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Itália, Monumento a Vittorio Emanuele

A Itália hoje

Importante membro da União Europeia, a Itália hoje pouco lembra o país destruído pela Segunda Guerra retratado nos filmes dos anos 1950. Tem um norte bastante industrializado, um comércio exterior ativo e uma economia na qual o turismo ocupa papel relevante. Aderiu há anos ao euro e à ideia de uma Europa mais atuante no cenário mundial, hoje dominado por uma só potência.

Mapa da Itália

As dificuldades

Embora seja verdade que a maioria dos italianos tenha clara preferência pela democracia, o país ainda se vê às voltas com problemas sérios, como a pobreza, que ainda é uma realidade no mezzogiorno (região sul), além da corrupção, da máfia e do enorme peso do poder de uma direita nostálgica do fascismo que domina a maior parte dos meios de comunicação.

Vídeo sobre a Itália

 A corrupção

Felizmente, muitos jornalistas têm opinião própria e a imprensa continua tendo um papel de quarto poder. O tempo todo há denúncias de corrupção contra certos políticos e estouram escândalos que envolvem grandes empresários. É senador que aparece com um dossiê debaixo do braço, é gente graúda envolvida em cambalachos, é um grupo de políticos indo se divertir em Bora Bora com dinheiro público… Assista à TV italiana no seu quarto de hotel e você se sentirá em casa! Em matéria de corrupção, só fica atrás da máfia instalada no Congresso Nacional brasileiro e no Planalto.

O milagre italiano

O milagre italiano é que, apesar de ter saído arruinado da Segunda Guerra Mundial e apesar da corrupção endêmica, a Itália hoje é uma potência. Mesmo com as desigualdades econômicas regionais, a Itália é uma nação cada vez mais integrada e uma das grandes economias mundiais (ultrapassando a Inglaterra!). Além da instalação de polos industriais no sul do país, o turismo, importante fonte de divisas e de empregos, tem aberto novas perspectivas para o mezzogiorno. Esperamos que a implantação de novas zonas industriais leve em conta a necessidade de preservação de regiões belíssimas

Imigrantes - Foto takomabibelot CCBY

O problema da imigração na Itália

A situação geográfica do país agrava os problemas de imigração na Itália, uma península avançando Mar Mediterrâneo adentro, pode no passado ter facilitado muito as conquistas romanas e o domínio do mundo de então, limitado principalmente às regiões mediterrâneas e a costa atlântica.

Mapa da Itália

A proximidade com a África e o Oriente Médio é hoje um problema

Atualmente, entretanto, a proximidade com a África e o Oriente Médio transformou a Itália num dos países mais procurados por refugiados e por imigrantes clandestinos. Quase todo dia um barco sobrecarregado de pobres diabos naufraga e grande número de pessoas morrem afogadas na tentativa frustrada de chegar à Sicília pelo Mediterrâneo.

O avanço da extrema-direita

Como vem acontecendo em outros países do continente europeu, ocorre um preocupante avanço da extrema-direita na Itália, motivado em boa parte pela dificuldade dos partidos democráticos de lidar com o problema da imigração clandestina.

Os imigrantes

É verdade que, até há algum tempo, alguns desses imigrantes ilegais eram jovens homens sozinhos que se dedicavam a pequenos tráficos, tornavam-se camelôs e viviam de expedientes, embora  a maioria sempre tenha trabalhado pesado, pago seus impostos e feito aqueles serviços que os italianos não querem mais fazer (limpar bueiro, recolher lixo…). Todos, porém, sempre foram discriminados. O italiano comum se sente incomodado com camelôs, mendigos, traficantes e um monte de gente de uma cultura totalmente diversa da sua. Até os mais “politicamente corretos” começaram a reclamar. Agitando a bandeira do combate à criminalidade (como se todos os imigrantes fossem criminosos), a extrema-direita acaba transformando esse mal-estar em votos.

Os refugiados

A discriminação contra os estrangeiros se agravou neste início do século XXI com a chegada maciça de refugiados, que buscam, em geral acompanhados de suas famílias, a sobrevivência, que se tornou impossível em seus países de origem, sobretudo a Síria. É um novo perfil de imigrante, cuja recepção é uma questão humanitária.

A guerra na Síria

As diferenças geopolíticas entre os EUA e a Rússia na Síria, a situação do Afeganistão e outros países e, principalmente, o Estado Islâmico, compõem um quadro de difícil solução. Diga-se de passagem, a malfadada intervenção norte-americana no Iraque durante o governo George Bush filho apenas agravou  as rivalidades religiosas entre as duas principais facções religiosas muçulmanas – xiitas e sunitas. Também o apoio americano a Israel, governado por uma coalizão de extrema-direita, que se julga no direito de, desrespeitando resoluções da ONU, criar colônias nos territórios palestinos, bombardear escolas da ONU que abrigavam crianças palestinas, contribui para aumentar o ódio islâmico ao mundo ocidental e incentiva o antissemitismo. Os fanáticos sanguinários do Estado Islâmico e outros do gênero precisam ser detidos. E talvez não apenas com o uso de aviões, mas também de tropas terrestres. Mas, americanos e israelenses têm uma boa igualmente sua parcela de culpa nesse imbroglio que se transformou o Oriente Médio. O que podemos esperar nesse momento é que o repúdio à política do governo de Israel não transforme as pessoas em antissemitas. Também não é justo culpar toda a pacífica comunidade muçulmana pelas barbaridades cometidas pelo Estado Islâmico. Aliás, as principais vítimas dos ataques terroristas são muçulmanos, mais do que os cristãos e judeus.

Sobre o problema do conflito na Palestina, leia a matéria A paz no Oriente Médio

A Itália hoje

Florença, Itália
A Itália no pós-guerra

A Itália no pós-guerra

Militarmente muito mais fraca que a Alemanha, a Itália, primeiro país tomado pelos aliados, saiu arruinada da guerra. A Itália no pós-guerra tinha sua economia estagnada. O país estava dividido e empobrecido. Mas, desta vez a divisão era entre a democracia-cristã, apoiada pela Igreja Católica e o Partido Comunista Italiano que saira fortalecido com a derrota do fascismo, já que boa parte dos partigiani eram comunistas.
Mesmo com a recuperação econômica do país a partir de 1950, a Itália foi muito afetada pela Guerra Fria, que dividiu ideologicamente a população.

A república

O último rei, Vittorio Emanuele III, conservou o trono até o final do conflito, mas, em 1946, um referendo popular instalou a república parlamentarista no país. Apesar de a instabilidade política, a Itália democrática foi se recuperando, a produção agrícola e industrial voltou a crescer. Embora o sul da Itália permanecesse pobre, o centro e o norte do país mantiveram-se dinâmicos e produtivos.

A Máfia

Um dos grandes problemas da Itália no pós-guerra foi a atividade mafiosa. Ela se concentrava não apenas na Sicília, mas também em Nápoles e na Calábria. Sob o comando de alguns juízes corajosos, muitos dos quais terminaram assassinados, a Máfia foi combatida com energia e quase extinta. Mafiosos conhecidos foram parar atrás das grades.

O poder político compartilhado

Apesar de o poder político central ficar em mãos de partidos conservadores (a democracia cristã e seus aliados, agrupados em frágeis composições parlamentares), o forte Partido Comunista governava diversas regiões e cidades por toda a Itália. Parte da esquerda mais radical, entretanto considerava o Partido Comunista excessivamente moderado e exigia mudanças radicais.

Dica

 Há ótimos livros sobre a Itália nesse período. Leia Giovanni Guaresch, autor da série “Dom Camilo”, que tem como cenário uma cidadezinha italiana.  O enfoque é sobre as rivalidades entre o páraco (Dom Camilo)  e o prefeito comunista Peppone. Os livros até viraram filmes, com o francês Fernandel no papel de Dom Camilo. No mínimo você dará boas risadas ao ler ou livro ou assistir o filme.

As Brigadas Vermelhas

Enquanto os comunistas aceitavam o jogo democrático, os ultrarradicais de esquerda das Brigadas Vermelhas partiram para o terrorismo, com diversos atentados que abalaram o país entre 1968 e 1979, culminando com o brutal assassinato do ex-Primeiro-Ministro Aldo Moro, democrata-cristão propenso à negociação e disposto a aceitar a participação da esquerda democrática no governo.

A queda do Muro de Berlim e o fim da Guera Fria

Com a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, o Partido Comunista Italiano perdeu boa parte de seu prestígio, embora, entre os partidos comunistas europeus, fosse o menos dogmático e o mais independente em relação ao soviético. Sua referência ideológica, a União Soviética desabara, o comunismo tornara-se desacreditado.

A Comunidade Econômica Européia

Reforçando seus laços com os demais países do continente, em 1957 a Itália se tornou um dos membros fundadores da Comunidade Econômica Europeia. A integração européia foi benéfica para a Itália, o padrão de vida de sua população melhorou. Projetos industriais bi-nacionais ou pluri-nacionais passaram a ter importante participação italiana.

Berlusconi

No parlamento, Sílvio Berlusconi, do partido de direita Forza Itália, que praticamente monopolizava os meios de comunicação no país, governou a nação durante anos, apesar das evidências de corrupção e outros escândalos, envolvendo-o. Só a muito custo foi afastado.

A Itália no final do século XIX

Depois disso a Itália passou a ser governada por coalisões de diferentes tendências, sendo comuns as  crises políticas no parlamento.

A economia italiana conseguiu acompanhar a de seus parceiros da União Europeia. Em nenhum momento, entretanto, o país chegou a quebrar, mesmo com toda a União Europeia passando por momentos difíceis.

O caso Mattei

Entre os homens mais influentes do país no início da década de 1960 estava Enrico Mattei, um católico que havia lutado contra fascismo como partigiano e liderava a estatal energética ENE. Mattei imprimia a essa empresa uma política independente, que afrontava o cartel petroleiro anglo-americano (as chamadas “Sete Irmãs”).

Por uma Itália neutra – Mattei achava também que a Itália deveria se distanciar da OTAN e manter-se neutra no caso de um conflito entre russos e americanos. Quando a tensão atingiu seu ápice, com a crise dos mísseis em Cuba, e o mundo estava à beira de um holocausto nuclear, tornou-se impossível para a OTAN aceitar a perda de um aliado com o peso da Itália.

A influência de Mattei A CIA considerava a influência de Mattei perigosa: ele precisava ser eliminado. Quando o avião que o levava à Sicília estava prestes a aterrissar, uma bomba explodiu no trem de pouso. A investigação a respeito da morte de Mattei não deu em nada. Quem se atrevesse a fazer uma apuração independente, morria; provas e testemunhas desapareceram.

