Sua primeira viagem ao exterior
Central Park, New York, inverno
Central Park, New York, inverno 

Sua primeira viagem ao exterior

Mesmo que você já conheça relativamente bem o Brasil, a primeira viagem para o exterior é uma experiência única e inesquecível. Até quem já visitou dezenas de países lembra-se da primeira vez em que pisou solo estrangeiro, mesmo que tenha sido em países vizinhos e culturalmente próximos do nosso, como o Uruguai ou a Argentina. Na verdade, o simples fato de estar em um país onde se fala outra língua já é algo novo. Você sabe que se quiser parar para um lanche não poderá simplesmente entrar em uma lanchonete e dizer: “Por favor, uma empadinha e um guaraná”. De alguma forma você conhecerá outro povo. E, naturalmente, quanto mais esse povo for diferente de nós, mais você se sentirá, pela primeira vez na sua vida, um “estrangeiro”. Dá um friozinho na barriga, misturado com toda uma gama de sentimentos. Quando voltar, terá muita coisa para contar aos amigos e começará a se tornar alguém “viajado”… Nunca mais terá que escutar, numa festa, um metido lhe perguntar: “Você nunca saiu do Brasil?”.

Conviver com outros povos, conhecer lugares completamente diferentes de tudo o que já viu, estar em meio a novas paisagens – e até mesmo experimentar a culinária de outros países – tudo isso, além de nos enriquecer culturalmente, é muito divertido. Não é por outra razão que quase todo mundo quer aproveitar as férias viajando, e não assistindo TV no sofá da sala.

A realidade é que, com raríssimas exceções, temos apenas um mês de férias por ano, e uma viagem ao exterior custa dinheiro. Já que você estará fazendo um investimento importante em si mesmo, é melhor fazer as coisas direito, sem desperdiçar seu tempo nem seu dinheiro. Você não sabe nem por onde começar? Não faz mal; como tudo na vida, viajar é algo que se aprende. Vamos, então, organizar a primeira grande aventura de sua vida? 

Documentação

Passaporte

Para ir à Argentina, ao Uruguai, ao Paraguai,  ao Chile,, você não precisa levar passaporte, mas apenas sua carteira de identidade brasileira (RG) original (não serve xerox, nem mesmo autenticada), desde que ela esteja em bom estado e permita a sua identificação; não serve aquela que você tirou aos 15 anos de idade com cabelos pelos ombros se hoje você tem mais de 40 e está calvo… Também não é válida para sair do Brasil e entrar nesses países a carteira profissional (OAB, CRM, CREA etc.).

Para entrar em todos os demais países do mundo, você precisa ter um passaporte, que apresentará na saída e na entrada de cada país para onde for e servirá como “carteira de identidade” enquanto você estiver no exterior. O passaporte é fornecido pelo Departamento de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras (DPMAF) da Polícia Federal de seu Estado. Não vale a pena contratar um despachante para cuidar de sua papelada; ele apenas preencherá um formulário, mas lhe cobrará (às vezes bem caro!) pelo serviço. Você mesmo pode cuidar de tudo e agendar sua visita pela Internet  num posto da DPMAF. Apresente-se já com todos os documentos e fotos exigidos, o formulário preenchido e a taxa paga; é muito simples. O endereço dos postos da DPMAF em todo o país e a relação da documentação necessária para obter seu passaporte está no site www.dpf.gov.br (clicar em Serviços). Se não for época de muita demanda, o passaporte pode ficar pronto em até um dia, mas não conte com a sorte; nos períodos que antecedem as férias, os pedidos de emissão de passaporte aumentam, e as filas também. Peça o seu com a maior antecedência possível, principalmente se você tiver que tirar algum visto. Quem tem bastante tempo pela frente pode usar o serviço de emissão de passaporte dos Correios, que é mais demorado; basta comprar, em qualquer de suas agências, o “kit-passaporte”. 

Vistos

Para entrar no território de determinados países e viajar por eles, você precisa ter um visto de turista. Visto é a autorização fornecida pelo consulado de determinado país permitindo-lhe ingressar no seu território e lá permanecer durante um dado período. O visto é carimbado no seu passaporte; é preciso providenciar este primeiro.

É importante lembrar que a autorização representada pelo visto não garante incondicionalmente a sua entrada no país. Se houver algum fato subseqüente que transforme você em uma persona non grata ou mesmo se os policiais do serviço de imigração tiverem suspeitas – fundadas ou não – de que há algo errado com você, principalmente indícios de que esteja querendo entrar no país para morar e trabalhar e não como turista, sua entrada será negada. Isso acontece principalmente nos Estados Unidos. A Inglaterra não exige visto, mas o serviço de imigração por lá, muitas vezes sem um bom motivo, barra pessoas cujas histórias não convençam.

