Atentado terrorista em Bruxelas
Grand Place, Bruxelas, Bélgica
Grand Place, Bruxelas, Bélgica

Atentados terroritas na Bélgica e a rotina dos belgas

Morar em outro país, fazer as malas, tomar a decisão de largar emprego e pessoas queridas não é uma tarefa fácil. Mas, acredite: todos deveriam tentar. Assim, sai do Brasil para viver uma aventura, em algum lugar que me desce possibilidade de conhecer novas culturas e em busca de segurança. Parei em Bruxelas, a capital belga.

Segurança é a palavra que mais tento crer nos últimos dias. Frente aos últimos acontecimentos aqui na Bélgica, os atentados do dia 22 de março, que vitimaram 31 pessoas deixando mais de 300 feridos em estado crítico com risco de morte, a única coisa que passa pela minha cabeça, no momento, é que não estamos seguros em lugar algum.

A tristeza e o medo tomou conta da cidade e sua população está lutando para voltar a viver, normalmente, sua rotina. Apesar do alerta máximo, nível 4, e dos 3 dias de luto que passamos até a última quinta-feira, as pessoas estão seguindo suas vidas, indo às escolas, trabalhando, fazendo compras no mercado e tentando esquecer o terror que o país viveu.

Infelizmente, atentados terroristas estão ficando comuns aqui na Europa. Há menos de 6 meses, a França, nossa querida vizinha, passou por um momento muito trágico também, com os atentados em novembro passado. Após esse episódio, estamos em tensão máxima e, sobre o que aconteceu na semana em solo belga, posso dizer que era uma situação esperada, ou melhor, uma tragédia anunciada. Sobre planos, para mim, o que antes eram locais seguros e desejados para “turistar” e até viver por um período, hoje está se tornando local de risco e de poucos sonhos, e a vontade de voltar ao Brasil, apesar de todos os problemas políticos, sociais, de crise e de segurança que o país passa, cresce a cada dia.

Mas, é em momentos de crise que tomamos consciência de nossas atitudes e do que buscamos como seres humanos. A solidariedade tomou conta das ruas, muitas pessoas reuniram-se em vigília às vítimas, na Place de la Bourse no centro da capital, pedindo paz, abraçando desconhecidos e dando assistência às famílias dos que sofreram. Belgas, imigrantes de diversas nacionalidades e árabes também, todos juntos por Bruxelas.

O combate ao terrorismo pelas polícias do país se intensificou e, desde que as explosões ocorreram no metrô de Maalbek e no aeroporto internacional em Zaventem, as buscas não cessaram mais. Os bairros em que os terroristas estiveram escondidos durante os últimos meses estão sendo monitorados e muitas apreensões estão ocorrendo pela cidade. Mesmo assim, críticas em relação às prisões e ao sigilo são constantes por parte de outros países, e, apesar de todos os canais de notícia belgas, europeus e de outros locais estarem cobrindo a rotina das investigações, ainda não temos dimensão real dos fatos e do que poderá acontecer.

Enquanto isso, “lentamente”, tentamos seguir a vida na capital belga. Com nível de ameaça em alerta máximo, 4, as estações de metrô e os transportes seguem parcialmente fechados e os ônibus que estão funcionando passam por um rígido controle de segurança.  Para os que caminham nas ruas, é bom lembrar: mochilas não são aconselhadas. E, para o próximo domingo, uma caminhada contra o terror (Marche Contre La Peur) está sendo organizada pela população bruxelloise em homenagem às vítimas, marcada para às 14h em frente à Place de La Bourse.

A boa notícia em meio há tanta tragédia e insegurança é que aqui no país, as escolas fazem férias de páscoa, então, nos próximos dias, a cidade estará menos populosa e as escolas fechadas ou com funcionamento parcial.

Sobre a autora da matéria

Ana Laura, uma moça de espírito aventureiro, mudou-se para a Bélgica para vivenciar novas culturas, aprender a língua local e adquirir conhecimentos. É pós-graduada em Moda, Mídia e Inovação e seus destinos preferidos são “aqueles que enchem os olhos”, estimulando sua imaginação e seu intelecto. Para contar suas experiências, criou o blog Alto Baixo Bélgica.

Ana Laura também escreveu sobre a cidade de Bruges e “As três Bélgicas