Pescaria em Panorama

Pescaria em Panorama

Por Ivan Miraldo

Boas pescarias nem sempre são sinônimo de desconforto ou de longas viagens, com trajetos aéreos e horas de estrada. Quem mora em São Paulo, no Paraná ou no Mato Grosso do Sul e dispõe de apenas um final de semana pode pensar em uma pescaria em Panorama, no interior do estado de São Paulo, fronteira com Mato Grosso do Sul. É uma ótima opção de pesca em um lugar preservado, com paisagens lindas e boa infraestrutura. E, é claro, muito peixe!

Panorama

Mapa de Panorama

Panorama fica às margens do rio Paraná, na divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, onde já participei de grandes pescarias. Ali podem ser encontrados dois mais cobiçados  peixes de água doce do nosso país: o tucunaré, conhecido como Embaixador de nossas águas, e o dourado, conhecido como o Rei do rio. Devido à construção da Hidroelétrica Sérgio Motta  em meados de 1998, a região ganhou uma grande represa, conhecida como Porto Primavera, que  tem sete vezes o tamanho da baía de Guanabara e 25 mil hectares a mais que o lago de Itaipu. O lago tornou-se um habitat perfeito para proliferação de espécies como o tucunaré.

A viagem

Tenho sempre meus projetos de pesca logo no início do ano. Desta vez me bateu a vontade de retornar à cidade de Panorama, localizada no Oeste Paulista, distante 670 km da capital.  Escolhi, com meu irmão Davi, a data para a pescaria e reservamos duas vagas no Hotel Paranoá para o mês de março. Sabíamos que o rio estaria bem alto e que teríamos mais dificuldade para localizar os peixes. Mas, não tinha jeito.  Era a única possível para nós dois. Nos dois meses que antecederam nossa viagem, chequei a tralha de pesca inúmeras vezes.  Não podíamos esquecer nada.

Numa sexta-feira à noite nos reunimos com outros pescadores em frente à Point Pesca,  empresa que organiza viagens de pesca. Após guardar as malas e tomarmos um bom café da manhã fomos direto para a marina encontrar nosso guia Odair. Ele já nos esperava com seu humor inigualável e com o barco pronto para procurar os grandes peixes que vivem nas lagoas que margeiam o rio Paraná. Três metros de água cobriam os campos de pastagem.

O primeiro dia: manhã

Eu, como sempre, preferi iscas de superfície e optei por uma Fury Ninja 95, cor branca.  Meu irmão, que cobria meus arremessos,  escolheu uma isca de meia água, branca, de cabeça vermelha, destinada aqueles peixes mais manhosos que não sobem à flor da água. Dez minutos depois, o primeiro tucunaré mordeu a isca de meu irmão. Foi fisgado, fotografado e, logo em seguida, solto.

Pouco depois, outro peixe abocanhou a isca. Assim foi durante toda a manhã, quando traíras e piranha também foram atraídas pelas iscas. Por volta de meio-dia fomos almoçar em velho rancho a beira da represa com alguns outros pescadores da excursão.  Foi uma oportunidade para saborear o famoso “Bentô”, preparado pelo hotel. Fazia muito calor e tínhamos sede.  Bebemos muita água e refrigerantes pois naquele clima hidratar-se é fundamental. Durante o almoço conversando com os demais guardei todas dicas e macetes, anotando os pontos já batidos e até as iscas utilizadas.

O primeiro dia: tarde

Às duas da tarde, saímos de novo para pescar, mas optamos por umas galhadas um pouco ao sul de onde estávamos. Elas ficam no meio da represa e, mesmo com um vento forte e o horário desfavorável foi uma ótima escolha. Logo no meu primeiro arremesso um imenso vulto abocanhou, guloso, a minha isca. Mesmo fisgado, meteu-se no meio da galhada. A única coisa que puder fazer foi tentar desenroscar minha linha e ao menos salvar a isca, já considerando o peixe como perdido.  Finalmente, depois de muito esforço, consegui não só tirar minha isca, como capturar um lindo tucunaré azul de 4,5kg.  que brigou muito antes de se entregar, mas fez com que eu batesse meu recorde pessoal: um peixe de 4,3 kg na mesma represa.

Depois das fotos, soltamos o peixe e resolvemos arremessar em uma galhada bem próxima. Conseguimos em um feito inédito, pois fisgamos um triple de tucunas com o meu azul de 4 kg, meu irmão com um azul de 2,5 kg e o guia Odair com um amarelo de 1,8 kg, trazendo muita alegria ao barco.

