Brasileiros no Salar de Uyuni

Salar de Uyuni: uma aventura inesquecível e para poucos

Há mais ou menos 10 anos , durante minha primeira experiência de trabalho como estagiária de um departamento de marketing em uma operadora de turismo, folheava uma caixa com materiais impressos, quando um deles me chamou a atenção. Era belíssimo, com fotos impressionantes e ilustrava um pouco do grandioso Salar do Uyuni. Foi amor à primeira vista e afirmei a mim mesma: um dia certamente pisarei neste lugar. Sabia que o Salar de Uyuni seria uma aventura inesquecível.

Mapa do Salar de Uyuni

E assim foi, depois de 10 anos, entre muitos outros caminhos e destinos, cheguei à fria, mas  acolhedora Bolívia.

A viagem iniciou-se no Deserto do Atacama, no norte do Chile. De lá, reservei numa agência local um tour de 4 dias e 3 noites para o Altiplano Boliviano. A viagem incluía o Salar do Uyuni. Já sabia das condições precárias de hospedagem e alimentação e estava disposta a encarar qualquer coisa afim de poder ver e sentir toda aquela natureza que tinha me encantado há 10 anos atrás.

Logo de cara, as mudanças de altitude e clima começam a fazer efeito. A medida que subimos, a vegetação vai se transformando, as texturas se tornam cada vez mais fortes, o silêncio mais presente. E neste silêncio, somos embalados pelo jipe que nos transporta a lugares de tirar o fôlego. É realmente difícil colocar em palavras o que vi e senti naquele lugar. Não é piegas, só quem foi sabe o que digo.

Vídeo sobre o Salar de Uyuni

As lagunas aos pés do vulcão Licancabur

Lagoas de diferentes tonalidades, gigantes, profundas. São várias, porém as mais imponentes são as Lagunas Verde, a Blanca – aos pés do Vulcão Licancabur -; e a Laguna Colorada, que possui uma tonalidade de vermelho tão forte que até parece que foi tingida por algum componente químico.  Na verdade são os milhares de flamingos divididos em 3 espécies, que pousam em suas águas para se alimentar e dão aquele colorido à paisagem.

Geyser Sol de la Mañana

Continuamos pelo deserto de Daly, onde paramos para nos banhar em uma piscina termal com vista para o vulcão Licancabur. Parece impossível entrar numa piscina quando a temperatura externa está aproximadamente 5ºC, mas depois de um tempo dentro da água, o corpo se acostuma e não há sofrimento na hora de sair. Uma delícia!
Em seguida, passamos um pouco mais de frio no Geyser Sol de la Mañana, que são fontes intermitentes de água que brotam a uma temperatura de 90ºC e exalam muita fumaça!

Deserto de Sioli

No segundo dia, viajamos pelo deserto de Sioli, onde existem formações rochosas  alaranjadas, formadas devido a erosão eólica, e lagoas altiplânicas de diversos tons. Nos hospedamos num simples, porém charmoso hotel de Sal, localizado no pequeno povoado de San Juan. Era a primeira noite de lua cheia, e mesmo estando a mais de 4.000m de altitude numa temperatura abaixo de 0ºC, era impossível não sair para admirar a claridade do luar e as cores que refletiam no deserto.

Chegamos ao Salar do Uyuni

Mais um pouco de balanço no jeep de Ronald, nosso querido e simpático motorista boliviano e chegamos ao tão esperado Salar do Uyuni. O branco perfura os olhos, é uma luz que enche o coração. Devido a época de chuvas, um espelho d’ água de de 15cm de profundidade cobria trechos do deserto. Quem olha aquela paisagem não sabe mais onde termina a terra e começa o céu. É como querer tocar o infinito e chegar quase lá. A contemplação invade o momento.

Inca Huasi: uma curiosa ilha no meio do Salar de Uyuni

No centro do Salar fica Inca Huasi, uma ilha formada por rochas calcárias, restos de corais e conchas marinhas. Grandes cactos estão espalhados por toda a dimensão da ilha, alguns milenares e de formas bem intrigantes (estudos afirmam que os cactos crescem somente 1 cm por ano, existem cactos de mais de 3mts de altura por lá!). Percorre-se a ilha em 40 minutos a pé, e subindo por suas rochas chega-se a um cume onde se pode ver a extensão do Salar em 360º. Em vários momentos, se pergunta se aquilo tudo não é mar….pois a sensação é de estar admirando a beleza do horizonte no oceano.

Para visitar o Salar de Uyuni é preciso espírito de aventura. Mas vale a pena!

Apesar do frio, forte durante o dia e que é muito pior à noite, da má alimentação e das condições da hospedagem, essa viagem transformou de verdade meu modo de ver a minha vida. Sinto como se tivesse vivido um sonho e fui tocada pela mais pura e carinhosa mãe natureza. É grandiosa, profunda, aberta, e nos convida a compartilhar da beleza absoluta que é a vida. Um grande divisor de águas.

Salar de Uyuni

Veja  pacote para a visita ao Salar

Fernanda Credidio, autora do texto sobre o Salar de Uyuni, trabalha na operadora Via BR. As fotos dessa matéria foram tiradas por Fernanda Credidio e Simone Elias, sua colega de aventura.