Revolução de 1848 e um novo imperador

O povo francês estava descontente com Luís Felipe I. Essa insatisfação resultou em mais uma revolução, a de 1848, quando a Segunda República foi proclamada. Luís Napoleão, sobrinho de Bonaparte, aproveitando-se do seu sobrenome histórico e da lenda em torno do tio, foi eleito presidente para, quatro anos depois, tornar-se imperador com o título de Napoleão III. (Os franceses, ao que parece, tinham uma certa birra com a palavra “rei”, mas não tinham tanta dificuldade em aceitar um imperador!) Mesmo assim, Paris continuou sendo um foco permanente de oposição ao novo regime, que tinha muito mais apoio no resto do país.

A nova Paris dos boulevares

No início do império de Napoleão III, Paris, já com um milhão de habitantes, era uma enorme metrópole para os padrões da Europa na época. A cidade mantinha, porém, sua estrutura urbana medieval de ruelas cheias de cortiços. Foi por iniciativa de Napoleão III que a capital francesa passou por uma nova revolução: a urbanística.

A revolução urbanística de Georges Haussmann

Designado pelo imperador, o barão Georges Haussmann, prefeito do Departamento do Sena, decidiu transformar Paris numa cidade moderna, deixando-a com o aspecto bem parecido com o atual. Com mão de ferro, entre 1853 e 1869 ele arrasou os velhos bairros medievais, mandou abrir largas avenidas e bulevares e impôs uma largura mínima de 20 metros para as novas ruas. Os prédios, construídos num estilo bem padronizado, não deveriam ultrapassar 25 metros de altura.

Saneamento urbano, eletricidade e melhorias

Além da construção de teatros, hospitais e outras melhorias, foi criado um complexo sistema de água encanada e esgoto para todas as ruas. Desejando uma Paris mais arejada, Haussmann construiu pequenas praças de bairro, parques e jardins como Buttes-Chaumont e Montsouris, e embelezou o Bois de Vincennes e o Bois de Boulogne. Curiosamente, Haussmann, tão moderno em alguns aspectos, considerava a luz elétrica prejudicial aos olhos, como muitos de sua época!

Os Beaux Quartiers e os bairros populares

A modernização de Paris resultou numa divisão mais acentuada entre os “beaux quartiers” (bairros ricos) da zona oeste da cidade e os bairros populares da zona leste. A população pobre foi simplesmente expulsa para os subúrbios. O aparecimento do elevador iria acentuar a polarização entre bairros ricos e pobres. Antes dele, famílias de diferentes classes sociais compartilhavam um mesmo imóvel. Os ricos moravam no primeiro andar, aqueles um pouco menos abastados no segundo, e assim por diante. Para os mais pobres sobrava o último andar, com muitos mais lances de escadas a enfrentar.
Foi também Haussmann quem criou a atual divisão da cidade em regiões administrativas, os arrondissements.
Durante a Exposição Universal de 1867, começaram a circular no Sena os bateaux-mouches, barcos turísticos que existem até hoje.

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A Monarquia de Julho

A Restauração e a Monarquia de Julho

A Restauração

Com a queda de Napoleão, as potências estrangeiras que ocuparam Paris restabeleceram a dinastia dos Bourbons. Luís XVIII, irmão do rei decapitado, foi escolhido para ocupar o trono. Em março de 1815, entretanto, Napoleão escapou da Ilha de Elba, onde estava confinado, e retomou o poder até junho do mesmo ano, quando foi mais uma vez vencido.
Luís XVIII ocupou o trono até setembro de 1824, quando morreu e foi sucedido por seu irmão Carlos X, último rei da dinastia dos Bourbons, um autoritário mal adaptado a um regime constitucional.
Apesar da instabilidade política, o desenvolvimento urbano não foi interrompido. Novas áreas foram saneadas e um sistema de iluminação a gás começou a ser instalado em Paris, primeiro na Place Vendôme, em 1825, e em seguida na rue de la Paix, em 1829.

A Monarquia de Julho

O descontentamento dos parisienses com o governo autoritário de Carlos X provocou a revolução de julho de 1830. Barricadas foram erguidas em todos os cantos e a insurreição triunfou. A fim de evitar a proclamação de uma República na qual radicais poderiam assumir o poder, a oposição moderada e monárquica agiu rapidamente e recuperou a revolta popular em seu proveito. Carlos X foi afastado e substituído pelo Duque d’Orléans, parente dos Bourbons, que assumiu o trono com o título de Luís Felipe I e foi apresentado ao povo como “um príncipe devotado à causa da Revolução”. Esse período ficou conhecido como a Monarquia de Julho.

O traçado medieval de Paris

Apesar de alguns avanços urbanísticos, Paris mantinha ainda nessa época seu traçado medieval. Suas ruas eram, na maior parte, estreitas, e algumas tinham pouco mais de um metro de largura. Os bairros pobres continuavam superpovoados e insalubres. Essa situação favoreceu a epidemia de cólera de 1832, que atingiu principalmente as classes populares. Paralelamente, esse labirinto de ruas estreitas facilitava a agitação revolucionária e o bloqueio das vias públicas por meio de barricadas, complicando o deslocamento das tropas que tentavam conter os rebeldes.

Rebelião permanente

Sob Luís Felipe I, Paris parecia viver num estado de rebelião permanente. As diferentes facções — bonapartistas, monarquistas conservadores, neojacobinos e republicanos — continuavam a promover manifestações e a participar de complôs. O rei era alvo de tantos atentados que um jornalista da época teria declarado: “O rei é o único animal cuja caça é permitida durante o ano todo”. Apesar de o governo tolerar algumas críticas, em 1831 o caricaturista Philipon foi condenado a seis meses de prisão e 2 mil francos de multa por ter publicado uma charge mostrando Luís Felipe I com cara de pêra. Mas o rei tinha mesmo cara de pêra!

A iluminação elétrica e outros progressos

Em 1843, uma novidade encantaria os parisienses: a iluminação elétrica da Place de la Concorde. No mesmo ano, foi inaugurada a estrada de ferro Paris-Rouen e, cinco anos depois, começou a circular o que seria o precursor do turismo ferroviário, com o sugestivo nome de Train du Plaisir (“Trem do Prazer”), ligando Paris a Dieppe, no Canal da Mancha.
Nesse período, apesar da permanente situação pré-revolucionária, o desenvolvimento urbano de Paris não cessou e novos progressos eram acrescentados à vida diária dos parisienses. Mais algumas décadas e Paris ganharia inclusive um sistema de transportes públicos, os primeiros ônibus puxados a cavalo.

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Napoleão

Napoleão Bonaparte

A tomada do poder por Napoleão

Após a queda de Robespierre, os moderados foram recuperando suas posições, mas nem por isso a situação do povo parisiense melhorou. A agitação nos bairros pobres recomeçou, sendo severamente reprimida. Com a instabilidade do poder, ocorreu uma tentativa de golpe dos setores mais conservadores e partidários do Antigo Regime. Um militar até então desconhecido foi convocado para esmagar a rebelião. Você certamente já ouviu falar dele: Napoleão Bonaparte. Novas tentativas de golpe passaram a ameaçar a estabilidade do regime, abrindo espaço para que Bonaparte fosse encarado pelas diferentes facções como o homem capaz de tornar o país novamente governável. Estava pronto o cenário para a tomada do poder por Napoleão, no episódio que ficou conhecido como o “18 Brumário”. Essa data, no estapafúrdio calendário criado pelos revolucionários, correspondeu aos 9 de novembro de 1799.

A Paris do começo do século XIX

Passados os turbulentos acontecimentos da Revolução, Paris ingressou no século XIX bastante maltratada, com prédios públicos destruídos ou queimados e igrejas depredadas pelos excessos dos radicais preocupados em acabar com todos os símbolos do Antigo Regime.
Napoleão, ao assumir o poder, depois de escapar de atentados contra a sua vida, tomou algumas medidas administrativas importantes.

