Problemas de pressão arterial em viagens

Pressão sanguínea

Problemas de pressão arterial em viagens

Por Lúcio Martins Rodrigues

Esta postagem é direcionada a três grupos de pessoas: os hipertensos, em primeiro lugar, aqueles que são sujeitos a quedas bruscas de pressão e aos que têm pressão instável. Se você não tem problema algum nessa área, esqueça.

Crise de pressão sanguínea durante uma viagem

Ter uma crise de pressão, baixa ou alta, em uma viagem, além dos riscos que isso implica, pode, em parte ou totalmente (no caso de um AVC), estragar suas férias. No Brasil você recorre mais facilmente ao seu plano de saúde, mas em viagem ao exterior isso pode ser um pouco mais complicado. O fato é que problemas de pressão atingem milhões de pessoas no mundo todo. Jovens podem também ter crises de pressão, mas elas são mais comuns em pessoas com idade acima de quarenta anos e, quanto mais idosa é a pessoa, mais riscos ela corre porque, com a idade, os vasos sanguíneos perdem sua elasticidade, resultando no aumento da pressão arterial. Pessoas com mais de 60 anos devem ficar atentas quando sua pressão ultrapassar os 15 por 9. Quem tem diabetes e problemas renais crônicos deve conversar com o médico sobre esses limites.

Poucos sintomas

O que preocupa é que, geralmente, não há sintomas evidentes. Aliás, durante uma viagem, você está mais concentrado nas atrações turísticas que pretende ver ou visitar, e desvia a atenção de sua saúde. Em alguns casos, porém, seu organismo sinaliza que há algo errado com sua pressão. Há sintomas detectáveis: dor de cabeça e dor na nuca, difíceis de passar, tontura, vista embaçada, mal-estar. Se você já sabe que está sujeito a crises de pressão alta, fique atento a esses sintomas e procure medir sua pressão arterial.

Cuidados básicos para quem tem problemas de pressão

Se você está incluído num desses grupos que mencionamos (hipertensos, pessoas sujeitas a quedas bruscas de pressão ou quem tem pressão instável), anote algumas providências básicas:
1 – Em primeiro lugar converse com seu médico. Isso vale particularmente para quem vai para lugares muito altos, como por exemplo o Altiplano andino, com altitudes em torno de 4 mil metros acima do nível do mar. Lugares altos não são os mais indicados para quem tem problemas crônicos de pressão alta. Diríamos que, a partir de uns 2.500 metros algumas pessoas (principalmente as idosas) já começam a sentir certo mal-estar com a altitude. Talvez seu médico o mande fazer alguns exames. Faça-os. Se você vai visitar lugares altos, dê essa informação ao seu médico. Talvez  ele lhe indique medicamentos contra o mal de altitude.

2 – Já que problemas de pressão, na maioria das vezes, não apresentam sintomas, é indispensável ter consigo durante toda a viagem, em quantidade suficiente, os medicamentos receitados por seu médico para controle da pressão arterial. Em muitos países você não poderá aquirir esses medicamentos sem receita.

3 – Finalmente, leve um medidor de pressão consigo. Transporte-o na bagagem de mão, protegendo bem o aparelho, que é delicado. Nos controles de segurança dos aeroportos não dirão nada. É sabido que a pressão à noite, quando você dorme, tende a ser mais baixa. Durante o dia pode ser um pouco mais alta. Isso é normal. O ideal é medir a pressão depois de tomar o café da manhã, antes de deixar o hotel. À noite, principalmente se você for hipertenso, é bom medir de novo. A pressão normal é, geralmente, 12 (pressão sistólica) por 8 (diastólica), mas ela é mais elevada em geral nas pessoas mais velhas, e a diferença entre a mínima e a máxima aumenta aos poucos à medida que a pessoa avança na maturidade. Não é grave estar com 14 de máxima e 8,5 de mínima, por exemplo.

