Impressões da Índia por brasileiros

A Índia por brasileiros: três viajantes que rodaram o país

Amigos de longa data, os brasileiros Chico Spagnuolo, Melina Castro e José Roberto “Barão” são viajantes ávidos por novas experiências, já conhecem vários países e têm em comum uma queda por roteiros não-convencionais. Desta vez, sua proposta era ousada: visitar a Índia e o Nepal em vinte e poucos dias.

Quando retornaram, o Manual do Turista os entrevistou para saber mais acerca da visão da Índia por brasileiros.

Os voos mais econômicos: via África do Sul

Comparando os preços das passagens até a Índia, optaram por uma viagem São Paulo/Bombaim com conexão em Johanesburgo, na África do Sul, mais barato do que via Europa. Chico e Barão partiriam na frente, Melina os seguiria dois dias depois. O único senão eram o horário da conexão para Bombaim, de onde tomariam um vôo doméstico para Udaipur, já no Rajastão. Chegaram ao Aeroporto Internacional de Bombaim ao amanhecer.

A burocracia do desembarque

Seu primeiro contato com a Índia foi encarar a burocracia do desembarque, a longa fila de controle de passaportes e a alfândega. “Eletronics, cigarettes, whisky, sir?” Depois, tiveram que pegar a bagagem e seguir para outro aeroporto, do qual partem os vôos domésticos, onde embarcariam para Udaipur, seu primeiro destino no Rajastão. “Felizmente”, lembra Chico, “há um ônibus gratuito que faz a ligação entre os dois aeroportos.”

Aeroporto bem ruinzinho

Barão acrescenta que o aeroporto doméstico era ainda pior do que o internacional: “Parecia que eu ia tomar um ônibus numa estação rodoviária de algum fim de mundo no interior do Brasil”. O avião super antigo, de interior mal conservado, com bandejas de madeira e poltronas com assentos meio puídos, os fez franzir a testa. Será que aquela engenhoca era confiável? Barão diz que foi quando subiu no avião que lhe caiu a ficha: “Eu estou na Índia! “.

Em Udaipur, beneficiaram-se de um serviço simples e inteligente instituído em diversos aeroportos da Índia: o táxi pré-pago. Isso os poupou da interminável barganha que o estrangeiro deve entabular com o motorista cada vez que precisa pegar um táxi. Embora o aeroporto de Udaipur fique meio longe da cidade, a corrida não foi cara; custou algo em torno de sete dólares. A caminho da cidade, os dois se entreolharam.

Janeiro é um mês extremamente seco, Udaipur fica ao lado do deserto e, do aeroporto até lá, é uma poeira só. Para piorar, os subúrbios são sujos, com bichos vagando pelas ruas, crianças fazendo suas necessidades na beira do caminho, pessoas escovando os dentes na porta da casa com uma bacia na mão… “O que virá depois disso? ”.

A primeira coisa que fizeram foi enviar um e-mail para Melina, que estava de malas prontas no Brasil à espera de um sinal: “Chegamos, estamos em Udaipur esperando você no Hotel Lake Pichola!”.

Viagem cansativa

A viagem de Melina foi cansativa. Foram muitas horas quase seguidas dentro do avião! Mas tudo correu muito bem e, no horário esperado, ela desembarcou em Udaipur. Sozinha no táxi, olhando para fora, teve a mesma impressão que seus amigos e pensou: “O que vim fazer neste lugar? ” Como aconteceu com os dois, sua impressão foi outra quando se aproximaram da região junto do lago. Ali estava a cidade, a seus pés! Melina achou que Udaipur era não apenas bonita, mas também romântica e agradável: tinha até barzinhos com maravilhosos terraços de frente para o lago, onde podia tomar uma cerveja! (Na Índia, bares agradáveis são uma raridade.)

Udaipur

Finalmente reunidos, os três saíram para um passeio de barco pelo Pichola, a melhor maneira de admirar os belos e antigos palácios da nobreza de Udaipur, construídos nas encostas à beira do lago. O City Palace tem uma das alas ainda habitada pela família do antigo marajá e o Jagmandir é outro dos palácios à beira do lago.

O Lake Palace no lago Pichola

Bem no meio do lago, sobre uma ilha, fica o maior e mais rico deles: o Lake Palace, transformado em hotel de luxo, com diária de 250 dólares, o que, em termos de Índia, é uma pequena fortuna.

A dica dada por Chico para se conhecer o hotel por dentro e curtir a vista do lago a partir de lá é almoçar ou jantar no hotel (uns 30 ou 40 dólares por pessoa). Um dos melhores programas em Udaipur é curtir o por-do-sol em um dos cafés, restaurantes ou casas de chá nas encostas das colinas que rodeiam o lago de Udaipur, quando os contornos dos palácios recortados contra o céu avermelhado se refletem nas águas do Pichola.

Uma dica de restaurante
  • Nosso trio de brasileiros gostou principalmente do restaurante Udai Kot que, além de ter bons pratos, oferece vista panorâmica de 360º da cidade de Udaipur e do lago. “O pôr do sol era o momento mágico do dia”, explica Melina, “algo que não podíamos perder”. Barão concorda: uma das melhores recordações que levou da Índia foi o show de cores do final do dia, acompanhado pelo som das orações que parecia brotar do lago.

Passeando por Udaipur

Mas Chico, Barão e Melina não passearam só pela região em volta do lago. Perambularam pelas áreas mais pitorescas de Udaipur, quase medievais, com casinhas de janelinhas apertadas e um terraço no alto, e por bairros ricos, onde há casas de bom padrão. Mesmo ali, lembra Melina, havia animais soltos pelas ruas de terra… Em outras áreas mais movimentadas, muitas vezes com ruas relativamente estreitas, deparavam-se com elefantes dividindo o espaço com pessoas e veículos.

Acostumados a viajar, nossos três amigos fazem parte daquele grupo de viajantes atentos, que procuram entender os lugares que visitam, o povo, a arquitetura, os costumes.
Em Udaipur, os contrastes da Índia começaram a chamar sua atenção: os animais que vagam pelas ruas empoeiradas, devotos hindus fazendo oferendas em frente aos templos… e um internet café em cada esquina!

Internet

Chico ressalta que, na Índia, a presença da internet é uma constante, mais visível nas cidades menores como Udaipur. Melina, por sua vez, lembra-se de ter visto uma placa “Internet Café” em um casebre onde música eletrônica tocava no último volume.

Jagdish Temple

Outra atração que os agradou em Udaipur foi o imponente templo de Jagdish, todo decorado com esculturas em relevo. Ficaram intrigados com um detalhe: o templo parece ser grande demais para abrigar ídolos tão pequenos!

De Udaipur, pegaram um auto-rick-shaw (táxi-triciclo motorizado) até o Palácio das Monções, ali perto, onde foram filmadas cenas do filme 007 contra Octopussy. Estavam gostando da viagem. Depois de Udaipur ainda teriam muito caminho pela frente.

Vejam a continuação da viagem

O Rajastão e o deserto de Tahar