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Missões jesuítas na Argentina
Os jesuítas na Argentina

 

Os jesuítas na Argentina

Os jesuítas não se limitaram a evangelizar os guaranis, mas também lhes transmitiram conhecimentos práticos de construção civil, medicina, agricultura, pecuária e atividades manufatureiras. Embora respeitassem os cerimoniais e a estrutura familiar e tribal dos guaranis, os jesuítas combateram a poligamia e a antropofagia e fizeram com que passassem a usar roupas. Cerimônias matrimoniais eram realizadas observando-se rituais guaranis e católicos, sendo que os recém-casados recebiam moradia e terra para cultivo. A aceitação do sincretismo religioso pelos jesuítas acabou por prejudicar a imagem da ordem.

A administração das missões

A administração realizada pelo Cabildo (grosso modo, a Prefeitura das reduções) incluía sacerdotes e caciques eleitos pelos índios. As terras cultivadas eram divididas em diferentes áreas: a terra de Deus (as melhores; afinal, Deus é Deus…) e a comunal eram trabalhadas pela comunidade, mas pequenos lotes eram destinados ao sustento das famílias. No caso de haver excedentes, estes eram encaminhados a silos comunitários para serem comercializados ou servir como reservas. Os rendimentos das terras de Deus serviam para manter a igreja local, a escola e o hospital. Os proveitos obtidos nas terras comunais destinavam-se a pagar a Fazenda Real Espanhola e a criar estoques de alimentos para anos de colheita insuficiente.

Uma farta produção agrícola

Cultivava-se cana de açúcar, milho, algodão e erva mate, a principal cultura de exportação. As terras também eram utilizadas para a criação de gado, destinada ao suprimento de carne para comunidade e à produção de couros crus e trabalhados, transportados por via fluvial para Buenos Aires.

O trabalho comunitário de seis horas diárias

O trabalho comunitário obrigatório era de 6 horas diárias, metade do tempo exigido nas encomiendas (terras cultivadas pelos brancos onde os índios trabalhavam como escravos), cuja produtividade agrícola era largamente superada por aquela das Missões.
Mas o sucesso das Missões foi, paradoxalmente, sua ruína, já que a riqueza acumulada pelos jesuítas (é fabulosa quantidade de ouro e prata que se vê até hoje nas antigas igrejas jesuítas da América e da Europa) despertou a inveja e a cobiça das autoridades coloniais.

Os jesuítas e a corte lusitana

Eles se tornaram um problema, digamos assim, ideológico para a Coroa Portuguesa, pois queriam catequizar os índios, mas não aceitavam escravizá-los. Historiadores de diferentes tendências políticas têm opiniões divergentes sobre os jesuítas na América. Houve abusos cometidos pelos padres? Certamente, mas a obra jesuítica em seu conjunto teve mais aspectos positivos do que negativos e em certos aspectos bateu de frente com as alas mais conservadoras da Igreja daquela época. Basta ler Padre Vieira (embora nem todo jesuíta pensasse como ele). Ou seja, os jesuítas eram muito mais “do bem” do que os capitães do mato (também cristãos..), que queriam escravizar os índios.
Os jesuítas foram expulsos da América em 1759 e, embora a escravidão de nativos fosse abolida pelo Marquês de Pombal, os ameríndios continuaram a ser escravizados e caçados até sua quase extinção.

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Mercosul

Sobre o Mercosul

Formalizado pelo Tratado de Assunção, firmado em 1991 entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o Mercosul (em espanhol, Mercosur) tem por objetivo a união aduaneira e a adoção uma linha comercial única entre os países signatários, com a livre movimentação de pessoas, capitais e mercadorias entre as nações do bloco. Infelizmente, os problemas econômicos atravessados pelos países da região e, principalmente, o colapso da economia argentina em 2002, dificultaram essa integração. Com a recuperação da economia do país vizinho, foi assinada em dezembro de 2004 a Declaração de Cuzco, os fundamentos de uma Comunidade Sul-Americana de Nações, que integraria o Pacto Andino e o Mercosul.

As diferenças

O problema é que cada país tem seus interesses e, enquanto alguns setores de suas economias são beneficiados, outros se sentem prejudicados pela concorrência dos produtos livre de taxas de seus vizinhos. Quando o poder dos lobistas de um determinado setor é forte, os governos do Mercosur tentam obter concessões de seus parceiros e começam as desavenças. No plano externo, a integração sul-americana não é vista com simpatia pelos Estados Unidos, que têm seu próprio modelo de integração comercial, a ALCA, e prefere negociar isoladamente com cada país.

A Venezuela  no Mercosul

Em 2006, a Venezuela foi aceita como membro pleno, mas sua adesão não foi bem ceita por muito setores no Brasil e na Argentina. Há muitos “prós” e talvez um bom número de “contras” em aceitar a Venezuela como membro pleno do Mercosur. É exato que o Brasil fatura alto exportando de tudo, principalmente alimentos, para a Venezuela, e importa muito menos depois que nos tornamos auto-suficientes na produção de petróleo, o principal produto de exportação venezuelano. Mas o autoritarismo do regime não tem agradado. Chávez brigou e saiu do Pacto Andino, depois arrumou confusão com o Peru, Colômbia, México e, finalmente, com o Brasil, quando parlamentares brasileiros protestaram contra o fechamento da estação de televisão RCTV. Depois deu um ultimato aos Congressos Nacionais brasileiro e paraguaio e fixou um prazo para a homologação da Venezuela como membro com direito a voto. Em 2016 o país afundado numa crise econômica sem precedentes foi afastado eo Mercosul.

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Chê Guevara, - Foto DubRoss CCBY

 

Che Guevara: o revolucionário e sua lenda

Desde a década de 1970 (embora isso seja menos comum hoje em dia), pôsteres com a figura romântica de um rosarino lendário decoraram paredes e quartos de estudantes (aquellos menos conformistas, por supuesto) no Brasil e no resto do planeta. Se você ainda não descobriu de quem estamos falando, saiba que o rosarino em questão é o Che e seu poster mais famoso é aquele no qual o revolucionário aparece cabeludo e de boina, tendo logo abaixo a frase: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. (Alguns veteranos dos chamados “anos de chumbo” comentam que naquela época sem um pôster desse na parede do quarto nem namorada conseguiam encontrar!)

A experiência de “Diários de Motocicleta”

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em Rosário, em 14 de junho de 1928, no seio de uma família de classe média de idéias progressistas. Para tentar uma solução para a asma crônica do garoto, sua família mudou-se para Alta Gracia, nas serras da Província de Córdoba, onde viveu de 1932 a 1943. Em 1947 Guevara ingressou na Faculdade de Medicina de Buenos Aires, curso que interrompeu em 1952, quando partiu com seu amigo Alberto Granado para uma viagem de moto pela América do Sul: Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Venezuela. A moto, apelidada de “La Poderosa”, pifou no Chile e Che e Alberto tiveram que prosseguir sua aventura como puderam. Essa experiência, contada no (excelente, não perca!) longa metragem Diários de Motocicleta, de Walter Salles (2004) o fez despertar para a triste situação dos mineiros e camponeses no continente e na situação de dependência das nações sul-americanas frente aos Estados Unidos e aos capitais internacionais.

A viagem do jovem médico, Guevara, pela América do Sul

Após essa viagem, Che voltou a Buenos Aires, onde se formou em julho de 1953. No mesmo ano, o jovem médico realizou nova viagem pela América Latina, que consolidou suas idéias. Na Guatemala conheceu Hilda Gadea, com quem se casou e teve um filha. (Mais tarde casou-se em segundas núpcias com Aleida March de la Torre, companheira de guerrilhas, com quem teve outros quatro filhos.)