Um assunto que foi tabu durante muitos anos – Durante muitos anos, esse assunto foi tabu. Desconfiava-se, e hoje já se sabe (principalmente depois das confissões de mafiosos presos), que foi a Máfia, colaboradora da CIA à época na execução de certos trabalhos sujos, quem fez o serviço – com a provável cumplicidade de membros pró-americanos do serviço secreto italiano.
“O caso Mattei “é tema de um excelente filme  de Francesco Rossi.

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O problema da imigração

Tanque americano na Segunda Guerra

A Itália na Segunda Guerra

Rejeitado pelas potências democráticas, Mussolini aproximou-se da Alemanha nazista de Hitler (com a qual tinha mais afinidades ideológicas, diga-se de passagem) e, em 1940, entrou na guerra ao lado dos alemães.

Os partigiani

A corajosa luta da Resistência Francesa teve seu equivalente na Itália durante a Segunda Guerra. Os partigiani italianos, homens e mulheres, de diversas tendências políticas, unidos contra o nazifascismo, enfrentaram dificuldades ainda maiores que os resistentes na França. Esses lutavam contra o invasor estrangeiro e tinham a simpatia da quase totalidade de seu povo (que, na medida do possível, lhes dava abrigo), enquanto os partigiani lutavam contra o regime de seu próprio país, que tinha, ao menos inicialmente, apoio popular. Ser antifascista soava antipatriótico ou, pior, comunista, como no Brasil da ditadura militar (“Itália, ame-a ou deixe-a”), e houve duros embates entre os próprios italianos. Só depois que o país foi ocupado pelos alemães os partigiani ganharam a simpatia da maior parte da população.

Mapa da Itália

Os pracinhas brasileiros

Durante a Segunda Guerra Mundial foi para a Itália que os nossos pracinhas seguiram, depois que Getúlio Vargas finalmente optou por apoiar os aliados. Os soldados brasileiros desembarcaram na Campânia para participar do esforço de guerra dos Estados Unidos e ali mesmo começaram os problemas. De início, não tinham equipamentos e fardas adequadas ao frio; depois, o transporte de tropas prometido pelos norte-americanos não deu as caras, e nossos soldados, de mochila nas costas, tiveram que caminhar por trinta quilômetros até o local onde se juntariam ao exército aliado. Desarmados, foram inicialmente confundidos com prisioneiros alemães, até que os norte-americanos perceberam que aquela tropa, formada não só por brancos, mas também por mestiços e negros, não era exatamente um exemplo de exército ariano. (“Take a look, Joe, aren’t those the guys who came from Buenos Aires?…”)

Treinamento militar superficial

 O treinamento militar que receberam foi superficial, mas, mesmo assim, nossos pracinhas não fizeram feio. A FAB, Força Aérea Brasileira, também participou da guerra. Nosso grupo de aviação de caça, com 22 pilotos, executou cerca de sessenta missões de combate direto, sem direito a licença, diferentemente dos norte-americanos que, após 35 missões, podiam tirar alguns dias de folga.

Os combates nos Apeninos

Em 16 de setembro de 1944, os pracinhas partiram para seu primeiro combate em Monte Bastione, nos Apeninos, e mais tarde, para batalhas importantes, como as de Monte Castello, Montese, Castelnuovo e Fornovo, suportando temperaturas bem abaixo de zero. Mulheres brasileiras também se alistaram como enfermeiras. No total, aproximadamente 25 mil brasileiros participaram da guerra na Itália, sendo que mais de 400 de nossos soldados perderam a vida por lá e foram enterrados em Pistoia, perto de Florença. Só muitos anos depois seus restos mortais foram trazidos para o Brasil.

O início do fim

O início do fim de tudo isso começou quando Hitler teev a insensatez de invadir a União Soviética, criando um segundo front a leste, mas sendo detidos pelos russos em Stalingrado. Pouco depois os Estados Unidos entraram também na guerra. Isso ajudou a desequilibrar ainda mais a situação para a Alemanha, a Itália e o Japão, as potências do Eixo. A Itália, mais fraca foi a primeira a cair.

Mussolini tenta escapar e é capturado e enforcado

Após meses de combates, bombardeios e mortes, os aliados dominaram o norte da Itália. Mussolini tentou fugir para a Suíça, mas foi pego no caminho e executado pelos partigiani (guerrilheiros antifascistas) com sua amante, Clara Petacci, em 28 de abril de 1945. No dia seguinte, seus corpos foram expostos na Piazzale Loreto, em Milão. Poucos dias depois, em 8 de maio, acabaria enfim a guerra.

Dicas de filmes sobre a Segunda Guerra na Itália

Carissimi f… amici, La Notte di San Lorenzo, Massacre in Roma e La vita è bella são excelentes filmes que retratam, sob diferentes ângulos, as agruras vividas pelos italianos durante a Segunda Guerra Mundial. Quem ainda não assistiu a eles deve ir correndo para a locadora!

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A Itália no pós-guerra

Benito Mussolini - Foto Carlo Alfredo Clerici CCBY
Mussolini pouco depois de tomar o poder em Roma

O fascismo

A Itália chega atrasada ao banquete colonial

A Itália, em razão de sua reunificação tardia, chegou atrasada ao banquete colonial que se seguiu ao período das grandes navegações, quando outros países europeus, como Inglaterra, França, Portugal, Espanha e Holanda, já haviam há muito estabelecido colônias nas Américas, na Ásia e na África.

As sobras do colonialismo

No fim do século XIX, a monarquia italiana, ressentida, tentou amealhar alguma coisa do pouco que sobrou, com uma política extemporânea e de alto custo financeiro e político, ocupando a Somália e a Eritreia, dois países africanos paupérrimos. Mais tarde, a Itália ocuparia ainda a Líbia e, durante o governo fascista, a Etiópia – um fiasco.

A tensão política

Boa parte da população italiana era contrária a essas guerras e vivia miseravelmente. O operariado pouco se beneficiava da industrialização. Esse quadro favoreceu a luta de classes e o proselitismo político em torno de ideias revolucionárias, anarquistas em um primeiro momento, comunistas mais tarde. Em 1900, o rei Umberto I foi assassinado por um anarquista e sucedido por Vittorio Emmanuele III.

A Itália frustrada

A monarquia, que na Primeira Guerra Mundial havia se aliado à França, à Inglaterra e aos Estados Unidos contra o império alemão, no anos 20, se desiludiu. Quando a Primeira Guerra chegou ao seu término, a Itália encontrava-se mergulhada numa séria crise econômica e social. Greves e manifestações  eram frequentes. Apesar de estar do lado vitorioso, a Itália não obteve nenhum dos territórios que os aliados lhe haviam prometido.

O acirramento das tensões

A insatisfação reinante só contribuiu para o acirramento das tensões sociais, logo capitalizadas por grupos radicais, comunistas e, principalmente fascistas, cada vez mais poderosos, apoiadores de Benito Mussolini. O fascismo de Mussolini era uma doutrina totalitária de direita, nacionalista, militarista e racista, inimiga tanto da democracia, quanto do comunismo, seu grande rival.

A tomada do poder pelos fascistas

Sentindo-se cada vez mais fortalecido e com a Itália governada por uma monarquia  anêmica, Benito Mussolini formou grupo paramilitar: a Milizia Volontaria per la Sicurezza Nazionale, conhecidos como  camicie nere (camisas negras) conhecidos por suas ações violentas contra oponentes. Confiante em seu sucesso, decidiu em 1922, realizar uma Marcha sobre Roma para ocupar a cidade e tomar o poder. Funcionou. Mussolini, vitorioso, tornou-se Il Duce; em outras palavras, um ditador que por mais de vinte anos dominou a Itália.

Os novos aliados 

Rompendo com os antigos aliados, juntou-se à Alemanha hitlerista, formando as Potências do Eixo. A Itália foi tomada antes da Alemanha, numa guerra em que até o Brasil tomou parte.

O enforcamento de Mussolini

 Mussolini, capturado pelos partisani italianos (guerrilha anti-fascista), foi enforcado em praça pública e pendurado juntamente com sua amante, de ponta cabeça juntamente com sua amante sua amante Clara Petacci.

O Tratado de Latrão 

Com seu trabalho “diplomático” com a Igreja, conseguiu algo que há muito a Itália esperava: em 1929 foi assinado o Tratado de Latrão, por meio do qual o Vaticano foi declarado um Estado politicamente independente da Itália e o papa renunciou ao seu poder temporal sobre Roma.

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A Itália na Segunda Guerra

Giuseppe Garibaldi foto -Jean-Pierre Dalbéra_files
Giuseppe Garibaldi foto -Jean-Pierre Dalbéra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O despertar nacional italiano

Outro que andou pela Itália, mas não propriamente para um tour cultural, foi Napoleão Bonaparte, que ocupou Roma em 1796. Com sua queda, a Itália foi formalmente dividida pelo Tratado de Viena de 1815: os Habsburgos austríacos ficaram com o Vêneto e a Lombardia e os Bourbons franceses com a Sicília, Nápoles e parte do sul, enquanto a região central – os chamados Estados Pontifícios – se manteve sob o domínio da Igreja.

Mapa da Itália

O que sobrou do país ?

Nas mãos dos italianos mesmo ficaram só o Piemonte, a Ligúria e a Sardenha, controlados pela Casa de Savoia.
A ideia de um Estado italiano unificado nunca havia sido abandonada e a insatisfação, acentuada pela miséria e pela fome, foi se tornando crescente sobretudo partir de 1820, com insurreições ocorrendo em vários pontos da península.

Giuseppe Garibaldi

Algumas décadas depois, entraria em cena Giuseppe Garibaldi, que já lutara no Brasil na Guerra dos Farrapos (daí o título de “Herói dos Dois Mundos”) e se casara com a brasileira Anita. Sua atuação iria acelerar positivamente os acontecimentos. e ajudar a arregimentar o povo italiano na sua luta por uma pátria unificada. Garibaldi também passou por momentos difíceis, já que tinha poderosos inimigos, com seus próprios interesses, contrários à unificação. Perseguido, conseguiu se asilar na independente República de San Marino, incrustrada na região italiana da Emilia-Romagna, a salvo, portanto de seus perseguidores, mas pronto para prosseguir a luta no momento favorável.

A efêmera república de Roma

Em 1848, ele e Mazzini, outro líder revolucionário do Risorgimento, chegaram a ocupar Roma e a criar uma efêmera república, que durou até o ano seguinte. Garibaldi, entretanto, não desistiria tão facilmente e, em 1860, com a Marcha dos Mil, acabou por vencer os Bourbons em Nápoles e na Sicília.

