A Itália no pós-guerra
Florença, Itália
A Itália no pós-guerra

A Itália no pós-guerra

Militarmente muito mais fraca que a Alemanha, a Itália, primeiro país tomado pelos aliados, saiu arruinada da guerra. A Itália no pós-guerra tinha sua economia estagnada. O país estava dividido e empobrecido. Mas, desta vez a divisão era entre a democracia-cristã, apoiada pela Igreja Católica e o Partido Comunista Italiano que saira fortalecido com a derrota do fascismo, já que boa parte dos partigiani eram comunistas.
Mesmo com a recuperação econômica do país a partir de 1950, a Itália foi muito afetada pela Guerra Fria, que dividiu ideologicamente a população.

A república

O último rei, Vittorio Emanuele III, conservou o trono até o final do conflito, mas, em 1946, um referendo popular instalou a república parlamentarista no país. Apesar de a instabilidade política, a Itália democrática foi se recuperando, a produção agrícola e industrial voltou a crescer. Embora o sul da Itália permanecesse pobre, o centro e o norte do país mantiveram-se dinâmicos e produtivos.

A Máfia

Um dos grandes problemas da Itália no pós-guerra foi a atividade mafiosa. Ela se concentrava não apenas na Sicília, mas também em Nápoles e na Calábria. Sob o comando de alguns juízes corajosos, muitos dos quais terminaram assassinados, a Máfia foi combatida com energia e quase extinta. Mafiosos conhecidos foram parar atrás das grades.

O poder político compartilhado

Apesar de o poder político central ficar em mãos de partidos conservadores (a democracia cristã e seus aliados, agrupados em frágeis composições parlamentares), o forte Partido Comunista governava diversas regiões e cidades por toda a Itália. Parte da esquerda mais radical, entretanto considerava o Partido Comunista excessivamente moderado e exigia mudanças radicais.

Dica

 Há ótimos livros sobre a Itália nesse período. Leia Giovanni Guaresch, autor da série “Dom Camilo”, que tem como cenário uma cidadezinha italiana.  O enfoque é sobre as rivalidades entre o páraco (Dom Camilo)  e o prefeito comunista Peppone. Os livros até viraram filmes, com o francês Fernandel no papel de Dom Camilo. No mínimo você dará boas risadas ao ler ou livro ou assistir o filme.

As Brigadas Vermelhas

Enquanto os comunistas aceitavam o jogo democrático, os ultrarradicais de esquerda das Brigadas Vermelhas partiram para o terrorismo, com diversos atentados que abalaram o país entre 1968 e 1979, culminando com o brutal assassinato do ex-Primeiro-Ministro Aldo Moro, democrata-cristão propenso à negociação e disposto a aceitar a participação da esquerda democrática no governo.

A queda do Muro de Berlim e o fim da Guera Fria

Com a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, o Partido Comunista Italiano perdeu boa parte de seu prestígio, embora, entre os partidos comunistas europeus, fosse o menos dogmático e o mais independente em relação ao soviético. Sua referência ideológica, a União Soviética desabara, o comunismo tornara-se desacreditado.

A Comunidade Econômica Européia

Reforçando seus laços com os demais países do continente, em 1957 a Itália se tornou um dos membros fundadores da Comunidade Econômica Europeia. A integração européia foi benéfica para a Itália, o padrão de vida de sua população melhorou. Projetos industriais bi-nacionais ou pluri-nacionais passaram a ter importante participação italiana.

Berlusconi

No parlamento, Sílvio Berlusconi, do partido de direita Forza Itália, que praticamente monopolizava os meios de comunicação no país, governou a nação durante anos, apesar das evidências de corrupção e outros escândalos, envolvendo-o. Só a muito custo foi afastado.

A Itália no final do século XIX

Depois disso a Itália passou a ser governada por coalisões de diferentes tendências, sendo comuns as  crises políticas no parlamento.

A economia italiana conseguiu acompanhar a de seus parceiros da União Europeia. Em nenhum momento, entretanto, o país chegou a quebrar, mesmo com toda a União Europeia passando por momentos difíceis.

O caso Mattei

Entre os homens mais influentes do país no início da década de 1960 estava Enrico Mattei, um católico que havia lutado contra fascismo como partigiano e liderava a estatal energética ENE. Mattei imprimia a essa empresa uma política independente, que afrontava o cartel petroleiro anglo-americano (as chamadas “Sete Irmãs”).

Por uma Itália neutra – Mattei achava também que a Itália deveria se distanciar da OTAN e manter-se neutra no caso de um conflito entre russos e americanos. Quando a tensão atingiu seu ápice, com a crise dos mísseis em Cuba, e o mundo estava à beira de um holocausto nuclear, tornou-se impossível para a OTAN aceitar a perda de um aliado com o peso da Itália.

A influência de Mattei A CIA considerava a influência de Mattei perigosa: ele precisava ser eliminado. Quando o avião que o levava à Sicília estava prestes a aterrissar, uma bomba explodiu no trem de pouso. A investigação a respeito da morte de Mattei não deu em nada. Quem se atrevesse a fazer uma apuração independente, morria; provas e testemunhas desapareceram.

Um assunto que foi tabu durante muitos anos – Durante muitos anos, esse assunto foi tabu. Desconfiava-se, e hoje já se sabe (principalmente depois das confissões de mafiosos presos), que foi a Máfia, colaboradora da CIA à época na execução de certos trabalhos sujos, quem fez o serviço – com a provável cumplicidade de membros pró-americanos do serviço secreto italiano.
“O caso Mattei “é tema de um excelente filme  de Francesco Rossi.

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