Viagem por conta própria

Viagem por conta própria: vantagens e desvantagens

Desde que você arranhe pelo menos um pouco o inglês ou a língua do país que pretende visitar, viajar “por conta própria” não é nenhum bicho de sete cabeças. Ao contrário, se você tiver um mínimo de capacidade de planejamento e não for daqueles que entram em pânico por qualquer motivo, é muito fácil. Há várias vantagens: criar seu próprio roteiro, visitar o que quer, comer onde tem vontade, acordar a hora que quer…
Porém, como já dissemos, planejar é fundamental: quanto mais informações você tiver antes da viagem, melhor ela será.  Sair no “oba-oba” é arriscado.  Recolha informações e planeje tudo. Mesmo que a idéia inicial seja meio vaga, não faz mal: ela acaba se delineando melhor depois.

Organizar um roteiro de viagem dá trabalho mas, acredite, vale a pena. Para tanto, é preciso, antes de mais nada, ler e reler a seção Para onde ir.
Se você vai apenas para uma cidade, tudo é mais fácil. É só decidir quando ir, onde se hospedar e quando voltar. As dificuldades começam quando seus planos de viagem incluem diversas cidades ou países. Uma regra da qual não se deve tentar escapar: quem quer viajar por conta própria deve em primeiro lugar debruçar-se sobre um mapa. Freqüentemente não se tem idéia de distância ou de onde fica cada cidade que se pretende visitar. Isso pode causar problemas, pois é comum quem pensa em viajar por terra acabar traçando planos absurdos.

Quem planeja visitar vários países deve ter como base uma cidade bem localizada a partir da qual se pode facilmente visitar as demais. Por exemplo, de Paris é rápido, fácil e barato ir de trem para Bruxelas, Amsterdã ou Londres. De Roma, já ficaria mais complicado.
A não ser que você esteja resolvido a “pôr o pé na estrada”, a exemplo dos beats e hippies de outrora (eles tinham muito tempo!), é fundamental traçar um cronograma da viagem.  Marque os dias de ida e de volta ao Brasil, os lugares a serem visitados e o tempo desejado de permanência em cada um deles.

Bem, isso é como você gostaria que fosse. Agora terá que se informar sobre os vôos e outros meios de transporte entre um lugar e outro e reservar tudo o que for possível, com o máximo de antecedência. Você verificará, por exemplo, que em tal dia não tem vôo de Maracamburgo para Pirambaville e terá que adequar seu cronograma à realidade: ficar um dia a mais do que gostaria numa  cidade, um dia a menos em outra. É hora de estabelecer prioridades e fazer opções. Nessa fase da elaboração do roteiro você vai precisar de informações mais detalhadas, a fim de se decidir por reduzir um ou dois dias neste ou naquele lugar. Ou mesmo se ver obrigado a cortar alguma parte de sua programação.

Os roteiros devem obedecer uma lógica envolvendo também as distâncias e os meios de transporte terrestre que, em  alguns países, são de uma lentidão exasperante, como ocorre em boa parte da América Latina, no Norte da África e nos países em desenvolvimento da Ásia.
O importante, em qualquer caso, é lembrar que, como não podemos nos teletransportar  num piscar de olhos de um ponto a outro, qualquer cronograma de viagem deve levar em consideração o tempo de deslocamento. Oito horas numa estrada significam um dia perdido! Você chegou a Roma para ver o Papa mas ele já foi dormir…

Não dá para fazer um roteiro sem saber coisas básicas, como o  horário em que o seu avião chega em Atenas e a que horas é o embarque para Mykonos; será que dá tempo de pegar esse vôo ou, pelo contrário, será que você não vai ficar o dia todo mofando? O avião sai do mesmo aeroporto? A que horas você vai chegar em Mykonos? Qual a distância do aeroporto à cidade? Será que haverá hotéis e restaurantes abertos quando você chegar? Lembre-se: o dia em que se toma um avião é quase perdido, salvo se o vôo for à noite. Um vôo às 15h significa que você deverá estar no aeroporto às 13h, e deixar o hotel às 12h, dependendo do trânsito e da distância até o aeroporto.

Também não vá contando muito em aproveitar o dia da chegada, salvo se chegar de manhã: você vai perder tempo para retirar a bagagem, passar pelo serviço de imigração, pela alfândega, ir do aeroporto até a cidade, fazer o check-in no hotel, e vai inevitavelmente querer (ou até mesmo precisar) descansar, se a viagem tiver sido longa. Isso vale, com as devidas adaptações, para qualquer meio de transporte.

Os roteiros devem, também, ter uma “lógica climática”. É indispensável informar-se sobre o clima em cada cidade ou região do seu roteiro. Se você vai para a Europa no começo do outono e quer incluir as ilhas gregas no roteiro, é para lá que você deve ir em primeiríssimo lugar: é preciso aproveitá-las antes que o clima comece a se tornar mais frio e chuvoso à medida que o outono avança. Mas se você vai para o Canadá e a costa Atlântica dos Estados Unidos no começo da primavera, comece pelo sul, onde o clima já estará agradável, e suba para o norte quando estiver menos frio. Enfim, procure estar no lugar certo na hora certa.

Com tudo decidido, faça um cronograma por escrito com o percurso programado. Dele devem constar o dia do mês e da semana de cada viagem; os horários de partida e de chegada de cada trajeto; o número de cada vôo e os nomes da companhia aérea e do aeroporto (ou dados equivalentes em caso de trem, ônibus ou barco) e todos os demais dados que possam refrescar sua memória. Leve o cronograma com você e mantenha-o sempre à mão; numa viagem, na vida mansa, sem outras preocupações, é fácil se confundir.

O que falamos em relação aos países e cidades vale também dentro de uma mesma cidade: procure hospedar-se perto do que você tem intenção de visitar. Estabeleça uma programação e itinerários lógicos, indo hoje ao bairro “X”, amanhã ao bairro “Y”…   É bom saber de antemão onde fica cada lugar que você quer conhecer e os dias e horários em que está aberto ao público. Considere também que algumas atrações você apenas olha e vai embora; outras exigem um dia inteiro para serem apreciadas.

Embora um guia de viagem seja muito útil para qualquer viajante, mesmo para aqueles que pegam excursões organizadas, ele é imprescindível para quem viaja por conta própria. Além do guia fornecer dicas importantes, é a ele que você terá que recorrer quando quiser saber detalhes sobre alguma atração, onde se hospedar, onde comer ou como se locomover. Não viaje sem ele.