A Casa real de Savoia

Um pouco antes disso, no norte do país, a Casa real de Savoia tinha conseguido expulsar os austríacos de Milão. Ora, Milão é nada mais, nada menos do que a principal metrópole do norte da Itália em riqueza, população e produção industrial.

A unificação italiana

A proclamação da unificação italiana ocorreu somente em 1861, na cidade de Milão, quando Vittorio Emanuele II anexou o sul da Itália, a Toscana (Florença), a Emilia Romagna e parte dos Estados Pontifícios. Faltavam ainda Veneza (anexada em 1866), Roma (em 1870), Trento e Trieste (em 1918). O Estado italiano é mais novo que o brasileiro!

Língua italiana? Qual delas?

Quando se obteve a reunificação da Itália, surgiu um problema: qual língua seria a oficial do país? Em cada região se falava um idioma diferente. Um napolitano não entendia o veneziano, um milanês não compreendia o que os sicilianos falavam. Todo mundo pode imaginar a polêmica, em se tratando de italianos, muito mais apegados à sua região do que a península itálica, que sempre foi dividida e falando dialetos diferentes. Sem falar que cada um tinha sua própria concepção de como uma palavra deveria ser escrita…  Finalmente, equipes de filólogos e gramáticos reunidos se decidiram pelo óbvio. A única região que possuía uma verdadeira língua escrita com uma gramática e obras publicadas (O “Inferno de Dante” é um bom exemplo), é a Toscana, ou mais exatamente Florença, sua capital. Além disso os fiorentinos possuiam casas bancárias que já redigiam contratos de empréstimo de dinheiro e possuiam uma redação estabelecida. Assim, a língua oficial italiana ficou sendo o fiorentino…

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O fascismo

Área arqueológica central
Área arqueológica central

A Itália redescoberta

O século XVIII colheu os frutos das mudanças que vinham ocorrendo no pensamento e na ciência em toda a Europa. Depois de cientistas como Newton, Kepler e, é claro, do próprio Galileu, já não dava para acreditar piamente em dogmas; o homem havia encontrado meios de descobrir – e comprovar! – leis da natureza e de criar máquinas e aparelhos antes impensáveis, como o telescópio e o barômetro.

Mapa da Itália

Os revezes da Igreja Católica

A Igreja havia perdido força em grande parte do território europeu depois do advento do Protestantismo. Os filósofos iluministas franceses, por sua vez, materializavam em suas obras novas ideias políticas que iriam sacudir o mundo ocidental e remodelá-lo por inteiro.

A realidade italiana

Na Itália, porém, a realidade política era muito diferente da francesa, por exemplo, onde reinava o monarca absoluto Luís XVI. O poder estava muito dividido e a parte central do território italiano ainda era controlada pelo papa. Portanto, os reflexos do Iluminismo foram sentidos na arte, mas muito pouco na política. Esta foi a era do florescimento da ópera e do esplendor barroco, no entanto, a Itália esteve um tanto quanto à margem do que ocorria no restante da Europa Ocidental.

O jurista Cesare Beccaria

O grande pensador iluminista italiano foi Cesare Beccaria, um notável jurista que, muito adiante de seu tempo, entendia, entre outras coisas, que as penas deveriam ser proporcionais à gravidade dos crimes; que não deveria haver penas desumanas, demasiadamente severas ou que implicassem sofrimento físico; e que a pena de morte deveria ser abolida por completo. Seu livro, “Dos delitos e das penas”, é até hoje um clássico da literatura jurídica.

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 O despertar nacional italiano

Os grands tours pela Itália

Um fato curioso que acabou colocando a Itália em evidência durante esse século foi que a riqueza do patrimônio histórico e cultural italiano chamou a atenção daqueles que podem ser considerados os ancestrais dos primeiros turistas. O Grand Tour (em grande estilo, não uma excursão em classe econômica como se faz hoje…) tornou-se moda entre intelectuais, escritores e filósofos europeus, como Goethe, Stendhal e Byron, que percorriam o país em longas viagens culturais, verdadeiras aventuras numa época em que não existiam nem mesmo trens. Eles queriam ver com os próprios olhos as cidades e os monumentos sobre os quais liam nos livros clássicos — e não se arrependeram!

É muito interessante saber como era a Itália e como eram as viagens naquela época, em que não existia infraestrutura turística (e muito menos guias de viagem…), lendo o clássico “Viagem à Itália”, de J. W. Goethe.

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David de Michelangelo, Florença, Itália - foto aninha Gonçalves
David de Michelangelo, Florença, Itália – foto Aninha Gonçalves

A Renascença Italiana

O desenvolvimento do comércio e o interesse por mercadorias do Oriente provocaram o aparecimento de mercados semanais regulares, além das feiras em determinadas cidades, que atraíam compradores de toda a Europa. É claro que mercados dessa importância não podiam funcionar na base da troca de mercadorias, daí o ressurgimento da moeda e posteriormente a criação da letra de câmbio pelos banqueiros florentinos no fim do século XIII, para evitar o transporte de ouro e prata por estradas e mares inseguros.

O desenvolvimento da atividade bancária

A atividade bancária, que surgiu nesse contexto, era exercida por comerciantes que possuíam capital acumulado, muitos deles judeus, já que a Igreja (para inglês ver…) proibia a prática da usura por católicos.

As grandes cidades italianas

Quase sempre rivais, as princiáis cidades italianas – tornaram-se bastante prósperas, cunhavam suas próprias moedas, e as mais importantes repúblicas marítimas (Gênova, Pisa, Veneza e Amalfi) tinham suas frotas navais, que disputavam o domínio do Mediterrâneo.

O centro da Itália, a referência cultural da Europa nessa época

Entre a última década do século XIII e o começo do século XIV, Dante, Petrarca e Bocaccio criaram suas obras-primas, que consolidaram o uso do florentino como a língua italiana escrita num país com dezenas de dialetos. Apesar de o papado ter se transferido para Avignon em 1309, só retornando para Roma em 1376, o centro-norte da Itália conservou sua posição como a mais importante referência cultural da Europa. A região, com ricos centros urbanos onde comerciantes abastados e banqueiros dominavam a vida política, beneficiou-se de um grande desenvolvimento artístico e intelectual. É provável até que a ausência temporária do papado tenha favorecido a liberdade de criação e a circulação de ideias.

O berço natural da Renascença

Como sede do Império Romano e principal herdeira da cultura latina, é natural que a Itália estivesse destinada a se tornar o berço da Renascença. Enquanto os normandos conquistavam todo o sul da Itália, no centro-norte o poder continuava dividido entre cidades-estados independentes, como Siena, Florença e Milão, dominadas por poderosas famílias ducais, ou como Veneza e Gênova, governadas por oligarquias eleitas pelos nobres. Diversos desses governantes eram esclarecidos e incentivavam a cultura e a arte, cercando-se de artistas e filósofos. Foi esse ambiente que propiciou, nas cidades toscanas, particularmente em Florença, a Renascença, ou Renascimento, período de florescimento artístico e cultural, depois da longa noite medieval em que pouco se produziu.

Roma, pobre e insalubre

Ao contrário das prósperas cidades toscanas e de outras no norte da Itália, Roma estava pobre, insalubre e com seus monumentos em ruínas. Em nada lembrava a orgulhosa capital do maior império do mundo antigo.
Esse foi, portanto, um período de profundas transformações numa sociedade até então agrária e com uma vida cultural centralizada na Igreja, que havia imposto sua visão teocêntrica de mundo nas ciências, nas artes e nos costumes.

As artes plásticas

Na pintura, a influência bizantina começou a se transformar pelas mãos de Giotto, um dos primeiros grandes mestres italianos do fim do período medieval, assumindo cores e formas bem latinas.

A arquitetura

A Idade Média nos deixou um patrimônio de magníficas catedrais, construções que nos surpreendem por suas linhas arrojadas. Havia, na realidade, uma disputa para ver qual cidade fazia uma catedral mais imponente e essas obras custavam verdadeiras fortunas, numa época em que as pessoas viviam em casebres e mal tinham o que comer.

A Peste Negra

Infelizmente, essa revolução artística foi interrompida ou muito atrasada pela Peste Negra do século XIV, que matou cerca de um terço da população europeia. As pessoas, apavoradas, reuniam-se nas igrejas para rezar, pedindo o fim da peste, mas isso aumentava o risco de contágio. Ou seja, quanto mais rezavam, mais morriam…
Sem dúvida, em razão da escassez de mão-de-obra, o trabalho braçal tornou-se mais caro, provocando alguma melhoria no padrão de vida dos mais pobres.

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Os papas de triste memória

O filme “O Incrível Exército de Brancaleone”, um clássico estrelado por Vittorio Gassman, retrata de forma tragicômica o período da Peste Negra no centro da Península Itálica e as relações sociais da época.

Crusados

As cruzadas

No começo do século XI tiveram início as cruzadas que, além da intenção de expulsar os muçulmanos da Terra Santa, tiveram outros propósitos. Um deles, incentivado pela Igreja, era o de desviar os bandos armados que atemorizavam a população, ligados ou não a algum senhor feudal, para um objetivo mais nobre.

A outra finalidade era econômica das Cruzadas

Ao passo que a Igreja e a nobreza viam nas cruzadas a possibilidade de enriquecimento pelas pilhagens, as repúblicas marítimas italianas vislumbravam vantagens comerciais. Os venezianos, com sua poderosa frota naval, forneceram o transporte (pago, é claro!) até a Terra Santa.

O que os muçulmanos pensam das Cruzadas

Pergunte a um muçulmano o que foram as Cruzadas e você escutará uma versão muito diferente da difundida no Ocidente. Os cruzados eram brutos arrebanhados na Europa pela Igreja com promessa de voltarem para casa ricos. A verdade é que a Igreja sempre fechou aos olhos a saques, assassinatos e estupros ou até incentivavam esses atos criminosos já que esses nobres cavalheiros estavam indo libertar a Terra Santa… Mas, de santos ou de libertadores, os Cruzados não tinham nada.

Uma curiosidade

Quando George Bush mandou invadir o Iraque (os iraquinos não tiveram nada a ver com o ataque terrorista de 11 de setembro, praticado pelo Talibã, mas tinham petróleo…) possuía aliados muçulmanos, inimigos de Saddan Hussein. Quando Bush falou de “uma grande cruzada pra libertar o iraque” os seus aliados islâmicos se entreolharam. Êita falta de sensibilidade política desse gringo!

Os reflexos das cruzadas

As cruzadas e seus reflexos

As cruzadas tiveram reflexos importantíssimos na Itália em razão da intensificação do comércio marítimo no Mediterrâneo. A circulação de mercadorias e riquezas provocou profundas mudanças na sociedade medieval e o surgimento de uma nova classe, a burguesia (os “habitantes dos burgos”).

