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O Império Inca

Machu Picchu, no Peru

Império inca e sua civilização

Trecho do capítulo “História” do guia de viagem PERU E BOLÍVIA da série GTB – Guia do Turista Brasileiro

Uma sociedade organizada e desenvolvida

Diferentemente dos índios brasileiros, que estavam em plena Idade da Pedra quando s europeus chegaram, os incas possuíam uma sociedade altamente organizada e hierarquizada, de base agrícola. Em muitos aspectos, como a pavimentação das ruas e o abastecimento de água, suas cidades eram mais desenvolvidas do que as então existentes no Velho Mundo.

Elaboradas técnicas de construção

Os incas dominavam elaboradas técnicas de construção com imensos blocos de pedra, cortados com precisão e unidos sem uso de cimento. Isso lhes permitiu erguer templos, fortalezas e palácios que poderiam estar íntegros até hoje, caso suas pedras não tivessem sido aproveitadas pelos espanhóis para outras construções. Estradas, de piso de pedra em sua grande parte, uniam os principais pontos do império. Essas trilhas que, dado o relevo da região andina, atravessavam montanhas e vales, eram percorridas a pé.

Os incas não conheciam a roda nem animais de tração

O boi, o cavalo, o burro e outros animais que pudessem ser usados para transporte ou tração não existiam nas Américas. As lhamas eram usadas pelos incas apenas para transportar volumes leves, como ocorre até hoje. Garcilaso de la Vega relata que não era possível forçá-las a carregar muito peso: quando sobrecarregados, esses temperamentais animais se deitavam e recusavam-se a levantar enquanto não lhe tirassem das costas o excesso. Se instigadas a levantar, além de não obedecerem, cuspiam sobre o importuno, expelindo, quando muito irritadas, parte do conteúdo do estômago. Em outras palavras, vomitavam… (Isso sim é desobediência civil!).

Os incas não conheciam a roda – ou, pelo menos, não a utilizavam. Ante a inexistência de animais de tração e o relevo acidentado, talvez a roda de fato não ajudasse. De toda forma, essa circunstância torna ainda mais admiráveis os gigantescos complexos arquitetônicos no topo de montanhas, como Machu Picchu.

Uma agricultura desenvolvida e produtiva

O cultivo de milho, feijão, amendoim e batata nas encostas de montanhas, em terraços sustentados por muros de arrimo de pedra e irrigados por aquedutos e canais, surpreendeu os europeus. A insuperável eficiência dessa técnica faz com que seja usada até hoje. As terras eram fertilizadas com diferentes tipos de adubos produzidos por aves marinhas, dos quais o mais precioso era o guano trazido de ilhas do litoral. Sua importância era tamanha para a economia que quem matasse uma dessas aves era condenado à morte.

Hábeis artesãos

Os incas eram hábeis artesãos, capazes de esculpir em madeira, pedra e outros materiais, além de dominarem a fabricação de cerâmicas, muitas delas decoradas com cenas de guerra, caçadas e cerimônias ou moldadas na forma de animais ou seres humanos.

Não conheciam o ferro, mas trabalhavam outros metais, como o cobre, a prata e o ouro – o que foi sua perdição. Ouro e prata só serviam para fazer objetos de adorno pessoal, religiosos ou utilizados para ornamentar palácios do Inca e da nobreza. Não tinham nenhum valor como moeda de troca. Garcilaso de la Vega menciona a existência de um jardim no palácio do Inca, decorado com animais e plantas, entre elas o milho, feitos de ouro e prata. O trabalho desses metais era feito no “tempo livre”: uma atividade considerada supérflua.

O mesmo autor diz que, vendo que os espanhóis se apoderavam de objetos sagrados de ouro e prata que haviam sido oferecidos ao Inca e às divindades, os incas passaram a escondê-los. Gigantescos tesouros, nunca descobertos pelos espanhóis, teriam sido encerrados em cavernas nas montanhas ou enterrados sob pedras.

Além das elaboradas atividades artesanais e arquitetônicas, as manifestações artísticas dos incas compreendiam a pintura, o teatro, a dança, a música e a poesia.

A alimentação

Sua alimentação se baseava em produtos agrícolas, como cereais, leguminosas, ervas, tubérculos, frutas e nozes. Domesticaram a lhama e o porquinho-da-Índia, utilizados como alimento, e consumiam peixes, bem como, no litoral, mariscos.

O calendário incaico possuía doze meses. A cada mês, deviam ser realizadas determinadas atividades, compatíveis com as estações do ano, que começava no solstício de verão, em dezembro.

A estrutura social

A sociedade incaica, embora expansionista e guerreira, baseava-se na terra. Organizada de modo complexo, era capaz de assegurar o básico para a sobrevivência de todos. A maior parte da população era camponesa. Obedecendo a um sistema chamado mita, as comunidades (ayllus) forneciam mão-de-obra e parte do resultado de seu trabalho para o Estado, que controlava a produção.

Havia ofícios especializados, como os de ourives, oleiro, sacerdote, médico etc. Não se sabe ao certo se os que se dedicavam a essas atividades executavam também tarefas agrícolas comuns.

Todos tinham terras para cultivar, mas não podiam vendê-las ou arrendá-las; cabia a cada um cuidar da área que lhe fosse destinada. Aqueles que, tendo recebido terras, não se ocupassem delas de forma adequada eram punidos.

