Arte na Índia
O hinduísmo
Gruta em Ajanta

Arquitetura, pintura, escultura: a arte na Índia

A Civilização do Vale do Hindus

As primeiras manifestações da arte indiana consistem provavelmente em pinturas de animais sobre vasos de cerâmica cozida, descobertas nas ruínas de Harappa, no Pendjab, e de Mohendodaro, na região de Sind, datando de 3.000 a 3.500 anos a.C. Essas pinturas eram executadas com tintas minerais e vegetais muito parecidas com as que são utilizadas ainda hoje em diversas regiões da Índia.

Império Maurya

Somente com o Império Maurya, budista, é que aparecem as primeiras obras em pedra, com técnica semelhante à utilizada para o trabalho em madeira. Também a arquitetura passa a ser mais sofisticada e seu lado estético ganha nova importância, sofrendo influência persa. Pouco antes da era cristã, definem-se algumas orientações e estilos indianos, sempre obedecendo, como ainda acontece hoje, a uma certa rigidez de estilo.

A arte e as castas

Se nos primeiros tempos os artistas eram sobretudo oriundos da casta sudra, a mais baixa, a arte passou a ser praticada por indianos de todas as castas, até mesmo por príncipes. A influência do pensamento budista do Império Maurya, que não aceitava o sistema de castas, certamente contribuiu para isso.

Ajanta e Elore

Alguns dos mais bem conservados exemplos de pinturas e esculturas na Índia encontram-se no interior de um grupo de cavernas em Ajanta e em Elora, a 400km de Bombaim. Esse tipo de arte, anterior à era cristã, desapareceu com o fim do império Maurya.

A cultura budista

A cultura hinduísta também deixou um belo legado artístico, principalmente na escultura e arquitetura.

Os templos eróticos de Khajurao

Do século XII d.C. existem templos muito bem conservados, que surpreendem os estrangeiros em razão de seus relevos com motivos eróticos (que contrastam com o conservadorismo atual da sociedade indiana). Essas figuras foram inspirados no tantrismo, um caminho para se atingir a Iluminação.

A presença muçulmana

Ela teve nas Índias teve dois aspectos. De um lado, as invasões árabes, com seu fanatismo religioso, foram bastante nocivas às artes, com a destruição de templos, a perseguição a todo tipo de arte que não fosse muçulmana e o aniquilamento do budismo. De outro lado, os mongóis trouxeram valores novos e uma contribuição artística importante, sobretudo na arquitetura e na pintura sobre papel, ocorrendo, com o passar do tempo, uma fusão cultural, a ponto de se poder falar de uma arte indo-muçulmana.

O domínio mongol

Sob o domínio mongol, a arquitetura viveu seu apogeu em cidades como Agra, Delhi e Lahore (esta, hoje, pertencente ao Paquistão), com a construção de palácios, mesquitas e monumentos funerários, como o famoso Taj Mahal. Desenvolveu um estilo novo de pintura sobre papel, de influência européia, abordando temas mundanos, geralmente ligados às atividades da nobreza. Quem conhece as iluminuras medievais européias ficará surpreso com a semelhança entre elas e as existentes em livros indianos antigos. Embora livros antigos com iluminuras sejam, em princípio, peças de museu, cuja saída do país é proibida, folhas soltas são vendidas livremente, bem como reproduções feitas em períodos mais recentes.

Um rico patrimônio

O estrangeiro que viaja na Índia de hoje surpreende-se não só com a riqueza dos antigos monumentos, templos, mesquitas, esculturas e pinturas, mas também com a produção artística contemporânea do país, no domínio da escultura em madeira, marfim e metal, e da pintura sobre tecido ou papel.

A arte tradicional

Algumas noções dessa arte são necessárias para melhor compreendê-la. Uma de suas peculiaridades é que as obras de arte tradicionais não são assinadas, a não ser, em casos raríssimos, por artistas de influência européia. A principal razão, porém, é de motivação religiosa: a arte é um dom emanado de Deus e o artista é apenas a fonte de onde brota a inspiração divina. Isso também ocorre porque, às vezes, a obra é produzida por uma equipe de artistas de diferentes especialidades. Por essa razão, muitos ocidentais, acostumados com as obras de arte, muita vezes de gosto duvidoso, mas sempre assinadas, têm a tendência de classificar erroneamente a rica e elaborada produção artística indiana de “artesanato”.

A arte ligada a motivos tradicionais

Ocorre também que o artista indiano não inventa temas a seu bel-prazer, mas trabalha dentro de motivos tradicionais ligados à religião e obedecendo normas transmitidas de geração em geração. Para compreendê-los, o ideal é encará-los em seu contexto religioso.