O desenvolvimento da vida urbana

Os primitivos burgos medievais, aglomerações de casas próximas às sedes dos feudos, transformavam-se em ricas cidades, cada vez menos dependentes dos senhores feudais, que acabaram desenvolvendo uma estrutura de produção própria, baseada nas corporações.

As coorporações professionais

Para trabalhar numa cidade era necessário ser membro da corporação de sua categoria, não se admitindo ninguém de fora fazendo concorrência aos padeiros, ferreiros ou sapateiros locais. Os habitantes dos burgos eram chamados de “burgueses”, uma conotação bem diferente da atual. Ser “burguês” naquela época era ser padeiro, ferreiro ou carpinteiro, tendo para ajudá-lo um aprendiz. Não um homem rico ou de hábitos refinados.

Até hoje, ao examinar um mapa detalhado da Itália, veem-se dezenas de cidades que levam o nome de “burgo” (borgo,em italiano): Borgo Giuliano, Borgo San Giovanni etc. Uma herança dos tempos medievais!

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A Renascença Italiana

Carlos Magno - Foto - Fondo Antiguo de la Universidad de Sevilla CCBY

Carlos Magno e o Sacro Império Romano-germânico

A igreja católica, cada vez mais fortalecida, ocupou um importante espaço político em todo o continente, com o papa estabelecendo alianças com alguns soberanos e entrando em conflito com outros. Houve ainda momentos em que ocorriam rachas e cada facção apoiada por um soberano ou imperador escolhia um papa e reivindicava o direito de comandar a Igreja.

Os papas guerreiros

Algumas eleições foram verdadeiros “golpes de Estado”, resolvidas literalmente no braço. Engana-se quem pensa que esses papas tinham a postura pacífica dos papas da atualidade. Não. Eles tinham exércitos de verdade e realizavam conquistas de território, sem o menor pudor.
Assim, papas excomungavam reis que, por sua vez, derrubavam os sumos pontífices… Tal situação manteve-se intermitente até o fim da Idade Média. Diversos outros cargos na Igreja eram preenchidos por indicação de algum poderoso senhor, da elite romana ou eram simplesmente comprados. Uma bagunça!

Carlos Magno

Carlos Magno só alcançou o poder porque, após a morte de seu pai era o único sucessor ao trono, já que seu irmão também falecera. Herdou, portanto um império que englobava parte da França e também da Alemanha.

A conversão dos bárbaros e a recuperação do império

Cristão, pretendia a conversão dos povos bárbaros do norte da Europa, mesmo que tivesse que fazê-lo à base da espada e com muito derramamento de sangue. Teve o mérito de recuperar aos bárbaros grandes porções do território europeu e o decadente Império Romano do Ocidente, tornando-se um aliado estratégico do papa Leão III que o coroou imperador do Sacro Império Romano Germânico.
Carlos Magno sabia, ler, mas não escrever. Mesmo assim teve a preocupação de apoiar a cultura, ciências, as artes e criar escolas.

A conquista da Península Ibérica

Boa parte da Peninsula Itálica foi incorporada ao Sacro Império Romano-germânico quando Carlos Magno, foi coroado imperador pelo papa no ano 800. Depois da morte de Carlos Magno, o Império se esfacelou, pois além de seus herdeiros não se entenderem, o território ainda era alvo de ataques por parte dos povos bárbaros. Começaram a surgir núcleos de poder independentes, que deram origem às cidades-estado, e o norte desenvolveu-se a ponto de, no século XI, ser fundada a Universidade de Bolonha, a primeira da Europa.

A dinastia Hohenstaufen

Mais tarde, no século XII, quando a dinastia Hohenstaufen ocupava o norte do país, o papa Alexandre III entrou em conflito com o novo imperador, Federico Barbarossa, dividindo os italianos em duas facções: os guelfos, partidários do primeiro; e os gibelinos, partidários do imperador.

Éfeso, a cultura romana na Turquia de hoje

 Roma versus Constantinopla

Inicialmente não existiam propriamente papas, mas bispos, que eram os chefes religiosos de cada cidade. Logo, o bispo de Roma – considerado o papa – foi se tornando mais importante, mas nem sempre era obedecido pelos demais, e alguns séculos se passariam antes que a Igreja desenvolvesse uma estrutura hierárquica sólida e disciplinada, comandada pelo papa.

A oposição bizantina

Ora, nem a igreja bizantina em Constantinopla, onde o Império Romano, cristianizado, ainda se mantinha, nem o próprio imperador concordavam com a supremacia do papa, que tinha também poder temporal, quer dizer, era também uma autoridade política, além de religiosa.
Aliás, com a decadência de Roma,a invasão de tribos bárbaras e a perda da influência da Igreja de Roma na Península Itálica, cada vez mais cristãos se refugiavam no que era ainda pomposamente chamado de Império Romano do Oriente.

Constantino se estabelece em Bizâncio a porção oriental de seu império

Quando os germanos cercaram Roma, o Imperador Constantino mudou-se com sua corte e com os poderosos da Igreja para Bizâncio, capital da porção oriental do Império. A cidade passou, então, a ser chamada de Constantinopla, ou “a cidade de Constantino”.  Constantinopla, tinha, aliás, comparada com Roma, uma situação geográfica invejável. Estrategicamente localizada, não apenas do ponto de vista militar, mas também comercial, seus navios podiam navegar não apenas no Mediterrâneo, mas também entre o mar Negro e o mar Mármara, expandindo seu comércio. Logo substituiu a velha Roma como centro do poder. Além de Bizâncio, os romanos ocuparam uma extensa área nessa região da Turquia, como Éfeso, onde existem até hoje magníficas ruínas romanas que atraem multidões de turistas.

A tentativa bizantina de recuperar a Península Itálica

Quando o imperador bizantino tentou recuperar o território ocupado pelos godos, mergulhou Roma e a maior parte da península italiana numa guerra devastadora. Com o centro político transferido para Ravenna, e com toda a administração nas mãos dos gregos de Constantinopla, Roma entrou num dos piores períodos de sua história: sua população foi reduzida a uma fração do que havia sido no seu auge.

Qual o sexo dos anjos?

Isso é o que se chama de “discussão bizantina”. Para complicar, eram inúmeras as disputas teológicas com os patriarcas de Constantinopla sobre a divindade de Cristo, o pão ázimo nas missas, a adoração das imagens ou até sobre o sexo dos anjos (daí a expressão “discussão bizantina”). Brigava-se também para decidir quem mandava aonde e qual idioma – latim ou grego – deveria ser empregado nas liturgias e na leitura dos textos sagrados. O conflito era inevitável e as duas igrejas acabaram se separando, após papa e patriarca se excomungarem mutuamente. (“Te excomungo!” “Não vale! Eu te excomunguei primeiro!”)

O poder da Igreja e dos Mosterios: Mosteiro dos Jerônimos - Foto Kačka a Ondra CCBY
O pode da Igreja e dos Mosteiros: Mosteiro dos Jerônimos – Foto Kačka a Ondra CCBY

O poder da Igreja e os mosteiros

Como foi o poder da Igreja e dos mosteiros na Europa? Com o crescente poderio da Igreja, esta se tornou a maior proprietária de terras do Ocidente. O enriquecimento da Igreja deveu-se a diferentes fatores, como a doação de terras por parte de reis e nobres e a cobrança do dízimo (que algumas seitas atuais, copiando o modelo, tentam impor a seus fiéis…).

A origem do celibato

Além disso, enquanto os nobres iam tendo filhos e dividindo entre eles suas terras, o clero, proibido de casar, não produzia prole que reclamasse herança. Essa é, aliás, uma das origens do celibato clerical: sem ter família e custos, seus bens iriam enriquecer os cofres da Igreja. A verdade é que não tinham de fato família, mas tinham amantes fixas e eventuais, filhos, um lar para discretas visitas… O o homossexualismo era comum, bem com o o fato de nobres, príncipes importantes terem feiras por amantes em encontros discretos que resultavam em favores para os mosteiros.

Os mosteiros

Com o fim da civilização romana e do mundo antigo, não foi apenas um império que desmoronou, mas também séculos de conhecimento humano nos campos da arquitetura, pintura, escrita, ciências e filosofia. Por isso mesmo, um legado importante da Igreja foi colocar os monges copistas para reproduzir os velhos textos clássicos gregos e latinos. Essa foi a mais útil contribuição do poder da Igreja e dos Mosteiros na presrvação ca cultura deixada pelo Império Romano.

O legado dos monges copistas

Graça a eles, boa parte da produção cultural da Antiguidade foi salva. Foi um monge de origem grega chamado Dionísio quem, na primeira metade do século VI, inventou a datação cristã, usada no mundo todo (a.C., antes de Cristo e d.C., depois de Cristo). Antes, a contagem do tempo se baseava no ano da fundação de Roma. Dionísio cometeu, entretanto, certos erros de cálculo e situou o nascimento de Cristo alguns anos depois do que deveria. Portanto, Cristo nasceu antes da era cristã.

O mosteiro foi a organização medieval por excelência

Uns mais, outros menos, eles tiveram imensa importância num mundo sem instituições confiáveis. O fato é que a Igreja na Europa dividida e sem lei foi se tornando a única entidade capaz de ser respeitada por senhores feudais e famílias dominantes nos pequenos reinos espalhados pela Itália e pelo restante da Europa.

A força política da Igreja representada pelos mosteiros

Nessa Europa da Idade Média, com suas raras e decadentes cidades, sujas, malcuidadas, sombra do que foram durante a época dos romanos, e com seus campos onde a fome imperava, os mosteiros eram o único lugar ao qual os pobres podiam recorrer. Isso também reforçava a importância da Igreja e seu poder político.

Dica

Para entender o poer da Igreja e os mosteiros, leia “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, romance cheio de filosofia, história e suspense que, dentre outros méritos, retrata bem a vida e a mentalidade vigente nos mosteiros italianos medievais.

A Idade Média na Itália: San Leo, Emilia-Romagna-Itália
A Idade Média na Itália: San Leo, Emilia-Romagna-Itália

 

A Idade Média na Itália foi uma época bem particular e difícil. A população passou a viver com muito menos conforto, considerando-se feliz se pudesse ter algo para comer. Embora seja verdade que as cidades romanas não fossem muito limpas, tornaram-se imundas. Havia doenças, ratos, pulgas, carrapatos…

Nada de banho

Enquanto os antigos romanos adoravam os banhos nas termas e se lavavam com alguma regularidade, na Idade Média na Itália os cristãos – membros do clero, principalmente – consideravam o banho um incentivo à luxúria, que deveria ser evitado. As estradas, além de infestadas de bandidos, tornaram-se intransitáveis pela falta de conservação. Num mundo cada vez mais sem lei nem ordem, a principal preocupação era com a defesa; os conflitos armados eram constantes e a população urbana diminuiu drasticamente.

