Cinco dias em Paris

Paris em cinco dias

por Lúcio Martins Rodrigues

Cinco dias? Ok, quase todo mundo tem seu cronograma de viagem de acordo com sua realidade. Paris merece uma semana, um mês, mas vamos ver como aproveitar cinco dias em Paris, que é o tempo suficiente para se conhecer pelo menos o básico. E, sem generalizações, “o básico” para alguém não é o básico para outra pessoa. Uns são ligados em museus, outros querem apenas perambular pela cidade, ou se deslumbrar com a beleza de seus parques e jardins.

Mapa de Paris

Monte seu roteiro 
É facílimo. Roteiros prontos, mastigados, prêt-à-porter, podem agradar ao marido, mas não necessariamente à esposa e vice-versa. Mesmo em viagens com amigos, cada um quer ver uma coisa. Além disso, há atrações perfeitas para serem conhecidas em dias de sol, e outras, como museus, que podem ser visitadas em dias chuvosos. Por isso você e seus amigos precisam decidir o que querem ver e, em que momento, e bolar seu roteiro.

O que merece ser visto para quem só tem cinco dias em Paris
Nós mencionaremos as atrações por tipo, com os devidos comentários, e localização, procurando agregar as que ficam próximas umas das outras, com dicas para facilitar a organização de seu roteiro pessoal.

Mapa é essencial
Em todo lugar, nos hotéis, aeroportos, é possível conseguir um mapa de Paris. Pelo celular você acessa nosso Guia de Paris, da série GTB (Guia do Turista Brasileiro). No guia tem tudo sobre atrações, transportes, hospedagem, gastronomia, atrações. Tem também um mapa.

Como proceder
Leiam juntos sobre as atrações, e que cada um que se manifeste sobre o que realmente quer conhecer e o que é secundário. Com o mapa nas mãos, assinale a localização de cada atração e trace um roteiro lógico, reunindo em um mesmo trajeto as próximas umas das outras.

Considere o clima
Considere também o clima. Nem sempre o tempo é ensolarado em Paris. Pode chover. Ou pode não chover, mas o céu estar cinzento e escuro a ponto de fazer fotógrafo chorar. Se você acabou de chegar a Paris e já deu sorte de pegar tempo bom, comece aproveitando os dias azuis para tours de barco pelo Sena, para flanar por bairros deliciosos, como St-Germain, Quartier Latin, Marais, e outros programas ao ar livre. Deixe as atrações em ambientes fechados para o fim da viagem. Aí, se chover, tant pis! Mas o tempo não estraga sua viagem.

Escolha um bairro prático para se hospedar

Esse detalhe é superimportante. Há hotéis de todos os preços e bem situados, em bairros centrais, como Marais, Les Hâlles-Châtelet, na Rive Droite (margem direita do Sena) ou St-Germain e Quartier Latin, na Rive Gauche (margem esquerda do Sena). Se você estiver hospedado em local estratégico, poderá visitar a pé a maioria das atrações. Veja “Em que bairro se hospedar em Paris“. Essas áreas centrais são também cortadas pelo RER (trem regional que liga Paris a seus aeroportos), com integração para diversas estações de metrô, com o mesmo bilhete. Veja “Como ir de Paris para o aeroporto e vice-versa“.

Transportes urbanos em Paris

Para organizar seu roteiro procure informar-se sobre as estações de metrô mais práticas para você, e a linhas de ônibus mais úteis. Veja “Transportes em Paris“.

Principais atrações em Paris

Reunimos, na medida do possível, as atrações geograficamente.

Passeio de barco pelo Sena

Por mais turístico que seja não dá para perder. Confortavelmente instalado você poderá curtir as mais belas vistas de Paris. Vou mais além: esse é um passeio que vale a pena fazer durante o dia e também, à noite, com todos o monumentos iluminados. Veja informações completas sobre passeios de barco em Paris, pelo Sena e pelo Canal St-Martin.

