Lago Titicaca
Peru, Lago Titicaca, ilhas dos índios uros
Lago Titicaca, ilhas dos índios uros

Lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia

O Lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia, é o maior lago de altitude do mundo, a 3.812 metros acima do nível do mar. Ocupa uma área de 8300 km2. De uma de suas margens você não vê a outra. Parece um oceano! É quase: concentra o maior volume de água doce entre todos os lagos da América do Sul. O Titicaca é também o maior lago navegável de altitude do mundo. Há algumas décadas havia linhas regulares de vapores entre o Peru e a Bolívia, que cortavam o lago.

O Titicaca é tão grande, que se dá ao luxo de abrigar mais de 40 ilhas, muitas delas habitadas, além de 9 ilhas artificiais flutuantes dos uros, perto de Puno, construídas com totora, um tipo de junco comum no lago.

Mapa da região de Puno e lago Titicaca

Outra ilha, Taquile, é outra grande atração turística, apresentando uma comunidade indígena. Os habitantes de Taquile são conhecidos pelos seus produtos têxteis feitos a mão, considerados entre as manufaturas de melhor qualidade do Peru.

As ilhas do lago Titicaca

Ilhas flutuantes dos Uros

Do porto de Puno partem embarcações pela manhã, por volta de 8h, e (para os dorminhocos) no começo da tarde, entre 14h e 14h30. Você pode contratar um barco diretamente no porto se conseguiu reunir um grupo. É mais prático agendar o passeio por meio de uma das agências de viagens da cidade. A excursão demora aproximadamente 2h30/3h. As ilhas, das quais mais de uma dezena pode ser visitada, ocupam 71km² e são feitas de camadas de totora, espécie de junco abundante nessa área do lago. Formam plataformas flutuantes, onde vivem comunidades inteiras. Casas, barcos, tudo é construído com totoras. Os talos tenros da planta servem igualmente de alimento (mas, como o chuchu, não têm gosto de nada). Uma curiosidade: há trechos com terra onde há plantações de batatas… A terra é trazida do continente. Para cozinhá-las? Ora, totora seca dá uma ótima fogueira! É claro que, com o tempo, o “piso” da ilha vai afundando e se torna úmido, por isso novas camadas são constantemente adicionadas, fazendo com que a espessura das ilhas alcance mais de 5m. De qualquer modo, principalmente na borda da ilha, veja bem onde pisa, pois o “chão” ali não é dos mais firmes… E a água do lago é gelada!

Video sobre as ilhas flutuantes do lado Titicaca

A tribo original dos Uros, descendente dos antigos Tiwanakotas, desapareceu. Os moradores atuais das ilhas flutuantes do Titicaca têm principalmente sangue aimará. Vivem da pesca, do artesanato e do turismo. Uma parte do que pescam é consumida, outra é vendida e o que resta é trocado por outros produtos no mercado de Puno. Para os visitantes, tudo é muito pitoresco, mas a vida desse povo não é fácil em razão do frio e da umidade que enfrentam constantemente, sem falar na falta de água encanada ou energia elétrica. Alguns moradores mais “abastados” estão conseguindo colocar energia solar em certas casas. Você encontrará durante a visita praticamente só mulheres e bebês; os homens estarão trabalhando em Puno ou pescando e as crianças e jovens estarão na escola.

Ilha Taquile

Tem aproximadamente 1 km de largura por 7 km de comprimento e fica a 45 km de Puno. A viagem pelo lago Tuiticaca costuma demorar 3h30. Há excursões tipo bate-e-volta e outras que oferecem pernoite, incluindo acomodação e alimentação. Compare os preços. O tour de um dia (8h) normalmente inclui uma paradinha em uma das ilhas dos Uros. Alguns passeios são muito rápidos e você acaba não vendo nada. Perderá também as horas do poente e do nascer do sol no Titicaca, os momentos mais belos da viagem. O melhor é dormir na ilha. Você pode também ir por conta própria. A passagem custa em torno de US$ 6 (ida simples) e os barcos saem pela manhã, a maioria entre 7h e 8h. Ou seja, você terá que acordar cedo e enfrentar o frio bravo da manhã no lago Titicaca. Embora faça frio, o sol bate forte e é mais do que aconselhável levar protetor solar e chapéu. Não existem hotéis, mas a comunidade aimará se organizou para receber visitantes. As acomodações, em casas de moradores da ilha, são super baratas e simples. O café da manhã é bem básico. Se tiver um saco de dormir, é prudente levá-lo, bem como água mineral, uma lanterna (na ilha não há iluminação pública) e alguma coisa para comer: biscoitos, chocolate. Na praça central da principal aldeia da ilha (El Pueblo) existem restaurantes – também muito simples. Não é um lugar onde você poderá pedir chateaubriand ao molho madeira: o menu resume-se a truta (ou outro peixe), arroz e batatas. Nessa praça existem algumas tiendas de artesanatos mas, embora a qualidade seja boa, os preços não são melhores do que os praticados em Puno. Taquile possui ruínas incaicas e pré-incaicas de relativo interesse que podem ser visitadas, mas a ilha é atraente sobretudo pela oportunidade de conhecer uma verdadeira comunidade aimará num estado mais “puro” do que em Puno. Repare nas vestimentas de seus habitantes, diferentes daquelas que você viu em Puno. A inclinação de seus gorros indicam se são casados ou solteiros. No caso das mulheres, é o tipo de saia utilizada que indica seu estado civil. Essa ilha e a de Amantaní são seguras: você pode passear com tranquilidade e os habitantes são amistosos. Mas, é claro, respeite seus costumes.

