Harlem, New York
Halem - Foto neverything CC BY
Harlem – Foto neverytring CCBY

O extremo norte de Manhattan

O Harlem, no norte de Manhattan, é limitado ao sul pela 110th Street; a leste, pelo East River; a oeste, pelo Hudson River; e ao norte pelo Harlem River. O bairro é dividido em três distritos: o West Harlem, a oeste da St. Nicholas Avenue, próximo do Hudson River, que engloba Hamilton Heights, Morningside Heights e Washington Heights; o Central Harlem, entre a St. Nicholas Avenue e a 5th Avenue; e o East Harlem, a leste da 5th Avenue, conhecido como El Barrio, onde existe uma numerosa comunidade de porto-riquenhos.

Mapa do Harlem

A origem do bairro

O bairro tem origem no povoado de Nieuw Haarlem, fundado em 1658 por Peter Stuyvesant, cujo nome homenageava a graciosa cidadezinha de Haarlem, no norte da Holanda. Durante muito tempo foi uma região escassamente habitada, ocupada por fazendas. Ali ocorreu em setembro de 1776, durante as guerras da independência, a importante Batalha do Harlem, entre norte-americanos e ingleses.
Antes da construção de uma estrada da estrada de ferro até Nova York, em 1837, apenas um serviço de barcos a vapor assegurava o transporte de cargas e passageiros até o atual Downtown. O semi-esquecido Harlem foi um município independente que só passou a fazer parte de Nova York em 1873.

O Harlem no final do século XIX

Nas últimas décadas do século XIX, dois fatores acabariam por estimular o povoamento do East e do Central Harlem. Um deles foi a implantação da linha aérea de metrô que, apesar de não obter o sucesso esperado, gerou especulação imobiliária e fez com que algumas famílias mais abastadas se fixassem no Sugar Hill. Outro foi a chegada a Nova York de imigrantes em número cada vez maior: irlandeses, italianos, judeus poloneses e de outros lugares da Europa. Boa parte deles fixou-se no Harlem porque os aluguéis eram baratos. Muitos foram morar em tenements (cortiços). Somente o West Harlem era considerado uma região valorizada pelas classes média e média-alta, que construíram ali belas casas em brownstone.

Os negros chegam ao Harlem

No começo do século XX, estabeleceram-se no Harlem negros que vieram de diversas cidades do sul dos Estados Unidos, fugindo da discriminação e da violência racial; os brancos sulistas consideravam-nos responsáveis pela destruição provocada no Sul durante a Guerra de Secessão. A formação de uma comunidade étnica em uma grande cidade como Nova York lhes conferiu alguma segurança.
Inicialmente, os proprietários de imóveis, xenófobos e racistas, haviam se recusado a alugá-los para irlandeses e judeus. Com a queda do valor dos aluguéis por volta de 1905 e o abandono do bairro pela população branca e protestante, tiveram que se conformar e aceitar “até” inquilinos negros.

A luta contra a discriminação

Nas duas décadas seguintes o número de negros moradores do Harlem cresceu bastante com a chegada de afro-americanos de outras regiões do país e de outros bairros de Nova York. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando moradias pobres de negros foram derrrubadas para dar lugar à Pennsylvania Station. Nesse caso, os desalojados deram sorte: o promotor negro Philip Payton conseguiu que fossem transferidos para residências decentes no Harlem.
A concentração de afro-americanos no bairro favoreceu sua organização e a luta contra a discriminação, dando origem na década de 1910 a entidades como a NAACP – National Association for the Advancement of Colored People e a Universal Negro Improvement Association e a revistas e jornais engajados, como The Messenger.

Harlem Renaissance

Na década de 1920 teve início o Harlem Renaissance, movimento de “renascimento” do Harlem que tornou o bairro um centro da cultura negra nos Estados Unidos, tendo como representantes, dentre outros nomes, Duke Ellington e Louis Armstrong na música, Richmond Barthé nas artes plásticas e Booker T. Washington, W. DuBois, Langston Hughes, Wallace Henry Thurman e Dorothy West na literatura. Esse período, conhecido como Os Anos Loucos (a expressão surgiu na França: Les Années Folles) coincidiu aproximadamente com o da vigência da Lei Seca. Ao lado de speakeasies controlados pelas máfias italiana e judaica, que vendiam clandestinamente bebidas alcoólicas, muitos clubes de jazz se estabeleceram no Harlem, como o Cotton Club, o Small’s Paradise e o Apollo Theater.