O que Paris deve a Napoleão

Foi ele quem reformou o sistema escolar, reorganizou a Bolsa de Paris e instituiu o Código Civil, inspirado na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, o que representou um grande avanço jurídico. Em contrapartida, ele reimplantou a escravidão nas colônias, por considerá-la necessária à economia local. (Em outras palavras, alguns homens continuavam sendo menos iguais que outros!).
Entre uma guerra aqui e outra ali, Bonaparte recuperou a capital do seu império. Mandou construir as pontes d’Austerlitz, St-Louis e des Arts, escavar o canal de l’Ourcq e abrir a rue de Rivoli.
¸ O excelente Napoléon, de Yvez Simoneau, tem Cristian Clavier no papel principal e Depardieu e Malkovitch no elenco.

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A Liberdade guiando o povo
A Revolução Francesa: “La Liberté conduisant le peuple”, tela de Eugène Delacroix, 1830

A Revolução Francesa

Não foi apenas o desejo de liberdade que desencadeou a Revolução. O país estava mergulhado numa seríssima crise financeira provocada por reiterados erros administrativos. A penúria, acentuada por fatores climáticos, agravou a crise. O ano de 1788 foi completamente atípico; as temperaturas atingiram níveis tão baixos no inverno (-30ºC!) que os rios congelaram, impedindo o abastecimento da capital e o funcionamento dos moinhos movidos a água. A primavera foi extremamente seca; depois, no verão, uma tempestade violenta acabou com as lavouras. O povo de Paris estava morrendo de fome.
Alguns ministros tentaram pela primeira vez convencer a nobreza e o clero, que nunca haviam pago um centavo de impostos, a dar sua contribuição, mas foram rapidamente abandonados pelo rei, influenciado pela corte que não queria saber de cortes…

Afinal, o que foi a Revolução Francesa?

Não se pode simplificar, classificando a Revolução Francesa apenas como uma luta entre a burguesia e a nobreza e seus aliados do clero. Na verdade, não era raro burgueses abastados conquistarem títulos nobiliárquicos por meio do casamento ou como recompensa por serviços prestados ao trono. Também não é exato que ser nobre significava ser rico. A maioria deles não era realmente rica e muitos encontravam-se completamente arruinados, quase miseráveis. O baixo clero também era, muito frequentemente, pobre.

Acabar com a monarquia?

Mesmo os inimigos do regime não pensavam, em um primeiro momento, em acabar com a monarquia. Pretendiam-se reformas, como a abolição de certos privilégios da corte e do clero e o fim do Absolutismo. Embora seja apenas uma especulação, é possível que, se Luís XVI tivesse sido um pouco mais hábil, menos indeciso e mais disposto a fazer as concessões necessárias, as coisas teriam se passado de modo bem diferente. Necker, seu Ministro das Finanças, era bastante popular, e propôs reformas administrativas importantes, mas não foi apoiado pelo rei que, no momento crucial, preferiu seguir as opiniões do Conde d’Artois, seu irmão “linha dura”, e de Maria Antonieta. Necker era, aliás, copiosamente insultado pelo conde cada vez que ia se encontrar com o rei.

A tomada da Bastilha

O primeiro acontecimento importante da Revolução Francesa foi a tomada da Bastilha, prisão que era símbolo das arbitrariedades da monarquia. Coincidência ou não, esse fato ocorreu em 14 de julho de 1789, sendo que o preço do pão tinha atingido seu valor máximo no dia 13. Mesmo após a tomada da Bastilha, a monarquia foi mantida durante aproximadamente três anos. Nesse período, o rei foi pressionado a aceitar as reformas e a colaborar com as forças emergentes do chamado Terceiro Estado, a exemplo de setores do clero e da nobreza que aderiram à Revolução. Muitas das insurreições, principalmente no campo, foram praticadas por pessoas que acreditavam estar fazendo a vontade do “bom rei”, disposto a acabar com as injustiças. Atos de violência eram, aliás, acontecimentos correntes, em razão do aumento do preço do pão. Como o discernimento nunca foi característica das multidões, bastava alguém acusar um padeiro de estar escondendo o pão para que o infeliz tivesse seu comércio depredado ou até corresse o risco de ser linchado.

Mirabeau

Homens como Mirabeau desejavam uma monarquia constitucional apoiada em um parlamento. Foi ele quem orientou os soberanos a aceitar o fim do Absolutismo, e, pendurado em dívidas, foi sendo pago por seus conselhos. Embora Maria Antonieta, principalmente, não se mostrasse nem um pouco disposta a segui-los, ela e seu marido consideravam útil o contato com um revolucionário influente. Quando Mirabeau morreu, foi enterrado como herói. Mais tarde, quando se soube de seus contatos em Versalhes, seu corpo foi retirado do Panthéon e atirado numa vala comum.
Só a posterior recusa do rei em colaborar (negando-se a eliminar os resquícios feudais do regime e a assinar decretos anticlericais) e a consequente radicalização revolucionária é que precipitaram os acontecimentos.

A fome dos parisienses e a radicalização crescente

A fome, o pão cada vez mais caro e a falta de solução para o problema fizeram com que, em 4 de outubro de 1789, o rei e sua família, refugiados em Versalhes, fossem forçados a voltar a Paris. O povo parisiense acompanhou o cortejo real gritando com escárnio: “O padeiro, a padeira e o seu ajudante!”.
Um dos grandes legados da Revolução Francesa foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Pelo menos no papel ficou estabelecido que os seres humanos têm direitos inalienáveis e nascem iguais. É claro que não foi a partir daí que os direitos humanos passaram a ser respeitados no mundo todo, mas seus princípios foram incorporados, no século XX, à Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU. Na realidade, a declaração francesa, nessa fase moderada da Revolução, não incluía os escravos negros das colônias, os judeus, nem as mulheres. Foi Olympe de Gouges, uma artista de teatro, a precursora da luta pelos direitos femininos, quem apareceu com um outro documento, encarado com certo sarcasmo: a Declaração dos Direitos das Mulheres e Cidadãs. Diga-se de passagem, embora as mulheres tivessem participado ativamente da Revolução, não tiveram o direito de votar nas assembleias.

A família real tenta fugir e é presa

Curiosamente, o rei e, principalmente, a rainha, achavam que as guerras contra as monarquias europeias, como a Áustria e a Prússia, poderiam beneficiá-los. Se ganhassem, o rei sairia fortalecido. Se perdessem, seria recolocado no trono pelos vencedores. Não deu certo. Após ter tentado fugir para a Áustria, o rei e sua família foram detidos em Varennes. Luís XVI, Maria Antonieta e seus filhos, ainda crianças, foram mantidos numa espécie de prisão domiciliar no Palácio das Tuileries. Posteriormente o rei foi enviado para a prisão o Temple, que não existe mais; ela ficava no atual Square du Temple. Depois que Luís XVI foi guilhotinado, Maria Antonieta foi transferida para a Conciergerie, onde ficou presa enquanto aguardava sua execução. Com os exércitos inimigos invadindo a França, começou a caçada aos “inimigos internos”. Militares tornavam-se suspeitos de colaborar com os invasores; qualquer um podia ser considerado traidor ou espião.

Os Jacobinos

Com a radicalização, os jacobinos (ala mais inflamada dos revolucionários) aproveitaram para liquidar os moderados girondinos (primos distantes dos atuais sociais-democratas?). Radicais como Danton, Robespierre e Marat assumiram a liderança da revolução. Este último só falava em guilhotina e em seu jornal L’Ami du Peuple exigia a execução dos “conspiradores”. (Se alguém espremesse o jornal, pingaria sangue…).
Desorganizados e derrotados nas primeiras batalhas, os revolucionários mobilizaram o país, aceleraram a fabricação de armas e um frenesi patriótico tomou conta da França. Até mesmo as crianças prestavam juramento à República; folhetos patrióticos eram distribuídos e cartazes convocando a população eram colocados em praças públicas. Mesmo nas artes, os motivos revolucionários tornaram-se dominantes. Jean-Baptiste Greuze, Watteau de Lille e Jacques Louis David foram os pintores da Revolução, e seus quadros estavam sempre impregnados de mensagens patrióticas. (Seriam eles os precursores da arte engajada?)

Os hinos patrióticos

A Revolução foi também inspiradora de hinos patrióticos. Primeiro o Ça ira, depois a famosíssima La Marseillaise, que se tornou o hino nacional francês. Ao contrário do que seu nome deixa supor, essa música não foi composta em Marselha, mas em Estrasburgo, em abril de 1792, por Rouget de Lisle, um oficial do exército, e se chamava inicialmente Chant de Guerre pour l’armée du Rhin (“Canto de Guerra do Exército do Reno”). A canção foi levada a Marselha, onde os soldados da guarnição local a aprenderam e, quando foram enviados a Paris, chegaram cantando o hino que ficou logo conhecido como La Marseillaise.