1954: Guevara se une a Fidel e seu grupo

Em 1954 Guevara uniu-se ao grupo de Fidel Castro, exilado no México, que organizava a resistência armada contra o regime do ditador Batista, um aliado dos americanos. Apelidado de “Che” em razão de seu sotaque argentííííno, ele participou da luta, inicialmente como médico, mas rapidamente se tornou o braço direito de Fidel.

Guevara se torna ministro da economia em Cuba

Após a queda do regime de Batista em 31 de dezembro de 1959, fez parte do primeiro governo revolucionário, acabando por tornar-se Presidente do Banco de Cuba, um cargo que aparentemente nada tinha a ver com seu perfil. Uma anedota conta que Fidel procurando alguém para o cargo, perguntou ao seus companheiros: “Alguém aqui é economista? Che levantou a mão e Fidel o nomeou. No final da reunião Fidel disse a Che: “Sempre pensei que você era médico, não sabia que era economista.” Che franziu a testa: “Economista? Não… Eu entendi você perguntar quem era comunista e eu levantei a mão…“
Che, cujo corpo hoje descansa na cidade de Santa Clara, em Cuba, morreu em 1967 sem ser ter assistido o regime castrista se transformar (apesar dos avanços sociais nas áreas de medicina e educação) em regime tirânico. O estúpido bloqueio americano, além de penalizar o povo cubano, tem sido usado por Fidel para justificar a situação de penúria da ilha. O bloqueio, porém, não explica tudo e não justifica a violação dos direitos humanos. Seria diferente se Che estivesse vivo?

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Evita Perón | Diego Maradona | Cinema argentino | Literatura argentina
A imigração nazista para a Argentina | Os grandes rivais no futebol argentino
A história do tango | Carlos Gardel |
Os grandes dinossauros que habitavam a Argentina

San-Martin, El Libertador
San-Martin, El Libertador

San Martin, Libertador da Argentina e Chile

San Martín, El Libertador: o maior herói argentino
Viajando pela Argentina você irá notar (seria impossível não fazê-lo!) que toda cidade tem uma praça, geralmente a mais central, dedicada a San Martín, uma Avenida del Libertador e uma Calle (rua) San Martín. José Francisco de San Martín y Matorras, El Libertador, nasceu em 25 de fevereiro de 1778 em Yapeyú, às margens do rio Uruguai, na Província de Corrientes. Filho de pai espanhol, foi enviado a Múrcia, na Espanha, onde iniciou sua carreira militar. Tendo se destacado nos combates contra as tropas de Napoleão que haviam invadido a Península Ibérica, San Martín foi condecorado com a medalha de ouro e recebeu sucessivas promoções até chegar a tenente-coronel.

San Martin e a Maçonaria

Sua permanência na Europa levou-o a tomar contato com a maçonaria, da qual se tornou membro. Na loja maçônica Lautaro encontrou-se com compatriotas independentistas da América espanhola. O fundador da loja, Francisco de Miranda, já iniciara, juntamente com Simón Bolívar, a luta pela independência da Venezuela.
Resolvido a dedicar-se à causa da independência da Argentina, voltou em março de 1812 a Buenos Aires, encontrando a cidade ainda sob o impacto da revolução de 25 de maio de 1810 e o país em pé de guerra. Oficial veterano com experiência em combates, que conhecia muito bem as táticas militares espanholas, San Martín foi logo engajado pelo governo independente instalado na cidade portenha, que reconheceu seu posto de tenente-coronel.

Um oficial experiente

Sua competência e seus conhecimentos foram decisivos para conduzir à vitória o pouco experiente exército revolucionário, constituído, em boa parte, por homens sem formação militar. Em 1813, no comando de seus Granaderos a Caballo, deu uma sova nos espanhóis quando estes tentaram um desembarque na margem ocidental do rio Paraná. Foi então nomeado general das forças rebeldes. Percebendo a importância de quebrar a espinha dorsal do poder colonial na América do Sul, estendeu a luta ao Chile e ao Peru. Em fevereiro de 1817, seu Ejército de los Andes formado em Mendoza atravessou a Cordilheira, derrotou as tropas coloniais na batalha de Chacabuco e tomar Santiago. No dia 5 de abril, com a Batalha de Maipú, cessou a resistência realista no Chile.

Desentendimentos entre San Martin e Bolívar

Faltava o Peru. Construindo às pressas uma marinha com barcos espanhóis capturados e outros comprados de americanos e ingleses, o exército argentino-chileno desembarcou no Peru.
Em julho de 1921, San Martín entrou em Lima e, dias mais tarde, encontrou-se em Guayaquil com Simón Bolívar, libertador da Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador e Panamá. Os dois libertadores conversaram durante horas. Não se sabe exatamente o que discutiram, mas aparentemente não houve afinidades entre eles, como mostra este trecho de uma carta de San Martín a Bolívar: “Los resultados de nuestra entrevista no son los que me prometía para la pronta terminación de la guerra. Desgraciadamente, yo estoy íntimamente convencido, ó que no ha creído sincero mi ofrecimiento de servir bajo sus órdenes con las fuerzas de mi mando, ó que mi persona le es embarazosa.”
Sabe-se que existia uma grande diferença de concepção entre os dois homens. Bolívar queria ser o grande caudilho da América independente, enquanto San Martín era um republicano convicto que almejava criar na América do Sul instituições fortes, o que não combinava com o individualismo “bolivarista” (que ainda hoje inspira certos pretendentes ao caudilhismo…).

San Martin se instala na Europa

Em 20 de setembro, San Martín retornou a Santiago e posteriormente a Mendoza. Abalado pela a morte de sua esposa no começo de agosto de 1823 e desgostoso com as disputas entre unitaristas e federalistas, San Martín embarcou para a França em fevereiro de 1824. Voltou a Buenos Aires apenas uma vez, em 1829. Descontente e sem querer tomar partido nas lutas internas, não desembarcou, preferindo seguir para Montevidéu, de onde voltou à Europa.
Morreu em Boulogne-sur-Mer, no norte da França, em 17 de agosto de 1850. Por seu espírito ético e idealista, San Martín tornou-se o próprio modelo do herói bom-caráter.

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Madres atacadas pela polícia a cavalo
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Madres de la Plaza de Mayo

Corajosas mujeres

A opinião pública começou a se manifestar, no início timidamente, com um movimento iniciado em abril de 1977 pelas mães dos prisioneiros políticos. Arriscando sua integridade física, essas bravas mulheres passaram a se reunir na Plaza de Mayo, com cartazes, exigindo explicações sobre o paradeiro de seus filhos desaparecidos. Contando inicialmente com apenas 14 mães, as primeiras que tiveram a coragem de sair à rua, o movimento se expandiu com a adesão de milhares de mulheres que perderam seus filhos na Guerra Suja. Como muitas mães na Argentina têm o costume de guardar as fraldas de seus bebês como recordação, passaram a usá-las como lenços amarrados às cabeças, escrevendo nelas os nomes dos filhos. Elas foram chamadas pejorativamente de “las locas de la Plaza de Mayo”, ridicularizadas e perseguidas, mas não desistiram.

Capitão Alfredo Astiz um torturador infiltrado

Com sol ou chuva, lá estavam elas protestando e até atraindo turistas, que registravam as manifestações em fotografias. A primeira dirigente da associação, Azucena Villaflor De Vicenti, foi seqüestrada e morta pela ditadura. Sabe-se que o capitão Alfredo Astiz foi um dos oficiais encarregados pela ditadura argentina de “cuidar” das Mães da Plaza de Mayo. Bom na arte de torturar civis, rendeu-se rapidamente quando os ingleses dispararam o primeiro tiro nas Malvinas. Culpado de diversos assassinatos, inclusive de mulheres grávidas e de freiras francesas, ele foi condenado na França, que pediu sua extradição. Deu sorte: não foi identificado a tempo e acabou sendo solto pelos ingleses, logo depois do armistício.