Mandalas

A arte budista, nascida nas Índias, desenvolveu-se principalmente no extremo norte da Índia e no Nepal. O melhor exemplo dessa arte são as tangkas (pronunciar: “tancas”), que têm como um de seus temas principais as chamadas mandalas e o próprio Buda. As mandalas são símbolos religiosos, com um círculo em torno de uma forma quadrada – as quatro paredes de um santuário – com aberturas laterais, representando saídas para os quatro pontos cardeais. Pela simetria de sua forma, a mandala é considerada um símbolo de unidade harmônica e de integridade psíquica ou, no jargão junguiano, do self: Jung mandava seus discípulos desenhar mandalas. Usadas em meditação, elas funcionam como uma espécie de concentrador de energias. Dizem os tibetanos que quem se fixa na mandala durante cinco minutos por dia nunca perde a lucidez. A mandala pode ser vista em tangkas e em xilogravuras sobre papel de arroz, como as existentes no Nepal, com acabamento em ouro, que também podem ser encontradas no norte da Índia e em Nova Delhi.

Tangkas

Há tangkas que representam o próprio Buda, em destaque, como personagem central, geralmente sentado sobre a flor sagrada de lótus, em posição de meditação, em meio a seus discípulos. O Buda representado nesse tipo de trabalho é esguio, apresenta-se coberto com o manto dos monges e tem os cabelos presos em coque no alto da cabeça, rodeada por uma auréola. Também há tangkas com representações hinduístas, geralmente divindades com vários braços.

Na arte hinduísta, quase toda pintura é executada sobre algodão de diferentes texturas ou sobre seda. Os temas favoritos dos artistas são cenas da vida de Krishna, às vezes acompanhado de seu amigo Arjuna ou de algumas de suas adoradoras, em atitude de oferenda ou devoção.

As representações mais comuns

Normalmente na mesma tela aparecem duas ou mais representações de Krishna, muitas vezes sobre uma flor de lótus, rodeado de animais sagrados, como a vaca, o elefante e o pavão, em meio a jardins floridos ou adornado com colares de flores. Krishna é sempre apresentado num tom azul acinzentado, enquanto as demais figuras humanas aparecem nas cores comuns dos mortais. Algumas dessas pinturas podem também ter como tema a vida dos grandes senhores do Rajastão. Esse tipo de pintura, de grande efeito decorativo, conhecido como pitchway, já é mais conhecida dos ocidentais e é utilizada na decoração de residências, quando se pretende dar um toque oriental a uma sala da casa.

Marfim

Pinturas e esculturas sobre marfim ou madeira podem representar outros deuses do panteão hindu, mas os mais comuns são Ganesh, o deus elefante, considerado o deus da fortuna; Shiva, que simboliza a força regeneradora do universo; e Parvati, deusa do amor, mulher de Shiva, às vezes em posição de dança (a dança cósmica da vida), outras em posição tântrica. Shiva e Parvati aparecem com freqüência tendo à mão um tridente e sentados sobre a pele de um tigre ou uma flor de lótus.

Os vários braços e/ou várias cabeças que aparecem em algumas imagens representam a onipresença, o poder ou força que o artista atribui à divindade.

A arte islâmica

Já a arte muçulmana, de origem mongol, que encontra grande expressão em pinturas sobre algodão, seda ou marfim, gira em torno de temas de caça ao tigre, cenas da corte do Grã-Mogol, combates, flores e pássaros. Nesse caso, o artista tem mais liberdade de criação, mas a temática não foge muito da citada. São representadas, com frequência, cenas eróticas, mostrando príncipes mongóis em haréns, com suas preferidas. Esse gênero de representação tem sido desestimulado nos dias atuais, por não coincidir com os padrões de moralidade da Índia contemporânea.

Interessante lembrar que a arte indiana é transmitida de geração em geração por famílias de pintores, obedecendo, como vimos, a padrões rígidos, e seguindo em uma tradição. A genialidade do artista se revela, assim, nas delicadezas dos traços, cores e formas aprimoradas, bem como na riqueza dos detalhes, sem que inovações temáticas ou de forma sejam propostas. As inovações, quando aparecem, são sutis e coexistem durante muito tempo com as formas tradicionais e só com muita lentidão é que se vão impondo. Seria impossível, nas artes plásticas indianas tradicionais, o surgimento de novos movimentos ou escolas como as diversas que têm proliferado no Ocidente (cubismo, surrealismo, expressionismo etc.).

Apesar disso, em razão principalmente do turismo, artistas locais, principalmente aqueles que estudaram na Europa (e assinam suas pinturas) mesclam influências locais com o que aprenderam no Ocidente. É o caso de Kamlesh Sharma, que se dedica à pintura miniaturizada sobre lâminas de madeira, muito apreciada por ocidentais, com imagens delicadíssimas e um tanto erotizadas. A mulher retratada na pintura abaixo não é uma indiana, mas mais provavelmente uma balinesa ou tailandesa.

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Para saber mais sobre costumes, religião, história cultura da Índia, leia A Vaca na Estrada.

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