Paris na Idade Média

Paris na Idade Média: parísios, romanos, francos e vikings

Antes dos romanos a região de Paris era ocupada pela tribo dos parísios, que habitavam as ilhas do Sena. Na época da chegada dos romanos à cidade, que passou a ser chamada de Lutetia, teria apenas uns 5.000 habitantes. Foram os romanos que construíram a cidade na margem esquerda, com ruas quadriculadas, dotando-a de termas, anfiteatros e templos. Na margem direita e nas ilhas a ruas foi mantido o tortuoso traçado medieval e ruelas estreitas. Bairros como o Marais mantém o traçado medieval até hoje.
Com o enfraquecimento romano Paris foi ocupada pelos francos, que fizeram dela sua capital, no começo do século C a.C. e ali se mantiveram até o século VIII. Também iniciaram a ocupação da margem direita do Sena.

Um dos maiores obstáculos à sobrevivência da cidade foram os ataques dos vikings, que a partir de  845 subiam o Sena com suas embarcações de guerra (dracares)  obrigando os habitantes de Lutetia a abandonar a cidade. Incursões vikings ocorreram até o início do século X.

Mapa de Paris

Como Paris era dividida

Quando Felipe Augusto subiu ao poder em 1180 Paris já tinha se tornado um dos mais importantes centro comercial da Idade Média. Foi durante o reinado de Felipe que Paris ganhou uma muralha  (ainda se pode ver alguns vestígios), ergueu a fortaleza do Louvre ( onde funcionaria mais tarde um dos maiores museus do mundo)  e o mercado de Les Halles, na margem direita do Sena (Rive Droite), agora já habitada por boa parte da população. Em 1215, por iniciativa de Felipe Augusto, foi inaugurada a primeira universidade parisiense e que daria origem a Sorbonne. Assim, se a Île de la Cité era a sede do poder político e, a Rive Droite, o pólo comercial, o Quartier Latin, na Rive Gauche, passou a ser o centro intelectual da cidade, um dos mais renomados da Europa.

Vídeo: como era Paris na Idade Média

 Paris, uma cidade bem suja

Paris dessa época era imunda. Não havia esgotos. O lixo e dejetos humanos eram despejados à noite pela janela… Porcos, galinhas, cabras, cães vagavam soltos pela cidade. Conta-se, o próprio rei, olhando pela janela de seu palácio não aguentou o cheiro fétido que subia da lama na rua em frente. Foi quando tomou a decisão de mandar pavimentar algumas ruas mais importantes.

Como moravam as pessoas

A casas serviam também de atelier e local de venda. Em cima morava a família, geralmente numa única peça, onde dormiam os donos da casa, seus filhos e mesmos alguns empregados. Uma cama podia servir para todo mundo. A privacidade não existia. O sexo era praticado em silêncio, na calada da noite. No andar térreo funcionava um atelier (sapateiro, costureiro, ferreiro etc) ou uma vendinha. As casas não tinha jardim, eram todas geminada e dando para a rua. Um pesado tampo horizontal de madeira que era erguido pela manhã e fechado à noite, á guisa de janela Permanecia abaixado durante o dia e servia de balcão para clientes.

A peste Negra

Por volta de 1328, a população parisiense já alcançava cerca de  200 000 habitantes, o que tornava uma das cidades mais populosas da Europa. Mas em 1348, a Peste Negra dizimou boa parte de seus habitantes. Nessa época, não se tomava banho, e quase todos tinha a cabeça cheia de piolhos. Pulgas e ratos eram comuns nas casas, o que facilitou a propagação da peste negra, que era também transmitida por ratos. A Peste Negra foi apresentada pela Igreja como uma punição divina contra uma população inclinada ao pecado e que às vezes nem comparecia às missas. Apavorados, as pessoas se reuniam então, nas igrejas para rezar, contaminando-se uns aos outros. Ou seja, quando mais rezavam mais morriam… Também agravou a situação a falta de higiene, já que a igreja considerava a preocupação com o corpo um comportamento que podia levar ao pecado. Só judeus e muçulmanos tomavam banho com certa regularidade. Gatos, principalmente os pretos foram acusados de ajudar feiticeiros e caçados impiedosamente, facilitando a propagação de ratos, os verdadeiros propagadores da peste.

A primeira universidade de Paris

Em 1215, ainda sob o reinado de Felipe Augusto, foi fundada a primeira universidade de Paris. Paris dividiu-se em três áreas distintas. Na Île de la Cité funcionava o poder político, na margem direita (Rive Droite), o mercado e a maior parte das atividades comerciais e artesanais e, no Quartier Latin, com sua universidade, na margem esquerda (Rive Gauche), o centro cultural  de Paris, um dos mais importantes da Europa.

Paris suja, mas toda branca

Um detalhe urbanístico interessante: apesar da sujeira, Paris era nessa época toda branca, uma vez que as casas eram construídas com pedras claras e madeirame cruzado no estilo colombage, com os vãos preenchidos por alvenaria e argamassa. Esse estilo existe ainda hoje na Normandia e na Alsácia. Nos tempos de Felipe Augusto, as casas passaram a ter brasões de identificação. A numeração só foi instituída bem mais tarde, no início do século XIX.

As vestimentas

Nessa época, muitas pessoas não dispunham sequer de uma camisa de algodão, mas somente de uma veste de lã, que muito raramente era lavada. Só os ricos dispunham de várias mudas de roupas, que eram lavadas com certa frequência. Em Paris, como em toda a Europa, usavam-se roupas costuradas no corpo ou fechadas por meio de laços. O botão, introduzido a partir do século XII, foi inicialmente considerado uma vulgaridade e um convite ao pecado. (Isso porque eles não conheciam o zíper!)

A alimentação em Paris na Idade Média

A base da alimentação dos parisienses era o pão, nem sempre de trigo, uma vez que, nas épocas de maior penúria, era feito até de sorgo e de outros cereais destinados ao gado. A batata só chegaria bem mais tarde, depois da descoberta da América. Os mais afortunados tinham acesso ainda a uma pequena variedade de legumes, frutas e carne, que podia ser bovina, suína e até equina. Aves, caça, peixes e ovos completavam o cardápio. Tomava-se vinho e cerveja, que era muito diferente da que se bebe hoje.
Como em outros lugares da Europa, até mesmo os nobres comiam com as mãos. Não existiam talheres; no máximo era utilizada uma faca para cortar carnes e um grande garfo para se servir. Era considerado muito fino que um homem e uma mulher se servissem num prato comum e bebessem no mesmo copo. O ato de supremo cavalheirismo era deixar o melhor bocado para a dama, que não era necessariamente a esposa. Obviamente nem todos gostavam de ver sua mulher comer no prato do vizinho pois, querendo ou não, os comensais acabavam por se aproximar…

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