Las Madre de la Plaza de Mayo e a Copa do Mundo

Durante a Copa do Mundo de 1978, com jornalistas de todo mundo em Buenos Aires, as Mães da Plaza de Mayo aproveitaram a oportunidade única e, mesmo ameaçadas, saíram as ruas. Foi quando o mundo todo ficou sabendo da existência do grupo.
A derrocada da ditadura não foi suficiente para acabar com o movimento; afinal, seu objetivo era localizar os desaparecidos e punir os responsáveis, o que estava muito longe de acontecer.

Um racha divide as mães da Plaza de Mayo

Em janeiro de 1986 ocorreu um racha na organização e as Mães da Plaza de Mayo dividiram-se em duas associações que existem até hoje. A chamada Línea Fundadora, formada pelas madres históricas que iniciaram a luta, lideradas por Maria Adela Gard de Antokoletz (falecida em 2002) resolveu se separar da Madres de Plaza de Mayo, entidade presidida por Hebe de Bonafini, por não concordar com suas posições políticas (como o apoio a Hugo Chávez) e por julgar que a associação estava se desviando dos objetivos iniciais de exigir justiça e punição de torturadores. Isso em parte já foi obtido: Kirchner revogou leis de governos civis anteriores que anistiavam os implicados em violação de direitos humanos e assassinato de presos político.

No Brasil os torturadores continuam à solta

No Brasil, ao contrário do que aconteceu na Argentina, Chile e Uruguai, “brilhantes” torturadores continuam à solta.
Entre os acusados levados a julgamento na Argentina encontram-se até religiosos, como o padre Cristian Von Wernick, capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura, que estava foragido no Chile sob o nome de Cristian González (Seria possível que a Igreja chilena não soubesse quem era o cabrón?). Wernick não somente participava das torturas, mas ainda aliviava os remorsos que alguns policiais e militares pudessem sentir ao participar de assassinatos. Isso é que é padre!
Sobre as Mães da Plaza de Mayo, visite os sites das duas associações e julgue você mesmo.
Madres Fundadoras | Madres

Todo mundo mudou (ou quase)

Em plena Copa do Mundo de 1978, utilizada como instrumento promocional pela ditadura (como também aconteceu no Brasil em 1970), o ditador argentino Videla recebeu no estádio a visita do ex-Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, que compareceu para expressar o apoio dos Estados Unidos a seu regime. Kissinger foi o principal arquiteto da política americana durante a Guerra Fria, que resultou na tomada do poder por militares e no aniquilamento da democracia na Argentina, Uruguai, Brasil e Chile e o assassinato de milhares de pessoas. Essa política, adotada pela direita do partido republicano, no poder nos Estados Unidos, só terminou com a vitória de Jimmy Carter, um democrata convicto; na opinião de muitos, o homem mais honrado que já ocupou a Casa Branca. Hoje em dia, mesmo um belicista messiânico como George W. Bush se sentiria ruborizado em apoiar ditadores sanguinários como os que governaram o Cone Sul naquela época sombria. Por outro lado, parece que a esquerda sul-americana (pelo menos parte dela…) caiu na real com relação à importância da manutenção de instituições democráticas fortes e de se preservar a liberdade de opinião. A incerteza é a Venezuela.

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Recoleta
Gírias argentinas

Gírias argentinas, o lunfardo

Os argentinos e, principalmente, os portenhos, utilizam muitas gírias (jergas) próprias. O lunfardo (expressões regionais portenhas) utiliza um número quase infinito delas, muitas de origem italiana. Curiosamente algumas são as mesmas ou bem semelhantes às que empregamos no Brasil. Por exemplo, afanar significa roubar; dar bola quer dizer escutar o outro; bárbaro é alguém incrível, maravilhoso; uma gata é mulher sensual (usam também a palavra potra, pouco utilizada no Brasil); nena, mina é garota; cana é polícia; bronca, “estar com bronca de alguém”. Outras são próximas, como bacán, na expressão “o bacana tem grana”; masa, no sentido de coisa boa (a pronúncia é igual, mas em português tem dois “s”); pintar, com um sentido parecido com o português (aparecer em um lugar).

Expressões iguais à nossa, mas às vezes com outro significado

Certas gírias, embora foneticamente idênticas, não têm o mesmo significado que no Brasil: transar não é ter uma relação sexual e sim trocar carícias.
O emprego de expressões de gíria deve ser sempre cuidadoso. Em alguns casos pode dar origem a mal-entendidos e gafes. As gírias devem portanto ser empregadas por quem conhece o país, fala bem o espanhol e tem intimidade suficiente com a pessoa com quem está conversando. Seu uso adequado depende do contexto e da entonação usada.

Los boludos

A expressão “boludo”, entre amigos, pode até ser carinhosa (eles a empregam o tempo todo: “Hola boluuuuuudo!”), mas torna-se ofensiva quando empregada por estranhos. Os próprios argentinos não sabem bem sua origem, que seria, segundo alguns, bem vulgar (alguém que se atrapalhe com as próprias bolas). Deveria, sob esse ponto de vista, ser usada somente entre homens, mas tornou-se tão comum e universal por lá que não é incomum uma amiga dizer para outra que acaba de fazer uma besteira: “Mas que boluda, vos!”. Mulheres usam também a abreviação “bolu”. Cuidado, porém, com a expressão pelotudo, que é sempre ofensiva.

Algumas gírias mais comuns

borrarse = sumir
brazuca = brasileiro (forma pejorativa)
bulo = garçonière
busarda = pança
cabrón = equivale a “f. d. p.”
camelero = mentiroso
carajear = insultar
champú = champagne
chanta = oportunista
choborra = embriagado
cholulaje = fofoca e atitude de adorar os famosos
cholulo = fã de famosos ou fofoqueiro
chorro = ladrão (gíria tipicamente portenha)
choto = feio, desagradável
chupamedias = puxa-saco
coima = suborno, propina
concheto = mauricinho ou patricinha
culear = manter relações sexuais
despliegue = loucura
empaquetar = enganar
encontrar la vuelta = descobrir com algo funciona
falopa = droga
faso = cigarro
fayuto = pessoa que não é confiável
flaco = literalmente, “magro”; é uma forma carinhosa de se dirigir aos amigos
forro ou globito = preservativo
gasolero = pessoa ou atitude econômica
gil = otário, tonto
grasa = literalmente, é “gordura”, mas na gíria significa cafona, brega
hacer buena letra = portar-se bem só quando vale a pena
hinchabolas = chato
levantar = paquerar
lolas = seios
macaneo = mentiras
merengue = bagunça
minón infernal = garota bonita
morfar = comer
nena = garota
onda (mala ou buena onda) = algo negativo ou positivo; poner onda = interessar-se
opa, salame ou nabo = tonto, idiota, nerd
palma = cansaço
pancho = hot-dog
pavada = bobagem
piola = maneiro, cool
plomo = tedioso, pessoa chata
sacar el cuero = criticar, falar mal de alguém
sopi = piso, chão
telo = hotel de encontros (“hotel” ao contrário)
trampa; hacer una trampa = enganar, fazer uma “pegadinha”
viyuya, moca, guita = dinheiro. Também dizem mango, no sentido de peso, a moeda argentina: “no tengo um mango!”

