O terrorismo deve nos impedir de ir a Paris ?
Marche-aux-puces-de-Saint-Ouen - Foto-Amelie-Dupont
O terrorismo deve nos impedir de ir a Paris ? Marche-aux-puces-de-Saint-Ouen – Foto-Amelie-Dupont

O terrorismo deve nos impedir de ir a Paris?

Por Lúcio Martins Rodrigues

Eu já refleti muito sobre esse assunto: o terrorismo deve nos fazer evitar ir a Paris? De viajar? Afinal, estava em Paris em novembro de 2015, quando ocorreu o atentado no Bataclan. Só ia tomar o avião para o Brasil na noite seguinte. Tinha planejado passear pelo Quartier Latin, onde ficava meu hotel. As autoridades não tinham certeza de quantos terroristas estavam à solta. Por isso, a recomendação que eu ouvia na TV era evitar sair à rua, precaução que obedeci de má vontade. Havia poucos passantes nas ruas. Ninguém corria risco onde eu estava. Em momento algum senti medo. Lembro-me que conversei pelo Facebook com amigos no Brasil. Todos me recomendavam não sair, tomar cuidado, não me expor. Se fosse seguir tudo ao pé da letra, acabaria escondido debaixo da cama no meu quarto de hotel…

Mapa de Paris

Depois ocorreram atentados na Bélgica, na França de novo, em Nice, na Alemanha, novamente em Paris, depois em Londres. Nesses dois últimos casos, um caminhão foi jogado contra o povo. Pode parecer assustador, mas no caso de Nice a polícia francesa foi descuidada. O caminhão só foi interceptado quando o estrago já estava feito. O fato é que as polícias europeias estavam preocupadas mais exatamente com a possibilidade de um atentado a bomba e não imaginaram outro tipo de ação. Esse tipo de ataque isolado é mais difícil de prever, sem dúvida.

A segurança está reforçada

Mas, muita coisa mudou, no combate ao terrorismo. O Estado Islâmico está acuado e perdendo território. Forças aéreas norte-americana, francesa e de outros aliados estão desferindo golpes bem acertados nos campos de treinamento e até em depósitos de dinheiro dos radicais islâmicos. Agindo em comum acordo, as forças de segurança europeias passaram a colaborar mais estreitamente entre si. Incontáveis terroristas foram capturados, redes de terror foram desmanteladas. A vigilância na Internet melhorou muito e o recrutamento de jovens com nacionalidade europeia pelo Estado Islâmico foi bloqueado com a colaboração da Turquia. Os próprios muçulmanos na Europa reprovam cada vez mais o terrorismo e colaboram com as autoridades. Além disso, a ação policial em Paris foi muito reforçada com a participação de tropas do exército francês. Você vê soldados com metralhadoras em todas estações de metrô e pontos turísticos de Paris. Sem falar de agentes à paisana, que estão por toda parte.

Notem que estou falando de Paris, um alvo em potencial. Fora da capital não existe praticamente risco algum, exceto em localidades turísticas no Réveillon ou em outros eventos com enorme concentração de pessoas, como aconteceu em Nice. Corri a Córsega, Bretanha e Normandia em novembro de 2015 e acabo de voltar de outra longa viagem pelo interior da Itália. Em nenhum momento corri risco. Foi absolutamente seguro.

As estatísticas nos ajudam a ver melhor a realidade: terrorismo na Europa X violência no Brasil

Por outro lado, basta escutarmos o noticiário da TV aqui no Brasil, com frequentes notícias de gente atropelada por pessoas embriagadas ou em “rachas”. Sem falar de balas perdidas, principalmente no Rio de Janeiro. Ou no caso comum de pessoas serem baleadas e mortas em assaltos, mesmo sem reagir. Isso ocorre o tempo todo no Brasil. Nosso país é o 11º com mais mortes por arma de fogo no mundo. Um levantamento feito em 2016 pelo chamado Mapa da Violência no Brasil mostra que 44.861 pessoas foram atingidas por disparos. A cada hora, cinco pessoas são assassinadas no Brasil só por armas de fogo. Os feridos ou mortos em atentados terroristas em Paris e em outras cidades europeias juntas, tudo somado, correspondem a uns 3% do número de vítimas da violência no Brasil em um só ano, apenas por armas de fogo. Considerando as estatísticas, é muito mais seguro perambular por Paris do que andar pelas grandes cidades brasileiras, sobretudo à noite.

O que eu farei quando for de novo a Paris será evitar comparecer a lugares com aglomerações e evitar horários de pico no metrô e nas atrações. Tenho certeza de que estarei mais seguro do que em São Paulo, onde moro. E, principalmente, não estarei me rendendo ao que os terroristas querem: criar o terror!

Curiosidades: você conhece a Marseillaise, o hino nacional Francês?

Saiba sobre sua história. conheça a letra, ouça a música, assista ao vídeo.