A decadência das cidades e  feudalismo na Idade Média na Itália

Com a decadência das cidades, muitos nobres ricos se transferiram para a civilizada Constantinopla ou para o campo, estabelecendo-se em grandes casas bem protegidas, embriões dos castelos medievais, fortalezas defendidas por cavaleiros. Cada senhor de um pequeno núcleo fortificado prestava juramento de obediência a outro senhor mais poderoso e com mais condições de vir em seu socorro no caso de ataque inimigo. Enquanto durante o Império Romano havia nas cidades artesãos e pequenas oficinas capazes de produzir e comercializar bens, durante o período feudal o castelo tornou-se um centro autossuficiente, onde se produzia o básico. Não havia escravos, mas servos, que cultivavam as terras e produziam os utensílios e ferramentas necessários. Se um servo demonstrasse habilidade para lidar com o couro, por exemplo, acabava se tornando encarregado da produção de botas e outros artigos.

Video sobre os povoados medievais mais bem preservados da Itália

A vida sofrida dos servos

Durante a Idade Média na Itália os servos, que viviam miseravelmente em suas cabanas, deviam trabalhar primeiro as terras de seu senhor e ficavam com pequenos terrenos para o próprio cultivo – não os melhores, naturalmente.
Nos tempos mais duros do feudalismo, em cada dez crianças que nasciam, seis ou sete morriam em razão de fome, violência ou doença antes de atingir a idade adulta. A dependência dos servos era total: se fossem moer seu trigo no moinho do senhor, deviam pagar por isso; se o proprietário das terras quisesse, podia requisitá-los para serrar madeira ou para trabalhar no castelo. Quase toda a área florestal em volta do castelo era reserva de caça dos nobres, onde somente por um especial favor o servo poderia caçar. Ao senhor feudal cabia autorizar ou não o casamento entre seus servos, bem como o direito de passar com a noiva a noite de núpcias.

A diferença entre o escravo e o servo de gleba

Ao contrário do escravo, o servo da gleba pertencia àquela propriedade rural, e não ao senhor. Não poderia ser vendido isoladamente, apenas junto com a propriedade – ele e sua família passariam, da mesma forma que as terras, para as mãos de outro senhor. O servo não poderia abandonar as terras de seu senhor nem mesmo para casar-se com alguém fora dos limites do feudo: terra sem gente para trabalhá-la não servia para nada. Numa situação ligeiramente melhor estavam os vilões, com menos obrigações e algumas vantagens.

A divisão social nos tempos feudais

Basicamente, podemos dividir a sociedade feudal em três estamentos: os senhores guerreiros (teoricamente encarregados de proteger seus servos contra a ambição de outros senhores), os sacerdotes (incumbidos da orientação espiritual do seu rebanho) e os servos (para quem ficava o trabalho pesado).
Com o crescente poderio da Igreja, esta se tornou a maior proprietária de terras do Ocidente. O enriquecimento da Igreja deveu-se a diferentes fatores, como a doação de terras por parte de reis e nobres e a cobrança do dízimo (que algumas seitas atuais, copiando o modelo, tentam impor a seus fiéis…). Além disso, enquanto os nobres iam tendo filhos e dividindo entre eles suas terras, o clero, proibido de casar, não produzia prole que reclamasse herança. Essa é, aliás, uma das origens do celibato clerical.

Uma sociedade fechada

Um tipo de sociedade assim não favorecia de modo nenhum o comércio. Havia guerras constantes entre os diversos senhores, nas quais os principais prejudicados eram os aldeões. Não existia um exército regular, mas bandos de guerreiros mal pagos, cujo maior interesse era saquear. Quando um nobre ou alguém de importância era capturado, sua vida era geralmente poupada em troca de um resgate (como atualmente no Brasil!). No que sobrou das antigas cidades romanas ou das novas que se formavam em volta dos muros do castelo, funcionavam mercados locais. Na falta de moeda corrente – que praticamente desapareceu com a queda do Império Romano –, quase tudo funcionava na base da troca. Um saco de trigo, por exemplo, valia um certo número de galinhas ou determinada quantidade de sal.
www.storiamedievale.net Verdadeira viagem pela Idade Média.

Os mosteiros

Com o fim da civilização romana e do mundo antigo, não foi apenas um império que desmoronou, mas também séculos de conhecimento humano nos campos da arquitetura, pintura, escrita, ciências e filosofia. Por isso mesmo, um legado importante da Igreja foi colocar os monges copistas para reproduzir os velhos textos clássicos gregos e latinos.
O legado dos monges copistas – Graça a eles, durante a Idade Média na Itália, boa parte da produção cultural da Antiguidade foi salva. Foi um monge de origem grega chamado Dionísio quem, na primeira metade do século VI, inventou a datação cristã, usada no mundo todo (a.C., antes de Cristo e d.C., depois de Cristo). Antes, a contagem do tempo se baseava no ano da fundação de Roma. Dionísio cometeu, entretanto, certos erros de cálculo e situou o nascimento de Cristo alguns anos depois do que deveria. Portanto, Cristo nasceu antes da era cristã…
O mosteiro foi a organização medieval por excelência – Uns mais, outros menos, eles tiveram imensa importância num mundo sem instituições confiáveis. O fato é que a Igreja na Europa dividida e sem lei foi se tornando a única entidade capaz de ser respeitada por senhores feudais e famílias dominantes nos pequenos reinos espalhados pela Itália e pelo restante da Europa.

Nessa Europa da Idade Média, com suas raras e decadentes cidades, sujas, malcuidadas, sombra do que foram durante a época dos romanos, e com seus campos onde a fome imperava, os mosteiros eram o único lugar ao qual os pobres podiam recorrer. Isso também reforçava a importância da Igreja e seu poder político.

Dica

Leia “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, romance cheio de filosofia, história e suspense que, dentre outros méritos, retrata bem a vida e a mentalidade vigente nos mosteiros italianos medievais.

O Cristianismo e a queda de Roma
O Cristianismo e a queda de Roma

O Cristianismo e a queda de Roma

Jesus Cristo nasceu e morreu em plena época de domínio romano sobre todo o mundo ocidental conhecido – e sobre uma boa parte do Oriente Médio. Porém, enquanto Pilatos simplesmente “lavou as mãos”, não querendo assumir responsabilidade pela crucificação de Jesus, o Império, como instituição, perseguiu violentamente os primeiros cristãos durante três séculos. São incontáveis os mártires do início da era cristã, muitos deles considerados santos.

A expansão do cristianismo

Acontece que, mesmo perseguidos, os cristãos existiam – e se multiplicavam cada vez mais. Sua doutrina interessava principalmente aos menos favorecidos, como os escravos, para quem nada poderia haver de mais confortante do que a esperança de um “reino de Deus” ao alcance de todos os homens, sem distinção; bem diferente, portanto, da realidade social do Império Romano.

A mudança de costumes

O Cristianismo, ao que parece, não foi o único responsável pela mudança dos costumes um tanto libertinos dos antigos romanos. Um certo puritanismo teria começado a se impor por volta do ano 200, sob o imperador Marco Aurélio. Isso desmente em parte a versão de que a queda de Roma teria sido consequência da decadência moral de seus habitantes.
Não há dúvida, porém, de que o Cristianismo influenciou os costumes. Se antes só o adultério feminino era condenável, nessa nova moral, o masculino também passou a ser um delito, embora na prática dificilmente um homem fosse punido por isso.

O Cristianismo e o julgamento moral de seus seguidores

Enquanto os deuses pagãos não se importavam muito com a vida particular dos mortais, a Igreja introduziu o julgamento moral de seus seguidores por um clero organizado que se estabeleceu como intermediário entre a divindade e o homem, assegurando a salvação de sua alma.
Consolidaram-se na nova sociedade a noção de pecado, um pudor culpado em relação ao corpo e um extremo moralismo, frequentemente hipócrita (como se pode perceber quando se lê a história de vida de certos papas antigos).

O que teria sido do Cristianismo sem Constantino?

É impossível especular o que teria sido do Cristianismo se o imperador Constantino não tivesse autorizado o culto que viria a se tornar religião oficial do Império Romano. Segundo a lenda, na batalha da Ponte Milvius, em 312, ele teria enxergado uma cruz no céu formada por raios de sol e interpretado esse sinal como uma indicação divina de sua vitória; daí vem a expressão In hoc signo vinces (“Com este signo vencerás”). Constantino ganhou a batalha e, no ano seguinte, expediu o Édito de Milão, reconhecendo a liberdade religiosa no Império. Foi só então que, pelo menos oficialmente, os cristãos deixaram de ser perseguidos. Depois, com o apoio de imperadores convertidos, a nova religião deslanchou, e por volta de meados do século IV os bispos das cidades italianas começaram a ganhar importância, apesar de os cristãos ainda serem minoria.

Roma, um império decadente

A essa altura, Roma tinha se tornado sede de um império decadente, que mal se mantinha sobre as próprias pernas e era cada vez mais assediado por tribos bárbaras, até que em 410 foi saqueada pelos visigodos. O golpe final aconteceu em 476, quando os godos, em vez de saquear e ir embora, decidiram ficar. Entretanto, a cultura romana ainda se manteve por séculos em Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente.
Uma coisa bem interessante da qual pouca gente se dá conta é que, no fim do Império, tanto os bárbaros quanto os cristãos – cada qual a seu modo e por diferentes motivos – eram opositores do regime romano. Por conta desse interesse comum na derrubada do Império – e também porque a doutrina cristã era, já naquela época, bem mais consistente do que as crenças rudimentares dos bárbaros – muitos se converteram ao Cristianismo. Assim, é curioso notar que muitos dos bárbaros que invadiram o Império Romano eram cristãos!

As cruzadas

No começo do século XI tiveram início as cruzadas que, além da intenção de expulsar os muçulmanos da Terra Santa, tiveram outros propósitos. Um deles, incentivado pela Igreja, era o de desviar os bandos armados que atemorizavam a população, ligados ou não a algum senhor feudal, para um objetivo mais nobre. A outra finalidade era econômica. Ao passo que a Igreja e a nobreza viam nas cruzadas a possibilidade de enriquecimento pelas pilhagens, as repúblicas marítimas italianas vislumbravam vantagens comerciais. Os venezianos, com sua poderosa frota naval, forneceram o transporte (pago, é claro!) até a Terra Santa.