As exigências para se tirar um visto de turismo

As exigências para a obtenção de um visto são mais ou menos as mesmas para  a maioria dos países: passaporte válido (geralmente com validade mínima de seis meses), fotos, preenchimento de um formulário e pagamento de uma taxa. Para alguns países, a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela é necessária para se obter o visto. Você pode requerer seu visto por meio de uma agência de viagem (mediante o pagamento de uma taxa, já que nesse caso a agência entrega o trabalho a um despachante) ou pedi-lo você mesmo, principalmente se na sua cidade existir um consulado do país que você vai visitar.

O visto norte-americano

Alguns consulados fornecem o visto no mesmo dia, outros em alguns dias. O visto norte-americano é um caso à parte: você deve comparecer pessoalmente ao consulado e passar por uma entrevista, na qual deverá provar que tem “sólidos vínculos no Brasil”, que possui meios para sobreviver por lá e que não é membro do Estado Islâmico. Depois disso tem que esperar ainda vários dias e entrar em outra fila para buscar seu passaporte. E com Trump no poer, as coisas só vão piorar.

Como saber se o país para onde você vai exige visto de turista dos brasileiros? As boas agências de viagem têm essas informações, mas como a legislação pode mudar do dia para a noite, o mais seguro a fazer é confirmar por telefone com o próprio consulado do país.

Vacina contra febre amarela

Em uns poucos países, sobretudo na América do Sul, Ásia e África, a vacina contra a febre amarela é exigida para quem entra em seu território. Informe-se junto ao consulado. A vacina contra febre amarela tem validade de dez anos e deve ser tomada no mínimo dez dias antes de sua viagem para garantir sua imunização.

O certificado internacional de vacinação contra febre amarela é fornecido pelos postos da ANVISA, existentes na maioria do portos e aeroportos do país.

Dinheiro

Não leve todo o seu dinheiro em espécie. Procure levar pelo menos um cartão de crédito ou cartão pré-pago (que você carrega com uma determinada soma em seu banco). Fale com seu gerente. É recomendável levar também um cartão de crédito com validade internacional, caso o possua. Saiba mais sobre como lidar com dinheiro em viagem.

Viaje na época certa do ano

Antes de se decidir a visitar um determinado país, informe-se sobre o clima que estará fazendo quando você desembarcar. Temperaturas muito altas, muito baixas, excesso de chuvas ou de ventos ou mesmo risco de eventos meteorológicos de maior gravidade, como tufões ou tempestades, podem literalmente acabar com uma viagem que teria sido perfeita se tivesse sido feita na estação adequada. Você pode, por exemplo, estar morrendo de vontade de conhecer o Canadá, só que fazê-lo no inverno deles (de dezembro a março) pode ser literalmente uma fria! Mesmo em Paris ou em Nova York, onde faz menos frio, a única coisa que vai querer, depois de caminhar uma hora ao ar livre em pleno inverno, é entrar em uma loja ou restaurante (qualquer lugar que tenha calefação…) ou até voltar para o hotel. Sem contar que diversas atrações fecham nessa época do ano. O calor tem o mesmo efeito: Roma, Sevilha ou Marrakech no verão são muito piores do que o Rio de Janeiro, porque no Rio pelo menos tem o mar… Tão importante quanto a temperatura é também importante evitar viajar para um país em suas épocas mais chuvosas. Tem graça ir para a Índia ou a Tailândia e ficar trancado no hotel em razão das inundações, comuns durante as monções? Anote isso: chuva e viagem não combinam!

Porém não é só com o clima que você deve se preocupar. No mundo todo, nas épocas de férias e de feriados, os lugares turísticos são sempre mais cheios e normalmente mais caros. Por exemplo, o mês de agosto é horrível em Veneza, não por causa do clima, mas porque está tudo insuportavelmente entupido de gente. Para sermos mais exatos, em quase qualquer lugar do mundo, agosto é um mês em que tudo está lotado, por uma razão muito simples: é a época de férias de verão no hemisfério norte e todo mundo está viajando – americanos, canadenses, europeus, japoneses… Obviamente, os preços disparam. E há filas até para se fotografar a Torre Eiffel. Além das férias, a realização de feiras, congressos ou mega-shows também lota as cidades. Informe-se sempre sobre a melhor época para sua viagem.