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SumárioÍndice remissivo

Os Argentinos, los hermanos

Diversamente das demais nações latino-americanas (com exceção do Uruguai), a Argentina é um país cuja população tem origem acentuadamente européia, de ascendência principalmente espanhola e italiana.

Oficialmente, de acordo com dados da Embaixada da Argentina no Brasil, 85% do povo é “branco”, 10% é mestiço e 5% é composta por índios e pessoas de outras origens, o que inclui os afrodescendentes. Isso é menos visível em Buenos Aires, mas quando se visita o país dá para perceber que a miscigenação é maior do que consta das estatísticas oficiais. Acontece que pessoas com uma boa dose de sangue índio são classificadas como “brancos” mas, (como acontece com mestiços de negros no Brasil), não são tão “brancos” assim.

A pequena quantidade de índios “puros” ainda existente vem não apenas da mestiçagem iniciada nos tempos coloniais, mas também do fato que em nenhum outro país, exceto talvez nos Estados Unidos, e em parte no Brasil, ocorreu uma “limpeza étnica” das populações nativas tão eficiente quanto na Argentina.

População de origem índia: mais concentrada no Noroeste Argentino

Hoje, a população de origem índia pouco ou nada miscigenada é encontrada principalmente nas regiões andinas, no norte do país. Na Província de Jujuy, por exemplo, onde uma expressiva parcela da população tem nítidos traços índios e a cultura local possui uma forte influência aymara, você tem mais a impressão de estar na Bolívia do que na Argentina.

A imigração europeia

Não se pode esquecer que entre 1850 e 1950, além de espanhóis e italianos, a Argentina recebeu imigrantes alemães, ingleses, poloneses, suíços e franceses, bem como judeus vindos de diferentes países, dentre outros europeus. Do Oriente Médio, vieram sírios e libaneses; e mesmo da Ásia chegaram imigrantes oriundos do Japão. Atualmente, os imigrantes na Argentina têm outro perfil: são sobretudo peruanos, paraguaios e bolivianos à busca de trabalho e de melhores condições de vida.

Brancos, mais ricos e cultos do que povos das demais nações sul-americanas, mestiços de índios e negros, os argentinos (e, em particular, os portenhos) sentiram-se durante muitos anos os “europeus” da América do Sul.

Buenos Aires, a primeira grande metrópole moderna sul-americana

Afinal, a única cidade sul-americana com um padrão de vida similar ao das metrópoles europeias era Buenos Aires. Quando, em São Paulo e no Rio de Janeiro, o transporte urbano se limitava a bondes puxados por burros, os portenhos já tinham metrô.

Nas últimas décadas, porém, esse quadro foi mudando. Brasil e Chile cresceram e modernizaram-se bastante, melhorando a qualidade de vida da população, enquanto sucessivas crises econômicas empobreceram o país vizinho.

Esses ares de superioridade (em boa parte mais um mito do que realidade) são, diga-se de passagem, muito mais portenhos (de Buenos Aires) do que argentinos; a população do interior também reclama dos porteños que, por sua vez, a considera “provinciana”, para não dizer, “caipira”. Explica-se: Buenos Aires é a única verdadeira metrópole do Argentina e produz 75% da riqueza nacional! É o lugar onde tudo acontece, onde se concentram a vida política e cultural do país, onde ficam as principais universidades, as lojas mais elegantes, o que a Argentina tem de mais moderno e rico.

É certo que correm entre os brasileiros piadas do tipo: “Papá, yo soy muy orgulloso de vós.” “Porque, mi hijo?” “Por tener un hijo como yo!”… Mas há um enorme exagero em tudo isso. A esmagadora maioria dos argentinos, seja em Buenos Aires ou no interior do país, é gente fina. Quem os conhece sabe disso. Não nos incomoda que tenham orgulho de seu país. Eles têm boas razões para isso. E, afinal, nós também, do GTB, temos orgulho de sermos brasileiros.
Na verdade, não há outro povo no mundo que mais se pareça com o brasileiro (sobretudo o do sul e o do sudeste, de origem italiana). Os argentinos são nossos hermanos ou, quem sabe, nossos fratelli!

Os argentinos, o contato humano

O contato humano, diferencial importante para aqueles que, ao visitar um país, querem mais do que ir a um museu ou admirar uma paisagem, é enriquecedor na Argentina. Os argentinos, como os brasileiros, adoram charlar (conversar). Para bater um ótimo papo com eles, bastam duas coisas: 1) falar um portunhol sofrível; 2) não lembrá-los de que nosso fútbol és mejor.

Se por acaso você tiver amigos por lá e for convidado para uma festa, verá que não há muita diferença entre o comportamento social dos argentinos e dos brasileiros. Você poderá notar, eventualmente, que são ligeiramente mais formais que nós.

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Estádio do Boca Junior

Os grandes rivais no futebol argentino: Boca e River

Por Rodrigo Davidoff Enge
Os dois clubes argentinos de maior renome são portenhos: Boca Juniors e River Plate, protagonistas de um dos derbys de maior rivalidade do futebol mundial e com passagens curiosas em suas origens.

O River Plate

O River Plate foi fundado em 1901, a partir da fusão de dois clubes amadores, Santa Rosa e Las Rosales. Seu nome foi sugerido por Pedro Martinez, um dos fundadores do clube e membro da primeira equipe, que havia ficado intrigado com a inscrição “The River Plate” em enormes caixas deixadas de lado por marinheiros enquanto jogavam futebol durante seus momentos de folga, às margens do Rio da Prata, onde uma das docas estava sendo construída.

Seu tradicional uniforme também encerra uma história pitoresca: por acharem que a camisa branca era muito sem graça, alguns gaiatos do River surrupiaram um galão de tinta vermelha de uma charrete enquanto seu condutor descansava e utilizaram seu conteúdo para pintar a faixa diagonal, incorporada oficialmente ao uniforme desde então.

Na década de 1930 o clube já possuía milhares de associados e receita suficiente para contratar jogadores a peso de ouro, o que rendeu ao clube o apelido de “Los Millonarios”, identificando-o à elite da sociedade portenha. O maior craque que já vestiu a camisa do River foi Alfredo Di Stéfano, considerado por muitos amantes do futebol da velha guarda como um gênio somente comparável a Pelé e do qual Maradona nunca chegou aos pés.

O Boca Juniors

Já o Boca Juniors foi fundado em 1905 por cinco jovens imigrantes italianos que residiam no bairro de La Boca, reduto de genoveses. A adoção da palavra inglesa no nome do clube foi uma jogada de marketing, talvez a primeira da história futebolística, pois lhe conferia um toque sofisticado, amenizando, de certa forma, a má fama que o bairro portenho gozava na época.
Os primeiros uniformes utilizados não agradaram, o que não é de se estranhar, afinal um deles era rosa! Reza a lenda, então, que em 1907 os fundadores do Boca, depois de muito discutirem sem chegar a um consenso sobre que uniforme adotar, sentaram-se no cais do porto e combinaram que as cores do pavilhão da primeira embarcação que lá atracasse seriam utilizadas no uniforme do clube dali para a frente. E assim, um desavisado barco sueco teria sido o responsável por tornar o azul e o amarelo as cores mais adoradas por milhões de argentinos no último século.

Por ter suas origens intimamente relacionadas com a população mais humilde de Buenos Aires, acostumada a lutar contra dificuldades de toda sorte para sobreviver, o Boca é a equipe que mais se identifica com o “povão”, a antítese de seu rival. Tem como nome de maior expressão de sua história o controvertido craque Diego Armando Maradona, idolatrado até por torcedores do River e tido por alguns argentinos não apenas como o maior jogador de todos os tempos, mas como Deus em pessoa, a ponto de há alguns anos ter sido criada a “Iglesia Maradonista”… Haja devoção!

