Goa, Índia

A antiga colônia portuguesa de Goa, meca hippie no sul Índia, com suas belas praias selvagens, ainda atrai visitantes do mundo todo.
Mercado de Goa, Sudeste da Índia
Goa, sul da Índia
Goa, sul da Índia

Goa

(Trecho do livro “A Vaca na Estrada”

Mapa de Goa

Goa, belas praias selvagens

Lembro-me de que, em uma de minhas viagens, conversando com outros estrangeiros, quando falamos sobre Mumbai e muita gente na mesa torceu o nariz, alguém disse que Mumbai tinha pelo menos uma coisa de bom: era de lá que se ia a Goa. É verdade: os viajantes que passam por Mumbai, exceto quando a trabalho, o fazem porque vão tomar uma conexão para outro lugar, quase sempre para Goa, onde belas praias selvagens repletas de coqueirais representam o lado “sombra e água fresca” da Índia, que os europeus, principalmente, adoram. Acho, porém, que as praias podem impressionar a eles, mas não a nós, brasileiros. O mar não tem aqueles belos tons de azul ou verde do litoral nordestino e menos ainda aquelas impossíveis cores que vemos no Caribe e na Polinésia. Mesmo assim, Goa é bastante agradável.

Vídeo sobre Goa

O eixo Goa-Katmandu

Nos anos 1970 e 1980 existia um verdadeiro eixo Goa-Katmandu. Os mochileiros passavam o verão no Nepal, mais fresco, e fugiam do inverno gelado de Katmandu “migrando” para a praia de Calangute no começo de dezembro. Inteligente. Ambos os lugares eram baratos, agradáveis, cada um à sua maneira, e tinham o mesmo clima “paz e amor”.
Goa foi durante muito tempo um ponto de encontro de hippies. Alguns que encontrei por lá me passaram a impressão de que estavam a caminho de Woodstock quando se perderam e foram parar na Índia, onde acabaram ficando… Quando estive em Goa no começo da década de 1980, o point ainda era Calangute. No final do século XX, o lugar já estava cheio de hotéis para turistas mais convencionais, lojas, agências de viagem, bons restaurantes, um monte de barzinhos e até boates. Mais certinho. Os nudistas sumiram, os chillums desapareceram.

As full moon parties

Ainda existem, porém, em Goa, as full moon parties, festas realizadas em praias distantes, durante a lua cheia, em torno de fogueiras. São os equivalentes aos nossos luaus. Antes, todo mundo sabia onde iam rolar; hoje, quem quer participar tem que descobrir.
Não vou deixar ninguém curioso. A moçada acendia uma fogueira na praia, alguém na roda tocava um instrumento musical, muita gente dançava, a paquera rolava solta, alguns fumavam maconha. Não é tão diferente do que acontece em algumas praias brasileiras em noites de lua cheia, nas férias de verão. Sexo? Comum, como por aqui.

Goa do século XXI é outra

A polícia passou a dar batidas à procura de drogas, para arrancar dinheiro do pessoal e combater excessos. Digamos apenas que, antigamente, a “pouca vergonha” era mais visível. O pessoal underground aprontava o diabo na praia, transformando aquele pedaço de litoral em um imenso festival alternativo. Finalmente, a Igreja Católica, que até hoje tem certa influência em Goa, reclamou medidas.

Um pequeno escândalo

Quando estive lá, o escândalo do momento era a prisão de duas europeias que, no dizer dos goanos, com seu sotaque luso, “estavam a praticar liberdades orais” em seus namorados em plena luz do dia. O que isso rendeu de conversas e anedotas nos bares frequentados pelos viajantes estrangeiros daria um livro. O fato é que os indianos, mesmo conservadores, em geral só se preocupam com a moralidade dos ocidentais quando algo os incomoda. Assim, em Calangute principalmente, a polícia deu em cima, empurrando os hippies para praias cada vez mais afastadas, no norte do território, como a Ashvem Beach. Enfim, até hoje Goa não é local indicado para quem é muito conservador ou moralista.

Goa é um território, não uma cidade

Panjim, à beira de um rio, é sua capital. Dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa, talvez por inspiração lisboeta, é um lugar animado, onde eu me sentia bem. Além disso, para dizer a verdade, estava cansado do controle obsessivo sobre o álcool na maior parte da Índia, onde tomar uma simples cerveja já era complicado. Em Goa, esse problema não existia. Panjim, digamos, “substituiu” Goa Velha, uma cidade abandonada nos anos 1680 após epidemias de malária e cólera, que no seu apogeu, tinha mais de 50 mil habitantes. Visitei Goa Velha numa tarde luminosa. Ruínas dos tempos de glória, igrejas e conventos espalhavam-se dos dois lados da estrada. Gostei, em especial, da Basílica do Bom Jesus, de fachada renascentista, que abriga o túmulo de São Francisco Xavier e recebe turistas do mundo todo.

A miscigenação

Ao contrário dos ingleses e franceses, os portugueses, pouco numerosos, que viajavam sem mulheres, eram incentivados a gerar filhos com as nativas de suas colônias. O concubinato era comum e, em alguns casos, os colonizadores chegavam a se casar com as asiáticas, constituindo família. Outras vezes a miscigenação ocorria de forma brutal, por meio do estupro puro e simples. Como não havia portugueses suficientes para colonizar muitos territórios conquistados, passaram a produzir “híbridos”. Isso explica, por exemplo, porque a população brasileira é tão miscigenada.

Lutar até o último homem

Os lusitanos chegaram à região no começo do século XVI, onde estabeleceram uma feitoria para negociar especiarias, pedras preciosas, marfim e outros produtos. O negócio deu tão certo que Goa acabou se tornando, décadas depois, um dos portos mais ricos do mundo. A ocupação portuguesa durou até 1961, quando o exército indiano invadiu a colônia. As ordens dadas aos soldados lusitanos para que lutassem “até o último homem” não foi tomada a sério. Quando um bem armado exército indiano iniciou a invasão, as forças portuguesas, pouco numerosas, renderam-se quase imediatamente. David Birmingham, no seu livro História de Portugal, relata que o Estado-Maior em Lisboa “ao ser-lhe pedido que enviasse salsichas para Goa, enviou salsichas de porco, esquecendo completamente que a palavra código para granadas de artilharia era salsicha”. Parece piada, mas não é.

Site oficial de turismo de Goa

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