Pont des Arts

Data do começo do século XIX. Da Pont des Arts, que liga St-Germain ao Louvre, tem-se uma linda vista da Île de la Cité, em frente, e das duas margens do Sena. É um dos lugares favoritos dos namorados que também se espalham pelas margens vizinhas do Sena. Por isso mesmo ficou com uma grade tão cheia de cadeados do amor que seu peso começou a ameaçar a ponte. A prefeitura mandou retirá-los e colocou no lugar das grades placas de vidro onde não se pode pendurar nada, obrigando os pombinhos amorosos a arrulhar em outro lugar. Uma dica: a Pont des Arts não fica longe do cais dos bateaux-mouches que fazem visitas pelo Sena.

Pont Neuf

A Pont Neuf fica exatamente do lado do cais de embarque dos bateaux-mouches e do lado da Pont des Arts. Aproveite depois para fazer seu passeio se o céu estiver azul. A Ponte Nova, apesar do nome, é bem antiga. Foi construída a partir de 1578 por Henrique III. Elegante e romântica, essa ponte até virou nome de filme (Les Amants du Pont Neuf).  Até hoje é cenário de muitas produções rodadas em Paris, entre elas Todos dizem eu te amo, de Woody Allen.

Musée du Louvre

O Louvre foi um palácio real que acabou se transformando no museu mais famoso do mundo. Quem ama arte, história ou arqueologia não deve perder essa visita. Ao organizar seu roteiro considere que o Louvre é um museu impossível de ser visitado por completo em apenas um dia. Veja mais informações e dicas sobre o “Musée du Louvre“.

Musée d’Orsay

Fica no Quai Anatole France. Inaugurado em 1986, o Orsay é um dos mais importantes museus de arte europeus. Seu acervo é composto de obras, sobretudo pinturas, produzidas por artistas ocidentais de 1848 a 1914, entre eles os Impressionistas mais famosos. Veja mais informações e dicas sobre o “Musée d’Orsay“.

Musée Rodin

Instalado em um palacete rodeado por um lindo jardim, o Musée Rodin, inaugurado em 1919,  reúne um fabuloso acervo de esculturas de Auguste Rodin, um dos maiores nomes das artes plásticas francesas. Vejas informações e dicas sobre o “Musée Rodin“.

Sainte-Chapelle

Fica na Île de La Cité. A Sainte-Chapelle foi construída no século XIII, por ordem de São Luís, para abrigar a suposta coroa de espinhos de Cristo. Hoje sabe-se que o rei francês caiu no conto do vigário ao pagar uma verdadeira fortuna pela relíquia, que era falsa. Isso não impede que a Sainte-Chapelle seja uma obra-prima da arquitetura gótica. Seus vitrais mergulham a capela numa luminosidade quase mágica.

Conciergerie

Próximo da Sainte-Chapelle fica a Conciergerie, construção medieval  e imponente à beira do Sena, com quatro torres.  O edifício foi utilizado para atividades administrativas, mas ficou conhecido por ter sido uma importante prisão onde eram encarceradas pessoas famosas caídas em desgraça, entre elas a rainha Maria Antonieta. Saiba mais sobre a “Conciergerie”.

Musée de Cluny (ou Museu da Idade Média)

Não fica longe da Sainte-Chapelle, mas está localizada na Rive Gauche, em frente, do outro lado desse braço do Sena. Atravesse a ponte e entre no Quartier Latin pelo Boulevard Saint-Michel. O museu, fica a cerca de quinhentos metros adiante, à direita, na esquina do Boulemich com o Boulevard Saint-Germain. Olhe seu mapa. Quem se interessa por História, em particular pela Idade Média, não pode perder este museu. Veja mais informações sobre o “Musée de Cluny“.