Como você vai viajar ?

Você precisa tomar uma decisão importante: vai viajar por conta própria, comprar um pacote ou pegar uma excursão?

Independentemente da alternativa de sua preferência, escolha uma agência de viagens ou operadora confiável, se possível recomendada por pessoas que já utilizaram seus serviços, e exija, por escrito, recibo e a discriminação de todos os serviços contratados, com o máximo detalhamento. Guarde até o anúncio; assim, se eles não cumprirem o que prometeram, você terá como reclamar.

Pacotes

Algumas pessoas acham que organizar uma viagem é complicado, que dá muito trabalho ou não se sentem seguras em fazê-lo. Nesse caso, uma das opções é a aquisição de um pacote turístico, que normalmente inclui, por um preço fixo, passagens, hospedagem e traslados, sendo que em alguns casos, inclui também algum passeio. Porém, antes de optar por um pacote, você deve lembrar que “hospedagem em apartamento duplo” anunciado pelas agências não significa que o preço inclua hospedagem para duas pessoas, mas sim que esse é o preço individual num quarto para dois. Para saber se o pacote vale a pena, do ponto de vista financeiro, compare o preço dos itens que ele inclui com a estimativa de preço da viagem por conta própria, fazendo o cálculo por pessoa.

Independentemente do preço, que terá de ser analisado caso a caso, as vantagens de um pacote são: praticidade (já está tudo organizado, reservado etc., sem você precisar se mexer) e segurança para quem não está acostumado a viajar para o exterior.

A principal desvantagem é a relativa falta de liberdade: comprando um pacote, se você não estiver contente com o hotel, não é possível mudar para outro, nem alterar as datas de partida e retorno. Saiba mais sobre pacotes de viagem

Excursões organizadas

São viagens em grupo, cujo preço inclui tudo que um pacote oferece e, além disso, refeições, passeios e toda a programação da viagem, sempre acompanhada por um ou mais guias. Todo mundo sai de manhã para um passeio; na hora do almoço, o grupo é levado para um determinado restaurante; à tarde, todos seguem com o guia para outro passeio etc.

As vantagens da excursão são, além da praticidade e da segurança, o acompanhamento constante por alguém que – presume-se – conhece bem o lugar e saberá levá-lo para onde interessa, além de o preço ser fixo. Esta é, aliás, uma grande vantagem para quem quer saber exatamente quanto vai gastar, pois a excursão inclui tudo (ou quase) e geralmente pode ser paga em parcelas.

Por quais motivos alguém deve optar por uma excursão?

  Não dominar nenhum idioma falado no país ou compreendido por lá.

  Não se sentir seguro em viajar sem um guia.

  Não gostar de viajar sozinho, mas não ter companhia.

  Gostar de ter tudo organizado de antemão: horários, refeições, passeios, tempo de permanência em cada lugar etc.

  Querer fazer amizades, gostar de viajar em grupo.

E por quais motivos alguém deve evitar uma excursão?

  Não gostar de convivência social “forçada” (que é inevitável ao tomar café da manhã, passear, almoçar, passear de novo e jantar todo dia com as mesmas pessoas).

  Querer ter liberdade para definir seu roteiro, horários, tempo de permanência em cada lugar, refeições etc.

  Sentir-se seguro para viajar sem guia nem “assessoria”.

  Ter “alergia” a visitas guiadas.

Viagem por conta própria

Desde que você pelo menos arranhe um pouco o inglês ou a língua do país que pretende visitar (mesmo um “portunhol” básico serve para os países de língua espanhola), viajar por conta própria não é nenhum bicho de sete cabeças. Tendo um mínimo de capacidade de planejamento e de auto-confiança, é muito fácil. As vantagens são várias: você cria seu próprio roteiro, visita o que quer, come onde tem vontade, acorda na hora que deseja. Para organizar você mesmo sua viagem, anote estas dicas:

Olhe o mapa – Há uma regra da qual não se deve tentar escapar: em primeiro lugar, abra um mapa. Freqüentemente não se tem idéia de distância ou de onde fica cada cidade que se pretende visitar. Isso pode causar problemas, principalmente para quem pensa em viajar por terra e acaba traçando planos absurdos. O exame do mapa permite que você faça um roteiro realista.