Dicas para para passeios às ilhas do lago Titicaca

Evite levar mochila pesada: algumas excursões desembarcam no Puerto Principal, de onde, para chegar à aldeia, você terá que subir 584 degraus, o que, a quase 4.000m sobre o nível do mar, é literalmente um programa mais adequado aos incas. O acesso pela outra ponta da ilha tem uma inclinação mais suave.

Ilha Amantaní

Os barcos partem pela manhã de Puno do mesmo ancoradouro e nos mesmos horários dos que vão para Taquile. A viagem demora em média 4h30, e custa uns US$ 6,50. As mesmas recomendações relativas a Taquile são válidas para Amantaní. Vale acrescentar que esta última tem menos infraestrutura do que a primeira, mas é ainda mais autêntica do que Taquile e recebe menos turistas. O esquema é o mesmo: você dormirá na casa de um habitante da ilha. Pergunte a qualquer morador; você será encaminhado a alguém que cuidará de alojá-lo. Amantaní tem ruínas pré-incaicas ainda mais interessantes que Taquile. Vale uma pena dar uma olhada nos templos de Pacha Tata e de Pachamama (a Mãe-Terra, mãe de todos os seres vivos) na parte mais elevada da ilha, que vale a pena só pela vista panorâmica que se tem do Titicaca. Funciona em Amantaní uma cooperativa de artesãos que produz belíssimos tecidos. Diferentemente dos mercadores de Puno, os aimarás das ilhas não gostam de barganhas, sobretudo na cooperativa. Se você estiver na região em meados do mês de janeiro, não perca o festival que começa no dia 15, muito colorido e musical.

O “exotismo” turístico

As ilhas do lago Titicaca  que você visitará, com casinhas de totora, são hoje uma espécie de museu vivo, com os “Uros” vestindo roupas coloridas “tradicionais” especialmente para serem fotografados. Note que no Lago Titicaca, nas ilhas mais afastadas, onde boa parte desse povo realmente mora, as casas são cobertas de zinco e não de totora. Alguns viajantes reclamam de se sentir em um cenário. Escutamos comentários do tipo: “À noite eles devem ir para suas casas em Puno e ligar a TV enquanto esquentam a comida no micro-ondas…” Bem, não chega a esse ponto. Mas é bom saber que autenticidade no turismo hoje em dia é coisa rara em todo o planeta. Não há dúvida de que, assim como as baianas que vendem acarajé nas ruas do centro histórico de Salvador, as índias e cholas se vestem com roupas “tradicionais” que não usariam normalmente no dia-a-dia, porque assim atraem turistas para comprar seus produtos. Da mesma forma, elas vestem seus filhos com primor e os deixam ali, junto com filhotes de alpaca fofíssimos, adornados com fitas de cores vivas. O marketing indígena desenvolveu-se muito nos últimos anos! Você mal chegou, está pensando em pedir licença para tirar uma foto, e as crianças, às vezes bem novinhas, já estendem a mão: “Soles….”. (Antes pediam un sol mas, com a inflação, passaram a pedi-los no plural.). Certa vez, em Silustani, perto de Puno, na rampa a caminho das ruínas, havia uma banda de jovens músicos devidamente vestidos de “índios”, à espera de turistas. Quando nos viram, antes que começassem a tocar, apressamo-nos em avisar que éramos brasileiros e estávamos ali a trabalho; era melhor, portanto, esperarem um pouco, pois uma tropa de turistas norte-americanos (Gringos ricos de verdad!) acabava de desembarcar de um ônibus de excursão e vinha subindo a encosta. O rapaz sorriu: “Gracias!”. O problema é que de um lado está o viajante que se encanta com o “pitoresco”; de outro, há uma população que mal possui o mínimo para sobreviver, para a qual aqueles poucos soles a mais são preciosos.