Os reflexos das cruzadas

As cruzadas tiveram reflexos importantíssimos na Itália em razão da intensificação do comércio marítimo no Mediterrâneo. A circulação de mercadorias e riquezas provocou profundas mudanças na sociedade medieval e o surgimento de uma nova classe, a burguesia (os “habitantes dos burgos”). Os primitivos burgos medievais, aglomerações de casas próximas às sedes dos feudos, transformavam-se em ricas cidades, cada vez menos dependentes dos senhores feudais, que acabaram desenvolvendo uma estrutura de produção própria, baseada nas corporações. Para trabalhar numa cidade era necessário ser membro da corporação de sua categoria, não se admitindo ninguém de fora fazendo concorrência aos padeiros, ferreiros ou sapateiros locais.
Até hoje, ao examinar um mapa detalhado da Itália, veem-se dezenas de cidades que levam o nome de “burgo” (borgo,em italiano): Borgo Giuliano, Borgo San Giovanni etc.

O fim da Idade Média e a Renascença

O desenvolvimento do comércio e o interesse por mercadorias do Oriente provocaram o aparecimento de mercados semanais regulares, além das feiras em determinadas cidades, que atraíam compradores de toda a Europa. É claro que mercados dessa importância não podiam funcionar na base da troca de mercadorias, daí o ressurgimento da moeda e posteriormente a criação da letra de câmbio pelos banqueiros florentinos no fim do século XIII, para evitar o transporte de ouro e prata por estradas e mares inseguros.
A atividade bancária, que surgiu nesse contexto, era exercida por comerciantes que possuiam capital acumulado, muitos deles judeus, já que a Igreja (para inglês ver…) proibia a prática da usura por católicos.

As grandes cidades italianas

As grandes cidades italianas – quase sempre rivais – tornaram-se bastante prósperas, cunhavam suas próprias moedas, e as mais importantes repúblicas marítimas (Gênova, Pisa, Veneza e Amalfi) tinham suas frotas navais, que disputavam o domínio do Mediterrâneo.
Entre a última década do século XIII e o começo do século XIV, Dante, Petrarca e Bocaccio criaram suas obras-primas, que consolidaram o uso do florentino como a língua italiana escrita num país com dezenas de dialetos. Apesar de o papado ter se transferido para Avignon em 1309, só retornando para Roma em 1376, o centro-norte da Itália conservou sua posição como a mais importante referência cultural da Europa. A região, com ricos centros urbanos onde comerciantes abastados e banqueiros dominavam a vida política, beneficiou-se de um grande desenvolvimento artístico e intelectual. É provável até que a ausência temporária do papado tenha favorecido a liberdade de criação e a circulação de ideias.

Itália, berço do Renascimeno

Como sede do Império Romano e principal herdeira da cultura latina, é natural que a Itália estivesse destinada a se tornar o berço da Renascença. Enquanto os normandos conquistavam todo o sul da Itália, no centro-norte o poder continuava dividido entre cidades-estados independentes, como Siena, Florença e Milão, dominadas por poderosas famílias ducais, ou como Veneza e Gênova, governadas por oligarquias eleitas pelos nobres. Diversos desses governantes eram esclarecidos e incentivavam a cultura e a arte, cercando-se de artistas e filósofos. Foi esse ambiente que propiciou, nas cidades toscanas, particularmente em Florença, a Renascença, ou Renascimento, período de florescimento artístico e cultural, depois da longa noite medieval em que pouco se produziu.
Ao contrário das prósperas cidades toscanas e de outras no norte da Itália, Roma estava pobre, insalubre e com seus monumentos em ruínas. Em nada lembrava a orgulhosa capital do maior império do mundo antigo.

Época de profundas transformações na sociedade italiana

Esse foi, portanto, um período de profundas transformações numa sociedade até então agrária e com uma vida cultural centralizada na Igreja, que havia imposto sua visão teocêntrica de mundo nas ciências, nas artes e nos costumes.
Na pintura, a influência bizantina começou a se transformar pelas mãos de Giotto, um dos primeiros grandes mestres italianos do fim do período medieval, assumindo cores e formas bem latinas. Na arquitetura, a Baixa Idade Média nos deixou um patrimônio de magníficas catedrais, construções que nos surpreendem por suas linhas arrojadas. Havia, na realidade, uma disputa para ver qual cidade fazia uma catedral mais imponente e essas obras custavam verdadeiras fortunas, numa época em que as pessoas viviam em casebres e mal tinham o que comer.

A Peste Negra

Infelizmente, essa revolução artística foi interrompida ou muito atrasada pela Peste Negra do século XIV, que matou cerca de um terço da população europeia. As pessoas, apavoradas, reuniam-se nas igrejas para rezar, pedindo o fim da peste, mas isso aumentava o risco de contágio. Ou seja, quanto mais rezavam, mais morriam…
Sem dúvida, em razão da escassez de mão-de-obra, o trabalho braçal tornou-se mais caro, provocando alguma melhoria no padrão de vida dos mais pobres.

Dica

“O filme O Incrível Exército de Brancaleone”, um clássico estrelado por Vittorio Gassman, retrata de forma tragicômica o período da Peste Negra no centro da Península Itálica e as relações sociais da época. 

A história dos papas é contada de forma bastante interessante por Eamon Duffy no livro “Santos e Pecadores”.

Acompanhe a história de Roma

Carlos Magno e o Sacro Império Romano Germânico

Os Césares e mundo romano: ruinas romanas de Pompeia, Itália
Os Césares e mundo romano: ruinas romanas de Pompeia, Itália

Os césares e o mundo romano

Os Césares e mundo romano tiveram bon e maus momentos. Embora alguns imperadores tenham governado com certa sabedoria, diversos deles eram cruéis e detestados. A devassidão era a marca registrada de quase todos os governantes (a começar por Júlio César, que já foi chamado de o “marido de todas as mulheres e a mulher de todos os maridos”).

Os mais cruéis Césares do mundo romano

Os piores, entretanto, foram Nero, Calígula, Tibério e Cômodo. Eles não foram apenas devassos, mas de uma perversidade alucinada, todos de gênio violento e capazes de requintes de crueldade até contra crianças. Nero, o imperador que mais perseguiu os cristãos, chegando a mandar executar São Pedro e São Paulo, matou a mãe a pontapés; Calígula virou sinônimo de monstruosidade (era louco a ponto de nomear seu cavalo senador!), e Tibério convidava adolescentes de ambos os sexos para sua villa de Capri para seviciá-los.

Os governantes populares

Estre estes estiveram estiveram César, Otávio, Constantino, Vespasiano, Adriano e Marco Aurélio. O erro deste último foi querer eleger como sucessor seu filho, Cômodo, um maluco. Otávio Augusto era conservador e severo e, ao contrário da maioria dos césares, um tanto moralista. Até sua filha e sua neta foram repudiadas por ele depois de terem sido acusadas de libertinagem.

e o mundo romano- Conheça todas as intrigas sobre a vida dos imperadores romanos lendo “A Vida dos Doze Césares”, de Suetônio, um clássico da Antiguidade.

A estrutura de poder

A ideia do Império Romano como algo muito organizado e eficiente não passa de um mito. Na verdade, toda a estrutura de poder em Roma era uma enorme corrente de propinas. Desde que algum dinheiro chegasse aos cofres públicos, cada um podia embolsar o seu. (Isso acontece até hoje em alguns países… ) Os cargos eram vendidos ou obtidos na base do pistolão, e tudo se negociava; um nobre apoiava a reivindicação do outro que, em troca, devia apoiar o nome de um protegido do colega para um determinado posto. Nada se conseguia sem molhar a mão de alguém e ninguém se aproximava de um magistrado para pedir algo sem levar um presente, que devia ser compatível com a magnitude do pedido.

Alegrar o povo: uma obrigação para os indicados pra altas funções

Um detalhe que chega a ser engraçado é que os romanos nomeados para uma alta função deviam oferecer um presente à população: um banquete, um espetáculo de circo, um monumento ou a água quente das termas. Eles deviam arcar com esses custos se não quisessem ficar com fama de sovinas. Ou seja, já que sabidamente iam mesmo encher os bolsos, podiam muito bem oferecer um pouco de pão e circo para o povão. Esse pensamento faz escola até hoje sob a forma de churrascos eleitorais, cervejadas etc. A diferença é que os romanos faziam isso depois de serem eleitos – e não antes!

O paganismo

Durante o período dos Césares o paganismo romano era uma religião politeístado mundo romano e voltada, dentre outras divindades, para o culto dos ancestrais, os deuses da casa (“lares”), celebrado num altar doméstico onde queimava permanentemente o fogo sagrado (mesmo que fossem apenas carvões em brasa). A palavra “lareira” vem daí. O romano também costumava, ao beber, dedicar um pouco de seu vinho aos lares, pingando algumas gotas no altar doméstico. (Será que foi aí que surgiu o hábito de derramar algumas gotinhas para o santo?).
A religião romana tinha também divindades de culto público, muitas das quais se confundem com as do panteão grego, tais como: Zeus – Júpiter, Afrodite – Vênus e assim por diante. Havia, porém, influência de outras religiões, tanto é que Ísis, deusa egípcia, era adorada pelos romanos, como demonstra seu templo em Pompeia. Mitra, um deus indo-iraniano, também era bem cotado.

A relação pessoal de cada um com a sua divindade

Da mesma forma que cada cidade tinha seus deuses favoritos, cada romano mantinha uma relação bastante pessoal com as divindades. Fazia-se oferenda nos altares esperando conseguir algum favor dos deuses: concluir um negócio, conseguir um casamento… (Isso também parece que ainda hoje não mudou: donzelas casadouras continuam a acender suas velinhas num altar, pedindo ao santo que lhes arrume um companheiro.) Normalmente, quando um animal era sacrificado, uma parte da carne ficava para os sacerdotes, que podiam revendê-la, e o restante era repartido e degustado entre os presentes.

Os deuses greco-romanos tinham falhas e atributos bem humanos

Eram vingativos, ciumentos, irritadiços e rancorosos… Eram poderosos, mas não onipotentes e distinguiam-se dos humanos por serem imortais. Podia-se pedir a proteção de um deus contra a ira de outro. Não existia, como no Cristianismo, recompensa para os virtuosos, punição para os pecadores e um Deus-Pai, juiz todo-poderoso.

O inferno light de Plutão

Havia uma espécie de inferno, administrado pelo deus Plutão, democrático e “light”, para onde todos iam após a morte – os bons e os maus. Lá não havia diabos espetando o traseiro de ninguém.
O paganismo era uma religião de festas, nas quais homens e deuses confraternizavam. Uma das divindades mais cultuadas, Baco, era justamente o deus do vinho, dos prazeres mundanos e das festas permissivas.