Planeje sua viagem: roteiro e cronograma – Organizar um roteiro de viagem dá trabalho mas, acredite, compensa. Se você vai apenas para uma cidade, tudo é mais fácil. As dificuldades começam quando seus planos incluem diversas cidades ou países. Anote os dias de ida e de volta ao Brasil, os locais a serem visitados e o tempo desejado de permanência em cada um deles. O ideal é sempre deixar uns dias livres, como “coringas”, de modo a poder ficar um pouco mais em um lugar que você tenha adorado, sem bagunçar todos os seus planos. Um erro comum dos turistas, principalmente dos principiantes, é querer conhecer lugares demais, sem ter o tempo suficiente para tal. O resultado é que acabam tomando o café da manhã em Paris, almoçando em Bruxelas e jantando em Amsterdã, sem ter conhecido nada. Informe-se também sobre os meios de transporte entre as cidades que pretende visitar e, se for o caso, já reserve sua passagem. Saiba que o dia de viagem de uma cidade para outra é muito mal aproveitado, em razão do tempo perdido no deslocamento, fazer e desfazer malas, instalar-se num hotel etc. O tempo que sobrar antes de embarcar ou depois de chegar ao seu destino é lucro.

Com quem você vai viajar? – Viajar sozinho não é muito agradável. Mas pior do que isso é viajar com alguém reclamão, encrenqueiro, desanimado ou chato a ponto de você pensar seriamente em empurrá-lo do alto de um canyon nos Estados Unidos ou para dentro do Sena, em Paris. Também é recomendável viajar com pessoas que tenham orçamentos de viagem compatíveis com o seu. Você certamente não vai querer ficar no Espelunca Palace só porque seu amigo é um duro, nem no Waldorf Astoria de Nova York porque ele é um milionário. Quando se viaja bem acompanhado, a viagem, além de mais divertida, torna-se também bem mais econômica para ambos, pois muitas despesas podem ser divididas.

Passagem aérea – Ao contrário do que alguns pensam, comprar uma passagem numa agência de viagem ou numa operadora é mais barato do que adquiri-la na própria companhia aérea, em razão de descontos que as empresas não podem repassar diretamente ao passageiro. Mistérios da aviação! Passagens aéreas cujos preços assustam à primeira vista podem quase sempre ser financiadas no cartão, às vezes em até 4 ou 5 vezes sem juros ou em mais vezes, com juros baixos. Lembre-se de que, se puder viajar nos períodos de baixa estação, você pagará muito menos por sua passagem. Esses períodos variam segundo os destinos e de ano para ano. Veja mais dicas e informações sobre passagens aéreas.

Mais dicas sobre viajar por conta própria

Dica importante

Se pudéssemos dar apenas um conselho aos viajantes novatos, diríamos: leia um bom guia de viagem sobre o país que você pensa em visitar. Mesmo que você pretenda fazer uma viagem econômica, cortar despesas deixando de comprar um guia é a pior coisa que pode fazer, pois acabará, por falta de informação, gastando várias vezes o valor do livro. Procure ler o guia não apenas durante a viagem mas, principalmente, antes de viajar. Leia também livros sobre os lugares para onde você vai, reportagens de revistas especializadas e as seções de turismo de grandes jornais. A internet também é uma preciosa fonte de informações para o viajante; navegar é preciso! A propósito, temos o conteúdo gratuito online de nossos guias impressos. Basta acessar o site “Manual do Turista” e clicar na capinha do destino (Paris, Itália, Argentina etc). Veja opiniões sobre os Guias de Viagem GTB

Embarcar e desembarcar

É particularmente importante

Veja postagem específica sobre o tema.

Use e abuse dos escritórios oficiai de turismo

Chamados, em inglês, tourism offices; em francês, offices de tourisme; em espanhol, oficinas de turismo (não confundir com agências de turismo ou de viagem), os escritórios oficiais de turismo são postos de informação dos orgãos governamentais de turismo do país que existem em praticamente qualquer lugar do mundo que receba turistas. Eles são situados nos aeroportos, estações de trem e nos centros das cidades; é sempre fácil encontrá-los. Geralmente os funcionários falam, além da língua do país, inglês e eventualmente espanhol ou francês.

Embora seus serviços não substituam um bom guia de viagem, nesses escritórios você pode conseguir mapas da cidade, folhetos sobre as principais atrações turísticas, informações sobre horários de funcionamento de museus, shows, meios de transporte na cidade e até reservas de hotéis e locação de imóveis. No caso de algum problema, os escritórios de turismo também poderão orientá-lo.

Dica

Veja vantagens e desvantagens de viajar na baixa temporada