Chile cultural

Neruda - Foto William Brawley CC BY

Chile: literatura

Os primórdios

As primeiras obras literárias publicadas no Chile datam do período colonial e retratam a vida na época, as relações com os índios e a ocupação do território. Só a partir do século XIX podemos falar de uma verdadeira literatura chilena, com Alberto Blest Gana (1830-1920), autor de Martín Rivas, publicado em 1862. Porém, só no século XX tornaram-se numerosos os escritores e poetas chilenos de renome internacional, como Vicente Hidobro, autor do poema Altazor, publicado na Europa.Dois outros poetas chilenos merecem especial destaque: Gabriela Mistral e o insuperável Pablo Neruda. Se você gosta de ler, mas não conhece nada de literatura chilena, está na hora de começar. Nossa pequena contribuição nesse sentido é mencionar alguns dos melhores.

Francisco Coloane

Nativo de Chiloé, é autor de El Último Grumete de la Baquedano. Seus escritos, impregnados de magia, são inspirados em lendas regionais. O autor recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Chile.

Gabriela Mistral

Pseudônimo de Lucila Godoy Alcayaga, Prêmio Nobel de Literatura em 1957. Gabriela foi consulesa do Chile em Paris e outras capitais da Europa. Sonetos de la Muerte, Desolación, Lecturas para Mujeres, Ternura, Descripción de Chile, Lagar, Recados Contando a Chile e Poema de Chile são algumas de suas obras mais importantes.

Antonio Skármeta

Autor, entre outros livros, de El Entusiasmo, Ardiente Paciencia e Il Postino, tema do filme O Carteiro e o Poeta, com Philippe Noiret no papel de Pablo Neruda. Perseguido pela ditadura de Pinochet, Skármeta foi obrigado a exilar-se na Europa.

Pedro Lemebel

È o autor de Loco Afán, de Perlas y Cicatrices e de Tengo Miedo Torero. Lemebel é defensor das minorias gays e militantes de esquerda.

Isabel Allende

Sobrinha do presidente Salvador Allende, ela foi obrigada a se exilar na Venezuela durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. É poeta e romancista, autora, entre outras obras, de La Casa de Los Espiritus, Paula, Eva Luna, Paula, De Amor y de Sombra, La Ciudad de las Bestias, El Plan Infinito, Mi País Inventado.

Luís Sepúlveda

Outro que teve que se exilar. Durante o governo de Allende o jornalista trabalhou para o Departamento de Cultura. Seu primeiro livro, Crónicas de Pedro Nadie, recebeu em 1969 o “Prêmio Casa das Américas”. Posteriormente, bolsista em Moscou, foi expulso do país comunista por manter contatos com dissidentes e ferir a “moral proletária”. É autor de Mundo del Fin del Mundo, Un Viejo que Leía Novelas de Amor, Desencuentos e outros livros.

Fernando Alegria

Escritor engajado, é autor de muitos títulos: Instrucciones para Desnudar a la Raza Humana, Una Especie de Memoria, Cambio de Siglo, Nos reconoce el Tiempo y Silba su Tonada, Allende, mi Vecino, La Rebelión de los Placeres.

Armando Uribe

Foi diplomata durante o Governo da Frente Popular e exilado político na França durante a ditadura. É autor, entre outras obras, de El Libro Negro de la Intervención Norteamericana en Chile, Ces Messieurs du Chili, publicado em Paris; Las Brujas de Uniforme, l’Accidente Pinochet e outros livros.

Roberto Bolaño – Um dos maiores expoentes da literatura chilena de sua geração. É autor, entre outras obras, de Consejos de un Discípulo de Morrison a un Fanático de Joyce, La Pista de Hielo, Literatura Nazi en América, Estrella Distante, e do premiado Los Detectives Salvajes.

Pablo Neruda

O Chile não produziu romancistas do gabarito do brasileiro Jorge Amado, do colombiano García Marquez ou do argentino Borges, mas é a pátria de um dos maiores poetas do século XX: Pablo Neruda. Pouca gente sabe disso, mas o nome verdadeiro de Neruda é Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto. Seu pseudônimo, mais tarde adotado legalmente, foi inspirado no nome do escritor checo Jan Neruda, de quem o poeta era um grande admirador.

Diplomata, Neruda foi enviado à Ásia e à Europa. Chegou, entre 1934 e 1938, a ser nomeado cônsul do Chile na Espanha e no México. Depois, de volta ao Chile em 1945, foi eleito senador pelo Partido Comunista e dois anos depois teve que se exilar para escapar à prisão.

Durante o governo de Salvador Allende, Neruda foi nomeado embaixador na França. Em 1971 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Apesar de seu engajamento político, boa parte da obra de Pablo Neruda tem conteúdo romântico, sobretudo na sua primeira fase, quando escreveu Veinte Poemas de Amor y una Canción Desesperada.