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Café Tortoni, uma referência em Buenos Aires

Extrato do livro GTB Buenos Aires

Café Tortoni, o mais tradidiconal café de Buenos Aires

O tradicionalíssimo Café Tortoni (Av. de Mayo, 829) foi fundado em 1858 por um francês que se inspirou num café do Boulevard des Italiens, em Paris, frequentado por intelectuais e artistas, para dar nome ao estabelecimento. No final do século XX, o café passou para as mãos de seu compatriota, Celestino Curutchet, um personagem peculiar, que deu nova vida ao lugar.

Um café frequentado por gente famosa

Em 1926 instalou-se no subsolo do café uma peña animada por um grupo de músicos, escritores e outros artistas. O café, que conserva sua decoração de época, foi freqüentado por Jorge Luis Borges e Carlos Gardel, além de ilustres visitantes estrangeiros como o dramaturgo Luigi Pirandello e Garcia Llorca, que passou uma temporada na Argentina (onde devia ter ficado, pois, ao retornar para a Espanha foi assassinado pelos fascistas…). Por ser um ícone de Buenos Aires e, claro, pelo prazer de saborear um delicioso chá da tarde ou petiscos com chopp em meio à linda decoração Art Decô, o Tortoni é uma visita obrigatória. www.cafetortoni.com.ar

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A imigração nazista na Argentina: que imigrantes são esses?

Extrato do guia GTB Argentina

A imigração nazista na Argentina foi facilitada por setores da Igreja e por Perón. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Argentina – assim como o Brasil – encheu o caixa nacional fornecendo provisões aos beligerantes. Ao contrário de Getúlio, que durante boa parte da guerra ficou “em cima do muro”, o regime argentino manteve-se neutro até o fim.

Os imigrantes do pós-guerra

Isso fez com que, terminada a guerra, o país recebesse outra enorme leva de imigrantes. Muitos eram judeus que buscavam oportunidades fora da Europa arrasada, mas outros eram nazistas, que chegavam ao país com papéis falsos (coisa que o regime de Perón estava careca de saber). Freqüentemente, chegavam com muito ouro e dinheiro, parte dele roubado de judeus. Se Perón fechava os olhos à entrada no país de notórios nazistas, estes contavam com a simpatia de setores de extrema direita da oficialidade argentina.

A mãozinha da direita católica

Na Europa, os fugitivos, fossem criminosos nazistas alemães, ou colaboradores franceses, tchecos ou poloneses, eram ajudados pela direita católica, que lhes fornecia os meios e documentos falsos, inclusive passaportes da Cruz Vermelha Internacional, para emigrar para a Argentina.

Durante a Guerra Fria os americanos também empregaram nazistas

Com a Guerra Fria, mesmo os americanos, depois de empregarem serviços de nazistas capturados, os despachavam para a Argentina, onde viviam sem ser incomodados. Um dos mais famosos, Adolf Eichmann, foi capturado por um comando israelense e levado secretamente para Israel, onde foi julgado e condenado à forca. Apesar de inicialmente protestar contra a ação israelense, a Argentina passou a atender pedidos de extradição de criminosos nazistas procurados pela justiça de outros países.

Para aprofundar-se um pouco mais no assunto, procure em uma boa livraria em Buenos Aires o livro Oro nazi en Argentina, do jornalista Jorge Camarasa, que serviu de roteiro para o filme Oro Nazi, de Rodolfo Pereyra, lançado em 2004.

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Estadio do Boca Juniors em Buenos Aires, Foto de Sérgio Formazari
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Maradona e o futebol argentino: o mito Maradona

A adoração que o povo argentino nutre por Diego Armando Maradona teve início ainda na década de 70 em razão de seu notável talento com a bola nos pés, se solidificou com sua fundamental participação na conquista da Copa de 1986 e já há algum tempo tornou-se algo quase transcendental. Não existe no Brasil nenhum exemplo de idolatria que chegue aos pés do prestígio incondicional atingido por Maradona junto aos argentinos, desde o cidadão mais pobre e desinformado até a nata da sociedade. Nem Pelé, indiscutivelmente o maior jogador de futebol de todos os tempos e eterno termo de comparação do craque argentino, detém entre nós a mesma popularidade e carinho que El Pibe de Oro (“O menino de Ouro”) goza por lá. A explicação para esse fenômeno não se restringe ao que Maradona fez dentro de campo (e muito menos fora dele), mas também passa por questões políticas, geopolíticas e até sociais!

Um astro

Para início de conversa, Maradona realmente foi um gênio, um astro, um jogador muito acima da média com a bola nos pés e, às vezes, nas mãos. Sua baixa estatura era compensada com muita força física, rapidez e agilidade, além de habilidade e precisão irritantes. Nascido em 30 de outubro de 1960, Diego iniciou sua carreira aos nove anos numa das equipes de divisão de base do Argentino Juniors chamada Los Cebollitas. Enfrentou todas as dificuldades inerentes à realidade de uma família numerosa e pobre na periferia de Buenos Aires, numa época em que a capital portenha esbanjava luxo e sofisticação.
Aos 16 anos estreou na equipe principal do time portenho (cujo estádio atualmente leva o seu nome), onde atuou por quatro temporadas e marcou nada menos do que 116 gols em 166 partidas! Em 1979 foi campeão mundial com a seleção argentina sub-20, sendo eleito o melhor jogador da competição, e em 1981 estreou no Boca Juniors, seu time do coração, sagrando-se campeão do Torneo Apertura naquela temporada.

A primeira copa de Diego Maradona

Participou de sua primeira Copa do Mundo em 1982, ano de triste lembrança para o futebol brasileiro, mas sua estréia foi bastante apagada: marcou um único gol e se despediu sendo expulso por uma entrada violenta durante a derrota por 3 a 1 para o Brasil na segunda fase da competição. Logo após a Copa, numa negociação envolvendo valores altíssimos para a época, transferiu-se para o Barcelona, onde conquistou uma Copa da Liga, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha. Sua passagem pelo clube catalão foi abreviada em razão de uma briga generalizada ocorrida na final da Copa do Rei de 1984 contra o Athletic Bilbao: a federação espanhola o suspendeu por três meses e o argentino, não se sentindo satisfatoriamente defendido pela diretoria do clube, pediu para ser negociado. Na mesma época, El Diez (“O Dez”) teria tido os primeiros contatos com a cocaína, droga que lhe trouxe inúmeros problemas profissionais, familiares e, principalmente, de saúde.

Maradona no futebol italiano

Seu destino foi inusitado em se tratando de um jogador de tamanha magnitude: a inexpressiva equipe do Napoli, que até então não havia conquistado nem um único campeonato italiano sequer em todos os seus quase 60 anos de história. Muitos o criticaram pela decisão, acreditando que Maradona havia dado um passo para trás em sua carreira. Mal sabiam os críticos que o craque argentino viveria um verdadeiro conto de fadas futebolístico na Campânia.

A Copa do México

Mas antes que Dieguito começasse efetivamente a inverter a ordem natural das coisas no tradicional calcio italiano, veio a Copa do Mundo do México, em 1986, talvez o momento mais importante de sua carreira. O povo argentino começava a respirar novos ares depois de anos submerso em uma ditadura sanguinária, mas ainda contava as centenas de “desaparecidos” durante o regime militar, bem como de jovens mortos estupidamente na malfadada Guerra das Malvinas, vencida pelos ingleses em 1982. A Argentina tinha uma seleção com grandes valores, como Burruchaga e Valdano, mas dependia muito da genialidade de Maradona.