A era do Terror

Depois que Luís XVI e Maria Antonieta foram decapitados na Place de la Révolution (hoje Place de la Concorde), a repressão revolucionária voltou-se particularmente contra os nobres e o clero, aliados da realeza.
Castelos e igrejas foram demolidos, incendiados ou depredados. Com isso, boa parte do patrimônio arquitetônico do país foi arruinado. (Curiosamente, as principais leis anticlericais foram obra de um bispo: Talleyrand, que apoiava a Revolução.).
Posteriormente, o excesso aumentou e qualquer um passou a ser suspeito, fazendo com que, em média, cinquenta pessoas fossem executadas por dia. Essa fase mais radical da Revolução ficou conhecida como La Terreur (O Terror).

O paradoxo das revoluções

A Revolução, uma grande aspiração de liberdade, paradoxalmente transformara a França num estado de medo e injustiça. Quando ocorria um julgamento, o acusado não podia apresentar testemunhas nem tinha direito a um advogado, porque se presumia que os jurados, como bons patriotas, seriam capazes de chegar a um veredito justo e imparcial sem precisar ouvir a defesa…
Ao visitar a Conciergerie e ver a enorme lista de pessoas que por ali passaram antes de seguir para a morte, você perceberá que a maioria não era composta de nobres ou de gente do clero, mas de cidadãos comuns, por vezes de profissões bem humildes, como costureiras, padeiros e pedreiros. Chegou finalmente um momento em que até Danton e Desmoulins, que inicialmente apoiaram o Terror, denunciaram os excessos e terminaram eles mesmos condenados à guilhotina.

O assassinato de Marat

Marat, que sofria de psoríase, tinha crises durante o verão e só se sentia melhor numa banheira de água fria. Charlotte Corday, uma jovem partidária dos girondinos, indignada com o Terror, conseguiu ser recebida por ele. Num momento em que ficaram a sós, quando a noiva do revolucionário se afastou para buscar um remédio, ela rapidamente o apunhalou na banheira. Foi guilhotinada, é claro.
O restante da liderança da Revolução também acabou aniquilado, uma vez que cada facção que chegava ao poder mandava guilhotinar os líderes rivais, muitas vezes mais por meras diferenças pessoais que por reais divergências ideológicas.

Robespierre

Robespierre, que persistiu em manter o Terror, a cada momento acusava um de seus próprios companheiros de traição. Diga-se de passagem, a ordem estabelecida por Robespierre, secundado por burocratas obedientes, atingiu também os operários, proibidos de se reunir em assembleias. Qualquer protesto era considerado contrarrevolucionário. Entre 11 de junho e 27 de julho de 1794, 3176 pessoas foram mortas, fazendo com que os parisienses se horrorizassem cada vez mais com as execuções. Finalmente, o próprio Robespierre acabou guilhotinado. Foi o fim do Terror.

Dicas culturais

  • O filme Danton, com Gérard Depardieu no papel principal, é um dos melhores já produzidos sobre a era do Terror.
  • O livro Cidadãos, de Simon Schama, é um excelente relato histórico da Revolução Francesa.
  • O episódio da fuga de Luís XVI e Maria Antonieta foi tema do filme La nuit de Varennes, com Marcello Mastroianni, exibido no Brasil com o nome Casanova e a Revolução.
  • Três versões da Marselhesa, uma delas a cena do filme Casablanca. Veja os vídeos com a Marseilleuse.

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Maria Antonieta

Os Bourbons

Paris se urbaniza

Na Renascença, apesar das crises, guerras e revoltas, Paris havia se consagrado como um dos grandes centros culturais europeus e uma referência para os artistas e intelectuais da época. Durante os reinados dos Bourbons, dispostos a transformar a cidade numa capital digna de sua grandeza, novos e importantes trabalhos urbanos foram iniciados. Sob Henrique IV, o Louvre passou por reformas e foi ampliado; Paris ganhou novas praças, como a Place Royale (atual Place des Vosges) e a Place Dauphine, e uma belíssima ponte, a Pont Neuf, ligando as duas margens à Île de la Cité, foi inaugurada.
Sob Luís XIII, com a consolidação da monarquia absolutista e a extensão do poder real por toda a França, Paris passou por outras importantes transformações urbanísticas. Construíram-se novas pontes e, em 1614, as ilhas de Notre-Dame e aux Vaches foram reunidas, formando a atual Île St-Louis, urbanizada e enquadrada por cais de pedras. Datam dessa época seus elegantes hôtels particuliers, quando a ilha se tornou um dos endereços mais elegantes de Paris.

A Rive Droite

Na Rive Droite, as fortificações foram reforçadas e a cidade foi ampliada em ambas as margens, com novos bairros, como o Faubourg Saint-Honoré e o Marais, num antigo pântano drenado. Na Rive Gauche, nasceu o Faubourg St-Germain. Alguns dos mais belos edifícios de Paris foram então construídos, entre eles o Palais Royal, que Richelieu deu de presente ao rei, e o Palais de Luxembourg. A capital francesa reafirmou também sua importância nas artes e na literatura. Em 1620, foram criadas a Imprimerie Royale (Imprensa Real), a Academia Francesa e o Jardin des Plantes (Jardim Botânico).

Luiz XIV e os parisienses mal-humorados

Mas nem tudo eram flores; as diversas revoltas de maior ou menor envergadura ocorridas em Paris e o humor incerto dos parisienses reforçaram as desconfianças da realeza quanto à tradição rebelde da capital. Luís XIV, traumatizado durante sua juventude pelas humilhações que passou durante a Fronde (a revolta dos parisienses de 1648), tratou de mudar-se para Versalhes. Embora o Rei-Sol preferisse Versalhes, Paris não foi negligenciada. Tornou-se mais segura, com a instalação de lampiões a óleo em mais de 900 ruas, e ganhou novos e elegantes monumentos, edifícios, praças e jardins. São do reinado de Luís XIV a concepção atual dos Jardins des Tuileries, as Portes Saint-Denis e Saint-Martin, a Place des Victoires e a Place Vendôme.

Em 1670 a maioria da população já sabia ler e escrever

Em 1670, Paris já tinha algumas dezenas de editoras e a maior parte de sua população sabia ler e escrever. As estradas foram melhoradas e linhas regulares de diligências ligavam a capital aos principais centros do país com mais rapidez e conforto. Isso também facilitava a difusão de ideias e contribuía para a politização de outras regiões.
Esse foi um tempo difícil para os parisienses, esmagados por impostos destinados às guerras externas de Luís XIV e à manutenção de uma corte ociosa e cara.

Um período importante para a ciência e para as artes teatrais

O teatro francês, incentivado pela corte, viveu uma fase de muita criatividade com Molière e Racine e o nascimento da Comédie Française em 1680.
Obviamente, peças que desagradavam a corte eram simplesmente proibidas. Assim, em 1697, Madame de Maintenon, amante de Luís XIV, sentindo-se identificada com a personagem central da peça italiana La Fausse Prude, expulsou toda a companhia. (Prude em francês é “uma mulher que aparenta virtude” e fausse significa “falsa”. Entendeu porque ela colocou os italianos para correr?).

O final do Antigo Regime

No fim do século XVII apareceram os primeiros cafés (entre eles o famoso Procope, que existe até hoje) e os sallons, pontos de encontro de filósofos, escritores e poetas, cujas concepções da vida e da sociedade influenciariam os revolucionários de 1789 e contribuiriam para mudar os rumos da História. Bares e jogos de bilhar começaram a se tornar moda. Pouco a pouco, novidades foram incorporadas aos hábitos da população, como o café com leite matinal e o chocolate.
Paris foi se beneficiando de melhorias urbanísticas e de pequenos progressos. Em 1769, houve uma discreta mas importante contribuição para a higiene da cidade, com a instalação dos primeiros banheiros públicos.
Outras novidades, porém, causaram muito mais sensação, como o primeiro voo tripulado da História, realizado em 1783, em um balão de ar quente construído pelos irmãos Montgolfier.