Já Canto General, publicado no México em 1950, tem um forte conteúdo social. Neruda nos deixou uma biografia famosa: Confesso que Vivi. Profundamente deprimido com o golpe de Estado que culminou na deposição e morte de Salvador Allende, Neruda morreu em setembro de 1973. Comenta-se que morreu de tristeza.

Chile: cinema

Em um mercado global dominado pelas superproduções americanas, sabemos pouco a respeito do cinema chileno. Nada contra o cinema norte-americano. A verdade é que eles produzem filmes excelentes. Além de uma enorme quantidade de produções de baixa qualidade que entopem as prateleiras das locadoras. Você tenta achar filmes latino-americanos ou mesmo europeus e não encontra muita coisa ou então se depara com poucas opções.

Quando encontra, a locadora só tem uma cópia, que alguém já alugou. Os poucos filmes chilenos são conhecidos apenas por aquele público restrito, frequentador de mostras de cinemas e cinematecas. É uma pena, porque algumas produções, quase sempre bastante politizadas, são excelentes.

O primeiro longa-metragem produzido no Chile foi El Húsar de la muerte (“O Hussardo da Morte”), em 1925, na época do cinema mudo, dirigido por Pedro Sienna. O filme conta as aventuras do líder independentista Manuel Rodríguez (veja no capítulo “História”).

O festival de Cine Latino-Americano de Viña del Mar – Não há muito a mencionar de importante durante décadas até o final de 1960. Foi quando estrearam Largo Viaje, de Patrício Kaulen (1967); Tres Tristes Tigres (1968), de Raúl Ruiz, El Chacal de Nabueltoro (1969), de Miguel Littin, Valparaíso, mi Amor, de Aldo Francia (1969). Essas películas foram apresentadas no Festival de Cine Latino-americano de Viña del Mar, en 1969. No ano seguinte estrearam El Topo, de Alejandro Jodorowsky, e La Luna en El Espejo, de Silvio Caiozzi.

Ditadura de Pinochet 

Um período negro para a sétima arte do país andino e para a cultura em geral. A maioria dos cineastas teve que deixar o país. Apenas Miguel Littin conseguiu, em plena ditadura, correndo enorme risco, filmar clandestinamente o documentário Ata Geral do Chile (1986). Só o final do regime Pinochet, permitiu o ressurgimento do cinema nacional no Chile.

Alguns filmes mais recentes merecem ser mencionados, como Salvador Allende (2004), documentário de Patrício Guzman; o ultrarrealista Machuca (2005), de Andrés Wood, que relata a amizade de dois meninos de classes sociais bem diferentes no final do governo socialista (excelente!).

As novidades do cinema chileno

A última novidade é Violeta se fue a los cielos (2012), de Andrés Wood, sobre a cantora Violeta Parra, que se suicidou en 1967.
Há também filmes sobre o Chile produzidos em outros países. Alguns muito bons, como o francês Il pleut sur Santiago (“Chove sobre Santiago”) (1976), dirigido pelo chileno Helvio Soto; o norte-americano Missing (“Desaparecido”), (1982), de Costa Gavras. Mesmo o brasileiro A Cor de seu Destino (1986) aborda a situação de exilados chilenos no Brasil.

Chile: música

Comparada com a brasileira, a produção musical chilena é pobre. Boa parte dela é folclórica e regional. No norte do país, a música da região do Atacama tem forte influência aymara. Lembra muito a boliviana e a peruana. No sul predomina a música de origem mapuche. Há porém uma música tradicional de todo o Chile, com fortes diferenças regionais, como a cueca, que é também uma dança tradicional.

A Nueva Cáncion Chilena

Na década de 1960 surge a Nueva Cáncion Chilena, às vezes politizada e nostálgica. Os principais representantes desse grupo são Patrício Manns, Vicente Jarra, assassinado pela ditadura, e Violeta Parra, autora de belíssimas canções, como Gracias a la Vida e Volver a los 17, interpretada por cantores de renome internacional, como Joan Baez e Mercedes Sosa. Depois desse período áureo, durante a ditadura, quase toda canção que não fosse meramente folclórica foi censurada e proibida.

Informações práticas

Como ir ao Chile

Veja passagens aéreas e pacotes

Onde se hospedar no Chile: reserva pelo Booking.com

O Booking.com é um meio fácil e seguro de reservar seu hotel ou apartamento em cidades no mundo todo. Você não paga nada a mais por isso. Você pode pesquisar ofertas entre uma enorme variedade de estabelecimentos

Escolha e reserve seu hotel em Santiago: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em La Sereña: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em Pucón: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em Puerto Natale: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em Puerto Vara: seleção por categoria

Escolha e rserve seu hotel em Punta Arenas: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em San Pedro de Atacama: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em Torres del Paine: seleção por categoria

Escolha e reserve seu hotel em Valdívia

Escolha e reserve seu hotel em Valparaíso

Escolha e reserve seu hotel em Viña del Mar

Matérias especiais

História do Chile da Guerra Fria aos dias de hoje | Cinema chileno
Pablo Neruda |Salvador Allende e o 11 de Setembro chileno