A Itália na Idade Média

A Itália na Idade Média

A decadência

A Alta Idade Média, período que se seguiu à queda do Império Romano, foi um período de turbulência durante o qual ocorreu um retrocesso quase universal todas as áreas. Os magníficos aquedutos romanos, as estradas que ligavam Roma a todas as partes do império (daí a expressão “todos os caminhos levam a Roma”), os banhos públicos e os anfiteatros deixaram de receber manutenção. As pessoas simplesmente roubavam pedras de construções para erguer suas casas! A população passou a viver com muito menos conforto, considerando-se feliz se pudesse ter algo para comer. Embora seja verdade que as cidades romanas não fossem muito limpas, na Idade Média tornaram-se imundas. Havia doenças, ratos, pulgas, carrapatos…

Mapa da Itália

Nada de banhos

Enquanto os antigos romanos adoravam os banhos nas termas e se lavavam com alguma regularidade, na Itália Medieval os cristãos – membros do clero, principalmente – consideravam o banho um incentivo à luxúria, que deveria ser evitado. As termas, aliás, sem nenhuma manutenção, tornaram-se imprestáveis.

A insegurança

As estradas, além de infestadas de bandidos, tornaram-se intransitáveis pela falta de conservação. Num mundo cada vez mais sem lei nem ordem, a principal preocupação era com a defesa; os conflitos armados eram constantes e a população urbana diminuiu drasticamente.

Vídeo sobre a Itália na Idade Média

O feudalismo

Com a decadência das cidades, muitos nobres ricos se transferiram para a civilizada Constantinopla ou para o campo, estabelecendo-se em grandes casas bem protegidas, embriões dos castelos medievais, fortalezas defendidas por cavaleiros. Cada senhor de um pequeno núcleo fortificado prestava juramento de obediência a outro senhor mais poderoso e com mais condições de vir em seu socorro no caso de ataque inimigo. Enquanto durante o Império Romano havia nas cidades artesãos e pequenas oficinas capazes de produzir e comercializar bens, durante o período feudal o castelo tornou-se um centro autossuficiente, onde se produzia o básico. Não havia escravos, mas servos, que cultivavam as terras e produziam os utensílios e ferramentas necessários. Se um servo demonstrasse habilidade para lidar com o couro, por exemplo, acabava se tornando encarregado da produção de botas e outros artigos.

A vida miserável dos servos

Os servos, que viviam miseravelmente em suas cabanas, deviam trabalhar primeiro as terras de seu senhor e ficavam com pequenos terrenos para o próprio cultivo – não os melhores, naturalmente. Nos tempos mais duros do feudalismo, em cada dez crianças que nasciam, seis ou sete morriam em razão de fome, violência ou doença antes de atingir a idade adulta. A dependência dos servos era total: se fossem moer seu trigo no moinho do senhor, deviam pagar por isso; se o proprietário das terras quisesse, podia requisitá-los para serrar madeira ou para trabalhar no castelo. Quase toda a área florestal em volta do castelo era reserva de caça dos nobres, onde somente por um especial favor o servo poderia caçar. Ao senhor feudal cabia autorizar ou não o casamento entre seus servos, bem como o direito de passar com a noiva a noite de núpcias.

A diferença entre o servo de gleba e o escravo

Ao contrário do escravo, o servo da gleba pertencia àquela propriedade rural, e não ao senhor. Não poderia ser vendido isoladamente, apenas junto com a propriedade – ele e sua família passariam, da mesma forma que as terras, para as mãos de outro senhor. O servo não poderia abandonar as terras de seu senhor nem mesmo para casar-se com alguém fora dos limites do feudo: terra sem gente para trabalhá-la não servia para nada.

Os vilões

Numa situação ligeiramente melhor estavam os vilões (a palavra não tem a significação que tem hoje), com menos obrigações e algumas vantagens. Basicamente, podemos dividir a sociedade feudal em três estamentos: os senhores guerreiros (teoricamente encarregados de proteger seus servos contra a ambição de outros senhores), os sacerdotes (incumbidos da orientação espiritual do seu rebanho) e os servos e vilões (para quem ficava o trabalho pesado).

O crescente poderio da Igreja

Com o crescente poderio da Igreja, esta se tornou a maior proprietária de terras do Ocidente. O enriquecimento da Igreja deveu-se a diferentes fatores, como a doação de terras por parte de reis e nobres e a cobrança do dízimo (que algumas seitas atuais, copiando o modelo, impõe a seus fiéis…). Além disso, enquanto os nobres iam tendo filhos e dividindo entre eles suas terras, o clero, proibido de casar, não produzia prole que reclamasse herança. Essa é, aliás, uma das origens do celibato clerical.

Um sociedade fechada

Um tipo de sociedade assim não favorecia de modo nenhum o comércio. Havia guerras constantes entre os diversos senhores, nas quais os principais prejudicados eram os aldeões. Não existia um exército regular, mas bandos de guerreiros mal pagos, cujo maior interesse era saquear. Quando um nobre ou alguém de importância era capturado, sua vida era geralmente poupada em troca de um resgate (como atualmente no Brasil!). No que sobrou das antigas cidades romanas ou das novas que se formavam em volta dos muros do castelo, funcionavam mercados locais. Na falta de moeda corrente – que praticamente desapareceu com a queda do Império Romano –, quase tudo funcionava na base da troca. Um saco de trigo, por exemplo, valia um certo número de galinhas ou determinada quantidade de sal.

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