A partida contra a Inglaterra

Em partida válida pelas quartas-de-finais, justamente contra a Inglaterra, Maradona assinalou dois gols que marcaram a história das Copas do Mundo: o primeiro, descaradamente com a mão (“La mano de Dios”, segundo ele e 40 milhões de argentinos); o segundo, uma verdadeira obra prima, carregando a bola desde o campo defensivo, passando por metade do time inglês e praticamente entregando a bola às redes do goleiro Peter Shilton. El Pibe ainda marcou mais dois gols na vitória sobre a Bélgica e deu a assitência para o gol da vitória por 3 a 2 na final contra a Alemanha. Em uma semana, os albicelestes, liderados por Maradona, não apenas haviam vingado os compatriotas mortos pelas mãos inglesas, mas também contribuído para reconstruir a auto-estima do povo argentino com um título mundial.

Diego Maradona no Napoli

De volta a Nápoles, outras façanhas esperavam por Diego, que, praticamente sozinho, deu aos napolitanos dois scudettos nas temporadas 86/87 e 89/90, dois vice-campeonatos italianos (87/88 e 88/89), a copa da UEFA na temporada 88/89 e a Supercopa Italiana em 1990. Se considerarmos que durante a sua gloriosa passagem pelo Napoli Maradona atuou ao lado de pouquíssimos jogadores de renome, como o craque brasileiro Careca, e que durante este mesmo período as maiores potências do calcio contavam com jogadores do nível de Marco Van Basten, Ruud Gullit, Franco Baresi (Milan), Karl-Heinz Rummenigge, Lothar Matthäus, Jürgen Klinsmann (Internazionale), Rudi Völler, Zbigniew Boniek (Roma), Michael Laudrup e Michel Platini (Juventus), temos a real dimensão de quanto Don Diego “gastou a bola” e foi decisivo na conquista desses títulos.

O problema com as drogas

Dentro de campo as coisas iam muito bem, mas fora dele não se podia dizer o mesmo: drogas, abusos de toda sorte e péssimas companhias (segundo as más línguas, inclusive de membros da Camorra, máfia napolitana) faziam parte do cotidiano do craque argentino, cuja carreira, aos poucos, começava a entrar num precoce e angustiante declínio. Na Copa da Itália, em 1990, Maradona teve atuação bem mais discreta do que na edição anterior, em grande parte por atuar contundido, mas mesmo assim ajudou a levar a seleção argentina ao vice-campeonato, perdendo a final para a Alemanha. No ano seguinte, um caso de doping por uso de cocaína, sua velha conhecida, lhe rendeu uma pena de suspensão por quinze meses aplicada pela federação italiana. O episódio foi decisivo para que Diego deixasse a Itália, vindo a se transferir para o Sevilla em 1992, por onde teve passagem comprometida pela sua má forma física.

Maradona retorna a Argentina

Retornou a Argentina no ano seguinte para atuar pelo Newell’s Old Boys, equipe que defendeu por míseras cinco partidas. Em plena Copa do Mundo dos EUA, em 1994, depois de um início promissor, Maradona foi flagrado no exame anti-doping por uso de efedrina, sendo suspenso pela FIFA por mais quinze meses. Finda a suspensão, já em outubro de 1995, fez sua reestréia no Boca Juniors, equipe que defendeu até pendurar as chuteiras, dois anos mais tarde em meio a mais um flagrante de doping que nunca foi totalmente esclarecido.

Obesidade, drogas e a recuperação

Longe dos gramados, Diego afundou ainda mais nas drogas e passou a conviver com um sério problema de obesidade, chegando a se tornar uma caricatura de si próprio. Depois de ser internado várias vezes em clínicas de reabilitação, inclusive em Cuba, de figurar nas páginas policiais por posse de drogas, agressões e sonegação de tributos, e de ficar entre a vida e morte em 2004, El Pibe deu mostras, milagrosamente, de estar recuperado no ano seguinte, quando apresentou na TV argentina o bem sucedido programa semanal de entrevistas La Noche del Diez.

O álcool toma o lugar da cocaína

Maradona de fato havia se livrado da cocaína, mas em seu lugar tinha passado a consumir álcool em excesso, o que agravou novamente seu estado de saúde. Em abril de 2007, enquanto o craque se encontrava hospitalizado, foi noticiada na Argentina a sua morte, causando comoção nacional. Mas tudo não passava de um boato plantado para desviar a atenção da população de um escândalo envolvendo o alto escalão do governo (coisa que, como sabemos, nunca aconteceria no Brasil…).
A esperança é de que aquele que já driblou defesas inteiras e deixou diversas vezes seus marcadores no chão, surpreenda a todos nós driblando definitivamente a dependência química, o único adversário que até hoje conseguiu pará-lo.

Rodrigo Davidoff Enge, advogado que adora viagens e futebol e é autor de GTB Londres.

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Gigantosaurus_carolinii, Argentina
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Os grandes dinossauros na Argentina, alguns dos maiores do mundo

Os grandes dinossauros na Argentina: a Argentina é um dos países do mundo onde foram descobertos mais fósseis de dinossauros, entre eles alguns dos maiores exemplares já encontrados por paleontólogos. É o caso do Argentinosaurus huinculensis, mais conhecido como Argentinossauro (literalmente “lagarto da Argentina” – el más grande del mundo…), um herbívoro que viveu há 98 milhões de anos, pesava 90 toneladas e media até 40m de comprimento; provavelmente, o dinossauro mais pesado que já existiu. Para entender melhor o que isso significa, basta termos em conta que o mais pesado animal terrestre adulto da atualidade, o elefante africano, pode pesar até 7 toneladas.

Giganotosaurus carolinii

Entre os maiores dinossauros bípedes carnívoros, está outro espécime também descoberto na Argentina: o Giganotosaurus carolinii, encontrado na Província de Neuquén em 1993. O bonitinho possuía dentes de mais de 20cm, tinha 13m de comprimento quando adulto e pesava 8 toneladas, aproximadamente o mesmo que o Tiranossaurus Rex, delinqüente-mor do filme Jurassic Park. Só a sua cabeça media 2m de comprimento! Os dois gigantes viveram em épocas separadas e estavam geograficamente afastados, pois o Tiranossauro habitava os Estados Unidos e a Mongólia atuais.

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Evita Perón
Túmulo de Evita Perón em Buenos Aires

 

 

 

Evita Perón: sua vida daria uma ópera-rock

Evita Perón, ou mais exatamente, Maria Eva Ibarguren nasceu em 1919 na cidade de Los Toldos, na Província de Buenos Aires, filha ilegítima de um fazendeiro com sua bela cozinheira Juana Ibargurena. Aos 7 anos, após perder o pai, mudou-se com a mãe e os quatro irmãos para Junín, onde morou até 1935. Com apenas 16 anos e embalada pelo sonho de se tornar atriz, tomou a decisão de mudar-se para Buenos Aires. Sem nenhuma experiência em teatro ou cinema, e com baixa escolaridade, ela deparou com os problemas comuns às jovens que, desconhecidas e sem contatos importantes, tentam a sorte na carreira artística. Aos poucos, Evita foi percebendo que os poucos personagens solícitos com quem mantinha contato não estavam realmente preocupados em ajudá-la, e sim interessados em conseguir favores da bela adolescente.