A difusão dos jornais

Com a difusão dos jornais, consequência do aprimoramento da imprensa, aumentaram os ataques ao regime, que passou a censurá-los. Alternando repressão com tentativas de reformas, Luís XVI, coroado em 1775 aos 21 anos, era um rei fraco, muito mais envolvido com as intrigas da corte de Versalhes do que com a gestão do Estado. Um dos maiores problemas do regime era a questão fiscal. As despesas continuavam subindo e em boa parte eram provocadas por guerras e pelas extravagâncias da corte, que excediam em muito a arrecadação, enquanto os impostos só aumentavam (É incrível como isso parece atual!). Mesmo assim, o rei ainda tinha certo apoio, enquanto sua esposa, a austríaca Maria Antonieta era universalmente detestada. Os próprios nobres irritavam-se vendo-a cumular de favores e cargos bem remunerados pessoas de sua relação, muitas delas estrangeiras.

Maria Antonieta

Numa época em que faltava pão, principal alimento do povo francês, os parisienses suportavam com dificuldade essa rainha estrangeira, esbanjadora e demasiadamente intrometida nos assuntos do Estado. A ela se atribui a frase, verdadeira ou não: “Se não têm pão, por que não comem brioches?” Sobre a moralidade da rainha circulavam todo tipo de fofocas e até mesmo charges das mais pesadas, algumas das quais apontavam-na como amante do irmão do rei, o Conde d’Artois, de quem era muito próxima.

Uma época de avanços científicos e filosóficos

A Europa passava nessa época por uma fase de grandes avanços científicos. O reflexo das descobertas e invenções desse período nas manifestações filosóficas e literárias consistiu no chamado Iluminismo, que derrubou todos os pilares da visão de mundo de então.
A Encyclopédie (Enciclopédia), com 17 volumes de informações científicas e filosóficas publicados entre 1751 e 1772, elaborada principalmente por Diderot e d’Alembert, com a colaboração de intelectuais do peso de Rousseau, Voltaire e Montesquieu, causou um enorme impacto. Seu conteúdo privilegiava o uso da razão em detrimento da crença em dogmas. Isso, evidentemente, desagradou a Igreja, e a obra foi condenada em 1752 pelo arcebispo de Paris. Além da Encyclopédie, as obras de Rousseau (Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, de 1755 e O Contrato Social, de 1762) também foram fontes de inspiração ideológica para todos aqueles que desejavam o fim do Absolutismo, ensejando uma nova visão política.

A precária situação do tesouro real

O engajamento francês ao lado dos norte-americanos não onerou apenas o tesouro real. A guerra de independência contra a Inglaterra, em 1776, foi uma rebelião contra uma monarquia opressiva. Pela primeira vez na História, os valores iluministas de liberdade e igualdade foram materializados e isso não podia deixar de ter reflexos na França de Luís XVI.
O isolamento do rei em Versalhes colaborou para a perda da simpatia dos parisienses. Mesmo os nobres que frequentavam a corte achavam o lugar bucólico demais e continuavam a manter seus luxuosos hôtels particuliers em Paris.
O fato é que o chamado antigo Regime era não só incompetente, mas também corrupto.
Algo que no século XVII ou mesmo hoje em dia acaba com a economia de um país.

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Martin Lutero - Fondo Antigio de la Universidadad de Sevilha

 Os conflitos religiosos

Francisco I

No começo do século XVI, após um longo período de turbulências em que os reis estiveram afastados de Paris, Francisco I resolveu adotá-la como residência. Como não havia na cidade nenhum palácio digno de acolher o soberano, ele ordenou ao arquiteto Pierre Lescot que derrubasse a antiga torre medieval no Louvre, que não mais era necessária, erguesse em seu lugar um palácio e construísse um novo Hôtel de Ville (Prefeitura). Lescot cumpriu à risca a ordem do rei, presenteando Paris com duas obras-primas da arquitetura renascentista.

A Reforma Protestante e os conflitos religiosos

A relativa tranquilidade foi novamente interrompida com a Reforma Protestante de Calvino, quando distúrbios, desta vez de natureza religiosa, abalaram a cidade. Em 1521, a Sorbonne já havia condenado as teses de Lutero. Como em outros conflitos desse tipo, motivações políticas e econômicas influenciaram os acontecimentos. De um lado, os huguenotes protestantes eram geralmente oriundos de segmentos econômica e culturalmente mais favorecidos, perfeitos para servirem de bodes expiatórios face à situação miserável de um povão ignorante e manipulado pelo clero. De outro lado, a ardilosa Catarina de Medici, mãe de Carlos IX, não via com bons olhos a influência dos setores protestantes da nobreza sobre seu filho.

Catarina de Médicis e “A Noite de São Bartolomeu”

Foi ela quem o convenceu a autorizar o traiçoeiro massacre dos huguenotes (inclusive de amigos pessoais do rei!) na sangrenta madrugada de 24 de agosto de 1572, quando cerca de dois mil protestantes foram assassinados em Paris. O episódio ficou conhecido como a “Noite de São Bartolomeu”.
Alguns dias antes do massacre, Catarina havia casado sua filha Marguerite (apelidada Margot) com o protestante Henrique de Navarra. Fingia, assim, estar agradando os protestantes quando, na verdade, a festa de casamento era um pretexto para atrai-los até Paris e pegá-los de surpresa.

O tiro que saiu pela culatra

O tiro saiu pela culatra: esse casamento acabou fazendo com que a coroa mudasse mais uma vez de mãos pois, mortos os quatro filhos homens de Catarina, seu genro Henrique herdou o reino da França. Com o título de Henrique IV, tornou-se o primeiro dos Bourbons, dinastia dos “Luíses”. Foi ele quem, em 1598, promulgou o Édito de Nantes, que outorgou liberdade de culto aos protestantes.

Dica:  Assista ao filme La Reine Margot, protagonizado por Isabelle Adjani, para conhecer o contexto e as repercussões da violenta Noite de São Bartolomeu.  

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A Peste Negra
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A peste negra e a Guerra dos Cem Anos

A sujeira, a superstição religiosa e a ignorância ajudaram a contaminação

A peste negra dizimou um terço da população europeia. As cidades imundas, ninhos perfeitos para ratos carregados de pulgas que transmitiam a peste bubônica, foram particularmente atingidas. A medicina, ainda baseada em superstições, não serviu para muita coisa: a Faculdade de Medicina de Paris publicou um compêndio no qual atribuía “à fraqueza, ao medo e à obesidade” a predisposição para a contaminação pela peste. Um dos conselhos que os médicos davam aos pacientes era que não tomassem banho… Essa desconfiança com relação ao banho, evidentemente, não se restringia a Paris; estendia-se por toda a Europa de então, por influência da Igreja. Aos cristãos recomendava-se — em particular àqueles que se dedicavam ao serviço de Deus — evitar se lavar e restringir seus contatos com a água à mera lavagem ocasional dos pés e aos respingos de água benta. Apenas na Espanha, os muçulmanos, que ocupavam uma parte do país, tomavam banho regularmente.

Idade Média, um período violento e tumultuado

Quase toda a Idade Média foi marcada por revoltas, alianças estratégicas, intrigas e disputas entre reis, a nobreza, o clero e uma burguesia cada vez mais fortalecida. Com o desenvolvimento de Paris e a riqueza resultante do comércio fluvial, as relações da burguesia com a realeza eram em geral harmoniosas. Entretanto, a Guerra dos Cem Anos e o aumento dos impostos para o financiamento dos gastos militares provocariam um rompimento entre o poder real e a burguesia, comandada por Étienne Marcel, que era Prévôt des Marchands (representante dos comerciantes), cargo esse que, grosso modo, correspondia ao de um prefeito.

Etienne Marcel

Aproveitando-se da fragilidade do delfim Carlos, herdeiro do trono, cujo pai era prisioneiro dos ingleses, Étienne Marcel invadiu o Palais de la Cité em 1358 e mandou matar dois ministros do rei. Ele poupou o delfim (matá-lo seria problema na certa) e o levou para fora do palácio, expulsando-o de Paris. Após vários incidentes, Carlos acabou voltando para Paris ainda no mesmo ano, e seus partidários mataram Étienne Marcel. Assumindo o trono, Carlos V mudou-se para o Louvre e mandou erguer uma nova muralha de defesa em torno da cidade, da qual ainda hoje existem fragmentos.