Panthéon de Paris

No Quartier Latin, quase em frente ao Jardin de Luxembourg, e a cinco minutos a pé do Musée de Cluny. Essa imponente construção em estilo clássico, que por fora mais parece um templo grego,  foi erguida por ordem de Luís XV, em 1758, para ser uma igreja.  Em 1791, com a Revolução, foi  transformada em um panteão, para receber os restos mortais de franceses ilustres. Saiba mais.

St-Étienne-du-Mont (igreja)

Fica atrás do Pantheon. Aproveite a visita ao Pantheon para conhecer a igreja. Saint Étienne du Mont foi construída no século XIII na colina de Ste-Geneviève. Diferentemente da maioria das igrejas parisienses, tem uma só nave e apenas uma torre. Sua fachada tem três frontões superpostos. Veja mais informações.

Catedral de Notre-Dame de Paris

Notre-Dame é a mais famosa catedral gótica europeia e um dos ícones da cidade de Paris. Sua construção teve início na segunda metade do século XII. Notre-Dame foi palco de alguns dos mais importantes acontecimentos da história de Paris. Veja dicas e informações sobre a “Catedral de Nôtre-Dame“.

Hôtel de Ville (Prefeitura)

Na Rive Droite, não longe de Notre-Dame.  O edifício atual, inspirado no anterior que pegou fogo, data do final do século XIX. Apesar de não ser muito antigo, é um dos mais belos edifícios de Paris. Seu estilo é neo-renascentista, com paredes ornamentadas de estátuas. É muito bonito, sobretudo à noite, quando iluminado. Veja mais.

Centre Georges Pompidou (Beaubourg)

Fica na Rive Droite, a uns dez minutos a pé de Notre-Dame. Gigantesco, foi inaugurado em 1977 em estilo ultramoderno, todo de metal e vidro. As escadarias, os elevadores e canalizações ficam na parte externa do edifício, no interior de tubos coloridos (verdes, vermelhos, amarelos e azuis). O centro de arte possui acervo próprio, mas destina-se principalmente a acolher exposições temporárias. No último andar funciona um café com vista, muito frequentado. Saiba mais sobre o “Centre Georges Pompidou”.

Musée Carnavalet (Museu da História de Paris)

Hôtel Carnavalet, uma elegante mansão do século XVI,  foi adquirido pela prefeitura de Paris em 1866. Seu acervo, voltado para a História de Paris, inclui objetos históricos e artísticos desde os tempos neolíticos até o século XX. Saiba mais sobre o “Musée Carnavalet“.

Palais Royal

Bem ao lado do Louvre. O Palais Royal, antigo Palais Cardinal, foi construído para o cardeal Richelieu a partir de 1634. Pouco antes de sua morte, o cardeal doou o palácio para a família real. Luís XIV morou nele durante sua infância. Além dos jardins e da arquitetura existem na região do Palais Roya galerias do final do século XVIII, que valem a visita pela originalidade de suas lojas. Veja mais informações.

Opéra Garnier

Visível de longe, fica no outro extremo da avenue d’Opéra, para quem sai do Louvre. O Opéra Garnier, ou Palais Garnier, uma obra-prima arquitetônica, iniciada em 1860 e só entregue em 1875, é mais um ícone parisiense. Pode ser visitada por dentro. Seu museu abriga maquetes de cenários do século XIX e coleções de pinturas inspiradas na dança, como a Danceuse s’exerçant au foyer, de Degas. Veja mais informações.

Madeleine (igreja)

De Opera é fácil chegar à Madeleine. Ela é famosa por sua arquitetura muito singular, neo-clássica, que lembra mais um templo grego que uma igreja católica. Não tem sequer uma cruz no alto. Saiba mais.

Tour Eiffel

A torre fica mais afastada da área mais central de Paris, a Île de la Cité, onde a cidade começou. O mais fácil é tomar o metrô. Em 1889, a Tour Eiffel, iniciada dois anos antes, ficou pronta.  Para construí-la foram utilizadas 18 mil peças de aço unidas por 2,5 milhões de rebites. Atualmente cerca de duzentos milhões de pessoas de todos os países visitam a mais famosa atração de Paris, um símbolo da cidade. Veja informações, dicas e curiosidades sobre  a Tour Eiffel.