Julio César
Julio César

História da Itália: da pré-história aos romanos

Antes da hegemonia romana, boa parte do sul da Itália era ocupada por colônias gregas. Cuma, Nápoles e Pesto, na Campânia; e Agrigento, Selinunte e Siracusa, na Sicília, dentre diversas outras cidades na Península Itálica, constituiam a chamada “Magna Grécia”.

Os etruscos

No centro-norte, a história da Itália começou com os etruscos, que submeteram as demais cidades da região, inclusive Roma, que, no século VIII a.C., era apenas um pequeno reino agrícola. Depois que os romanos puseram os soberanos etruscos para correr e decidiram que não queriam mais saber de reis, estabeleceram, em 510 a.C., uma república governada por dois cônsules escolhidos pelos senadores oriundos da elite.

Os patrícios e as camadas populares

Apesar de inicialmente o poder ser monopolizado pelos ricos patrícios (membros da nobreza), as camadas populares conseguiram, depois de algum tempo, a eleição de representantes (tribunos) com poder de veto sobre certas decisões do Senado. Existia ainda uma assembleia de cidadãos na qual as leis eram votadas, um sistema que lembra um pouquinho nossas democracias modernas – embora nem todos fossem considerados “cidadãos”.

A Lei das Doze Tábuas

Outra grande conquista da população romana nessa época foi a Lei das Doze Tábuas. Com ela, as leis passaram a ser escritas e publicadas: as tais “tábuas” ficavam expostas na rua. A Lei das Doze Tábuas dispunha sobre variados assuntos, criando pela primeira vez um processo penal, consolidando o que já era costume (como a submissão da mulher ao pai ou marido e o direito à herança) e prevendo penas para os crimes. Havia tanto exagero nos funerais romanos que até mesmo esse assunto foi disciplinado por lei: estabeleceu-se um limite máximo de dez flautistas e as mulheres foram proibidas de gritar e de arranhar os próprios rostos enquanto acompanhavam o cortejo fúnebre!

Roma ocupa toda a Península Itálica

Pouco a pouco, Roma foi expandindo o seu poder por toda a Península Itálica. Por volta do século IV a.C., as colônias gregas no sul do país foram dominadas, depois a própria Grécia e o restante do Mediterrâneo. (A Gália e a Bretanha só foram conquistadas bem mais tarde.)
A principal rival de Roma era Cartago, uma poderosa cidade na costa da África, onde hoje é a Tunísia.

As Guerras Púnicas

Foram necessárias três guerras – as chamadas Guerras Púnicas – para que Roma finalmente conseguisse, em 146 a.C., destruir Cartago e dominar todo o Mediterrâneo. A Segunda Guerra Púnica foi aquela travada contra o exército cartaginês de Aníbal, que entrou no continente europeu pela Espanha e cruzou os Alpes, na intenção de alcançar Roma vindo pelo norte. Foi um feito épico. Imagine norte-africanos, habituados ao calor, montados em elefantes (pobres paquidermes!), no meio daquelas intermináveis montanhas nevadas… Aníbal conseguiu, mesmo com enormes dificuldades práticas, chegar à Itália e, depois de ter feito alianças com as populações do norte, de origem gaulesa, derrotar os romanos em uma série de batalhas. As portas da cidade estavam abertas, mas ninguém até hoje entende porque, em vez de conquistar Roma, o general foi descansar em Cápua. Esse período de descanso deu o tempo necessário para os romanos reorganizarem o exército, levarem a guerra à Espanha e depois à África, onde derrotaram Aníbal definitivamente. Delenda est Cartago!

As rivalidades entre as facções

No plano interno, a rivalidade entre as facções, uma constante na República, acabou por degenerar em sangrentas guerras civis, o que permitiu a ascensão de Júlio César. Político ambicioso e militar brilhante, ele conquistou a Gália em 49 a.C., conseguiu afastar seu rival Pompeu, neutralizou o Senado e tornou-se governante absoluto. É claro que havia setores descontentes e César acabou assassinado numa conspiração da qual tomou parte até mesmo Brutus, a quem ele considerava um filho.

Roma após a morte de César

Depois da morte de Júlio César, Roma mergulhou numa guerra civil, pois havia dois concorrentes à sucessão: Otávio, sobrinho de Júlio César, e Marco Antônio, um militar. Assim como Júlio César alguns anos antes, Marco Antônio tornou-se amante da rainha egípcia Cleópatra, com a qual veio a se casar – embora já fosse casado com outra mulher em Roma. O casamento bígamo de Marco Antônio com uma estrangeira foi o mote de uma campanha por meio da qual Otávio conseguiu desacreditá-lo moralmente perante os romanos. Bem ou mal, Marco Antônio dava muito mais atenção à amada do que a Roma, e havia se unido a uma inimiga potencial. Assim, Otávio venceu a disputa, assumindo o poder com o nome de Augusto, o primeiro imperador de Roma.

O império herdeiro dos gregos, as origens do mundo ocidental

Estava criado o império que, assimilando a cultura grega, mais adiantada, transmitiu ao mundo ocidental os fundamentos ideológicos, jurídicos e culturais de nossa sociedade atual.
Durante séculos a história da Itália foi a história de Roma, da República ao Império, e dos primeiros tempos do Cristianismo. Romanos não eram apenas os habitantes de Roma, mas os de toda a Itália integrada ao Império, com uma população que alcançava uns seis milhões de habitantes considerados cidadãos, além de mais uns dois milhões de escravos.

DicaPara conhecer os personagens que mais influenciaram a história de Roma, dê uma olhada no Dizionario dei personaggi dell’antica Roma, organizado por Diana Bowder, Newton & Compton Editori, Roma, 2001.

Acompanhe a história de Roma

Os Césares e o Mundo Romano

Vaticano
Vaticano

A Inquisição, o capítulo mais negro da Igreja Católica

A Reforma Protestante gerou, por parte da Igreja, uma Contrarreforma, ou seja, um movimento de “tolerância zero” em relação àqueles que se manifestassem (ou mesmo pensassem…) de forma contrária aos dogmas católicos. O instrumento utilizado para, literalmente, eliminar os hereges, foi a Inquisição, um terror que, partindo de Roma, se estendeu por toda a Europa católica. A heresia mais evidente era a dos protestantes e dos judeus – que claramente seguiam outras religiões –, mas os próprios católicos que discordassem o mínimo que fosse da doutrina da Igreja, mesmo que tivessem base científica para tanto, eram considerados hereges.

Manuais com aulas de tortura

O que Nero e outros imperadores pagãos tinham feito contra os primeiros cristãos, os inquisidores fizeram ainda pior contra os acusados de heresia. Existiam até mesmo manuais que ensinavam como reconhecer um herege, com explicações detalhadas de como um suspeito devia ser torturado. Atenção especial era dada às mulheres, mais propensas a atividades demoníacas… O acusado não tinha o direito de saber quem o estava acusando – e muitas vezes sequer o teor da acusação! Dentre as especificações do manual, recomendava-se torturar qualquer pessoa que hesitasse um instante que fosse em responder ao interrogatório ou caísse em qualquer tipo de contradição.

A prova do ferro quente

Para ser acusado e torturado, bastava uma testemunha de acusação, qualquer uma: podia ser seu maior inimigo, uma ex-namorada vingativa, seu vizinho maluco… Um dos métodos utilizados para apurar a culpabilidade de alguém era a prova do ferro quente, ou do fogo: quem conseguisse segurar com as mãos um pedaço de ferro em brasa ou pisar em brasas sem apresentar sinais de queimaduras era absolvido, pois esse era um sinal de que Deus o considerava inocente… É uma pena que nenhum desses inquisidores tenha passado pela mesma experiência, para sabermos se Deus os inocentaria.

Giordano Bruno

Uma das mais famosas vítimas da Inquisição na Itália foi Giordano Bruno, monge dominicano que estudou filosofia em Nápoles e que tinha ideias bastante heréticas e contrárias ao geocentrismo (teoria aceita na época pela Igreja, que afirmava que a Terra era o centro do Universo). Para piorar as coisas do ponto de vista da Igreja, Giordano Bruno acreditava não só que o universo era infinito e composto de incontáveis sóis e planetas que giravam em torno desses sóis, mas também que esses planetas eram habitados por seres inteligentes, da mesma forma que a Terra. Começando a ser perseguido, largou a batina e fugiu, mas cometeu o erro de voltar à Itália e, depois de ficar anos preso sem renegar suas ideias, foi queimado vivo em Roma no ano de 1600.

Galileu Galilei

Além dos que foram mortos sob acusação de heresia, houve casos de pessoas que escaparam por pouco, como Galileu Galilei, que, depois de passar por um grande dilema moral durante o processo a que respondeu de 1615 a 1633, acabou por negar suas afirmações anteriores. (“Eu disse que a Terra gira em torno do Sol? Não era bem isso…”) Ele não quis ter o mesmo fim de Giordano Bruno, mas só voltou atrás da boca para fora. Conta-se que, depois de se desdizer perante o tribunal da Inquisição, ele teria falado baixinho para si mesmo: “E pur si muove!”, que quer dizer, “Apesar disso, ela se move!”. E continua se movendo até hoje…

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A Itália redescoberta

Matérias especiais

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Reconstituição, Casa do Fauno, Pompeia, Itália
A casa romana, a reconstituição, Casa do Fauno, Pompeia, Itália

A casa romana: como viviam os romanos?

Para se visitar Pompeia, o mais fácil é se hospedar em Nápoles.

O atrium

A casa romana era centrada em um pátio a céu aberto — o atrium — e fechada em si mesma, sem janelas ou eventualmente com alguma janela apenas no segundo andar, dando para a rua em frente. Nas laterais, os quartos de dormir, com exceção do dormitório do casal,  pequenos e mal iluminados, abriam-se diretamente para o atrium.

O triclinium

Nas casas ricas sempre havia um cômodo chamado triclinium, com divãs onde os convidados eram recebidos para o jantar. Nesses banquetes comia-se deitado. (“Deitem-se, por favor…”).

O impluvium e a cozinha

O impluvium no meio do atrium servia para armazenar água da chuva e encaminhá-la para um reservatório.
A cozinha ficava ao lado do atrium e nem sempre tinha chaminé — a fumaceira devia ser brava!
Muitas famílias menos abastadas não tinham cozinha e mandavam preparar seus alimentos em outras casas ou os comprava prontos nas tabernas e padarias. (Quando o primeiro taberneiro teve a ideia de mandar um escravo entregar a comida na casa de alguém, surgiu o delivery!)