Joana d’Arc e François Villon

Esse foi um período difícil para a França e para a cidade de Paris, que chegou a ser ocupada pelos ingleses. Nesse momento da história francesa surgiu Joana d’Arc, a jovem heroína que defendeu a nação e tornou-se santa.
Em 1431, ano em que Joana d’Arc foi queimada em Rouen, nasceu outro famoso personagem dessa época: François Villon, formado em Artes pela Sorbonne, onde transitava com a mesma facilidade que no meio de bandidos. Era um fora-da-lei por opção, mas destacou-se por ser um dos maiores poetas franceses. Há versões de que ele escapou da execução e outras de que morreu enforcado. L’Épitaphe Villon, mais conhecida como a Balade des Pendus (“Balada dos Enforcados”), é a mais renomada de suas poesias. Até hoje a obra de Villon é estudada e sua tradução brasileira ganhou o Prêmio Jabuti de 2001.
Apesar de a Guerra dos Cem Anos ter acabado em 1453, o tratado de paz só foi assinado em 1475. Aos poucos, Paris foi retomando seu ritmo de vida normal, sem imaginar que outro período difícil estava por vir.

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Normandos

Os francos

Com a decadência gradual do Império Romano, a cidade passou a sofrer invasões de diversos povos bárbaros a partir do final do século III, e uma muralha foi construída para melhor protegê-la. Nessa mesma época, Lutécia passou a ser conhecida como Paris.
Diz a lenda que, em 451, uma jovem cristã chamada Geneviève (Genoveva) convenceu os parisienses a resistir ao ataque de Átila, o Huno, salvando a cidade. Verdade ou não, ela acabou virando santa, padroeira de Paris, e a colina que fica no Quartier Latin, onde hoje está o Panthéon, tem o seu nome. Em 486, a mesma Geneviève teria apoiado outro bárbaro, Clóvis, rei dos francos, quando ele tomou a Gália – e Paris.

A adoção do cristinismo por parte de Clóvis: jogada política?

Apesar de sua origem bárbara, Clóvis casou-se com uma cristã e adotou sua religião. Existem duas versões para a conversão do rei franco ao Cristianismo: a primeira dá todo o crédito à influência de sua mulher, Clotilde (parece que naquela época as mulheres sempre terminavam por conseguir com que os maridos fizessem o que elas queriam…); a outra leva em conta a brilhante jogada estratégica que permitiu a Clóvis ter como aliada a então já poderosa Igreja Católica. Talvez ambas tenham um fundo de verdade, mas, seja como for, aí nasceu a profunda ligação da França com a Igreja Católica. Foi esse o início da dinastia dos merovíngios.

Cristãos, mas ainda bárbaros

Mesmo convertidos ao Cristianismo, os francos continuavam sendo bárbaros que se dedicavam a pilhagens e não respeitavam nada nem ninguém. Os mais “bonzinhos” eram capazes de envenenar o sobrinho; os menos escrupulosos, se necessário fosse, matariam a própria mãe. Como não havia regras de sucessão bem definidas e, em princípio, qualquer filho do rei, não necessariamente o primogênito, podia herdar a coroa, a maneira mais eficaz de chegar ao trono era eliminar os concorrentes.
Quando os francos ocuparam Paris, esta perdeu o aspecto bem organizado e relativamente limpo das cidades romanas. Os aquedutos e esgotos deixaram de receber manutenção e o lixo passou a se acumular nas ruas.
Foi Clóvis quem tornou Paris a capital do que hoje é a França. Mas até então, e durante muito tempo ainda, não se pode falar de uma verdadeira identidade nacional. Não só em Paris, mas em toda a Europa, o poder era muito diluído entre chefes e reis que disputavam pequenos territórios.

Os rois fainéants e os Maires du Palais

Nesse período confuso da Alta Idade Média, com os príncipes se confrontando pela posse da coroa e o poder sendo constantemente contestado, os reis chamados de rois fainéants (“reis que nada fazem”) tinham pouca autoridade. Quem realmente governava eram os chamados Maires du Palais (administradores do palácio).
O mais importante de todos os Maires du Palais foi Carlos Martelo, que venceu os árabes na batalha de Poitiers, impedindo a ocupação da França pelos muçulmanos. Seu filho, Pepino, o Breve, acabou tornando-se rei e deu início à dinastia dos carolíngios.

Carlos Magno

Carlos Magno, que sucedeu Pepino, o Breve, conquistou grande parte da Europa e conseguiu ser nomeado Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, no ano 800, pelo próprio Papa. Figura histórica bastante importante, foi o primeiro soberano a estimular o estudo, as artes e a cultura (apesar de ele próprio ser analfabeto!). Além disso, Carlos Magno consolidou o sistema feudal de suserania e vassalagem: cada homem livre deveria prestar o juramento de servir a seu senhor, que faria o mesmo juramento a outro senhor mais poderoso e assim por diante, até chegar ao rei.
No começo do século IX, estimulada por um comércio fluvial cada vez mais importante, Paris se expandia por ambas as margens do Sena e já devia ter, segundo a estimativa de alguns historiadores, 20 mil habitantes. Mesmo assim, Carlos Magno preferiu estabelecer a capital de seu reino em Aix-la-Chapelle e Paris passou a ser apenas um condado entre tantos outros.

Os normandos

Desprotegida e deixada à própria sorte, a cidade ficou sujeita ao ataque dos normandos, cujos barcos subiam facilmente o Sena. A partir de 845, Paris foi alvo de sucessivas pilhagens.
Os invasores exigiram do rei Carlos, o Calvo, o pagamento de 7000 moedas de prata como condição para desocupar a cidade. Incêndios e saques seguiram-se por várias vezes nos anos seguintes, inclusive na Abadia de St-Germain-des-Prés, cujo “resgate” havia sido pago (os normandos, ao que parece, não tinham muita palavra!). Em 886, o desastre foi total: uma inundação destruiu uma ponte sobre o Sena, usada como proteção da cidade, facilitando ainda mais as coisas para os invasores. No final do século IX, em razão dos ataques normandos, Paris se limitava principalmente à Île de la Cité. Nas duas margens totalmente arrasadas e pilhadas, novas construções só voltariam a ser erguidas no começo do século seguinte, quando cessaram os ataques.
A paz foi alcançada quando uma parte da França foi entregue aos piratas normandos. É essa a região hoje denominada Normandia.

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Afiteatro romano de Lyon, França

Da Pré-história aos romanos

Descobertas arqueológicas de barcos de madeira e utensílios da Idade da Pedra demonstraram que a região de Paris já era habitada pelo menos desde 4000 a.C.. Apesar de a Rive Gauche (margem esquerda) ser pantanosa, o local oferecia condições favoráveis ao estabelecimento dos primeiros grupos humanos. Havia um rio navegável e piscoso, o Sena, e ilhas que proporcionavam certa proteção contra invasores. Nas margens planas e úmidas era possível criar gado; as colinas suaves, de solo mais seco, eram um bom lugar para se construir.

Paris na idade do Bronze

Desde a Idade do Bronze, o rio Sena já era uma importante rota comercial. Na Idade do Ferro, por volta de 250 a.C., uma tribo celta, os parisii, estabeleceu-se nas ilhas, formando pequenas aldeias rústicas, chamadas oppida (plural de oppidum, em latim).
Em 52 a.C., Vercingétorix, chefe dos gauleses e o mais antigo herói nacional, foi vencido, após árduos combates, pelo poderoso exército de Júlio César. Quando os romanos tomaram a Gália, o principal oppidum dos parisii ficava na Île de la Cité e se chamava Lutetia (Lutécia).

Lutetia

Lutécia foi, então, pouco a pouco transformada em uma cidade de verdade, no estilo padrão dos romanos: construções de pedra, templos, termas, fórum, aqueduto, e até um anfiteatro – dá para imaginar? A população era então de 5.000 habitantes.
São dessa época as Arenas de Lutécia e as Termas de Cluny. Foi na Rive Gauche, perto da Île de la Cité, no bairro hoje conhecido como Quartier Latin, que Lutécia mais se desenvolveu durante o Império Romano. Quase nada restou, mas há ainda ruínas das termas no subsolo do Museu de Cluny e de ruas e casas romanas na Cripta Arqueológica em frente a Notre-Dame.

