Arte erótica na Antiguidade
Templo erótico de Khajurao, na ìndia
Arte erótica na Antiguidade. Templo erótico de Khajurao, na ìndia

Arte erótica

Por Lúcio Martins Rodrigues

A arte erótica na antiguidade está presente desde épocas as mais remotas, na Índia, na China, Japão, na Grécia, no Império Romano e em outras lugares do planeta.  Independentemente de sua temática, peças e pinturas eróticas devem ser apreciadas dentro do contexto histórico nacional de sua época, em cada país. E, claro, não vamos confundir arte com pornografia moderna.

Arte erótica indiana

Normalmente o ocidental que visita a Índia se surpreende ao tomar contato com expressões eróticas em templos, quando sabidamente o indiano de hoje é profundamente moralista. Nem beijos aparecem em filmes e, nas bancas de jornais nunca se vê um nu ou um cartaz com alguma imagem sensual um pouco mais “atrevida”.

Muitas vezes, como acontece na Índia, por exemplo, em muitos casos, a sexualidade está ligada à religião, e encarada como um aspecto divino da vida. É o caso de representações tântricas de Khajurao,  esculpidas em relevo no enorme conjunto de templos em estilo shikara, onde ocupam uma área de vinte quilômetros quadrados. Os ingleses, que dominavam a Índia durante tantos séculos,  demoraram muito para descobrir os templos erguidos pelos reis da dinastia rajput dos Chandelas, que tinham  o Tantrismo, como orientação religiosa.
Quase todo mundo no Ocidente já ouviu falar do antiquíssimo Kama Sutra, escrito originalmente em sânscrito, obra formada por duas palavras, (Kama= desejo) e Sutra+euforismo). Algumas de suas 64 famosas representações eróticas, com posições “impossíveis”, dignas de um contorcionista, se praticadas por leigos, fariam os parceiros amorosos ir parar numa clínica ortopédica… Enfim, o Kama Sutra, muita gente ignora, é formada por vários livros, só um deles com figuras eróticas. Os demais são voltados apenas sedução, para  a arte do amor, envolvendo a música, e mesmo comida e essências afrodisíacas.

A arte erótica no Império Romano

Durante as escavações de Pompéia, destruída pela erupção de Vesúvio no ano de 79 d.C., embora já existissem evidências da presença do erotismo na arte romana, os arqueólogos se surpreenderam com a quantidade de objetos e, principalmente, de pinturas e mosaicos de cunho erótico que vieram à tona durante as escavações. As pinturas eróticas foram encontradas principalmente nos bordéis espalhados pela cidade (havia pelo menos vinte deles em Pompéia). No lupanar (“casa das lobas”), aberto à visitação em Pompéia (fácil de se localizar em razão do número de turistas na porta, esperando a vez para entrar…), há muita pinturas eróticas, muitas em mal-estado. Pode parecer estranho para o visitante, mas elas serviam para indicar as especialidades de algumas profissionais.

O curioso é que essas pinturas não foram encontradas apenas nos bordéis, mas também em outras construções, inclusive em casas particulares. Muitas obras eróticas foram levadas para Gabineto Segretto do Museu Arqueológico de Nápoles, onde as peças eróticas eram estocadas. Sob pressão da Igreja, o Gabineto Segretto permaneceu trancado em alguns períodos históricos, como durante a era fascista, por exemplo. Só foi reaberto ao público em 1967. De qualquer forma, para o homem ocidental moderno,  acostumado com “essas coisas”, o acervo não tem nada de chocante. Algumas representações são caricatas e até grotescas e não têm nada de sensual.

A Arte erótica grega

Arte erótica grega
Arte erótica grega

A arte erótica grega da antiguidade clássica, que iria mais tarde influenciar a arte romana, retrata  a sexualidade considerada normal na época. Só um exemplo para entenderem melhor a moralidade na antiguidade grega: um homem mais velho com frequência “adotava” um rapazote e tornava-se seu amante, ele na condição de “ativo”, e o jovem na de “passivo”. Quando o garoto começava a ter barba a relação acabava…  Mas  ninguém era “gay”! E por aí vai… Numa sociedade guerreira (e um tanto machista…), as mulheres gregas eram todas, como na música de Chico, “Mulheres de Atenas”… A grande maioria das pinturas eróticas de diferentes épocas, que chegaram até nós foram executadas sobre cerâmica, vasos, ânforas, pratos, quase sempre em duas cores apenas, algumas “achatadas”, sem perspectiva, outras com linhas estilizadas. A temática é a mais liberal possível, retratando orgias,  relações sexuais em todas as posições, sodomia.

A arte erótica japonesa

Arte erótica japonesa
Arte erótica japonesa

O erotismo japonês é sutil e até poético. Uma figura erótica, é, por exemplo, denominada “shunga“,  ou” imagens da primavera” Ou ainda warai-e, “imagens para se rir.” Talvez seja mesmo para rir, em razões de distorções, como o sexo masculino enorme em algumas representações (alguma ambição inconsciente do artista?).

Sabe-se que as primeiras representações eróticas japonesas (pelo menos as que chegaram até nós), são originárias de Tóquio e datam do período Edo, que se estendeu do século XVII à metade do século XIX As estampas, com variadas representações sexuais, cada vez mais numerosas nos séculos seguintes, foram proibidas em meados do século XIX, durante o período Meije (que se pretendia moderno…). Mas, “por baixo do pano”, continuaram a ser produzidas e colecionadas. O mais engraçado é que essa arte influenciou famosos artistas europeus apreciadores da cultura nipônica, como Toulouse-Lautrec, Degas, Rodin e Picasso.

Muitas reproduções dessas imagens são hoje procuradas na capital japonesa por turistas ocidentais, em Yukaku (o distrito da luz vermelha), no bairro de Yoshiwara. Ao que parece, o japonês, normalmente pudico no que se refere a sexo, começou a aderir à globalização sexual: recentemente os shunga foram liberados para exposições abertas em Tóquio e Osaka. As exposições realizadas no pequeno museu Eisei Bunko, da capital japonesa, foram um sucesso de público, todo mundo se acotovelando para ver as famosas figuras eróticas.

A arte erótica chinesa

Arte erótica chinesa
Arte erótica chinesa

A arte erótica chinesa é bem antiga. Datam do começo da Dinastia Han, no século II a.C. pinturas, objetos de marfins, cerâmicas e estatuetas de bronze ou madeira com motivação sexual. Durante a Revolução Cultural de Mao Tse Tung, quando todo mundo devia vestir o mesmo macacão assexuado, muitas dessas peças, um patrimônio artístico e histórico, foram destruídas.

Enquanto a arte erótica japonesa tem alguns aspectos caricatos, a chinesa é mais suave e realista. Nada de membros superdotados, mas também nada de vergonha ou culpa. A sutileza dos traços não implica pudor algum com relação aos temas abordados. Retratam com naturalidade cenas de sodomia, um encontro homossexual ou qualquer forma de sexo.  Boa parte do acervo de arte erótica chinesa é constituída por peças da dinastia ming  (1368 – 1644)   e Qing (1644 – 1911). Um tema recorrente nas pinturas e estatuetas eróticas chinesas é a concubina, a figura feminina chinesa exaustivamente retratada, deitada, lânguida, ou fazendo sexo.

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O Gabinetto Segreto do Museu Arqueológico de Nápoles