La Marseillaise (Marselhesa)
Tela de Eugène Delacroix, La liberté guidant le peuple
La Marseillaise (Marselhesa). Tela de Eugène Delacroix, La liberté guidant le peuple

La Marseillaise (A Marselhesa), o hino nacional francês

Muita gente não sabe, mas a Marseillaise, considerado um dos mais famosos e belos hinos nacionais no mundo, originalmente não tinha esse nome. Chamou-se Chant de guerre pour l’armée du Rhin e também Chant de marche des volontaires de l’armée du Rhin. Acabou ganhando o nome de La Marseillaise, um nome mais curto e prático, porque era cantado por voluntários de Marselha. O hino foi escrito em 1792 por Rouget de Lisle durante a Revolução Francesa, quando teve início a guerra contra a Áustria. Só as últimas estrofes foram acrescentadas por um autor desconhecido.

A Marseillaise e o contexto histórico da França

Convém lembrar que a França estava cercada por monarquias europeias hostis, que temiam perder seus pescoços como aconteceu com os soberanos da casa real francesa. Por isso mesmo, países como a Áustria, por exemplo, aliada da Inglaterra, tentavam dar um fim ao novo regime. Era um momento de guerra e, a Marseillaise é um hino totalmente guerreiro, violento, até sangrento, com apelos patrióticos: “Aux armes citoyens, formez vous bataillons“. Isso porque foi composto para ser um canto de guerra, um apelo ao engajamento à luta para salvar a pátria da invasão inimiga, não para ser um hino nacional.

A adoção da Marseillaise como hino nacional da França

A Marselhesa foi adotada como hino nacional francês em 1795, durante a Revolução Francesa. Com a queda de Napoleão, em 1804, foi abandonado e substituído. Só voltou a ser hino nacional francês sob a Terceira República, em 1879, desta vez com uma versão oficial, porque existiam versões com diferenças de detalhes aqui e ali. Depois, não mudou mais e se tornou definitivamente o hino nacional da França.

Quando a Marseilaise foi cantada por mais gente em Paris

A primeira vez em que multidões encheram as ruas de Paris cantando a Marseillaise foi em 1944, na libertação da capital pelas tropas do General Léclerc depois de quatros anos de ocupação nazista. A segunda vez foi quando a França ganhou a Copa do Mundo sobre o Brasil, em 1998…

As mais bonitas versões da Marseillaise

Não poderíamos deixar de lembrar da emocionante cena do filme “Casablanca”, com Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, em que os oficiais nazistas começam a cantar o hino alemão e suas vozes são abafadas pelas dos frequentadores da casa noturna que, com a orquestra, entoam a Marselhesa.

Mireille Mathieu, uma das maiores vozes da França e a favorita do compostor Ennio Morricone, gravou a Marseillaise em uma apresentação no Trocadéro, em Paris, que se tornou histórica. O vídeo, da década de 1970,  não tem a qualidade ideal, mas a interpretação de Mireille e do coro que a acompanha são magníficas.

Outra linda versão da Marseillaise é a que foi executada na estreia dos Proms de 2016 pela Orquestra Sinfônica da BBC, conduzida pelo maestro Sakari Oramo, em homenagem às vítimas do atentado ocorrido em Nice em 14 de julho de 2016.

 

A letra de La Marseillaise

Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé!
Contre nous de la tyrannie
L’étendard sanglant est levé (bis)
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats ?
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils, vos compagnes!

Aux armes, citoyens,
Formez vos bataillons,
Marchons, marchons!
Qu’un sang impur
Abreuve nos sillons!

Que veut cette horde d’esclaves,
De traîtres, de rois conjurés ?
Pour qui ces ignobles entraves,
Ces fers dès longtemps préparés ? (bis)
Français, pour nous, ah! quel outrage!
Quels transports il doit exciter!
C’est nous qu’on ose méditer
De rendre à l’antique esclavage!

Quoi! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers! (bis)
Grand Dieu! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées !

Tremblez, tyrans et vous perfides
L’opprobre de tous les partis,
Tremblez ! vos projets parricides
Vont enfin recevoir leurs prix! (bis)
Tout est soldat pour vous combattre,
S’ils tombent, nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux,
Contre vous tout prêts à se battre!

Français, en guerriers magnanimes,
Portez ou retenez vos coups !
Épargnez ces tristes victimes,
À regret s’armant contre nous. (bis)
Mais ces despotes sanguinaires,
Mais ces complices de Bouillé,
Tous ces tigres qui, sans pitié,
Déchirent le sein de leur mère!

Amour sacré de la Patrie,
Conduis, soutiens nos bras vengeurs
Liberté, Liberté chérie,
Combats avec tes défenseurs! (bis)
Sous nos drapeaux que la victoire
Accoure à tes mâles accents,
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et notre gloire.