O tablinium

O tablinium equivalia, grosso modo, às atuais salas de estar ou de visitas. Normalmente as casas romanas eram pouco mobiliadas. Nos quartos havia quase sempre apenas a cama, talvez uma mesinha. Algumas casas tinham cômodos independentes, no térreo ou no andar de cima, dando para a rua, que eram alugados para comércio.

A decoração com afrescos

O interior das casas dos mais abastados tinha as paredes decoradas com afrescos. Em diversas residências, principalmente nos quartos, essas pinturas tinham temática erótica. Os romanos, ao que parece, usavam e abusavam de cores fortes, mesmo em colunas de templos, e mandavam pintar de vermelho ou azul berrante até as estátuas. É um fato interessante, porque hoje, se você percorrer Pompeia, verá que esse colorido praticamente desapareceu por causa da ação do tempo.

Os “apartamentos”, ou insulae

Algumas construções eram habitadas por várias famílias, uma em cada andar, com entradas independentes. Muitos romanos de “classe média” habitavam insulae, ou imóveis de aluguel, que tinham até quatro ou cinco andares. Eram, a rosso modo, como os apartamentos hoje em dia.  Foi descoberta até mesmo uma espécie de hospedaria sofisticada, destinada aos homens de negócios da época.

Os aquedutos

Os aquedutos, com vários quilômetros de comprimento, levavam água até as cidades, onde fontes serviam à população. O abastecimento das casas era feito por aguadeiros; pouquíssimos privilegiados tinham água corrente. Algumas casas tinham latrinas, mas existiam também banheiros públicos. De qualquer modo, a sujeira era também jogada nas ruas, à noite principalmente. Para se banhar, o romano ia às termas.

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O Cristianismo e a queda de Roma

Dicas

Sobre a sociedade romana e os primeiros tempos do Cristianismo, leia História da Vida Privada — volume 1, organizado por Philippe Ariès e Georges Duby; O Fim do Mundo Antigo, de Santo Mazzarino; Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon; e A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges. Há ainda, de Paul Veyne, L’Élégie érotique romaine e La Societé Romaine.

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A sociedade romana
A sociedade romana

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A sociedade durante o Império Romano

Toda a sociedade romana se baseava na autoridade do paterfamilias, o pai de família, que tinha poderes absolutos sobre a mulher, os filhos, os empregados libertos e os escravos – todo mundo considerado parte da família. Estes últimos – escravos e libertos – tinham uma situação que lembra um pouco a dos “agregados” nas antigas fazendas brasileiras. Tema para um Gilberto Freyre!

Os costumes romanos: paradoxalmente imorais e moralistas

O senhor da casa podia se aproveitar da intimidade de suas escravas e até mesmo de seus jovens escravos, mas o ato amoroso, principalmente com a esposa, devia ser praticado no escuro e sem que a mulher tirasse a peça de roupa equivalente ao atual sutiã! Havia ainda situações propositadamente dúbias, como as de algumas crianças adotadas, que podiam tanto ser consideradas filhos e ser muito bem tratadas, como também ser objeto de todo tipo de abuso. O homossexualismo masculino entre um adulto e um adolescente (o “favorito”) era aceito com naturalidade, ao contrário daquele entre dois homens adultos – assim considerados os que já tivessem barba.

O casamento romano

O casamento era muitas vezes um negócio, arranjado pela família. Casava-se por civismo, porque se estava de olho no dote da noiva ou para gerar descendentes que mantivessem o clã e o culto aos lares. O maior medo do homem era não ter descendentes capazes de cuidar do altar doméstico e de lhe fazerem oferendas depois de sua morte. Por isso a adoção era comum. O adotado participava do culto aos ancestrais e tornava-se o herdeiro quando o pai adotivo morresse. De qualquer forma, quem herdava os bens era sempre o filho homem, legítimo ou adotado; dificilmente a filha que, ao casar-se, passaria a integrar a família do marido e adorar os lares da nova casa. Só em razão de um testamento, e ainda em situações muito particulares, é que parte da herança cabia à filha.

O paterfamilias

Embora existisse o direito ao divórcio, a mulher, ao se casar, simplesmente passava do domínio do pai para o do marido e, quando este morria, era controlada pelos próprios filhos homens. O paterfamilias era obrigado a responder pelos deslizes da esposa, dos filhos e dos escravos. Ele nunca seria ridicularizado por alguma infidelidade da esposa, mas acusado de falta de autoridade e de não saber administrar sua casa… A mulher, vista como uma criança, tinha que ser controlada para não fazer “reinações”. Os romanos julgavam que o homem que se apaixonava era um fraco. Entre os patrícios, era normal que as mulheres casadas que tivessem um amante fossem recompensadas com uma renda paga pelo favorecido. (Pela dupla jornada…).

Como era a vida dos filhos

Enquanto o pai fosse vivo, filho de qualquer idade não podia se casar, adquirir um bem ou tomar qualquer decisão mais importante na vida sem a autorização dele.
Meninos e meninas costumavam estudar até os 12 anos. Os mais ricos com um preceptor, geralmente grego; os demais, em escolas. Depois dessa idade, só os meninos ricos continuavam estudando. É bom lembrar que, aos 12 ou 13 anos, muitas meninas já estavam se casando. Boa parte da população conseguia ler e escrever alguma coisa, como provam os grafites obscenos nas tavernas de Pompéia, mas durante o Império Romano poucos eram capazes de redigir uma carta com um mínimo de fluência. Ou seja, a maioria só sabia escrever bobagens!

Decorações domésticas de cunho erótico

Não todas as casas, ms muitas delas eram decoradas com murais eróticos ou, no míniomo, inspiradores. As pinturas e estatuetas eróticas encontradas em diversas casas de Pompeia nos dão uma ideia das relações amorosas na época. Esse acervo foi levado para o Museu Arqueológico de Nápoles e encerrado em salas não abertas ao público em geral e que chegaram a ser fechadas com tijolos. Hoje pode-se visitar o Gabbinetto Segreto do Museu.

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Vaticano
Vaticano, o papa recebe fiéis

O papas no passado

Quem se acostumou à pregação pacifista de João Paulo II geralmente não tem ideia do que foram os sumos pontífices no passado. Apesar de São Pedro ser considerado o primeiro papa, na verdade essa denominação não existia; ele teria sido o primeiro chefe da igreja católica, bispo de Roma. Séculos se passariam antes que o papa garantisse sua autoridade sobre a Igreja e que esta instituição se consolidasse, tornando-se cada vez mais poderosa.

O Cristianismo

O cristianismo — e a Igreja — só deslancharam quando o imperador Constantino concedeu liberdade de culto à nova religião, mais de 300 anos depois do nascimento de Cristo.
Ao longo da história houve papas e papas.

Leão I (Leão Magno)

Alguns foram hábeis diplomatas e tiveram papel importante na história, como Leão I (Leão Magno), que salvou Roma de ser saqueada pelos hunos em 451 e posteriormente em 455 pelos vândalos. Leão Magno conseguiu também consolidar a Igreja e impor uma disciplina interna.

Os Borgias

Outros, entretanto, foram corruptos e devassos, como Alexandre IV, da família Bórgia, que assumiu a Igreja no final do século XV. Além de ter uma relação suspeita com a própria filha (sim, ele teve vários filhos com mulheres diferentes!), Alexandre era famoso por envenenar seus desafetos e por outras atitudes que escandalizaram o mundo de sua época, como ameaçar excomungar sua amante Giulia Farnese se esta se deitasse com o próprio marido!

Sisto I

Outro papa de triste memória foi Sisto IV (1471/1484), que autorizou a Inquisição espanhola, a mais cruel de todas.

Leão X

O nepotismo, a corrupção e os meios esquisitos de levantar fundos, como a venda das indulgências por Leão X (quem pagava uma soma à Igreja era absolvido de seus pecados e garantia seu lugarzinho no céu), provocaram divisões entre os cristãos e propiciaram o aparecimento de reformadores como Lutero.

O poder dos papas não era apenas religioso, mas também temporal

É preciso entender que na época os papas não tinham, como hoje, apenas um poder religioso e uma autoridade moral, mas principalmente um poder temporal. Roma e boa parte do centro-sul da Itália eram Estados Pontifícios, territórios governados pela Igreja, que tinha até exércitos.

Leão XII

Mais recentemente, a Igreja teve grandes papas, como Leão XIII que, em 1891, preocupado com a situação miserável do trabalhador na Europa de sua época (quando até crianças eram obrigadas a trabalhar até 14 horas por dia), editou a Rerum Novarum, um documento revolucionário para sua época. Apesar do seu conteúdo progressista, a encíclica esbarrou na estrutura conservadora da própria Igreja, o que prejudicou sua efetiva aplicação. Quem se interessa pelo tema pode assistir ao filme Daens, um grito de justiça, a respeito de um padre belga que resolveu tomar a encíclica ao pé da letra.

João XXIII e João Paulo II

Esse foi outro papa com preocupações sociais, bem como Paulo VI. O papa João Paulo II, apesar do seu perfil conservador no que diz respeito à moral sexual e à contracepção, destacou-se pela postura claramente favorável à liberdade dos povos, à tolerância religiosa e à paz mundial, desde a década de 1980, quando se opôs ao domínio soviético na Europa do Leste, particularmente na Polônia, sua terra natal. Merece registro sua posição firme e crítica à guerra petroleira de Bush contra o Iraque: “Aqueles para quem se esgotaram as alternativas pacíficas oferecidas pelas leis internacionais assumem uma grande responsabilidade diante de Deus, de sua consciência e da história”. (O problema é que suas palavras não chegaram aos ouvidos da maior parte dos norte-americanos, que além de não serem católicos, tinham suas TVs ligadas em canais “patrioteiros”).

Bento XVI

Este papa a conservador já cansado com os intermináveis escândalos de pedofilia na Igreja Católica, renunciou. Seu sucessor é o argentino Francisco Begoglio, contra o qual já existem acusações de ter sido colaborador da ditadura argentina. Na realidade, tanto na Argentina, como no Chile a maior parte da Igreja Católica, ultra-conservadora apoiou os regimes militares e fechou os olhos aos abusos cometidos contra os direitos humanos. Apenas no Brasil parte da Igreja apoiou a luta contra a ditadura.

Os papas são hoje os chefes de estado do Vaticano, uma cidade independente dentro de Roma.

Francesco

O papa Francesco, um argentino, que sucedeu a Bento XVI é um dos mais avançados e liberais líderes religiosos do mundo e tem merecido o respeito mesmo de ateus e agnósticos.

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