Uma sociedade “socialista”?

Embora toda a terra pertencesse ao Estado, é um engano considerar a sociedade incaica como “socialista”. Pelo contrário, havia uma rígida hierarquia de classes, bem como outras características de notáveis sociedades antigas: a espartana e a japonesa medieval, guerreiras e aristocráticas; a egípcia, cujos faraós eram filhos do sol; e a romana, cujo império aculturava e incorporava as províncias.

A sociedade inca foi um modelo único de organização social no qual o Estado interferia em tudo na vida do indivíduo: do trabalho ao casamento, da religião ao local de moradia.

O imperador, Filho do Sol

O Inca, considerado filho do sol, que tinha poder de vida e de morte sobre seus súditos, era uma espécie de “pai de todos”, chefe supremo de um Estado administrado por uma aristocracia mantida rigorosamente “na linha” pelo imperador. Essa aristocracia era formada por sacerdotes e pela nobreza – altos funcionários e militares.

A nobreza

A nobreza dividia-se em nobres de sangue e de privilégio. Os nobres de sangue, aparentados do Inca, formavam a panaca real, cujos membros – os panacas – ocupavam os mais altos cargos públicos. (O poder era rodeado de panacas, como ainda ocorre em certas sociedades contemporâneas…).

Os nobres de privilégio, situados numa escala social abaixo dos primeiros, eram aqueles recompensados pelo Inca ou chefes de tribos submetidas. Nobres podiam ter várias mulheres, uma casa melhor, mais gado e terras, mas eram severamente punidos à menor falta, pois supunha-se que, na condição de membros da elite, deveriam dar o exemplo de uma conduta impecável.

Seus filhos estudavam na Casa do Conhecimento (Yachayhuasi) e recebiam esmerada educação que abrangia conhecimentos de história do império, artes militares, religião, geografia, gramática, direito, esportes e moral. Os ensinamentos eram decorados em forma de versos repetidos seguidamente pelos meninos. Os jovens nobres se preparavam para, quando adultos, participar da administração. Eram criados para se tornar servidores fiéis do império: incutia-se neles, desde crianças, forte noção de honra pessoal e de responsabilidade pela posição ocupada.

Os amautas

Havia ainda uma casta de sábios particularmente respeitados, os amautas, que foram exterminados pelos espanhóis, fazendo com que preciosos conhecimentos se perdessem. O clero, numeroso e hierarquizado, era chefiado pelo Sacerdote Supremo, parente próximo do imperador, eleito pelo alto clero e por representantes do Inca, dos amautas e do povo.

O “povão”

Na base da escala social estava o povão, constituído pelos hatun runa, cidadãos comuns, que podiam exercer mais de uma atividade – tecer, plantar – e acabavam sendo encaminhados para o ofício que desempenhavam melhor. Os hatun runa eram obrigatoriamente monogâmicos e não recebiam educação formal. Já que estavam destinados ao trabalho braçal, não precisavam de muita sabedoria… Aprendiam ofícios com os pais ou com a comunidade, trabalhando a terra, iniciando-se em práticas guerreiras etc. As meninas aprendiam a tecer, a cozinhar e a executar outras tarefas consideradas femininas.

E a escrita?

É intrigante que os incas não tenham, aparentemente, desenvolvido uma escrita. Ou que vestígios de uma possível escrita tenham sido completamente destruídos. O assunto desperta controvérsias. Alguns afirmam que a escrita existira e se tornara proibida em tempos remotos. Outros discordam: afinal, nunca foi encontrado um “texto” inca. Tudo o que há são registros de padres espanhóis que, no século XVI, ao elaborarem dicio-nários que visavam à tradução de vocábulos quéchuas, neles inseriram a palavra quillca, que significaria “papel, livro ou carta”.

Há hoje evidências da existência não propriamente de um alfabeto, mas de desenhos que representariam palavras: ideogramas reservados ao conhecimento dos amautas. A restrição de seu uso poderia explicar porque os espanhóis (e os índios que lhes serviram como fonte de informação) não conheceram essa “escrita”.

Os quipús

Certo é, porém, que os incas possuíam uma linguagem codificada em quipús: cordõezinhos coloridos de diferentes grossuras, com nós que só os iniciados decifravam. Esses cordõezinhos “falavam” muito mais do que se pode supor ao olhá-los. Informavam datas, quantidades, dados econômicos, históricos e demográficos: um verdadeiro livro-caixa do mundo inca. Um sistema de mensageiros, os chasquis, que se revezavam na entrega de mensagens, mantinha o imperador informado da situação em cada província.

Sem ter como anotar, transmitiam mensagens curtas e objetivas que o mensageiro deveria decorar e repetir com exatidão para o colega que o revezaria no trecho seguinte do caminho, como na brincadeira de “telefone sem fio”. Os postos ao longo da estrada eram situados em pontos estratégicos e podiam, no caso de algum acontecimento grave (como rebelião em uma província), providenciar comunicação por meio de sinais de fumaça durante o dia e sinais luminosos à noite. Assim, em poucas horas, a notícia chegava a Cusco, a centenas de quilômetros de distância. Era o telegrama incaico.

Dicas

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Para quem se interessa pela cultura inca: “O Ouro Maldito dos Incas“, de Lúcio Martins Rodrigues, cooautor do GTB Peru, conta a história da conquista do império inca por um punhado de espanhóis

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