Antes do cristianismo

Por volta do ano 250, quando o Cristianismo ainda não era aceito pelos romanos, ocorreu o martírio do primeiro bispo parisiense, Denis. Ele teria sido decapitado em uma colina ao norte da cidade, Montmartre (“monte dos mártires”) e – mistérios da fé! – depois teria pego sua própria cabeça nas mãos e partido para a atual St-Denis, onde foi enterrado. É ele o santo sem cabeça que se vê em tantas estátuas nas igrejas de Paris e que dá nome à cidade vizinha onde fica a abadia construída algum tempo depois de sua morte.

DicaAs histórias em quadrinhos de Astérix apresentam uma abordagem bem-humorada da Gália da época dos romanos.

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Libertação de Paris, foto Yann Caradec CCBY
Libertação de Paris, foto Yann Caradec CCBY

Paris e a Segunda Guerra: os anos de chumbo

A ocupação

A ocupação alterou brutalmente o modo de vida dos parisienses. Quase não havia ônibus; apenas um em cada sete veículos ainda rodava. O metrô deixava de funcionar entre às 11h e às 15h e seus poucos vagões estavam sempre superlotados. Também quase não havia gasolina. Antes da guerra, rodavam pela cidade 350 mil automóveis; durante a ocupação, esse número caiu para apenas 4.500, quase sempre funcionando a gasogênio. Nesses tempos de escassez, os parisienses tiveram de recorrer às bicicletas, cujos preços dispararam. Surgiu até o táxi-triciclo, idêntico ao que existe ainda hoje na Índia e em outros países da Ásia.

O abastecimento

Um dos maiores problemas era o de abastecimento. Tudo era racio-nado ou simplesmente não se encontrava para comprar, a não ser a preços exorbitantes, no mercado negro: manteiga, leite, ovos, carne, café, pão e até vinho. As filas nas portas das padarias e mercados eram comuns. O pior acontecia no inverno, quando as casas mantinham-se geladas a maior parte do tempo, pois o carvão era destinado principalmente às fábricas que trabalhavam para o inimigo.

Vídeo sobre a libertação de Paris

A situação dos judeus parisienses

Apesar da vida difícil da maioria dos franceses, foram evidentemente os judeus que mais sofreram durante a Ocupação. Num primeiro momento, além de perderem suas propriedades, foram proibidos de trabalhar como professores, médicos, advogados e até como comerciantes. Depois, em maio de 1942, começaram a ser deportados para os campos de concentração. O Marais, bairro judeu de Paris, foi palco de um dos mais lamentáveis episódios da história da França: os alemães, ao ocuparem a cidade, ordenaram à polícia francesa que prendessem todos os judeus maiores de 14 anos. O governo colaboracionista de Vichy fez mais: prendeu todos, inclusive as crianças… Mas, como a polícia é, como todo organismo, composto de diferentes pessoas, houve também policiais que se ligaram à Resistência e participaram ativamente dos combates pela libertação de Paris.

A Resistência

Inicialmente, a resistência aos alemães estava muito dividida em diferentes grupos com pouca ou nenhuma articulação entre si. A coordenação do movimento a partir de Londres pelo general Charles de Gaulle e a ajuda militar dos ingleses e americanos permitiram uma maior operacionalidade da Resistência. Enquanto durou a guerra, embora persistissem rivalidades entre comunistas e gaulistas, os dois grupos combateram juntos o invasor e realizaram diversas ações de espionagem para os aliados.

A insurreição popular

A insurreição popular contra as tropas de ocupação, comandada pela Resistência, começou no dia 19 de agosto de 1944, com a aproximação das forças aliadas. Os combates que começaram no Quartier Latin se estenderam à Préfecture de Police, na Île de la Cité, e se espalharam por toda a cidade.
Ao caminhar por Paris, principalmente pelo boulevard St-Michel e pela Place St-Michel, você verá diversas placas com os nomes dos que ali tombaram naqueles dias de agosto, muitos deles jovens estudantes. Essa insurreição foi um pouco prematura e teria sido provavelmente esmagada pelos alemães, muito mais bem armados, se não fosse a chegada dos tanques do General Leclerc, do exército francês de De Gaulle.

As diferenças entre os aliados

Ingleses e americanos tinham suas diferenças com De Gaulle e pretendiam que ele só entrasse em Paris depois da libertação pelas forças aliadas. Só que De Gaulle não esperou que ninguém o autorizasse a nada: no dia 25 de agosto, quando ainda se ouviam tiros pela cidade, ele desfilou pela Champs-Élysées com suas tropas, ao som da Marselhesa.

O esperto Von Choltitz

Comparada a outras cidades europeias, como Londres, Roterdã, Berlim e Hamburgo, Paris escapou praticamente intacta da guerra. As ordens de Hitler de arrasar Paris nunca chegaram a ser executadas pelo general Von Choltitz, comandante das tropas de ocupação. De um lado, o comandante alemão talvez já estivesse consciente de que a guerra estava mesmo perdida; de outro, talvez lhe repugnasse cumprir as ordens de um fanático alucinado e destruir uma das mais belas cidades do mundo. Sorte dos franceses e de todos aqueles que aprenderam a amar essa cidade linda! (E sorte também de Von Choltitz, que não foi pendurado pelo pescoço em Nuremberg).

A grande festa da liberação

É impossível descrever a enorme festa que foi a libertação da cidade e a alegria dos parisienses. Muita gente havia escondido bandeiras tricolores e garrafas de champagne compradas no mercado negro a preço de ouro especialmente para esse dia. Imaginem a loucura!

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O pós-guerra e a Guerra Fria

Sobre a ocupação alemã

Blanchir Vichy” Sobre a cumplicidade do governo de Vichy com relação às deportações, leia Blanchir Vichy?, de Claude Berger.

Paris brûle-t-il?, de Dominique Lapierre e Larry Collins, é um cativante romance histórico sobre os dias que antecederam a libertação de Paris. Segunda Guerra

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MAIO 1968-05

De maio de 1968 à Paris de hoje

A rebelião estudantil de maio de 1968 transferiu os antagonismos políticos para as ruas, radicalizando a queda de braço. Seus slogans tornaram-se símbolos dos valores da juventude nos anos 70: “Il est interdit d’interdire” (É proibido proibir), “L’imagination au pouvoir” (“A imaginação no poder”), “Aimez-vous les uns sur les autres” (“Amai-vos uns sobre os outros”) e coisas parecidas. Qual foi a causa do movimento? Quem ou o que os teria influenciado? Marcuse? Bakunin? Os Beatles? A Guerra do Vietnã? Não importa. Era mais uma questão de liberdade de expressão do que qualquer outra coisa.

Une certaine societé

O líder dos estudantes, Daniel Cohn-Bendit, traduziu bem o que estava acontecendo em 10 de maio de 1968, o dia mais agitado daquela conturbada primavera: “Ce qui se passe ce soir dans la rue est que toute une jeunesse s’exprime contre une certaine société” (“O que está acontecendo esta noite na rua é que toda uma juventude está se manifestando contra uma determinada sociedade”).

As barricadas

De paralelepípedos a coquetéis molotov, valeu tudo. Foram feitas quase 60 barricadas por todo o Quartier Latin, principalmente perto da Sorbonne, pelos alunos que queriam impedir que a universidade fosse tomada pela polícia.
No início, o movimento ganhou a simpatia de boa parte da população. Os moradores do bairro davam comida para os estudantes entrincheirados e jogavam água pela janela, para protegê-los, quando a polícia lançava gás lacrimogêneo. O movimento de maio de 68 abalou a França e paralisou sua capital, com reflexos em muitos cantos do mundo.