Determinação, um traço do caráter de Evita Perón

Fossem quais fossem os defeitos de Evita, a moça tinha uma qualidade: uma ferrenha determinação. Mesmo sem grandes dons artísticos, conseguiu fazer certo nome no teatro, aparecer em filmes (Segundos Afuera e outros) e revistas (onde algumas de suas fotos, ao que parece, feriram os padrões morais da época) e trabalhar em rádio-novelas. Chegou a dirigir um programa de rádio com uma audiência razoável. Quando um terremoto destruiu a cidade de San Juan, em janeiro de 1944, Evita participou ativamente da campanha de ajuda aos desabrigados em seu programa, ocasião em que conheceu Juan Domingo Perón, de quem se tornou amante. Foi quando sua sorte mudou: um mês depois, já moravam juntos. Quando Perón, Ministro do Trabalho, foi preso pelos militares, Evita, utilizando seu programa de rádio, organizou comícios e manifestações, até que o soltaram. Quatro dias depois, casaram-se numa cerimônia discreta.

A moça interiorana se transforma

Em fevereiro de 1946, Perón candidatou-se à Presidência da República, tendo Evita e seu programa de rádio como um de seus principais cabos eleitorais, que atraia o voto das camadas mais pobres do país. Com a vitória de Perón, Evita tornou-se, com apenas 26 anos, uma personagem nacionalmente conhecida; uma trajetória extremamente bem-sucedida para alguém que chegara a Buenos Aires com uma mão na frente e outra atrás. Pouco depois, completando sua transformação radical, Evita descoloriu os cabelos, tornando-se “loira”, um status étnico na Argentina… Alterou também seus documentos, adotando o sobrenome do pai e passando a se chamar Maria Eva Duarte. Numa viagem à Europa, aproveitou para mudar também seu guarda-roupa de gosto duvidoso. Acabou ficando com um look de estrela de cinema que ajudou, a reforçar sua popularidade.

A musa dos sindicatos argentinos

De origem humilde, Evita sempre foi mal vista pelas elites, que torciam o nariz para a “filha da cozinheira”, mas tornou-se uma espécie de musa do sindicalismo argentino não comunista (Esclareça-se, aliás, que o Partido Comunista considerava o peronismo um movimento de inspiração fascista). Hábil organizadora, criou uma entidade de assistência social, a Fundação Eva Perón, mantida com contribuições de empresários que temiam se indispor com o governo autoritário de Perón. Com muito dinheiro em mãos, a toda-poderosa primeira-dama fundou hospitais, escolas e instituições de caridade. Dotada de um inegável carisma e utilizando a retórica antielitista e nacionalista de Peron, que falava numa “nova Argentina”, Evita foi idolatrada por amplos setores das massas populares.

A morte precoce de Evita Perón

Sua morte precoce em 26 de julho de 1952, provocada pela leucemia, provocou intensa comoção popular. O velório, acompanhado por milhares de pessoas, durou cerca de 14 dias. Foi o começo do fim do governo peronista.

O corpo escondido

Antes de chegar ao Cemitério de la Recoleta, os restos mortais de Evita viajaram muito e passaram por aventuras. Logo que ela faleceu, foi levado para a CGT (Confederación General del Trabajo), onde seu corpo foi embalsamado; depois para o “Monumento al Descamisado” (posteriormente chamado de “Monumento a Eva Perón”). Retirado dali pelos militares que queriam acabar com o culto popular ao peronismo, perambulou por vários lugares em Buenos Aires, até ser levado às escondidas para a Itália, sob o nome de María Maggi de Magistris, e enterrado em segredo no Cemiterio Maggiore de Milão, onde permaneceu até 1971. Em razão dos protestos da família de Evita, o corpo foi retirado desse cemitério pelos militares e entregue a Perón, em Madri. Depois que Perón reassumiu por um curto período e morreu, foi trazido para a Argentina para ser velado junto com seu marido. Em 1976, foi finalmente entregue à sua família e enterrado em La Recoleta.

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Carlos Gardel

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Carlos Gardel

A Argentina é uma terra de mitos; vide Perón, Evita e Maradona. Carlos Gardel é um deles. Como sempre acontece com os mitos há versões contraditórias, mistérios e dúvidas sobre as origens de Gardel. Há quem afirme que era argentino; no Uruguai, dizem que ele era uruguaio; e a maioria das versões garante que ele era francês. Segundo os uruguaios, Gardel seria filho natural de um fazendeiro de Tacuarembó (norte de Uruguai), Carlos Escayola, e de sua jovem cunhada ainda menor de idade, María Lelia Oliva Sghirla.

Armado o escândalo (afinal, de uma cunhada têm-se sobrinhos, não filhos!) o bebê teria sido entregue a uma moça chamada Berthe Gardès. Essa versão não agrada os argentinos – há quem diga que isso é coisa de uruguaios para irritar aos portenhos… Pesquisas recentes parecem comprovar que Gardel era realmente francês. Teria nascido na cidade de Toulouse em dezembro de 1890 e sido batizado com o nome de Charles (Carlos em francês). Aos três anos de idade, teria desembarcado em Buenos Aires com sua mãe Berthe, abandonada pelo pai do menino, Paul Lasèrreque, que só foi a Buenos Aires em 1930 para reconhecer a paternidade quando Gardel já se tornara famoso.

O fato é que o menino cresceu no Abasto, na época um bairro de classe média baixa, e começou sua carreira em cabarés baratos, onde era conhecido como El Morocho de Abasto (“o moreno do Abasto”). É bom lembrar que o tango, inicialmente cantado em bordéis e inferninhos vagabundos, não era bem visto pela elite portenha, que teve muita dificuldade em aceitar um tipo de dança considerada demasiadamente sexualizada, com passos atrevidos de pernas entrelaçadas, jogos de olhares e gestos que lembram um verdadeiro “ritual de acasalamento”. Inicialmente apenas instrumental, tocado com instrumentos de corda e flauta, o tango ganhou letras e o reforço poderoso do piano, tornando-se “tango-canção”, gênero musical inspirado na nostalgia, na paixão, nos amores não correspondidos, na traição e na fatalidade.

O tema combinava maravilhosamente com a voz cristalina de Charles Gardès que, tendo adotado o nome de Carlos Gardel, gravou em 1917  seu primeiro tango: Mi noche triste, de Pascual Contursi, regravado algum tempo depois com o selo de uma das maiores gravadoras da época, a Odeon. A partir daí, tornou-se cada vez mais famoso e em 1924 passou a cantar em rádios – o que, na época, era o máximo do sucesso.

Gardel foi, além de cantor, compositor. Dentre suas obras mais conhecidas estão Mi Buenos Aires Querido, Por una Cabeza (aquela que o Al Pacino dançou no filme Perfume de Mulher), El dia que me quieras (a mais linda de todas!), Melodia de Arrabal, Mano a Mano e Volver.

Tendo se tornado famoso, Gardel foi convidado a participar de filmes; o primeiro foi rodado na época do cinema mudo e o cantor, naturalmente, não abria a boca. A partir de 1931, Gardel apareceu em vários filmes de longa metragem, começando com Luces de Buenos Aires (filmado na França). Seguiram-se Esperame (1933), La casa es seria (1933),  Melodía de Arrabal (1933), Cuesta Abajo (1934), El Tango en Broadway (1935), Cazadores de estrellas (1934), El día que me quieras (1935) e Tango Bar (1935).

É bem possível que sem Gardel o tango nunca tivesse sido o que foi, pois foi ele quem contribuiu definitivamente para sua introdução na Europa, um passo indispensável para a aceitação desse gênero musical pelas elites argentinas. Estas acabaram adotando-o como música nacional e o tango passou a ser tocado em casas noturnas elegantes. Virou moda, apesar da oposição da Igreja, que continuava a ver na música e, principalmente, na dança, um atentado ao pudor. Apesar disso (ou talvez por isso mesmo, já que as pessoas parecem ter uma tendência a se interessar por tudo que a religião considera imoral) o tango virou paixão e Gardel, um ídolo nacional.