Na sequência, capturei outro amarelo de 3,0 kg, muito forte, pego com uma isca de meia água de cor branca. Continuamos a pescar no mesmo local até às 18h, tendo fisgado mais uns vinte tucunarés que pesavam entre 500grs e 1,5 kg, uns no bait e outros no fly, sendo um azulão de 2,0 kg o maior deles.

O segundo dia

No dia seguinte, após o banho e um churrasco fomos dormir, pois no domingo iríamos atrás dos dourados. Para esse tipo de pescaria é necessário sair mais cedo, pois os pontos de pesca ficam mais longe. Assim, às 5h estávamos prontos na marina, onde encontramos o Odair e subimos o rio durante uma hora até o ponto dos dourados,  um local onde havia grandes corredeiras, hoje submersas devido à criação da represa.

Varas prontas e tuviras iscadas, começamos a primeira rodada. Logo senti a primeira mordida de um peixe que, após fisgado, correu freneticamente para o fundo do rio, uma reação típica dos grandes pintados e jaús. Isso fez com que o leader e  a multifilamento ralassem na pedra e viessem a estourar a linha. Num segundo momento, Odair fisgou outro peixão. Depois de muita briga e saltos, um dourado de 4 kg foi embarcado.

Em seguida foi a vez do Davi anunciar que fisgara outro peixe. Eu ia recolher minha linha para não atrapalhá-lo, quando Odair me disse para não fazê-lo, pois poderia haver mais peixes ali.  Como se fosse por mágica, em menos de um minuto senti uma pancada forte e uma boa levada de linha, sinal de peixe bom em minha vara. Mais um dourado fora fisgado. Os dois pesavam 5 e 6 kg.

O final da pescaria

Continuamos a rodar e muitas piranhas apareceram para acabar com a festa, com ataques a nossas iscas, fazendo com que às 9h30 encerrássemos a pesca dos dourados. Rumamos de volta ao hotel para um descanso e almoço, pois de tarde voltaríamos para os tucunas. Às 14h30 descemos para a marina. Um forte vento nos impedia de alcançar alguns bons pontos e impossibilitava também a pesca com fly, fazendo com que navegássemos para o conhecido varjão, local bem em frente ao hotel e típico dos amarelos, pequenos azuis e casa de muitas piranhas.

Naquela tarde, cada um de nós três pescou em torno de 15 peixes, mas nenhum acima dos 2 kg. Muitas traíras resolveram aparecer na superfície com ataques rentes à margem para destruir mais algumas de nossas iscas.

Com nossa pescaria em Panorama encerrada às 17h30, voltamos para o hotel para arrumarmos nossas malas, pois voltaríamos para São Paulo às 20h. Na segunda-feira voltaríamos ao dia-a-dia apenas com lembranças e fotos daquele paraíso.

Dicas para famílias: esposas, maridos e filhos de pescadores, mesmo que não curtam a ideia de participar de uma pescaria em Panorama, podem viajar juntos e se hospedar no Hotel Paranoá, que dispõe de piscina com toboágua, parquinho e ótima área de lazer. Bem próximo ao hotel ainda temos um Balneário Municipal que possui quadras de vôlei, futebol de salão e de areia, campo society, cancha de bocha, área para camping, quiosques com churrasqueiras, marina de barcos e salão de festas. Isso sem falar da principal praça de eventos da região, com capacidade para até 15 mil pessoas.

Material utilizado para pesca de tucunarés

Antares dc7 vara Shaula  20lbrs

Scorpion 1000mg e Lesath 12lbrs

Curado 100 e vara Shaula 16 lbrs

Scorpion 1000 e vara Esmeralda SS 12lbrs

Ambas com multi 20lbrs e leader de 30libras de fluorcarbono

Iscas mais utilizadas

Fury Ninja  95 : COR OSSO – AYU
BANZAI 70F :  COR OSSO  – BRANCA DE CABEÇA VERMELHA

Material utilizado para pesca de dourados

CALCUTA 200 e vara saint platinum 30

CALCUTA 200 e vara fleming 25lbrs

ABU GARCIA 5500 e vara team daiwa eliminator 25lbrs

ABU GARCIA 6500 e vara saint platinum 40lbrs

Ambas com multi 30lbrs / monofilamento0,50mm e leader de 3 metros de fluorcarbono 40lbrs

Anzol 6/0 com chumbada de 30 gramas

Agradecimentos a “Iscas Fury Fishing”

POINT PESCA : (11) 5062-7201

PARANOÁ RESTAURANTE HOTEL: www.paranoarestaurantehotel.com.br