Pressão alta

A pressão alta é a mais perigosa, pois apresenta risco de derrame. É mais comum em pacientes idosos. Isso ocorre em casos graves, quando a pressão dispara: a máxima pode chegar a 18, 19, ou 20, e a mínima, a 10, 11, 12. É hora de procurar ajuda médica. Mas, convém lembrar, se você tomar direitinho os medicamentos de uso contínuo indicados pelo seu médico é difícil que isso ocorra. O problema é que em viagem, muita gente, com a mudança de hábitos, simplesmente se esquece de tomar esses medicamentos. Um lembrete no espelho do banheiro pode evitar que isso aconteça.

Cuidados mais imediatos

Alguns cuidados podem ser tomados de imediato se você sentir que sua pressão está meio alta, acima do normal: um banho quente e evitar o estresse. Isso funciona com muita gente, mas não com todo mundo. Sabe-se que o stress provoca aumento na pressão sanguínea. Procure manter-se calmo. Se você tem a tendência de se estressar facilmente, fale isso ao seu médico. Eventualmente ele pode lhe receitar um tranquilizante. Procure cortar, o máximo que puder, o consumo de sal, por exemplo. Há medicamentos de venda livre que também contribuem para abaixar a pressão, como analgésicos à base de dipirona (Anador, Novalgina, Neosaldina, Lisador, e outros). Mas, se quiser tomar algum medicamento de uso livre, fale antes com o médico. O consumo prolongado de dipirona em altas doses tem contraindicações. Há produtos naturais que ajudam, mas o problema é que durante uma viagem não é fácil encontrar chá de hibisco, beber água de coco ou suco de mirtilo, ou comer verduras e legumes que, comprovadamente, ajudam a controlar a pressão. Mencionei cuidados que você pode tomar se sente que sua pressão está acima do normal. Mas sempre fale antes da viagem com seu médico e pergunte se no seu caso (ele tem seu prontuário e condições de responder) isso pode funcionar.  E, em todo caso isso só vale se você achar que sua pressão está meio alta. Mas, se ela continuar subindo e você sentir que pode ter uma crise de pressão, a recomendação é procurar imediatamente um pronto socorro. Na portaria do hotel lhe indicarão o mais próximo.

Alimentação

Hábitos alimentares saudáveis são essenciais para evitar crises de pressão. Infelizmente, durante uma viagem, são inevitáveis alterações nos hábitos alimentares. Comemos em restaurantes, ou mesmo na rua, um pedaço de pizza na Itália, uma crepe na França, fish and chips na Inglaterra. De fato, alguns alimentos podem contribuir no combate à pressão alta. Infelizmente, alimentos realmente saudáveis são pouco consumidos durante uma viagem.

Os alimentos indicados para o combate à pressão alta mais facilmente encontrados em uma viagem

Alguns produtos podem ser encontrados em mercados em muitos países: suco de laranja, morangos, leite de soja, farelo de trigo, iogurte light, nozes, melancia e alimentos que contêm potássio, como abacate e mamão. Também são ricos em potássio alguns alimentos que você pode consumir em restaurantes, como salmão, carnes de vaca ou de frango (sem a pele), batata cozida. A clara de ovo também ajuda, e você pode, conforme o hotel, pedir ovos no seu café da manhã. Em estabelecimentos de categoria superior, ovos, geralmente, já fazem parte do buffet. Mas, nada é perfeito: a gema do ovo tem colesterol.Não é bom abusar. Suco de laranja também é comum. Ao mesmo tempo, evite bebidas alcoólicas, sal e açúcar em quantidade excessiva. O vinho tinto em pequenas doses (uma taça por dia), segundo alguns médicos, ajuda. Mas não é opinião unânime, já que muitos médicos consideram qualquer álcool nocivo para quem tem pressão alta. De qualquer modo, não é o vinho, e sim, uma propriedade da uva que ajuda a combater a pressão alta. Na dúvida, prefira suco de uva integral.

Pressão baixa

A hipotensão, a pressão arterial baixa é de 9 por 5. (um tanto baixa mesmo…) A pressão baixa provoca sono, tontura e até desmaios. Quem tem problema de pressão baixa deve ter consigo um pouco de sal, que faz subir a pressão. Café e álcool também também ajudam a pressão a subir, nos casos de hipotensão. Finalmente, e bastante eficaz, um banho frio ou, pelo menos, molhar a cabeça e os pulsos com água fria por alguns minutos.

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