A recessão de 1929

A festa acabou em 1929, quando o país entrou na recessão provocada pela quebra da bolsa de Nova York. Nesse período, mais afro-americanos sem trabalho chegaram à cidade, instalando-se no Harlem, que começou a se tornar superpovoado, insalubre e com sérios problemas sociais. Cerca de 40% da população negra do Harlem nessa época era composta por desempregados e dependentes de programas de auxílio governamentais. Muitas lojas em Nova York, em plena década de 1930, simplesmente não aceitavam empregados negros. Isso originou boicotes como o de 1934, movido pela Citizens’ League for Fair Play contra a loja de departamentos Blumstein’s, que acabou tendo que reformular sua política de empregos.

A década de 1930

Na década de 1930, a situação foi remediada com a substituição de cortiços por conjuntos habitacionais. Porém, as melhorias introduzidas no bairro não foram suficientes para suprir as deficiências e o Harlem se consolidou como centro da luta do movimento negro. Houve ali manifestações e revoltas populares, que resultaram em depredações, incêndios e mortes.
Assustada, a população branca minoritária começou a abandonar a vizinhança, que foi se tornando um ghetto negro, negligenciado pelas autoridades, com escolas caindo aos pedaços, péssimo nível educacional, taxas de criminalidade altíssimas, ações de gangues e tráfico de drogas.

Os Black Panthers

Enquanto isso, os negros intensificavam sua luta pelos direitos civis nos EUA, pacificamente, como Martin Luther King, ou radicalmente, como os líderes do movimento Black Panthers e Malcom X, que se tornou muçulmano, fundou o Nation of Islam e foi um dos ativistas mais influentes do país, até ser morto em fevereiro de 1965. Quando Martin Luther King também foi assassinado, em 1968, uma revolta tomou conta do Harlem.
Na década de 1970, quase toda a cidade de Nova York passava por um momento difícil: era suja e perigosa. No Harlem, a situação chegou a tal ponto que a classe média negra começou a abandonar a região.

A recuperação nos anos 1980

Somente nos anos 80 iniciou-se um movimento eficaz pela recuperação de Nova York que começou nos bairros do sul e foi subindo rumo ao norte até chegar ao Harlem. Foram realizadas obras de urbanização e investimentos em iluminação pública, esgotos, calçamento, plantio de árvores e restauração de imóveis tradicionais em Hamilton Heights e em outras áreas. Paralelamente, levou-se adiante um severo combate à criminalidade, com o recrutamento de agentes oriundos das minorias negra e porto-riquenha. A prefeitura concedeu vantagens fiscais para quem quisesse investir no bairro, o que permitiu a abertura de novos postos de trabalho e o aumento dos rendimentos da população. Nos anos 1990, redes comerciais conhecidas como a Starbucks (que teve como garoto-propaganda o jogador de basquete Magic Johnson, negro e famoso), um supermercado da rede Pathmark e o shopping center Harlem USA, onde funciona a livraria Hue Man, voltada para temas afro, arriscaram-se a se estabelecer no local. Finalmente, talvez por motivos políticos, o próprio Bill Clinton abriu um escritório no bairro.

É seguro visitar o Harlem hoje?

Muita gente fala atualmente em novo renascimento do Harlem. Que mudança, em comparação com os anos 1970! Quem assistiu a Taxi Driver talvez se lembre da cena em que o taxista Travis Bickle, interpretado por Roberto De Niro, tem seu carro atingido uma chuva de pedras jogadas por adolescentes negros. Isso não aconteceria hoje em dia.
Duas questões levantadas por brasileiros que visitam Nova York: é seguro hoje ir ao Harlem? Qual o interesse em se visitar o lugar? Bem, na maior parte do bairro, sobretudo durante o dia, é raro um turista ter problemas. Embora ocupe uma grande área de Manhattan, o Harlem não possui tantas atrações quanto outras regiões da ilha, mas tem o imperdível The Cloisters e, à noite, é o local para se escutar um ótimo jazz.

O gospel batista

Finalmente, uma visita à região é uma boa oportunidade para se conhecer um dos mais autênticos bairros étnicos dos Estados Unidos. Muita gente vai aos domingos pela manhã ao Harlem para escutar os coros gospel das igrejas batistas, programa que está virando moda. Enfim, é bom lembrar que igreja não é clube de jazz e que o comportamento do turista deve ser respeitoso, não importa se você é agnóstico, ateu, budista ou ortodoxo.

Atrações

O Harlem possui mais atrações turísticas do que a maioria das pessoas imagina.
Saiba sobre as atrações turísticas no Harlem.

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