Sabe-se que o cantor era bem-humorado, um boêmio, bon vivant, apreciador de boa comida (o que o fez engordar), da noite e da sedução (o que lhe valeu algumas encrencas, entre elas o episódio mal explicado do tiro que levou no Palais de Glace). Alguns de seus filmes rodados na Europa e Estados Unidos foram produzidos com o apoio financeiro da Baronesa de Wakefield, uma admiradora com o qual Gardel teria tido uma relação bem próxima.

Carlos Gardel estava no auge de sua carreira quando morreu num acidente aéreo em junho de 1935, em Medellín, na Colômbia, durante uma turnê. Há uma foto sua tirada momentos antes de embarcar. A comoção causada por sua morte foi imensa; assim como Evita, ele morreu jovem e no auge da fama.

Calle Zelaya

(Abasto) Por iniciativa do artista Marino Santa María, que motivou os moradores da Calle Zelaya, no bairro de Abasto, onde morou Carlos Gardel, a maioria das casas tiveram suas paredes pintadas com temas alusivos ao tango e ao seu grande ídolo. Por exemplo, o mesmo retrato de Gardel, com seu eterno sorriso, pintado em cores diferentes. É uma pena que as pinturas não estejam bem conservadas.

Estação de metrô Carlos Gardel

Esta estação de metrô tem painéis que homenageiam o espírito tangueiro do bairro de Abasto, com destaque, é claro, para Gardel.

Cemitério de Chacarita

Av. Triunvirato (Chacarita). O gigantesco cemitério tem por principal interesse o túmulo de Carlos Gardel. Sua estátua em bronze em tamanho natural o mostra sorrindo e, entre seus dedos costuma haver um cigarro colocado por algum fã. Os eternos admiradores não deixam faltar flores no túmulo do cantor. No dia 11 de dezembro, Dia Nacional do Tango, o cemitério fica lotado de fãs.

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Alberto Ricardo Darín
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Argentina, cinema: do cinema engajado aos novos talentos

O cinema argentino tem há décadas produzido bons filmes. Os mais engajados, filmados durante a ditadura militar, têm forte conteúdo político, como o precursor Hora de los Hornos e La História Oficial, de Luís Puenzo, que conta o drama das mães da Plaza de Mayo e as atrocidades do regime.

Na segunda metade da década de 1990, com a aprovação de uma legislação que facilitava o financiamento da produção de filmes, novos talentos produziram ótimas obras.

Dicas de bons filmes argentinos

Entre outros bons filmes, em 1997 foi lançado Cenizas del Paraíso (de Marcelo Piñeyro); em 2000, Plata Quemada (de Marcelo Piñeyro), Nueve Reinas (de Fabián Bielinsky) e Fuckland (de José Luis Márques, filmado clandestinamente nas ilhas Malvinas).

Em 2001, fizeram sucesso El Hijo de la Novia (de Juan José Campanella) e La Ciénaga (de Lucrecia Martel); em 2002, Kamtchatka (de Marcelo Piñeyro); e, em 2003, El Abrazo Partido (de Daniel Burman).

Dentre os mais recentes, merecem destaque Diários de Motocicleta (dirigido pelo brasileiro Walter Salles, mas de co-produção argentino-americana), La Puta y la Ballena (de Luís Puenzo), uma co-produção argentino-espanhola, e odocumentário Oro Nazi (de Rodolfo Pereyra), baseado no livro do jornalista Jorge Camarasa, todos de 2004.

Vídeo sobre o cinema argentino

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Jorge Luis Borges

Argentina: literatura, os antigos e novos talentos

Os primeiros autores argentinos

Os primeiros autores argentinos de alguma expressão começaram a surgir por volta da metade do século XIX.Dentre os românticos, destaca-se Esteban Echeverría que, depois de uma juventude tresloucada, abandonou os estudos e partiu para a Europa. De volta à Argentina, tendo sido influenciado durante sua estada no Velho Mundo pelo liberalismo político e por idéias de justiça social, participou em 1837 do Salón Literario da livraria de Don Marco Sastre, em Buenos Aires, um centro de discussões literárias e agitação política de opositores ao ditador Juan Manuel de Rosas. Quando o centro foi fechado por Rosas, Echeverría fundou a Asociación de Mayo, uma sociedade secreta com ramificações em várias cidades do país. Seu livro Dogma Socialista influenciou o pensamento político argentino do século XIX. El matadero, uma de suas obras mais famosas, é um relato que tem como cenário um matadouro na Província de Buenos Aires, onde unitaristas e federalistas se enfrentam. Estes últimos, partidários do ditador, são representados no livro como de mau-caráter e cruéis, enquanto os unitaristas são “do bem”.

Claro que Rosas não achou graça; para salvar a pele, Echeverría teve que asilar-se no Uruguai.

Sarmiento, um escritor que virou presidente

Domingo Faustino Sarmiento foi outro escritor dessa época, que acabaria eleito Presidente da República. Sua obra Facundo é eminentemente política e tem seu personagem inspirado no caudilho provincial Facundo Quiroga, retratado de forma pouco elogiosa.Outro importante escritor argentino do século XIX foi José Hernández, autor de El Gaucho Martín Fierro, autor engajado que se envolveu nos conflitos e revoluções que sacudiram o país nessa época. Sua obra, que foi um verdadeiro best seller, retratava a vida dura dos gauchos e as injustiças de que eram vítimas. O personagem central é engajado contra sua vontade no exército e forçado a lutar contra os índios. Torna-se depois, ao desertar, um fora-da-lei. Para saber o resto da história, vá à Argentina e compre o livro…

O tema gaucho

O tema “gaucho” foi retomado por outro escritor do começo do século, Ricardo Güiraldes, autor de Don Secundo Sombra, história ambientada em San Antonio de Areco, na Província de Buenos Aires. O gaucho aqui aparece mais como um personagem mítico do que como o herói rebelde de Hernández. A estancia onde viveu o escritor pode ser visitada.

Jorge Luis Borges

Entre os diversos grandes autores argentinos do século XX, alguns merecem menção especial: Jorge Luis Borges A obra que o consagrou foi El Aleph (1949).

Algumas de suas obras falam especificamente de Buenos Aires, como Fundación Mitica de Buenos Aires e Fervor de Buenos Aires. Ao que parece, o mais famoso escritor argentino, nascido em 24 de agosto de 1899 na Calle Tucumán, tinha uma profunda relação de amor e ódio com sua cidade.Julio Cortázar Escritor prolífico, ganhou fama mundial pelas Histórias de cronópios e de famas (1962) e por Jogo da Amarelinha (1963).Adolfo Bioy Casares Sua obra mais conhecida é La Invención de Morel, publicada em 1940, cuja trama foi qualificada por Borges como “perfeita”. Concordamos!

Ernesto Sábato

Nascido em Riojas, na Província de Buenos Aires, em 1911, Sábato passou um bom tempo em Paris durante sua fase comunista, quando “Paris era uma festa”. Sua obra mais conhecida é Sobre heróis e tumbas (1961).Manuel Puig O novelista do best-seller Boquitas pintadas é também o autor de The Buenos Aires Affair. Ameaçado de morte, teve que deixar a Argentina e fixou-se no México, depois no Rio de Janeiro. Seu livro El beso de la mujer araña foi transformado em filme por Héctor Babenco.Martin Caparrós Um novo talento, com estilo bem próprio e vários livros publicados. Leia, por exemplo, Valfierno.

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