Cadeados do amor vão a leilão em Paris
Os cadeados do amor em Paris
Os cadeados do amor em Paris

Cadeados do Amor vão a leilão em Paris

Por Lúcio Martins Rodrigues

A Prefeitura de Paris cansou. Cerca de 65 toneladas de cadeados do amor retirados da Pont des Arts e de outras pontes vão para leilão na sede do Crédit Municipal de Paris no início de 2017. Serão cerca de 45 toneladas provenientes da Pont des Arts e 20 da Pont de l’Archevêché.

Embora representem apenas 10% dos cadeados retirados, o valor do latão atinge 100.000 euros. Outros leilões poderão ocorrer. A maior parte dos cadeados do amor serão fundidos, transformados em metal e vendidos dessa forma. O que for arrecadado será destinado a ajudar refugiados de guerra, uma causa nobre.

Mapa: Pont des Arts, em Paris, onde ficavam os cadeados

Quando a primeira grade desabou

O alarme soou em junho de 2014, quando uma grade desabou sob o peso de milhares de cadeados ali colocados por pombinhos apaixonados do mundo inteiro. As autoridades parisienses, que até então, mesmo torcendo um pouco o nariz, toleravam a prática, resolveram dar um basta nesse costume.

Em junho de 2015, os cadeados começam a ser retirados

A primeira atitude tomada pela municipalidade parisiense foi, em junho de 2015, retirar as muitas toneladas de cadeados do amor existentes na Pont des Arts. A prefeitura colocou também avisos em francês e em inglês, proibindo a prática: “Pas de cadenats, Paris vous remercie“. Não deu muito certo. Trocaram, então, ao custo de 2 milhões de euros, as grades da ponte por placas de vidro.

Pombinhos mudam-se para a Pont Neuf mas não desistem…

O que fizeram então os amorosos? Passaram a colocar seus cadeados na Pont Neuf, a mais próxima dali e, mesmo, em outras pontes de Paris, como o Pont de l’Archevêché, ou até em grades de monumentos nas redondezas da Pont Neuf, como a estátua equestre de Henrique IV.

Como os parisienses veem essa prática

Os cadeados do amor podem ter se tornado um fetiche para os turistas, mas desagrada à maioria dos parisienes, em razão do dano causado ao patrimônio da cidade e pelo risco que representam às pontes e à segurança dos passantes.

Uma parisiense minha amiga disse: “Que demonstrem seu amor de outra forma! Essa prática de mau gosto equivale à dos casais que escrevem seus nomes dentro de um coração em sítios arqueológicos!

Antes, quando os cadeados do amor eram permitidos, nem todos os casais tinham um no bolso no momento, mas muitos viam a ponte cheia de deles e resolviam acrescentar o seu. Passaram, então, a comprá-lo dos bouquinistes, que têm nas calçadas à beira do Sena suas bancas de livros e revistas usados e aproveitavam para faturar com a venda dos cadeados. Depois, com a proibição, vendedores de rua clandestinos, assim que viam um casal olhando para as grades da ponte, já se aproximavam, propondo: “Locks! Locks of love!”.

Apesar das medidas tomadas pela Prefeitura de Paris, as próprias autoridades não têm certeza de terem vencido essa batalha. Para isso, teriam que trocar todas as grades existentes em torno dos monumentos e pontes da cidade! E a guerrilha do amor cafona não parece disposta a se render… Afinal, esse costume não se limita a Paris, mas se tornou comum em várias cidades turísticas do mundo todo, inclusive no Brasil. (Veja a matéria de Renata Santos sobre os “Cadeados do Amor”).

Minha sugestão como ex-habitante de Paris, e um eterno apaixonado pela cidade, é que a prefeitura crie uma pracinha em homenagem ao atormentado amor de de Heloísa e Abelardo na Paris medieval, com um monte de grades para quem quiser colocar em segurança seus cadeados. Se não pode com o inimigo, junte-se a ele…

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