A revolta se torna interminável

Mas, apesar da simpatia inicial, o parisiense foi se cansando daquela revolta interminável, que não resultava em mudanças concretas. Os próprios operários, que conseguiram obter um polpudo aumento de salário, foram voltando ao trabalho. A aventura acabaria custando caro. Nas eleições seguintes, a esquerda, em particular o PCF, sofreu uma das piores derrotas eleitorais de sua história. Uma coalizão liderada pelo partido socialista só alcançou o poder em 1981, aplicando uma política bem moderada. Depois disso, socialistas e conservadores têm se alternado no governo.
Com a queda do muro de Berlim, enquanto o partido socialista se fortaleceu, o comunista perdeu muito terreno e hoje tem votação equivalente à da extrema direita francesa, comandada por Le Pen, forte no sul do país. De qualquer forma, o Estado de Direito e a democracia são a opção política da esmagadora maioria da população.

Paris se moderniza

Nas últimas décadas Paris se modernizou rapidamente sem perder seu charme. Bairros decadentes foram recuperados, como é o caso do Marais, cheio de construções históricas, hoje repleto de butiques, restaurantes e bares. Em Les Halles, o antigo mercado deu lugar a um shopping center e foi criado o moderníssimo Centre Georges Pompidou. Na Bastille, construiu-se a nova Opéra; na Rive Gauche, a antiga estação ferroviária de Orsay foi transformada em museu; em La Villette, na região noroeste da cidade, foram erguidas a Cité des Sciences e a Cité de la Musique. A oeste, já fora dos limites de Paris, surgiu La Défense, um bairro quase futurista. Grande parte das obras recentes da capital são parte dos Grands Travaux (grandes obras) planejados pelo presidente François Mitterrand, que dá nome à imensa e moderníssima biblioteca no bairro de Bercy.

Paris e a França de hoje

Depois de oscilar durante anos entre a esquerda e a direita, os parisienses entraram no século XXI inovando completamente ao eleger Bertrand Delanoë, um prefeito “verde”, ou seja, particularmente preocupado com o meio ambiente, e assumidamente homossexual.
No plano internacional, a França tem apostado suas fichas na integração europeia e adotou, como a maioria dos países da Europa, a moeda única: o euro.

Dica – Histoire et Dictionnaire de Paris, de Alfred Fierro (uma pena, ainda sem tradução em português), é um extraordinário e detalhado estudo sobre Paris, da Pré-História ao final do século XX.

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De Maio 1968 a Paris de hoje

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Île de la Cité, em frente
História de Paris da Primeira Guerra aos anos 1930

Os principais acontecimentos que abalaram a França e Paris da Primeira Guerra aos anos 1930

A Primeira Guerra

Declarada a guerra, os alemães conseguiram grandes vitórias iniciais, chegar a poucos quilômetros de Paris. A cidade passou a ser bombardeada. No primeiro ataque por zepelins, em 1916, morreram 26 pessoas. Paris sofreu também ataques por aviões e pela artilharia de grande alcance. O potente canhão apelidado La Grosse Bertha provocou várias mortes.

Soldados chegam à frente de batalha de táxi

A capital francesa foi salva por pouco de ser invadida, graças em parte aos taxistas, compelidos a transportar às pressas os soldados para o front. Essa foi a única vez em que soldados tomaram táxis para ir à guerra!

Mulheres vão para as fábricas

Com muitos trabalhadores convocados para a frente de batalha, começou a faltar mão-de-obra e as mulheres foram chamadas para substituí-los nas fábricas e até para guiar bondes. Importou-se também mão-de-obra estrangeira. Você vai notar que existem em Paris vários restaurantes chineses: eles foram fundados pelos descendentes dos 1700 chineses levados para trabalhar numa fábrica de blindados da Renault em 1916.

A vitória dos aliados e a paz na Europa

Primeiras linhas aéreas para Londres e Bruxelas

Com a vitória sobre a a Alemanha e a paz na Europa, já a partir de 1919 começaram a funcionar as primeiras linhas aéreas comerciais do mundo, ligando Paris a Londres e a Bruxelas.

Paris se torna um polo de atração para artistas e intelectuais do mundo inteiro

A Cidade-Luz tornou-se um pólo de atração para artistas, cineastas, pintores e escritores do mundo inteiro: Dos Passos, Hemingway, Henry Miller, Anaïs Nin, Gertrude Stein, Max Jacob, Guillaume Apollinaire, Blaise Cendrars… Todo mundo se encontrou em Paris! Nos anos 20, e principalmente nos 30, os lugares preferidos por artistas, escritores e boêmios foram Montmartre, Montparnasse e St-Germain-des-Prés.

Vídeo, Paris de 1930

Os Anos Trinta

Nos anos 1930, o mundo começava a se dividir entre duas forças antagônicas — o comunismo e o fascismo — e a conviver com a crescente ameaça de guerra. Em 1937, enquanto Paris ainda vivia um momento de grande criatividade artística e cultural, em Munique era organizada uma exposição do que Hitler considerava “arte degenerada” e Goebbels mandava queimar em praça pública as telas de Chagall. Isso fez com que diversos artistas, principalmente judeus e eslavos, deixassem seus países, buscando na França mais liberdade de expressão artística e segurança. Chagall, Modigliani, Sonia Delaunay e Foujita, entre outros frequentadores de Montparnasse, iriam constituir a Escola de Paris, formada por aqueles que não se consideravam exatamente cubistas, expressionistas ou outros “istas”.

Paris se torna uma festa para artistas como Picasso

Para muitos artistas, Paris havia se tornado um porto seguro; para outros, era simplesmente uma festa. Para Pablo Picasso — um dos maiores artistas do século XX — era as duas coisas. É notório o fato de que ele morava em Paris, no nº 7 da rue des Grands Augustins, quando pintou Guernica, em 1937, mas pouca gente sabe que Picasso já havia instalado seu ateliê na capital francesa desde 1904. Picasso criou uma profusão de obras em território parisiense. Durante sua longa estada em Paris, conviveu com outros grandes artistas, alguns dos quais influenciou, e esteve presente no nascedouro do cubismo, do fauvismo e do surrealismo.

O fim da dolce vita

Às vésperas da Segunda Guerra, os parisienses pareciam mais uma vez levar suas vidas normalmente. Em junho de 1940, sua dolce vita foi interrompida e a cidade foi ocupada pelo exército de Hitler.

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Île de la Cité, Paris
Arte e pensamento em Paris no século XIX

Arte e pensamento em Paris no século XIX

No século XIX, viveram em Paris alguns dos maiores nomes da literatura francesa. Honoré de Balzac, Victor Hugo, Émile Zola, Marcel Proust e Gustave Flaubert, assim como o contista Guy de Maupassant, são autores de clássicos universais.
A poesia também teve grandes expoentes nesse período: Rimbaud, precursor do surrealismo; o simbolista Mallarmé; o controvertido Verlaine; e o ultrarromântico Baudelaire, que traduziu melhor do que ninguém o mal du siècle (mal do século).
Precursor da ficção científica, Júlio Verne inspirou-se nos avanços tecnológicos para, com inigualável criatividade, escrever suas obras para os jovens. Tornou-se um dos pais da ficção científica com Da Terra à Lua, Viagem ao Centro da Terra e 20.000 Léguas Submarinas.

Pintura

Na pintura surgiu um novo movimento — o Impressionismo — que rompeu com o academicismo da pintura de salão. Inicialmente boicotados, artistas como Renoir, Monet, Manet, Pissaro, Van Gogh, Gauguin e Berthe Morisot passaram a privilegiar o que o artista vê e sente. A palavra impressionismo foi inventada por um crítico que pretendeu satirizar o quadro de Monet, Impression, Soleil Levant. Hoje quase ninguém se lembra do nome desse crítico, mas todo mundo sabe quem é Monet!

Escultura

Muitos escultores talentosos habitaram a capital francesa no século XIX, mas um nome se destaca entre todos: Auguste Rodin, nascido em Paris em Paris, em 12 de novembro de 1840 e falecido em Meudon em 17 de novembro de 1917. Rodin teve uma vida tumultuada, principalmente em razão de sua relação tumultuada com discípula, também escultora, Camille Claude, que se tornou sua amante. O filme Camille Claudel (França, 1988) aborda a vida da escultora e seu relacionamento com o escultor. Há em Paris no bairro dos Invalides um museu inteiramente dedicado à sua obra, uma visita imperdível, o Musée Rodin.