Palais de Chaillot

Fica do outro lado do rio, em frente à Tour Eiffel, na outra ponta do Jardin de Trocadéro. Abriga vários museus:

Musée de l’Homme

Um dos mais famosos museus de antropologia europeus, o Musée de l’Homme abriga diferentes coleções sobre a evolução do homem desde a pré-história. É uma verdadeira viagem de 3,5 milhões de anos no tempo. Veja mais informações na página sobre Trocadéro.

Musée de la Marine 

O Museu da Marinha em Paris é o mais importante do gênero no planeta. Seu acervo reúnes quase 2 mil maquetes de diversos tipos de embarcação: barcos egípcios da época dos faraós, navios a vapor, veleiros, navios de guerra. Veja mais informações.

Cité de l’Architecture et du Patrimoine

Também no Palais de Chayot, aberto em 2007, é dedicado à história da arquitetura da França, do século XII aos dias de hoje. É enorme, você precisará facilmente de algumas horas para visitá-lo. Saiba mais.

Musée Guimet (Musée National des Arts Asiatiques)

Fora do Palais de Chaillot, mas próximo, na Place de l’Iéna, fica o Musée Guimet, que reúne uma riquíssima coleção de arte asiática com peças de diferentes épocas, da China, Coreia, Japão, Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal e Tibet, desde a pré-história até épocas mais recentes. Veja mais informações.

Arco do Triunfo

Está a uns vinte minutos de caminhada da Tour Eiffel, pela avenue Kléber. O gigantesco arco no final da Avenue des Champs-Élysées foi construído em 1806 a mando de Napoleão. Pode-se subir ao topo, de onde se tem uma vista privilegiada da Avenue des Champs-Élysées e de outras que partem da praça de l’Étoile. Saiba mais sobre o Arco do Triunfo.

Palácio de Versalhes (Versailles)

Fica fora de Paris. É preciso tomar o RER na estação de metrô Saint-Michel, junto do Sena. O Palácio de Versalhes, rodeado de magníficos  jardins, é a mais grandiosa residência real da Europa. É considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Além de sua arquitetura imponente, seu interior, repleto de galerias e salões decorados com mármores, madeiras esculpidas, cristais e muito ouro, é um verdadeiro museu, com móveis requintados, tapeçarias, quadros e obras de arte. É visita obrigatória para quem vai a Paris. Reserve, pelo menos, metade do dia para esse passeio. Veja mais informações, fotos e dicas sobre Versailles.

Parques e jardins de Paris

Paris é famosa por seus parques e jardins, lindos, principalmente na primavera e no outono. Como os jardins são espalhados pela cidade, não é possível reagrupá-los, como fizemos com a maioria das atrações. Mas temos uma página inteira dedicada exclusivamente aos vastos e belos jardins parisienses. Veja “Parques e jardins de Paris“.

Flanando pelos bairros de Paris

Paris é linda, mas alguns bairros merecem destaque e são perfeitos para serem vistados a pé, sem pressa. Na Rive Droite: Saint-Germain des Prés, Quartier Latin, Invalides. Na Rive Gauche: Marais, Palais Royal, Madeleine e Concorde, Champs-Élysées. No meio ficam as ilhas de la Cité e Saint Louis. Ao norte de Paris o destaque fica para Montmartre, antigo bairro dos artistas.

Mapa de Paris

Dá para ver tudo isso em apenas cinco dias?

Nós mesmos achamos difícil. Você terá de ver com seus parceiros ou, então, com seus amigos e selecionar as atrações de interesse comum.

É só isso, ou tem mais?

Tem mais, sim. Estamos apenas sugerindo o básico a ser visitado em cinco dias. Quer ver outras atrações e museus? Consulte nosso Guia de Paris, da série GTB (Guia do Turista Brasileiro).

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