Os revolucionários

A Paris do século XIX foi também berço de ideias que transformariam a visão de mundo de então. Proudhon, pai da doutrina anarquista, os discípulos do “socialista-científico” St-Simon, dentre os quais Auguste Comte, criador do Positivismo, e o próprio Karl Marx também viveram na capital francesa nessa época e suas ideias tiveram reflexos em vários acontecimentos históricos em todo o mundo, desde a Comuna de 1871 até os movimentos revolucionários do século XX.

Dica – Para ter uma ideia de como era a vida na capital francesa durante a Comuna de Paris, leia Paris Babilônia, de Rupert Christiansen.

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Paris na Belle Époque
Paris, France

Belle Époque em Paris: rompimento com valores tradicionais

O período entre a última década do século XIX e a Primeira Grande Guerra, conhecido como a Belle Époque, simboliza, até hoje, glamour e rompimento com o tradicional. Foram anos felizes, ao menos para a classe que tinha dinheiro e acesso aos frutos do progresso, a elite disposta a se deixar impressionar pelos delírios criativos de “rebeldes”, como Toulouse-Lautrec, Mucha, Sarah Bernhardt, Guimard e Aristide Bruant. Dois desses nomes estão intimamente associados, nas artes plásticas, ao estilo Art Nouveau, sinônimo desse começo de século: o pintor Toulouse-Lautrec e Alphonse Mucha, que começou desenhando cartazes para o teatro de Sarah Bernhardt.

A Belle Époque na arquitetura em Paris

O polêmico Hector Guimard, arquiteto de estilo ousado, foi um dos maiores expoentes da arquitetura desse período, caracterizada pelo uso do ferro forjado, do vidro e de colunas nas construções. A utilização do ferro permitia a elaboração de arcos e grades, formando plantas, flores e outros detalhes decorativos. A arquitetura residencial tornou-se menos padronizada, com detalhes mais ricos e fachadas enfeitadas com estátuas de inspiração greco-romana. Preste atenção e você perceberá a diferença entre os imóveis desse período e os sóbrios prédios haussmannianos, todos iguais. Um bom exemplo da arquitetura Art Nouveau é o Castel Béranger, em Auteuil.
Por trás de tudo, a intenção era democratizar a arte e a arquitetura, tornando-as acessíveis a todos. O estilo de Guimard, por exemplo, consolidou-se com as estações de metrô. Era a arquitetura para o uso da população, voltada para um meio de transporte que, em princípio, devia ser o mais democrático possível.

Paris na Belle Époque

A Exposição Universal

Escolhida para receber a Exposição Universal por dois anos consecutivos, Paris ganhou em 1899 a Tour Eiffel e em 1900 dois novos e belos edifícios: o Petit Palais e o Grand Palais. Outros pavilhões monumentais, construídos em metal coberto de estuque, entre os Invalides e os Champs de Mars, foram demolidos no fim das exposições. (Esse “desperdício” era possível graças à prosperidade da época). A Paris modernizada tinha agora iluminação a gás nas vias públicas e ônibus puxados por cavalos ligando os diferentes bairros.

A vida em Paris durante a Belle Époque

Além do transporte público, havia carroças, charretes, carruagens e outros veículos de tração animal, o que tornava o trânsito infernal em alguns bulevares. Num só dia, 60 mil veículos, 70 mil cavalos e 400 mil pedestres passavam em média por cada um dos cruzamentos mais importantes da cidade. A população e os jornais reclamavam dos montes de estrume equino nas ruas e do cheiro de estrebaria que tomava conta da cidade, principalmente no verão. O metrô, inaugurado em 1900, e o bonde, inicialmente a vapor, depois elétrico, foram parte da solução, mas muitos acreditavam que a poluição só acabaria com a utilização generalizada de veículos com motor a explosão. Não haviam pensado ainda em fazer rodízio de cavalos!

Tudo fervilhava em Paris da Belle Époque

A extravagância virou moda. Na literatura, o estilo malicioso e sensual fazia escola. A moda realçava os contornos femininos; a cintura fina, apertada por cintas elásticas, culminava em pregas de tecido que avolumavam os quadris. Os decotes mais ousados revelavam os seios comprimidos em corpetes. Nunca as parisienses deram tanta atenção à maquiagem.
Com a invenção do cinematógrafo (o primeiro projetor de filmes) pelos irmãos Lumière, em dezembro de 1895, foi feita a exibição pública dessa grande novidade. O local escolhido foi o Grand Café, no Bd. des Capucines, cujo salão Indien, no subsolo, tornou-se a primeira sala de cinema do mundo. Isso hoje pode nos parecer engraçado, mas quando foi exibido o curta-metragem L’Arrivé du Train à la Ciotat (“Chegada do trem em Ciotat”) mostrando uma locomotiva aproximando-se da estação, muitos dos espectadores se encolheram ou se levantaram assustados, temendo que o trem viesse sobre eles!

Video sobre o filme “Meia-Noite em Paris”

Os cafés-concerts, marca registrada da Belle Époque

Os cafés-concerts, com preços acessíveis e variedade de opções de lazer, trouxeram o prazer ao alcance de todas as classes sociais, concorrendo com o circo e o teatro. Cada um podia chegar ou sair quando quisesse, sem ter de esperar o final da apresentação. Era um local onde se podia comer, beber e fumar com os amigos ou mesmo conseguir a companhia de uma cortesã ou corista.
A maioria dos cafés-concerts situava-se na região norte de Paris, no Boulevard de Strasbourg, nas proximidades da Porte Saint-Denis, de onde se expandiram rapidamente. Sua programação era uma mistura de teatro, recitais de poesia, circo e algumas inovações como acrobatas, bailarinas orientais, cantores, palhaços e equilibristas. Satirizavam-se os poderes estabelecidos, por meio de anedotas sobre políticos e personagens famosos.

Le Chat Noir, o Moulin Rouge e o Folies-Bergères

Um gato negro miando numa alçada foi a inspiração para o nome de uns dos primeiros e mais famosos desses templos do lazer: Le Chat Noir. (Quantos turistas brasileiros não resistiram à tentação de comprar uma reprodução dos pôsteres desse cabaré, vendidos nas margens do Sena?).
Em seguida surgiram o Moulin Rouge e o Folies-Bergères, que na época eram cafés-concerts, além do Lapin Agile, que mantém a tradição até hoje.

Os grands boulevards

Os grands boulevards, a primeira região de Paris onde começaram a se instalar cinemas, eram animados dia e noite e se tornaram um lugar da moda. Em 1894, o futebol, trazido da Inglaterra, apenas começava a despertar o interesse dos franceses. O vencedor do primeiro campeonato da França de futebol, o Standart Athlétic Club de Paris, tinha um só jogador francês para dez ingleses! (Como foi que os franceses aprenderam a jogar tão direitinho?)

Santos Dumont

Logo no começo do século, um brasileiro deu muito o que falar em Paris, o “Petit Santos” — nosso Alberto Santos Dumont. Depois de seus primeiros ensaios (em um dos quais ele acabou caindo sobre um restaurante no Trocadéro), o aeronauta conseguiu, com o pequeno dirigível Brasil, fazer o percurso St-Cloud/Tour Eiffel/St-Cloud em menos de 30 minutos e ganhar o prêmio Deutsche de la Meurthe. Os 100.000 francos que recebeu foram distribuídos entre seus colaboradores e pessoas necessitadas. Em 1906, os parisienses viram entusiasmados o 14 Bis percorrer 220 metros, voando a 6 metros de altura e obtendo o primeiro recorde homologado da história da aviação.

As conquistas sociais

No campo social, algumas conquistas foram aos poucos sendo obtidas pelos operários e em 1906 o repouso semanal tornou-se obrigatório. Com isso, muita gente saía de Paris aos domingos e os déjeuners sur l’herbe (almoços ao ar livre) e bailes campestres foram se tornando comuns. São dessa época as guinguettes (restaurantes dançantes) às margens do rio Marne, perto de Paris.

Paris na Belle Époque: quase três milhões de habitantes

Em 1910, quando foi concluída a Basílica de Sacré-Coeur, a cidade já atingira 2,9 milhões de habitantes, o que representa mais do que sua população atual, se excluirmos a periferia.
Foi um momento de muita produção artística e o auge do Impressionismo, quando diversos pintores famosos se estabeleceram em Montmartre. Essa fase dourada da Belle Époque durou até 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial.

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